Para o feriado de dia 1 foi desenhada uma volta muitíssimo interessante, sem dúvida, mas que deveria ter sido melhor planeada, dada a sua longa distância e índice de dificuldade. O trajecto original reunia o melhor de dois mundos: a planície, montanha e o campo, acrescentando ainda a diversidade paisagística. De Loures ao Parque das Nações e em toda a zona ribeirinha de Lisboa até Algés prevalece ambiente urbano e as estradas largas e planas, a convidar à velocidade. O terreno de roladores mantém-se na Marginal, com o seu perfil ondulado, ladeado pela lindíssima linha de costa banhada por sol radioso. E assim continua até ao Guincho. Um deleite para calmeirões, como diria o Pintainho.
A partir daqui, embrenhamo-nos na frondosa serra de Sintra, acentuando os desníveis logo à saída do extenso areal do Guincho pela longa subida de Malveira ao Cabo da Roca, seguindo-se a longa descida para Colares e a ascensão final à cidade Património da Humanidade. Aqui, dominam os «todo-o-terreno». Finalmente, a última secção, por Pêro Pinheiro e Negrais, ao género de «parte-pernas», mais ainda quando já acusam alguma fraqueza… A juntar, a distância total, que rondaria certamente os 125/130 km. Resumindo: índice de dificuldade elevado.
Assim, o pelotão, uma vez mais numeroso e motivado saiu de Loures e rolou a velocidade moderada em direcção a Lisboa e Algés, com a vantagem do vento soprar favorável. De resto, os maiores adversários foram as intermináveis tampas de esgoto, o trânsito que não desaparece mesmo em dia de folga, os semáforos quase sempre vermelhos e alguns obstáculos inesperados na via, nomeadamente… pedras! Passar por cima de uma, em Belém, custou-me um furo – rapidamente reparado com o precioso auxílio do João Santos e do Nando – grandes camaradas! De novo na estrada, mas condicionado pelo horário, não fui muito mais longe, invertendo a marcha no cruzamento do Estádio Nacional, infelizmente pouco antes de se iniciar a aguardada Marginal. Fica a próxima! O regresso a Alverca foi higiénico, em amena cavaqueira com o Duarte (treino, provas e afins…) e o Luís (com que nos cruzamos em Sta. Apolónia) – em ritmo ideal para esta altura do ano. 95 km em 3h20: um mimo!
Tal como referi, a exigência do percurso carecia de melhor planeamento desta volta, que deveria ter sido melhor programada, com maior antecedência e, porventura, com horário de saída mais madrugador, etc., etc. Por isso, o grupo teve de encurtar o trajecto, cortando no Estoril para Alcoitão, driblando assim muitos quilómetros e, acima de tudo, os arrepios da Serra de Sintra. De qualquer modo, pela beleza da etapa, penso que a sua realização, em versão integral, deveria ser equacionada – por exemplo, em jeito de Super-Clássica!
Espaço aberto à opinião dos ciclómanos sobre ciclismo. De simples entusiastas da modalidade aos que a praticam. Sítio de tertúlia, onde fluem conversas de ciclistas sobre ciclismo.
quinta-feira, novembro 02, 2006
segunda-feira, outubro 30, 2006
«Encerrar» em beleza!
É o que se chama encerrar (o calendário) em beleza! Pelotão tão numeroso só nas Super-Clássicas de Fátima ou Évora; clima de Verão de Outono e percurso propício a todo o tipo de «especialidades», ainda que favorecendo os roladores. Estes foram os condimentos da Clássica de Encerramento, a última etapa do Circuito 2006.
Mas a voltinha saloia a Malveira-Mafra, Ericeira, Pêro Pinheiro e Negrais superou todas as expectativas. Terá sido pelos dias de recolhimento forçado devido ao mau tempo ou porque esta fase do ano é tão pródiga em promover a boa forma de uma grande parte dos elementos do grupo, a verdade é que se assistiu ao soltar de algumas «feras».
Os sinais de espevitamento surgiram logos nos primeiros quilómetros, com a ligação Tojal-Bucelas a não ser de habitual «aquecimento». Por isso, não surpreendeu que a primeira rampa, depois de Bucelas, provocasse a divisão do pelotão, com um grupo numeroso a destacar-se, ainda que nunca mais do que 30 segundos durante a longa subida para a Venda do Pinheiro, mas obrigando a não descurar a perseguição. Na Malveira, onde se fez o reagrupamento, só o Nando e o Fantasma se mantinham isolados – indicativo que seriam eles os principais animadores da jornada.
Até Mafra, o figurino manteve-se. Nova e previsível cisão no grupo à passagem por Alcainça, mas o grosso da coluna repunha-se na Carapinheira. A partir de Mafra, a animação foi ao rubro. O Nando estava endiabrado e o Fantasma não fazia por menos, por isso depois de Paz voltaram a isolar-se, evidenciando a disposição de levar a aventura avante nos 12 km de falso plano descendente até à Ericeira. Mas o pelotão, lá atrás, percebendo a gravidade da situação não demorou a reagir e anulou rapidamente a fuga. Todavia, estava lançada a semente para a correria desenfreada – tanto mais que, mesmo com o «comboio» a 50 km/h, o Nando insistiu em manter-se activo na frente, motivando respostas e contra-respostas, com «picos» que chegaram a superar os 60 km/h! Grande ciclismo! Para dar ideia da loucura, refira-se que na secção Carapinheira-Ericeira fez-se uma média de 43 km/h! Por isso foi com algum alívio pessoal que se chegou ao «descanso» programado, na Ericeira.
Mas depois da Foz do Lizandro, o terreno volta a ser convidativo a mais movimentações. Sem causa aparente, houve um primeiro grupo que iniciou a subida para o Pobral destacado e assim «cavou» um fosso importante para o segundo, que, para mais, tinha o andamento condicionado pela presença dos elementos mais desgastados. Durante a subida, foi o Salvador que primeiro assumiu as despesas à cabeça do grupo da frente, contando depois com a colaboração do Fantasma – principalmente este claramente interessado em não deixar cair o andamento quando o terreno voltou a endireitar. Então aí, houve outros a colaborarem no esforço, casos do Carlos, do Nuno Garcia e do Pedro, dividindo a pesada factura que estava a impor o vento frontal. Folgaram: eu, o Pina, o ZT e o Duarte. Ainda assim, a média rondou os 30 km/h entre o Pobral e Terrugem, onde a distância entre os dois grupos foi superior a 5 minutos.
A partir daqui, de novo, com pelotão compacto, seguiu-se em direcção a Pêro Pinheiro, voltando a haver «selecção» na aproximação e passagem por Negrais (Sta. Eulália), onde o Nando e o Carlos «tiraram» à frente do mini-pelotão. E para terminar em beleza, na descida de Sta. Eulália regressou a animação, gerando um ambiente «altamente» selectivo a partir de Ponte de Lousa (o «Scott carbono», eu, o Nuno Garcia e o Durão) culminado com um sprint vigoroso no alto de Guerreiros, onde o Durão e o Nuno demonstraram que são os mais fortes neste final de temporada, que se afigura altamente competitivo.
Mas a voltinha saloia a Malveira-Mafra, Ericeira, Pêro Pinheiro e Negrais superou todas as expectativas. Terá sido pelos dias de recolhimento forçado devido ao mau tempo ou porque esta fase do ano é tão pródiga em promover a boa forma de uma grande parte dos elementos do grupo, a verdade é que se assistiu ao soltar de algumas «feras».
Os sinais de espevitamento surgiram logos nos primeiros quilómetros, com a ligação Tojal-Bucelas a não ser de habitual «aquecimento». Por isso, não surpreendeu que a primeira rampa, depois de Bucelas, provocasse a divisão do pelotão, com um grupo numeroso a destacar-se, ainda que nunca mais do que 30 segundos durante a longa subida para a Venda do Pinheiro, mas obrigando a não descurar a perseguição. Na Malveira, onde se fez o reagrupamento, só o Nando e o Fantasma se mantinham isolados – indicativo que seriam eles os principais animadores da jornada.
Até Mafra, o figurino manteve-se. Nova e previsível cisão no grupo à passagem por Alcainça, mas o grosso da coluna repunha-se na Carapinheira. A partir de Mafra, a animação foi ao rubro. O Nando estava endiabrado e o Fantasma não fazia por menos, por isso depois de Paz voltaram a isolar-se, evidenciando a disposição de levar a aventura avante nos 12 km de falso plano descendente até à Ericeira. Mas o pelotão, lá atrás, percebendo a gravidade da situação não demorou a reagir e anulou rapidamente a fuga. Todavia, estava lançada a semente para a correria desenfreada – tanto mais que, mesmo com o «comboio» a 50 km/h, o Nando insistiu em manter-se activo na frente, motivando respostas e contra-respostas, com «picos» que chegaram a superar os 60 km/h! Grande ciclismo! Para dar ideia da loucura, refira-se que na secção Carapinheira-Ericeira fez-se uma média de 43 km/h! Por isso foi com algum alívio pessoal que se chegou ao «descanso» programado, na Ericeira.
Mas depois da Foz do Lizandro, o terreno volta a ser convidativo a mais movimentações. Sem causa aparente, houve um primeiro grupo que iniciou a subida para o Pobral destacado e assim «cavou» um fosso importante para o segundo, que, para mais, tinha o andamento condicionado pela presença dos elementos mais desgastados. Durante a subida, foi o Salvador que primeiro assumiu as despesas à cabeça do grupo da frente, contando depois com a colaboração do Fantasma – principalmente este claramente interessado em não deixar cair o andamento quando o terreno voltou a endireitar. Então aí, houve outros a colaborarem no esforço, casos do Carlos, do Nuno Garcia e do Pedro, dividindo a pesada factura que estava a impor o vento frontal. Folgaram: eu, o Pina, o ZT e o Duarte. Ainda assim, a média rondou os 30 km/h entre o Pobral e Terrugem, onde a distância entre os dois grupos foi superior a 5 minutos.
A partir daqui, de novo, com pelotão compacto, seguiu-se em direcção a Pêro Pinheiro, voltando a haver «selecção» na aproximação e passagem por Negrais (Sta. Eulália), onde o Nando e o Carlos «tiraram» à frente do mini-pelotão. E para terminar em beleza, na descida de Sta. Eulália regressou a animação, gerando um ambiente «altamente» selectivo a partir de Ponte de Lousa (o «Scott carbono», eu, o Nuno Garcia e o Durão) culminado com um sprint vigoroso no alto de Guerreiros, onde o Durão e o Nuno demonstraram que são os mais fortes neste final de temporada, que se afigura altamente competitivo.
quinta-feira, outubro 26, 2006
Aí está a Etapa do Tour 2007!
Aí está a ETAPA DO TOUR 2007!
Data: 16 Julho
Etapa: Foix-Loudenvielle - 196 km
4 contagens de montanha de altíssima categoria:
Col de Port (11,4 km a 5,3%)
Col de Portet d'Aspet (5,7 a 6,9%)
Col de Menté (7 km a 8,1%)
Port de Balés (19,2 km a 6,2 km)
Col de Peyresourde (9,7 a 7,8%)
Um percurso duríssimo, extremamente selectivo, certamente mais ainda que o deste ano! (Izoard-Lautaret-Alpe d'Huez; 191 km), a exigir nível de preparação superior. A raínha das ciclodesportivas internacionais é isso mesmo!
Data: 16 Julho
Etapa: Foix-Loudenvielle - 196 km
4 contagens de montanha de altíssima categoria:
Col de Port (11,4 km a 5,3%)
Col de Portet d'Aspet (5,7 a 6,9%)
Col de Menté (7 km a 8,1%)
Port de Balés (19,2 km a 6,2 km)
Col de Peyresourde (9,7 a 7,8%)
Um percurso duríssimo, extremamente selectivo, certamente mais ainda que o deste ano! (Izoard-Lautaret-Alpe d'Huez; 191 km), a exigir nível de preparação superior. A raínha das ciclodesportivas internacionais é isso mesmo!
quarta-feira, outubro 25, 2006
Clássica de Encerramento: a descrição
No próximo domingo, realiza-se a volta de Encerramento do 1º Circuito Ciclista Pina Bike (2006). A hora (8h30) e o percurso:
Loures-Tojal (4 km)-Bucelas (8)-Freixial (12)-Venda do Pinheiro (20)-Malveira (23)-Alcainça (26)-Mafra (32)-Paz (33)-Ericeira (42)-Foz do Lizandro (47)-Pobral (50)-Odrinhas (56)-Terrugem (61)-Pêro Pinheiro-(68)-Negrais (74)-Sta. Eulália (76)-Ponte de Lousa (81)-Pinheiro de Loures (86)-Loures (88)
Pontos neutralização para reagrupamento: Venda do Pinheiro (20 km); Carapinheira (30 km); Ericeira (42 km) e Terrugem (61 km).
Pontos quentes sugeridos*: Ericeira-Terrugem (19 km) e Terrugem-Sta. Eulália (15 km).
* Devem entender-se as referidas secções como «indicadas a todo o tipo de hostilidades». Todavia, não terão de ser necessariamente… De resto, como sempre o ritmo é livre em todo o percurso. Acima de tudo, o importante é respeitar as neutralizações.
Loures-Tojal (4 km)-Bucelas (8)-Freixial (12)-Venda do Pinheiro (20)-Malveira (23)-Alcainça (26)-Mafra (32)-Paz (33)-Ericeira (42)-Foz do Lizandro (47)-Pobral (50)-Odrinhas (56)-Terrugem (61)-Pêro Pinheiro-(68)-Negrais (74)-Sta. Eulália (76)-Ponte de Lousa (81)-Pinheiro de Loures (86)-Loures (88)
Pontos neutralização para reagrupamento: Venda do Pinheiro (20 km); Carapinheira (30 km); Ericeira (42 km) e Terrugem (61 km).
Pontos quentes sugeridos*: Ericeira-Terrugem (19 km) e Terrugem-Sta. Eulália (15 km).
* Devem entender-se as referidas secções como «indicadas a todo o tipo de hostilidades». Todavia, não terão de ser necessariamente… De resto, como sempre o ritmo é livre em todo o percurso. Acima de tudo, o importante é respeitar as neutralizações.
segunda-feira, outubro 23, 2006
O Nando sempre foi...
Ontem, apesar da intempérie, o Nando cumpriu a preceito o seu objectivo de ir a Fátima de bicicleta, contando com a preciosa colaboração dos «todo-o-clima» Freitas e Carlos, da Póvoa, que o acompanharam até Alcoentre, tal como previsto. Segundo soube, o vento soprou de Sul, de feição a quem rumava a Norte (no caso, o Nando), mas de cara a quem teve de dar a volta de regresso a casa. Para estes, acrescentou-se a chuva torrencial a partir do Carregado. Dantesco! No entanto, de toda a «maluquice» sobressai a demonstração de camaradagem em apoio a um companheiro de estrada. Acções que merecem ser elogiadas…
quinta-feira, outubro 19, 2006
A «missão» de Alcoentre: a descrição
Como ficou previsto, a volta do próximo domingo foi pensada com a missão de acompanhar o Nando durante a primeira fase da sua jornada solitária a Fátima, até Alcoentre. Para tal, antecipou-se a saída de Loures para as 8h00, após o que se parte em direcção a Alverca (16 km), Vila Franca (24), Alenquer, Ota (pela EN1 - 43 km), Abrigada (47), Espinheira (55) e rotunda do Cercal (57) – onde o nosso «passageiro» ficará por sua conta, após o que viramos à direita para Alcoentre (59) em direcção a Aveiras de Cima (68), Azambuja (70) e Carregado (82) e regresso a Loures. Distância total: 125 km.
O percurso é praticamente plano, apenas com alguns topos «doces»: em Alenquer (que termina na rotunda já conhecido da volta da Ota), na Ota (até perto do cruzamento da Abrigada), e mais um ou outro nos 8 km que restam até à rotunda da Espinheira/Cercal. Logo a seguir a Alcoentre ainda se sobe, suavemente, mas depois é sempre a descer, em falso plano, para Aveiras e daqui para a Azambuja (à excepção dos dois «topecos» a chegar a esta vila).
Como tal, devido ao carácter acessível do revelo, sugere-se apenas UMA PARAGEM PARA REAGRUPAMENTO na rotunda da Espinheira/Cercal (a tal onde «libertaremos» o Nando), com aprox. 57 km percorridos. O mesmo será dizer que antes e depois deste ponto há liberdade total para praticar todo o tipo de hostilidades… Esta será, de resto, uma etapa para roladores e própria para longas fugas. Tomara que o tempo ajude!
O percurso é praticamente plano, apenas com alguns topos «doces»: em Alenquer (que termina na rotunda já conhecido da volta da Ota), na Ota (até perto do cruzamento da Abrigada), e mais um ou outro nos 8 km que restam até à rotunda da Espinheira/Cercal. Logo a seguir a Alcoentre ainda se sobe, suavemente, mas depois é sempre a descer, em falso plano, para Aveiras e daqui para a Azambuja (à excepção dos dois «topecos» a chegar a esta vila).
Como tal, devido ao carácter acessível do revelo, sugere-se apenas UMA PARAGEM PARA REAGRUPAMENTO na rotunda da Espinheira/Cercal (a tal onde «libertaremos» o Nando), com aprox. 57 km percorridos. O mesmo será dizer que antes e depois deste ponto há liberdade total para praticar todo o tipo de hostilidades… Esta será, de resto, uma etapa para roladores e própria para longas fugas. Tomara que o tempo ajude!
segunda-feira, outubro 16, 2006
A Ajuda divina
Quando o Durão acelerou na subida de Frielas, fraccionando o pelotão em dois grupos, cheguei a temer pelo bom desenrolar da volta de ontem – a exigente Clássica da Sra. da Ajuda. Felizmente, os meus receios não se confirmaram, e a etapa veio a superar as melhores expectativas, assistindo-se a alguns desempenhos de verdadeiros campeões…
Assim, ainda no rescaldo das chagas provocadas pela fuga «mal-entendida» da Clássica de Torres, a tal escaramuça não augurava nada de bom. A partir do momento em que, no cruzamento de Unhos, tanto o João, o ZT e o Abel descolaram do grupo principal; e eu, o Steven e o Carlos ficámos em posição intermédia, mas ainda a tempo de recuperar, a melhor decisão era reunir as tropas e, acima de tudo, motivá-las para o muito que faltava percorrer – o que nem sempre é fácil! De resto, porque se sabia que o primeiro grupo, além de numeroso e muito forte – a ver: Durão, Nando, João Santos, Fantasma, Salvador, Pedro e o Luís –, não iria «parar»… antes da Mata.
Depois do sexteto estar a postos, metemos a velocidade de cruzeiro a partir de Sacavém, sempre com preocupação para não causar desgastes excessivos e, por outro lado, não perder demasiado tempo para os homens da frente. Por isso, em Alverca, antes de iniciar a subida de A-do-Melros, era geral a sensação que o trabalho tinha sido bem feito. O grupo principal estava a menos de um minuto e sabia-se que lá, mais do que a inclinação (porque é baixa) dos próximos 7 km seria a falta de entendimento e as acelerações, que iriam fazer as primeiras vítimas. Ei-las, inclusive mais cedo que esperava: o Nando (penso que mais voluntariamente) e o Luís. Depois, o Pedro (já na descida para Arruda) e finalmente o Fantasma (só à entrada da subida da Mata porque o grupo «alivou» para deixar o Nando reentrar depois de parar para recuperar do chão uma barra energética). Lá à frente, os mais fortes aceleraram e praticamente só eles resistiram: o Durão, o João Santos e o Salvador – este mais uma vez, a passar a si próprio uma factura que veio a pagar bem.
No início da Mata, os meus companheiros de fuga «libertaram-me» para tentar alcançar os últimos fugitivos. Tarefa complicada, tendo em conta o atraso (cerca de 1 minuto) e, entre eles, estar o Durão. Acelerei e avistei o trio antes do 1º gancho (estavam no andar de cima, nesta altura a não mais de 40 segundos). O Durão viu-me e atacou, deixando o Salvador pregado. A partir daqui iniciava-se a verdadeira perseguição. O João Santos resistiu até já depois da passagem pela Mata e alcancei-o no 2ª gancho, onde já não tinha ilusões quanto a apanhar o Durão, que chegou ao alto com uma vantagem de 20 segundos. Tempo de subida: 12m14s, apenas mais 2 s que o meu melhor de sempre. Média de pulsação: 180!
Os restantes foram chegando, a maioria aos pares, e só se teve de esperar mais tempo pelo Abel e o Steven.
Após a Mata deslizou-se na descida para S. Tiago dos Velhos e rapidamente nos deparámos com o «muro» da Sra. da Ajuda. O Nando abriu as hostilidades, provando a sua subida de forma, mas eu fechei o espaço, levando o Durão na roda. Mais uma vez, o grupo teve uma excelente prestação, voltando a reunir-se a caminho da Tesoureira.
Aqui, já com o peso da distância e acima de tudo das subidas, o fraccionou-se definitivamente, quando o Nando acelerou na descida, ficando na frente o eu, Nando, Fantasma, Durão, João Santos, ZT e o João, que se adiantou em direcção a Casais da Serra, terminando, de vez, com a já fraca vontade do Fantasma e do ZT em subir Ribas. Até o próprio ficou tentado a seguir para Bucelas, mas acabou por completar o percurso.
Chegava então, a último ponto quente da jornada. A uma média de 20 km/h e 177 pulsações/minuto, quebrei (pelos menos 2 segundos que me faltaram na Mata) a minha melhor marca pessoal, que durava há 3 anos: 9m55s. O Durão chegou 35 s depois, também ele a fazer uma óptima subida. Depois o João Santos, e juntos o Nando e o João. O Carlos e o Salvador, que tinham «evitado» a Sra. da Ajuda, também chegaram ao alto de Ribas. Mas o «melhor» também estava a chegar: o Abel. Já não encontro nada de novo para elogiar os exemplos de coragem com que este homem nos esmaga todos os domingos!
Notas de observador:
Elogio a atitude e a excelente prestação de todos os participantes neste difícil percurso. Todavia, destaco, por esta ordem, os que completaram a distância e que, além disso, estiveram no grupo perseguidor – assim (além de mim) refiro-me ao João e ao incontornável Abel. Mas volto a sublinhar que todos, sem excepção, estivemos em GRANDE! Mais: faço uma vénia a todos os que, por motivos vários, não têm o nível de preparação dos chamados «internacionais», pelo desempenho que têm em voltas como esta. Assumo, sem faltas modéstias, que não seria capaz de tanto.
Todavia, a aceleração do Durão em Frielas, que provocou a divisão do grupo merece reparo. Ou seja, mesmo tendo marcado negativamente o desenrolar da tirada – desta vez! –, volto a frisar que não devem os mais fortes participar em iniciativas deste género, tão madrugadoras e em etapas com índice de dificuldade elevado, e muito menos serem estes a promovê-las, como foi o caso.
As despesas da perseguição ao grupo que se destacou em Unhos não foram bem distribuídas, mas nestas situações a gestão é muito mais importante. Ou seja, num grupo heterogéneo como aquele devem ser os mais aptos a tomar as rédeas e a despender o esforço maior, voluntariamente e sem esperar ajudas dos menos fortes. Naquela situação, eu e o Carlos, embora todos tivessem dado, mesmo que apenas as espaços curtos, o seu contributo. Mas sinceramente, não se deviam sentir obrigados. Deviam, sim, motivar-se e motivarem os outros.
Na óptica do comentário anterior, penso que a melhor abordagem a todas às clássicas domingueiras é pensar no percurso como um todo, e não apenas numa parte. Com isto quero dizer que não é recomendável entrar em esforços prolongados de alta intensidade (e são estes que acabam com a resistência) na primeira fase da volta para depois pagar copiosamente essa factura e ter de encurtar caminho ou não completar o percurso previsto. A estratégia faz parte deste e todos os desportos e para se evoluir em cada um é saber utilizá-la em proveito próprio. E para isso é preciso ter cabecinha!
Em relação ao ponto anterior, este domingo vi bons e maus exemplos. Não contando que o pior de todos foi dado pelos mais fortes (Durão), pelos motivos já referidos, destaco entre os «bons», o do Nando e do Luís, que se deixaram descair em A-dos-Melros quando viram que o ritmo não era adequado; entre os «assim-assim», o Fantasma e o Pedro (este com a desculpa da inexperiência), que devem ser insistido em resistir ao ritmo do Durão o mais tempo possível. O primeiro acabou com mais uma «facadinha» ao percurso, passando ao largo de Ribas, e o Pedro, que actualmente deve ter como prioridade poupar toda a energia possível, que é o primeiro ensinamento para evoluir como pretende. E finalmente, entre os «maus», sem dúvida o Salvador, que foi «até dar» com o João Santos e o Durão, na Mata, só cedendo ao previsível ataque do Durão. Então, já o mal estava feito! Depois, como as forças já eram escassas, vieram as fintas ao percurso e ao próprio grupo… O mérito maior não é andar na frente enquanto se puder, mas é chegar ao fim, mesmo que se tenha de andar «incógnito» a volta inteira!
Esta excelente etapa marcou definitivamente o meu final de temporada. Não cessarei a actividade – altamente desaconselhável! – para não deixar cair demasiado a forma, mas acabaram os esforços muito intensos, como os deste domingo na Mata e em Ribas. Estarei sempre pronto para colaborar em qualquer iniciativa do pelotão, mas, nos próximos meses, baixarei a «atitude competitiva» para o nível mínimo. Depois de baixado o volume e as cargas de treino a partir da Etapa da Serra da Estrela, e apesar de ter ganho 2 kg em relação ao peso de forma, concluo a longa e fatigante temporada 2006 curiosamente a sentir-me muitíssimo bem – os tempos naquelas subidas provam-no. Vou continuar a passear durante a semana pelos «picotos» que tenho descoberto por aí, e começar a pensar em 2007.
No próximo domingo, temos uma missão de honra: acompanhar o Nando durante os primeiros quilómetros para Fátima. O objectivo é ajudar o nosso camarada até Alcoentre, após o que daremos meia-volta de regresso, deixando-o entregas às suas forças – ficará bem, sem dúvida! Por isso, a hora de partida de Loures foi antecipada para as 8h00. Com isto, a volta terá cerca de 100 km. Bons treinos!
Assim, ainda no rescaldo das chagas provocadas pela fuga «mal-entendida» da Clássica de Torres, a tal escaramuça não augurava nada de bom. A partir do momento em que, no cruzamento de Unhos, tanto o João, o ZT e o Abel descolaram do grupo principal; e eu, o Steven e o Carlos ficámos em posição intermédia, mas ainda a tempo de recuperar, a melhor decisão era reunir as tropas e, acima de tudo, motivá-las para o muito que faltava percorrer – o que nem sempre é fácil! De resto, porque se sabia que o primeiro grupo, além de numeroso e muito forte – a ver: Durão, Nando, João Santos, Fantasma, Salvador, Pedro e o Luís –, não iria «parar»… antes da Mata.
Depois do sexteto estar a postos, metemos a velocidade de cruzeiro a partir de Sacavém, sempre com preocupação para não causar desgastes excessivos e, por outro lado, não perder demasiado tempo para os homens da frente. Por isso, em Alverca, antes de iniciar a subida de A-do-Melros, era geral a sensação que o trabalho tinha sido bem feito. O grupo principal estava a menos de um minuto e sabia-se que lá, mais do que a inclinação (porque é baixa) dos próximos 7 km seria a falta de entendimento e as acelerações, que iriam fazer as primeiras vítimas. Ei-las, inclusive mais cedo que esperava: o Nando (penso que mais voluntariamente) e o Luís. Depois, o Pedro (já na descida para Arruda) e finalmente o Fantasma (só à entrada da subida da Mata porque o grupo «alivou» para deixar o Nando reentrar depois de parar para recuperar do chão uma barra energética). Lá à frente, os mais fortes aceleraram e praticamente só eles resistiram: o Durão, o João Santos e o Salvador – este mais uma vez, a passar a si próprio uma factura que veio a pagar bem.
No início da Mata, os meus companheiros de fuga «libertaram-me» para tentar alcançar os últimos fugitivos. Tarefa complicada, tendo em conta o atraso (cerca de 1 minuto) e, entre eles, estar o Durão. Acelerei e avistei o trio antes do 1º gancho (estavam no andar de cima, nesta altura a não mais de 40 segundos). O Durão viu-me e atacou, deixando o Salvador pregado. A partir daqui iniciava-se a verdadeira perseguição. O João Santos resistiu até já depois da passagem pela Mata e alcancei-o no 2ª gancho, onde já não tinha ilusões quanto a apanhar o Durão, que chegou ao alto com uma vantagem de 20 segundos. Tempo de subida: 12m14s, apenas mais 2 s que o meu melhor de sempre. Média de pulsação: 180!
Os restantes foram chegando, a maioria aos pares, e só se teve de esperar mais tempo pelo Abel e o Steven.
Após a Mata deslizou-se na descida para S. Tiago dos Velhos e rapidamente nos deparámos com o «muro» da Sra. da Ajuda. O Nando abriu as hostilidades, provando a sua subida de forma, mas eu fechei o espaço, levando o Durão na roda. Mais uma vez, o grupo teve uma excelente prestação, voltando a reunir-se a caminho da Tesoureira.
Aqui, já com o peso da distância e acima de tudo das subidas, o fraccionou-se definitivamente, quando o Nando acelerou na descida, ficando na frente o eu, Nando, Fantasma, Durão, João Santos, ZT e o João, que se adiantou em direcção a Casais da Serra, terminando, de vez, com a já fraca vontade do Fantasma e do ZT em subir Ribas. Até o próprio ficou tentado a seguir para Bucelas, mas acabou por completar o percurso.
Chegava então, a último ponto quente da jornada. A uma média de 20 km/h e 177 pulsações/minuto, quebrei (pelos menos 2 segundos que me faltaram na Mata) a minha melhor marca pessoal, que durava há 3 anos: 9m55s. O Durão chegou 35 s depois, também ele a fazer uma óptima subida. Depois o João Santos, e juntos o Nando e o João. O Carlos e o Salvador, que tinham «evitado» a Sra. da Ajuda, também chegaram ao alto de Ribas. Mas o «melhor» também estava a chegar: o Abel. Já não encontro nada de novo para elogiar os exemplos de coragem com que este homem nos esmaga todos os domingos!
Notas de observador:
Elogio a atitude e a excelente prestação de todos os participantes neste difícil percurso. Todavia, destaco, por esta ordem, os que completaram a distância e que, além disso, estiveram no grupo perseguidor – assim (além de mim) refiro-me ao João e ao incontornável Abel. Mas volto a sublinhar que todos, sem excepção, estivemos em GRANDE! Mais: faço uma vénia a todos os que, por motivos vários, não têm o nível de preparação dos chamados «internacionais», pelo desempenho que têm em voltas como esta. Assumo, sem faltas modéstias, que não seria capaz de tanto.
Todavia, a aceleração do Durão em Frielas, que provocou a divisão do grupo merece reparo. Ou seja, mesmo tendo marcado negativamente o desenrolar da tirada – desta vez! –, volto a frisar que não devem os mais fortes participar em iniciativas deste género, tão madrugadoras e em etapas com índice de dificuldade elevado, e muito menos serem estes a promovê-las, como foi o caso.
As despesas da perseguição ao grupo que se destacou em Unhos não foram bem distribuídas, mas nestas situações a gestão é muito mais importante. Ou seja, num grupo heterogéneo como aquele devem ser os mais aptos a tomar as rédeas e a despender o esforço maior, voluntariamente e sem esperar ajudas dos menos fortes. Naquela situação, eu e o Carlos, embora todos tivessem dado, mesmo que apenas as espaços curtos, o seu contributo. Mas sinceramente, não se deviam sentir obrigados. Deviam, sim, motivar-se e motivarem os outros.
Na óptica do comentário anterior, penso que a melhor abordagem a todas às clássicas domingueiras é pensar no percurso como um todo, e não apenas numa parte. Com isto quero dizer que não é recomendável entrar em esforços prolongados de alta intensidade (e são estes que acabam com a resistência) na primeira fase da volta para depois pagar copiosamente essa factura e ter de encurtar caminho ou não completar o percurso previsto. A estratégia faz parte deste e todos os desportos e para se evoluir em cada um é saber utilizá-la em proveito próprio. E para isso é preciso ter cabecinha!
Em relação ao ponto anterior, este domingo vi bons e maus exemplos. Não contando que o pior de todos foi dado pelos mais fortes (Durão), pelos motivos já referidos, destaco entre os «bons», o do Nando e do Luís, que se deixaram descair em A-dos-Melros quando viram que o ritmo não era adequado; entre os «assim-assim», o Fantasma e o Pedro (este com a desculpa da inexperiência), que devem ser insistido em resistir ao ritmo do Durão o mais tempo possível. O primeiro acabou com mais uma «facadinha» ao percurso, passando ao largo de Ribas, e o Pedro, que actualmente deve ter como prioridade poupar toda a energia possível, que é o primeiro ensinamento para evoluir como pretende. E finalmente, entre os «maus», sem dúvida o Salvador, que foi «até dar» com o João Santos e o Durão, na Mata, só cedendo ao previsível ataque do Durão. Então, já o mal estava feito! Depois, como as forças já eram escassas, vieram as fintas ao percurso e ao próprio grupo… O mérito maior não é andar na frente enquanto se puder, mas é chegar ao fim, mesmo que se tenha de andar «incógnito» a volta inteira!
Esta excelente etapa marcou definitivamente o meu final de temporada. Não cessarei a actividade – altamente desaconselhável! – para não deixar cair demasiado a forma, mas acabaram os esforços muito intensos, como os deste domingo na Mata e em Ribas. Estarei sempre pronto para colaborar em qualquer iniciativa do pelotão, mas, nos próximos meses, baixarei a «atitude competitiva» para o nível mínimo. Depois de baixado o volume e as cargas de treino a partir da Etapa da Serra da Estrela, e apesar de ter ganho 2 kg em relação ao peso de forma, concluo a longa e fatigante temporada 2006 curiosamente a sentir-me muitíssimo bem – os tempos naquelas subidas provam-no. Vou continuar a passear durante a semana pelos «picotos» que tenho descoberto por aí, e começar a pensar em 2007.
No próximo domingo, temos uma missão de honra: acompanhar o Nando durante os primeiros quilómetros para Fátima. O objectivo é ajudar o nosso camarada até Alcoentre, após o que daremos meia-volta de regresso, deixando-o entregas às suas forças – ficará bem, sem dúvida! Por isso, a hora de partida de Loures foi antecipada para as 8h00. Com isto, a volta terá cerca de 100 km. Bons treinos!
quarta-feira, outubro 11, 2006
N. Sra. da Ajuda: descrição e dicas
No rescaldo de uma semana agitada pelas repercussões da volta de Torres, no próximo domingo teremos a Clássica da Nossa Sra. da Ajuda, que inclui duas subidas «míticas» da nossa região, Mata e Ribas. Mas não só: pelo meio, o pelotão terá de enfrentar a longa subida desde Alverca para A-do-Barriga por A-dos-Melros (estrada de Arruda), a duríssima rampa de Nossa Sra. da Ajuda e a Tesoureira para Casais da Serra.
No total, o percurso tem 80 km, uma vez que foi acrescentado um sector inicial, de 12 km, entre Loures e Sacavém, o mesmo que foi realizado na recente Clássica de Alenquer, no feriado de 5 de Outubro. Ou seja, Loures-Frielas-Unhos-Sacavém e depois em direcção a Alverca pela EN10.
Eis a descrição resumida do trajecto da volta e principais dificuldades:
0 km - Loures
5 km – Frielas
6 km - Cruz. Unhos
8 km – Unhos
12,5 km – Sacavém
27 km – Alverca
34 km - A-do Barriga (6,8 km a 2,4%)
39 km – Arruda
43,5 km – Mata (4,2 km a 5,3%)
48 km - S. Tiago dos Velhos (dir. p/ Contradinha/N. Sra. Ajuda)
51 km – N. Sra. Ajuda (1,5 km a 5,6%; 500 metros a 12%)
53 km - Quinta do Paço (esq. p/ Bucelas)
54 km – Cruz. Tesoureira
62 km - Casais da Serra (2,6 km a 3,4%)
62,5 km - Cruz. à esq. p/ Freixial
66 km – Freixial
70 km – Ribas (3,2 km a 6%)
71,5 km – Fanhões
76,5 km – Tojal
80 km – Loures
Nota: sugerem-se dois «pontos quentes» (Mata e Ribas), após os quais deverá haver neutralizações para reagrupamento de TODA A GENTE. Assim, evitam-se os mal-entendidos e as fugas serão, digamos, mais legítimas, pois todos estarão nas mesmas condições para decidir a integrá-las ou não. Nos restantes sectores, intermédios e restantes subidas, o andamento, como sempre, será LIVRE.
Por isso, sugere-se que os ciclistas adeqúem o andamento às suas capacidades e abdiquem de forçar para seguir ritmos que as transcendem. Repito que mais importante que tentar acompanhar os mais fortes nos «hot spots» é estar em condições de acompanhar o andamento de cruzeiro do pelotão (considerando sempre o nível médio deste pelotão). E será esse andamento que irá prevalecer na restante extensão do percurso.
No total, o percurso tem 80 km, uma vez que foi acrescentado um sector inicial, de 12 km, entre Loures e Sacavém, o mesmo que foi realizado na recente Clássica de Alenquer, no feriado de 5 de Outubro. Ou seja, Loures-Frielas-Unhos-Sacavém e depois em direcção a Alverca pela EN10.
Eis a descrição resumida do trajecto da volta e principais dificuldades:
0 km - Loures
5 km – Frielas
6 km - Cruz. Unhos
8 km – Unhos
12,5 km – Sacavém
27 km – Alverca
34 km - A-do Barriga (6,8 km a 2,4%)
39 km – Arruda
43,5 km – Mata (4,2 km a 5,3%)
48 km - S. Tiago dos Velhos (dir. p/ Contradinha/N. Sra. Ajuda)
51 km – N. Sra. Ajuda (1,5 km a 5,6%; 500 metros a 12%)
53 km - Quinta do Paço (esq. p/ Bucelas)
54 km – Cruz. Tesoureira
62 km - Casais da Serra (2,6 km a 3,4%)
62,5 km - Cruz. à esq. p/ Freixial
66 km – Freixial
70 km – Ribas (3,2 km a 6%)
71,5 km – Fanhões
76,5 km – Tojal
80 km – Loures
Nota: sugerem-se dois «pontos quentes» (Mata e Ribas), após os quais deverá haver neutralizações para reagrupamento de TODA A GENTE. Assim, evitam-se os mal-entendidos e as fugas serão, digamos, mais legítimas, pois todos estarão nas mesmas condições para decidir a integrá-las ou não. Nos restantes sectores, intermédios e restantes subidas, o andamento, como sempre, será LIVRE.
Por isso, sugere-se que os ciclistas adeqúem o andamento às suas capacidades e abdiquem de forçar para seguir ritmos que as transcendem. Repito que mais importante que tentar acompanhar os mais fortes nos «hot spots» é estar em condições de acompanhar o andamento de cruzeiro do pelotão (considerando sempre o nível médio deste pelotão). E será esse andamento que irá prevalecer na restante extensão do percurso.
domingo, outubro 08, 2006
Clássica de Torres: a crónica
O pelotão recheadíssimo que fez se à estrada a caminho de Torres ficou mais ainda à chegada ao Forte de Alqueidão, com mais quatro aquisições, mas rapidamente se dispersou quando pequenos grupos que se destacaram na descida para o Sobral, enquanto outros ficaram à espera dos que sucumbiram à intensidade do último km. O demasiado tempo perdido no reagrupamento dos retardatários estimulou os que se adiantaram a persistirem.
Entre estes, estava um quarteto com «figuras importantes», como Nando, Carlos, Fantasma e o Salvador, que, perante o impasse na retaguarda, abriram com facilidade uma distância considerável. Mais: provavelmente apercebendo-se que a vantagem se tornara bastante apreciável, empenharam-se no objectivo de a levar o mais longe possível, quiçá até ao final, e conseguiram.
Todavia, convém frisar que lá atrás nunca houve uma perseguição efectiva. Aliás, ainda antes do Sobral –ainda muito a tempo de «reunir as tropas» para tentar a recuperação – já se tinha percebido que não havia condições para que essa se sequer se iniciasse, sem que ficassem imediatamente «apeados» alguns elementos que já vinham muito… curtinhos – o Abel, entre outros!
Perante este cenário, a ligação entre o Sobral e Torres Vedras foi feita com pinças para não «derreter» totalmente os mais debilitados, situação que se manteve até aos topos do Turcifal, onde o João e o Bruno, até aí em posição intermédia, foram absorvidos. Só a partir daqui, perante o arrastar da situação (a subida de Catefica voltou a abrir brechas nos mais frágeis), decidi tomar a dianteira do grupo e acelerar ligeiramente o andamento – embora sem adquirir carácter de perseguição. De resto, nesta altura, esta só se poderia concretizar se, lá à frente, o quarteto «parasse» – que, tendo em conta a sua aguerrida composição, convenhamos que seria pouco provável!
A partir de Vila Franca do Rosário até à Malveira – então sim! –, alterei profundamente o ritmo «dispensando» colaboração, perfazendo, nesta secção, interessante média de 28 km/h. À última rampa só chegaram eu, o Nuno e o Durão, que fez valer os seus créditos no renhido sprint final. Nas bombas da Malveira esperou-se que chegasse toda a gente… durante mais de um quarto de hora!
Antecipei o regresso a Loures, na companhia do Nuno, tendo à chegada às bombas um comité de recepção fervoroso: os quatro fugitivos do dia. Em peso para nos «saudar»! Nos seus semblantes estavam bem vincados o esforço intenso empregue na façanha e a satisfação indisfarçável por tê-la concretizado. Acentuada pelos muitos minutos de vantagem – 17 ao todo, contados com precisão por quem os viu passar com transbordante entusiasmo. Reconheçamos que fomos «tratados» com o devido apreço, mas ficou no ar a sensação que estavam a guardar a principal reverência para outros que, até à hora em que me retirei, ainda não tinham dado a cara. Tê-la-ão feito!?
Notas de observador:
Apesar dos condicionantes da fuga do dia, o quarteto que a encetou e concretizou está de parabéns, pelo esforço dispendido durante tantos quilómetros. Mas não só: também pelo espírito de combatividade que é sempre saudável à prática desportiva, neste caso alimentado pelo facto de se «opor» a elementos reconhecidamente mais treinados. Para mim, é estimulante tentar fazer tanto ou mais que os mais fortes! Por isso, justificava-se o contentamento dos fugitivos à chegada: Nando, Carlos, Fantasma e Salvador (confirma-se que estes dois não podem passar um sem o outro…).
Reitero a homenagem colectiva, destacando pessoalmente o Nando, que, em crescendo de forma, começa a fazer estragos «dos seus» – e se bem o conheço, logo possa não irá parar por aqui! No Forte de Alqueidão, bem se viu que a iniciativa foi sua, mas até final contou certamente com empenhada colaboração dos seus três companheiros de fuga. E olha quais! Resta-me concordar com as palavras (algo crispadas) do Pina, ainda ontem, e aguardar que próximas iniciativas sucedam em situações mais «abertas». A volta da próxima semana é mesmo à medida de tais!
Já o disse há algum tempo e repito-o: o pelotão Pina Bike está com grande dinâmica. Não só pela presença
massiva dos «habitués» (apesar de algumas ausências), mas principalmente porque o número de novos aderentes não pára de aumentar. Ainda que alguns destes possam estar apenas de passagem, como o Luís, o Paulo Matias ou o Bruno, a verdade é que os «delfins» Pedro Fonseca e João Santos pegaram de estaca e é inequívoca a sua boa integração, para o qual contribui, em ambos, a simpatia, empenho e o espírito de grupo. Diz-se, inclusive, que o João Santos, que tem deixado muito boas indicações, recebeu algumas propostas interessantes para integrar já uma equipa (duo) de topo neste final de temporada. O mercado de transferências está em ebulição!
O ZT juntou-se ao pelotão já em Torres – sensivelmente a meio do percurso –, e veio a ser vítima de um problema físico que o obrigou a entrar no carro-vassoura algures na subida de Vila Franca do Rosário. Esperamos que não seja nada de grave, mas apenas maleitas de umas mini-férias andorrenhas. Rápidas melhoras!
Entre estes, estava um quarteto com «figuras importantes», como Nando, Carlos, Fantasma e o Salvador, que, perante o impasse na retaguarda, abriram com facilidade uma distância considerável. Mais: provavelmente apercebendo-se que a vantagem se tornara bastante apreciável, empenharam-se no objectivo de a levar o mais longe possível, quiçá até ao final, e conseguiram.
Todavia, convém frisar que lá atrás nunca houve uma perseguição efectiva. Aliás, ainda antes do Sobral –ainda muito a tempo de «reunir as tropas» para tentar a recuperação – já se tinha percebido que não havia condições para que essa se sequer se iniciasse, sem que ficassem imediatamente «apeados» alguns elementos que já vinham muito… curtinhos – o Abel, entre outros!
Perante este cenário, a ligação entre o Sobral e Torres Vedras foi feita com pinças para não «derreter» totalmente os mais debilitados, situação que se manteve até aos topos do Turcifal, onde o João e o Bruno, até aí em posição intermédia, foram absorvidos. Só a partir daqui, perante o arrastar da situação (a subida de Catefica voltou a abrir brechas nos mais frágeis), decidi tomar a dianteira do grupo e acelerar ligeiramente o andamento – embora sem adquirir carácter de perseguição. De resto, nesta altura, esta só se poderia concretizar se, lá à frente, o quarteto «parasse» – que, tendo em conta a sua aguerrida composição, convenhamos que seria pouco provável!
A partir de Vila Franca do Rosário até à Malveira – então sim! –, alterei profundamente o ritmo «dispensando» colaboração, perfazendo, nesta secção, interessante média de 28 km/h. À última rampa só chegaram eu, o Nuno e o Durão, que fez valer os seus créditos no renhido sprint final. Nas bombas da Malveira esperou-se que chegasse toda a gente… durante mais de um quarto de hora!
Antecipei o regresso a Loures, na companhia do Nuno, tendo à chegada às bombas um comité de recepção fervoroso: os quatro fugitivos do dia. Em peso para nos «saudar»! Nos seus semblantes estavam bem vincados o esforço intenso empregue na façanha e a satisfação indisfarçável por tê-la concretizado. Acentuada pelos muitos minutos de vantagem – 17 ao todo, contados com precisão por quem os viu passar com transbordante entusiasmo. Reconheçamos que fomos «tratados» com o devido apreço, mas ficou no ar a sensação que estavam a guardar a principal reverência para outros que, até à hora em que me retirei, ainda não tinham dado a cara. Tê-la-ão feito!?
Notas de observador:
Apesar dos condicionantes da fuga do dia, o quarteto que a encetou e concretizou está de parabéns, pelo esforço dispendido durante tantos quilómetros. Mas não só: também pelo espírito de combatividade que é sempre saudável à prática desportiva, neste caso alimentado pelo facto de se «opor» a elementos reconhecidamente mais treinados. Para mim, é estimulante tentar fazer tanto ou mais que os mais fortes! Por isso, justificava-se o contentamento dos fugitivos à chegada: Nando, Carlos, Fantasma e Salvador (confirma-se que estes dois não podem passar um sem o outro…).
Reitero a homenagem colectiva, destacando pessoalmente o Nando, que, em crescendo de forma, começa a fazer estragos «dos seus» – e se bem o conheço, logo possa não irá parar por aqui! No Forte de Alqueidão, bem se viu que a iniciativa foi sua, mas até final contou certamente com empenhada colaboração dos seus três companheiros de fuga. E olha quais! Resta-me concordar com as palavras (algo crispadas) do Pina, ainda ontem, e aguardar que próximas iniciativas sucedam em situações mais «abertas». A volta da próxima semana é mesmo à medida de tais!
Já o disse há algum tempo e repito-o: o pelotão Pina Bike está com grande dinâmica. Não só pela presença
massiva dos «habitués» (apesar de algumas ausências), mas principalmente porque o número de novos aderentes não pára de aumentar. Ainda que alguns destes possam estar apenas de passagem, como o Luís, o Paulo Matias ou o Bruno, a verdade é que os «delfins» Pedro Fonseca e João Santos pegaram de estaca e é inequívoca a sua boa integração, para o qual contribui, em ambos, a simpatia, empenho e o espírito de grupo. Diz-se, inclusive, que o João Santos, que tem deixado muito boas indicações, recebeu algumas propostas interessantes para integrar já uma equipa (duo) de topo neste final de temporada. O mercado de transferências está em ebulição!
O ZT juntou-se ao pelotão já em Torres – sensivelmente a meio do percurso –, e veio a ser vítima de um problema físico que o obrigou a entrar no carro-vassoura algures na subida de Vila Franca do Rosário. Esperamos que não seja nada de grave, mas apenas maleitas de umas mini-férias andorrenhas. Rápidas melhoras!
segunda-feira, outubro 02, 2006
A-do-Louco Imprevisível
Há muito tempo que se aguardava pelo regresso do Miguel. Salvo erro, foram quatro meses de ausência das tradicionais voltas domingueiras, por motivos que, com alguma insistência, fui tentando perceber, em vão, em conversas várias com o Durão – seu parceiro de longa data e sempre muito bem informado nestas questões. Para ele, a época começou aziaga, com o acidente na Ota, depois a ausência forçada da Etapa do Tour, e tem sido complicada de gerir, com sinais de forma algo periclitante, por motivos que se calhar nem ele próprio consegue identificar com precisão. Ter sido das piores vítimas da loucura colectiva da Serra da Estrela é exemplo cabal.
Este domingo de manhã, porém, para grande surpresa e satisfação, lá estava a Specialized full carbon estacionada nas bombas de Loures. O seu regresso ao seio do grupo não foi apenas um reencontro de companheiros de estrada, revelou-se esfuziante. Verdadeiro recital, como nos seus melhores tempos – não muito longínquos. Exibição de altíssimo nível na dura subida de A-dos-Loucos, principal «hot spot» do percurso deste domingo, corolário de um «pico» de forma que culminaria, no sábado, com as três subidas da Serra da Estrela, que, no entanto, preferiu prescindir. E bem, digo eu!
Esta foi «apenas» a melhor notícia de uma clássica que reuniu todos os predicados para ser merecer o título de espectacular, «nervosa» desde o início devido a um factor de desestabilização inesperado – um elemento estreante que se revelou incrivelmente empertigado durante a primeira metade do percurso, e que acabaria, com lógica, por pagar a factura de tal desbarato de energia. Mas soube sair de cena antes de sofrer males maiores.
Além disso, o pelotão, numeroso e bem recheado, com a presença de consagrados, como o Nuno Garcia e do Carlos, entre os habitués, contribuiu para elevar o nível do grupo. O primeiro exibiu-se em bom plano no Cabeço da Rosa, lançando um forte ataque. Na aceleração que permitiu fazer a junção antes do topo levei o coração às 198 bpm… e o Durão na roda.
Antes da passagem pelo «ponto quente» do Cabeço da Rosa (em versão «soft», a partir de Vila de Rei), o Miguel começou por mostrar serviço na subida da Freixeira, levando apenas o Durão na roda (tiques que não passam!). O tempo inferior a 4 minutos (3.55) indica que o ritmo foi forte. Todavia, as principais figuras controlaram à distância.
A ligação entre a Venda do Pinheiro (agora com o ZT, o Samuel e o Abel já integrados) Milharado, Póvoa da Galega e Bucelas foi tudo menos um passeio, havendo muita chispa, mas sem beliscar a moderação que se recomenda antes das grandes dificuldades.
A história no Cabeço da Rosa já foi descrita, e num ápice estávamos em Alhandra, prestes a enfrentar a subida de A-dos-Loucos – que se revelou fantástica.
Começou pela imprevisibilidade do Miguel (lá está!) ao «negociar» os 400 metros iniciais (a mais de 5%) em pedaleira grande, abrindo, naturalmente, uma distância considerável antes de se entrar na fase mais dura da subida (1 km a 9%, com passagens a 12%). Jogada arriscada, mas que se revelou acertada, pois, rapidamente, deu a perceber que não foi fogo de palha. Já a lidar com as fortes percentagens, passou a gerir o seu avanço face à perseguição que lhe movia, e cujo esforço foi demasiado elevado para o Durão, fazendo-o sucumbir, precisamente na altura em que absorvíamos o fugitivo.
Mas o melhor estava para vir. Ao passar pelo Miguel, este nem esboçou reacção. Estaria a aguardar pelo Durão ou também já estava «descarregado?», questionei-me. A resposta chegou pouco depois, quando o vi passar pela direita, obrigando-me a uma resposta difícil, que me colocou no «red line». O km demolidor estava ultrapassado e confirmava-se que a «coisa» seria discutida a dois. O Durão dificilmente reentraria e o Nuno e o Carlos estavam ainda mais para trás, mas chegaram praticamente em cima do Durão. Muito boa subida também!
Depois de um ligeiro descanso, a passagem pelo empedrado no interior da localidade trouxe mais dificuldades. Seria aqui que se faria mais uma avaliação de forças. Ele, desconhecendo o local, desviou-se do caminho correcto, perante a terrível rampa duríssima em paralelo à nossa frente. Seria sintoma (subconsciente) de fraqueza? Puro engano! Os próximos metros foram de mais esforço para manter ali e demonstraram que, até final, o meu «parceiro» era inatacável. No topo, rendemo-nos mútua homenagem. Bem haja, louco imprevisível, que subida dos diabos! A repetir!
Na última parte do percurso, destaque para a descida de A-dos-Melros a grande velocidade, com empolgantes revezamentos, fechando com chave de ouro uma jornada de altíssimo nível.
Notas de observador
A escaldante subida de A-dos-Loucos foi feita em tempo recorde pessoal. Os 2,8 km (6,3% de inclinação média) em 8m50s pulverizaram o meu anterior registo em 57 segundos! Mais: 19 km/h de média e 183 bpm (ritmo cardíaco revelador que a forma já lá vai e que 2 quilinhos já cá cantam!) E como estão em voga os estudos e artigos de opinião sobre as performances dos ciclistas internacionais (a revista francesa «Velo» tem multiplicado os análises sobre a prestação de Floyd Landis no Tour e de Vinokourov/Valverde na Vuelta), decidi, com o recurso a um programa informático, determinar a potência em Watt desenvolvida por mim e o Miguel em A-dos-Loucos. A saber: no meu caso, fiz média de 342 W, que corresponde a 4,7 W/kg (para 72,5 kg) e o Miguel 295 W, equivalente a 4,9 W/kg (para 60 kg, suponho).
Resta dizer que os melhores do Mundo fazem cerca de 1W/kg mais (mais 70 W em média!), em subidas com o triplo da distância e com o triplo dos km nas pernas. Mesmo assim estamos longe de envergonhar!
Na próxima quinta-feira, feriado, a volta que está prevista promete muito, incluindo alguns troços e uma subida inéditos. A partir de Loures, dirigimo-nos a Frielas, cruzamento de Unhos, Unhos e Sacavém. Depois Alverca, Vila Franca e Alenquer (sempre a rolar durante 50 km). Depois de os roladores se terem saciado, chega a vez dos trepadores: a partir de Alenquer está a 1ª subida, principal «hot spot» do dia (inédita com 4,2 km a 5,5%, e algumas passagens duras, a 15 e 16%. Todavia, não é caso para temores, pois a pendente é irregular, contemplando alguns planos e mesmo descidas. O «miolo»: 1,5 km a partir do km 1,7 tem 6% de média). A ascensão é muito interessante, iniciando-se no cruzamento (à esquerda) à entrada de Alenquer (logo a seguir às bombas) em direcção à zona alta da vila e depois sobe em direcção a Santana da Carnota. O «Prémio da Montanha» está a cerca de 4,5 km (descida suave) do centro da Carnota. Aqui inicia-se a 2ª subida (3 km 3,5%), já conhecida da Clássica da Carnota, até aos eucaliptos, e depois o planalto para Freiria. Então vira-se à esquerda em direcção ao Sobral e daqui para o Forte de Alqueidão, descendo-se depois para Bucelas. Total: 95 km.
Provavelmente, amanhã, se não chover, poderei descrever mais pormenorizadamente a subida de Alenquer.
Este domingo de manhã, porém, para grande surpresa e satisfação, lá estava a Specialized full carbon estacionada nas bombas de Loures. O seu regresso ao seio do grupo não foi apenas um reencontro de companheiros de estrada, revelou-se esfuziante. Verdadeiro recital, como nos seus melhores tempos – não muito longínquos. Exibição de altíssimo nível na dura subida de A-dos-Loucos, principal «hot spot» do percurso deste domingo, corolário de um «pico» de forma que culminaria, no sábado, com as três subidas da Serra da Estrela, que, no entanto, preferiu prescindir. E bem, digo eu!
Esta foi «apenas» a melhor notícia de uma clássica que reuniu todos os predicados para ser merecer o título de espectacular, «nervosa» desde o início devido a um factor de desestabilização inesperado – um elemento estreante que se revelou incrivelmente empertigado durante a primeira metade do percurso, e que acabaria, com lógica, por pagar a factura de tal desbarato de energia. Mas soube sair de cena antes de sofrer males maiores.
Além disso, o pelotão, numeroso e bem recheado, com a presença de consagrados, como o Nuno Garcia e do Carlos, entre os habitués, contribuiu para elevar o nível do grupo. O primeiro exibiu-se em bom plano no Cabeço da Rosa, lançando um forte ataque. Na aceleração que permitiu fazer a junção antes do topo levei o coração às 198 bpm… e o Durão na roda.
Antes da passagem pelo «ponto quente» do Cabeço da Rosa (em versão «soft», a partir de Vila de Rei), o Miguel começou por mostrar serviço na subida da Freixeira, levando apenas o Durão na roda (tiques que não passam!). O tempo inferior a 4 minutos (3.55) indica que o ritmo foi forte. Todavia, as principais figuras controlaram à distância.
A ligação entre a Venda do Pinheiro (agora com o ZT, o Samuel e o Abel já integrados) Milharado, Póvoa da Galega e Bucelas foi tudo menos um passeio, havendo muita chispa, mas sem beliscar a moderação que se recomenda antes das grandes dificuldades.
A história no Cabeço da Rosa já foi descrita, e num ápice estávamos em Alhandra, prestes a enfrentar a subida de A-dos-Loucos – que se revelou fantástica.
Começou pela imprevisibilidade do Miguel (lá está!) ao «negociar» os 400 metros iniciais (a mais de 5%) em pedaleira grande, abrindo, naturalmente, uma distância considerável antes de se entrar na fase mais dura da subida (1 km a 9%, com passagens a 12%). Jogada arriscada, mas que se revelou acertada, pois, rapidamente, deu a perceber que não foi fogo de palha. Já a lidar com as fortes percentagens, passou a gerir o seu avanço face à perseguição que lhe movia, e cujo esforço foi demasiado elevado para o Durão, fazendo-o sucumbir, precisamente na altura em que absorvíamos o fugitivo.
Mas o melhor estava para vir. Ao passar pelo Miguel, este nem esboçou reacção. Estaria a aguardar pelo Durão ou também já estava «descarregado?», questionei-me. A resposta chegou pouco depois, quando o vi passar pela direita, obrigando-me a uma resposta difícil, que me colocou no «red line». O km demolidor estava ultrapassado e confirmava-se que a «coisa» seria discutida a dois. O Durão dificilmente reentraria e o Nuno e o Carlos estavam ainda mais para trás, mas chegaram praticamente em cima do Durão. Muito boa subida também!
Depois de um ligeiro descanso, a passagem pelo empedrado no interior da localidade trouxe mais dificuldades. Seria aqui que se faria mais uma avaliação de forças. Ele, desconhecendo o local, desviou-se do caminho correcto, perante a terrível rampa duríssima em paralelo à nossa frente. Seria sintoma (subconsciente) de fraqueza? Puro engano! Os próximos metros foram de mais esforço para manter ali e demonstraram que, até final, o meu «parceiro» era inatacável. No topo, rendemo-nos mútua homenagem. Bem haja, louco imprevisível, que subida dos diabos! A repetir!
Na última parte do percurso, destaque para a descida de A-dos-Melros a grande velocidade, com empolgantes revezamentos, fechando com chave de ouro uma jornada de altíssimo nível.
Notas de observador
A escaldante subida de A-dos-Loucos foi feita em tempo recorde pessoal. Os 2,8 km (6,3% de inclinação média) em 8m50s pulverizaram o meu anterior registo em 57 segundos! Mais: 19 km/h de média e 183 bpm (ritmo cardíaco revelador que a forma já lá vai e que 2 quilinhos já cá cantam!) E como estão em voga os estudos e artigos de opinião sobre as performances dos ciclistas internacionais (a revista francesa «Velo» tem multiplicado os análises sobre a prestação de Floyd Landis no Tour e de Vinokourov/Valverde na Vuelta), decidi, com o recurso a um programa informático, determinar a potência em Watt desenvolvida por mim e o Miguel em A-dos-Loucos. A saber: no meu caso, fiz média de 342 W, que corresponde a 4,7 W/kg (para 72,5 kg) e o Miguel 295 W, equivalente a 4,9 W/kg (para 60 kg, suponho).
Resta dizer que os melhores do Mundo fazem cerca de 1W/kg mais (mais 70 W em média!), em subidas com o triplo da distância e com o triplo dos km nas pernas. Mesmo assim estamos longe de envergonhar!
Na próxima quinta-feira, feriado, a volta que está prevista promete muito, incluindo alguns troços e uma subida inéditos. A partir de Loures, dirigimo-nos a Frielas, cruzamento de Unhos, Unhos e Sacavém. Depois Alverca, Vila Franca e Alenquer (sempre a rolar durante 50 km). Depois de os roladores se terem saciado, chega a vez dos trepadores: a partir de Alenquer está a 1ª subida, principal «hot spot» do dia (inédita com 4,2 km a 5,5%, e algumas passagens duras, a 15 e 16%. Todavia, não é caso para temores, pois a pendente é irregular, contemplando alguns planos e mesmo descidas. O «miolo»: 1,5 km a partir do km 1,7 tem 6% de média). A ascensão é muito interessante, iniciando-se no cruzamento (à esquerda) à entrada de Alenquer (logo a seguir às bombas) em direcção à zona alta da vila e depois sobe em direcção a Santana da Carnota. O «Prémio da Montanha» está a cerca de 4,5 km (descida suave) do centro da Carnota. Aqui inicia-se a 2ª subida (3 km 3,5%), já conhecida da Clássica da Carnota, até aos eucaliptos, e depois o planalto para Freiria. Então vira-se à esquerda em direcção ao Sobral e daqui para o Forte de Alqueidão, descendo-se depois para Bucelas. Total: 95 km.
Provavelmente, amanhã, se não chover, poderei descrever mais pormenorizadamente a subida de Alenquer.
segunda-feira, setembro 25, 2006
Clássica da Abrigada
O percurso inédito foi aliciante adicional da Clássica da Abrigada, realizada no último domingo, pela primeira vez no âmbito do calendário de temporada. O traçado extremamente equilibrado entre o terreno plano e a montanha «suave» conduziu o pelotão de Loures a Abrigada, da Merceana ao Sobral, e de regresso ao ponto de partida, aproveitando a trégua de S. Pedro, mas enfrentando forte vento na segunda metade: a que tem relevo mais difícil.
Mas não foi só por isso que a jornada foi interessante e bem sucedida. Para tal, contribuiu o comportamento exemplar do grupo, uma vez mais demonstrando elevado nível global, a que não alheia a integração de novos elementos bastante válidos, casos do Pedro Fonseca – grande confirmação! – e do Albino, velho conhecido do Durão, que revelou muito boas qualidades. Estas duas integrações recentes revelam igualmente a óptima saúde do nosso grupo, apesar do extenso rol de ausências de figuras de nomeada, a maioria motivada pela participação nos 100 km de Mafra (BTT), que se disputaram na mesma manhã.
As boas notícias não findam aqui. A maior de todas – perdoem-me a preferência – foi a presença do Nando, cujo gosto pela bicicleta e espírito de sacrifício motivou-o a completar a volta, considerando o que custa a quem tem a forma física insuficiente devido à escassez do treino. Digo-o lamentando a sua presença inconstante nas concentrações domingueiras – por imperativos pessoais e profissionais –, dada a mais-valia insubstituível para o grupo que representa o «peso» do seu enorme carisma. Um grande exemplo, como ficou mais uma vez demonstrado.
Outro facto que não deve deixar de ser (sempre) louvado é a coesão do grupo, tanto mais porque esteve em destaque nesta volta. O melhor exemplo este domingo foi o Samuel, cuja atitude exemplar, compatível com a sua boa forma, contribuiu activamente o bom desenrolar da jornada. Além dele, o combativo rebenta-crencos-Salvador, e o eternoAbel, regressado com o lastro próprio de férias com mesa farta.
Contra todos esteve o vento, principalmente, quando, a partir da Abrigada, passou a soprar de cara, obrigado a um esforço suplementar. Até aí, na primeira parte do percurso o andamento foi bastante moderado – como se quer! –, apesar do engodo à velocidade que oferece a planura do relevo. Nada de mata-cavalos, logo os desgastes foram minimizados, preservando energia preciosa para a secção final, mais acidentada e empenhativa. O Durão, sempre incansável, teve muito mérito ao assegurar, à cabeça do grupo, o ritmo de cruzeiro ideal, para o qual deram o seu préstimo todos os que se sentiram com capacidade, sem excepção.
A partir de Marceana em direcção ao Sobral, o passo endureceu. Chegava a altura adequar o ritmo às capacidades próprias. Bastaram as primeiras rampas, feitas a uma intensidade elevada, para se fazer rapidamente a selecção. A subida é longa e inconstante, requerendo uma gestão rigorosa do esforço, protecção do vento, e uma boa roda. A roda, a minha, e os dignos «chupas»: Durão, o estreante Albino e o Salvador. Só este acabou por ceder, sensivelmente a meio da ascensão, mas, mais tarde, já após a passagem pelo Sobral, demonstrou a sua reconhecida tenacidade, alcançando o trio da frente, passou directo ao Forte de Alqueidão. Então o Durão impôs a sua cadência pesada (52x23) entre os perseguidores e anulou a fuga. Assim, também o Albino acabou por ceder à dureza (vento acima de tudo), chegando ao alto na companhia do Salvador.
A partir daqui, por imperativos de horário, antecipei o regresso a casa, atalhando pelo eixo S. Tiago dos Velhos-A do Mourão, mas já tive conhecimento que a conclusão da jornada decorreu normalmente – que, no cômputo geral, volto a frisar, foi excelente!
Notas de observador
Como já referi, a integração de novos elementos é sintoma de vitalidade do grupo, livre dos maus presságios de opiniões cépticas que, por vezes, emergem sem, porém, mostrarem o rosto. O Pedro Fonseca fez a sua segunda aparição, após a estreia e sádica «praxe» em Sintra e, segundo fontes bem colocadas, apesar de o tratamento não ter tido tanto choque, as consequências repetiram-se: valente empeno! É assim, através de aferições de capacidade superação e resistência às fortes exigências de um grupo de nível, além de camaradagem, que se faz o tirocínio no Pina Bike. Para ti, Pedro, a prova foi superada com 20 valores!
E a atentar às indicações prestadas este domingo pelo outro delfim, o Albino, logo em dia de estreia, o relatório será rigorosamente igual. Bem-vindos, companheiros!
Por falar em indicadores – mas referindo os (meus) físicos –, depreende-se que a temporada no limiar do fim. Fazer força nos pedais já custa muito e os resultados não compensam. Assim, mais do que lógico abrandar o volume e a carga nesta altura do ano, é imperioso aliviar significativamente aos domingos, mesmo se até ao final de Outubro ainda restem algumas Clássicas com subidas exigentes, como a Sra. da Ajuda (espectacular mas para ser feita no auge da forma!) e A-dos-Loucos – esta já no próximo domingo. Ai ai, quem é que fez o calendário?!
Mas não foi só por isso que a jornada foi interessante e bem sucedida. Para tal, contribuiu o comportamento exemplar do grupo, uma vez mais demonstrando elevado nível global, a que não alheia a integração de novos elementos bastante válidos, casos do Pedro Fonseca – grande confirmação! – e do Albino, velho conhecido do Durão, que revelou muito boas qualidades. Estas duas integrações recentes revelam igualmente a óptima saúde do nosso grupo, apesar do extenso rol de ausências de figuras de nomeada, a maioria motivada pela participação nos 100 km de Mafra (BTT), que se disputaram na mesma manhã.
As boas notícias não findam aqui. A maior de todas – perdoem-me a preferência – foi a presença do Nando, cujo gosto pela bicicleta e espírito de sacrifício motivou-o a completar a volta, considerando o que custa a quem tem a forma física insuficiente devido à escassez do treino. Digo-o lamentando a sua presença inconstante nas concentrações domingueiras – por imperativos pessoais e profissionais –, dada a mais-valia insubstituível para o grupo que representa o «peso» do seu enorme carisma. Um grande exemplo, como ficou mais uma vez demonstrado.
Outro facto que não deve deixar de ser (sempre) louvado é a coesão do grupo, tanto mais porque esteve em destaque nesta volta. O melhor exemplo este domingo foi o Samuel, cuja atitude exemplar, compatível com a sua boa forma, contribuiu activamente o bom desenrolar da jornada. Além dele, o combativo rebenta-crencos-Salvador, e o eternoAbel, regressado com o lastro próprio de férias com mesa farta.
Contra todos esteve o vento, principalmente, quando, a partir da Abrigada, passou a soprar de cara, obrigado a um esforço suplementar. Até aí, na primeira parte do percurso o andamento foi bastante moderado – como se quer! –, apesar do engodo à velocidade que oferece a planura do relevo. Nada de mata-cavalos, logo os desgastes foram minimizados, preservando energia preciosa para a secção final, mais acidentada e empenhativa. O Durão, sempre incansável, teve muito mérito ao assegurar, à cabeça do grupo, o ritmo de cruzeiro ideal, para o qual deram o seu préstimo todos os que se sentiram com capacidade, sem excepção.
A partir de Marceana em direcção ao Sobral, o passo endureceu. Chegava a altura adequar o ritmo às capacidades próprias. Bastaram as primeiras rampas, feitas a uma intensidade elevada, para se fazer rapidamente a selecção. A subida é longa e inconstante, requerendo uma gestão rigorosa do esforço, protecção do vento, e uma boa roda. A roda, a minha, e os dignos «chupas»: Durão, o estreante Albino e o Salvador. Só este acabou por ceder, sensivelmente a meio da ascensão, mas, mais tarde, já após a passagem pelo Sobral, demonstrou a sua reconhecida tenacidade, alcançando o trio da frente, passou directo ao Forte de Alqueidão. Então o Durão impôs a sua cadência pesada (52x23) entre os perseguidores e anulou a fuga. Assim, também o Albino acabou por ceder à dureza (vento acima de tudo), chegando ao alto na companhia do Salvador.
A partir daqui, por imperativos de horário, antecipei o regresso a casa, atalhando pelo eixo S. Tiago dos Velhos-A do Mourão, mas já tive conhecimento que a conclusão da jornada decorreu normalmente – que, no cômputo geral, volto a frisar, foi excelente!
Notas de observador
Como já referi, a integração de novos elementos é sintoma de vitalidade do grupo, livre dos maus presságios de opiniões cépticas que, por vezes, emergem sem, porém, mostrarem o rosto. O Pedro Fonseca fez a sua segunda aparição, após a estreia e sádica «praxe» em Sintra e, segundo fontes bem colocadas, apesar de o tratamento não ter tido tanto choque, as consequências repetiram-se: valente empeno! É assim, através de aferições de capacidade superação e resistência às fortes exigências de um grupo de nível, além de camaradagem, que se faz o tirocínio no Pina Bike. Para ti, Pedro, a prova foi superada com 20 valores!
E a atentar às indicações prestadas este domingo pelo outro delfim, o Albino, logo em dia de estreia, o relatório será rigorosamente igual. Bem-vindos, companheiros!
Por falar em indicadores – mas referindo os (meus) físicos –, depreende-se que a temporada no limiar do fim. Fazer força nos pedais já custa muito e os resultados não compensam. Assim, mais do que lógico abrandar o volume e a carga nesta altura do ano, é imperioso aliviar significativamente aos domingos, mesmo se até ao final de Outubro ainda restem algumas Clássicas com subidas exigentes, como a Sra. da Ajuda (espectacular mas para ser feita no auge da forma!) e A-dos-Loucos – esta já no próximo domingo. Ai ai, quem é que fez o calendário?!
terça-feira, setembro 19, 2006
Lagoa Azul
A Clássica de Sintra, na sua versão mais «picante», com passagem pela dura subida da Lagoa Azul, foi extremamente conturbada, ao ponto de se inflectir a marcha, precisamente após aquela ascensão. O motivo foi a quebra de uma das manivelas dos pedais da bicicleta do Salvador, em plena subida, que implicou a interrupção da jornada e o regresso directo a Loures, para garantir que o nosso companheiro chegaria «são e salvo».
Pena que tivesse acontecido este incidente, pois a tirada, além de reunir todas as condições para ser bastante interessante, naquela altura estava ao rubro, com o Freitas «Durão» isolado à entrada para os 2 km terríveis da Lagoa Azul e a perseguição em curso – apesar de eu ter furado e assim eliminado as possibilidades de o grupo anular a aventura do Durão antes da passagem pelo prémio da montanha.
Além disso, neste dia tivemos o agrado da companhia do Paulo Pais, que está a ultimar a sua preparação para a Volta a Palma de Maiorca, nunca se devendo enjeitar a possibilidade de obter ensinamentos e referências de quem, como ele, participa em competições federadas. Por isso, também se lamenta que as incidências da volta tenham prejudicado o seu treino, esperando que o reencontro seja para breve. Que tal, já o próximo domingo, agora que estará mais ciente que, com estes meninos do Pina Bike, a correria pode rebentar quando menos se espera, tal a maneira como foi surpreendido no topo de Guerreiros, a caminho de Loures – tradicionalmente local de última explosão! E depois ainda houve sprint final à chegada às bombas. Depois há quem diga que treinar com alguns «Pina Bike» não dá saúde nenhuma...
Apraz-se registar ainda a estreia do Pedro Fonseca, que, além da simpatia, demonstrou enorme força de vontade em acompanhar o grupo, apesar de ter sentido algumas dificuldades quando o andamento endureceu. Todavia, só pela atitude de galhardia, a que não deve ser alheia a enorme motivação em progredir para um nível de forma mais compatível com as exigências, creio que representa uma mais-valia importante para o grupo. Para a semana, revemo-nos nas bombas da BP.
De resto, registe-se também as presenças do Nuno Garcia e do Zé-Tó, num mini-pelotão que estava a demonstrar boa coesão, pelo menos, até ao primeiro hot-spot (ponto quente) do dia, na Lagoa Azul. Ficou, porém, por saber como decorreria o que restava do percurso original, ainda bastante e recheado de dificuldades.
Pena que tivesse acontecido este incidente, pois a tirada, além de reunir todas as condições para ser bastante interessante, naquela altura estava ao rubro, com o Freitas «Durão» isolado à entrada para os 2 km terríveis da Lagoa Azul e a perseguição em curso – apesar de eu ter furado e assim eliminado as possibilidades de o grupo anular a aventura do Durão antes da passagem pelo prémio da montanha.
Além disso, neste dia tivemos o agrado da companhia do Paulo Pais, que está a ultimar a sua preparação para a Volta a Palma de Maiorca, nunca se devendo enjeitar a possibilidade de obter ensinamentos e referências de quem, como ele, participa em competições federadas. Por isso, também se lamenta que as incidências da volta tenham prejudicado o seu treino, esperando que o reencontro seja para breve. Que tal, já o próximo domingo, agora que estará mais ciente que, com estes meninos do Pina Bike, a correria pode rebentar quando menos se espera, tal a maneira como foi surpreendido no topo de Guerreiros, a caminho de Loures – tradicionalmente local de última explosão! E depois ainda houve sprint final à chegada às bombas. Depois há quem diga que treinar com alguns «Pina Bike» não dá saúde nenhuma...
Apraz-se registar ainda a estreia do Pedro Fonseca, que, além da simpatia, demonstrou enorme força de vontade em acompanhar o grupo, apesar de ter sentido algumas dificuldades quando o andamento endureceu. Todavia, só pela atitude de galhardia, a que não deve ser alheia a enorme motivação em progredir para um nível de forma mais compatível com as exigências, creio que representa uma mais-valia importante para o grupo. Para a semana, revemo-nos nas bombas da BP.
De resto, registe-se também as presenças do Nuno Garcia e do Zé-Tó, num mini-pelotão que estava a demonstrar boa coesão, pelo menos, até ao primeiro hot-spot (ponto quente) do dia, na Lagoa Azul. Ficou, porém, por saber como decorreria o que restava do percurso original, ainda bastante e recheado de dificuldades.
sexta-feira, setembro 15, 2006
Etapa da Serra em imagens -1

Depois das agruras da Serra da Gardunha, quarteto tenta retemperar forças no «rompe pernas» entre o Fundão e a Covilhã. No entanto, o ritmo nunca caiu demasiado e em Belmonte a média fixava-se em apreciáveis 30 km/h. Naturalmente, tudo isto se pagaria bem caro... e uns mais pagaram mais que outros!
Da esquerda para a direita: Miguel, Guedes, Ricardo e Freitas, perdão, Durão. Aliás, quem é que se decide a pôr o peitinho ao vento?!
Etapa da Serra em imagens -2

O entusiasmo do público foi uma constante ao longo de toda a etapa, como se pode ver pela imagem.
Nesta altura, entre Covilhã e Belmonte, com a Serra da Estrela em pano de fundo, (ainda) era esse o sentimento que reinava no seio do mini-pelotão, onde o Miguel impunha o andamento.
O pior foi quando o «pano» deixou de estar ao fundo! Ai, ai...

Esta é uma das imagens mais fortes da Etapa. Estávamos ainda a alguns quilómetros de Manteigas e o Durão já exibia o ar afanado com que chegou à Torre (para ver melhor a foto basta clicar sobre a mesma).
Testemunhas confessaram que depois do Viveiro das Trutas as suas feições ainda espelhavam maior sofrimento. Não foram só as dele...
A fechar o trio é um companheiro muito generoso que entrou depois da Covilhã e seguiu-nos até Manteigas. Depois deu a volta ao cavalo, já adivinhando o que se passaria a partir daí...

Manteigas acabava de ficar para trás e atacavam-se as primeiras rampas, duríssimas, da subida para Piornos.
O prato forte estava servido. Neste preciso momento, o Guedes preparava-se para fazer uma ligeira mudança de ritmo na frente do trio, que deitou por terra toda a estratégia de desgaste do Durão.
A sentença estava ditada!

Dois valentes cavaleiros solitários serra acima.
A atentar pelas semelhanças do equipamento (e da perna peluda!) seria dupla para trabalhar em conjunto... mas a concorrência nem se deu a ver.
Todavia, tiveram muito mérito pelo esforço, rapazes! Extensível ao Salvador e ao João, que por motivos de horário não aparecem na reportagem.
quinta-feira, setembro 14, 2006
Etapa da Serra em imagens -4
Grande subida do Guedes, parceiro inseparável até Piornos. Pelo meu sofrimento deu para perceber o dele, que desde a saída de Manteigas se vinha a queixar com fome... e que tinha de voltar para casa... ATRÁS DA SERRA DA GARDUNHA! Certamente quando nos encontrou por acaso, não estava à espera de um tratamento destes... Felizmente, tudo se resolveu com uma boleia muito «camarada» do Miguel. Em Piornos juntou-se ao Freitas e chegaram à Torre... inteiros. Aí está um elemento válido para o Pina Bike, exemplo para muita gente, pela coragem e fibra. Um forte abraço!
Aquele bidão amarelo diz «Etape du Tour 2006» e foi obrigatório dignificá-lo!
Mas foi difícil. Não sofri tanto no Alpe d'Huez, com 180 km nas pernas, 35 graus de temperatura e um pé a rebentar de dor...
Que saudades dos pelotões franceses!

O alto está mesmo aliiiiiii, e nunca mais chega...
Nunca subir a Estrela foi tão duro.
Ai a média de 30 km/h e tal e tal...
Pois é, como diz o outro, não há milagres!

Enfim, a Torre! Depois de 5h15m de uma fantástica jornada velocipédica, no rescaldo de uma inesperadamente penosa subida final, chegar finalmente à famosa «rotunda do alívio», a 1993 metros de altitude, foi um momento muito saboroso...
Esta já cá está! Durinha, durinha...

Eis o Durão totalmente «amolecido», na companhia do valente Guedes à chegada ao ponto mais alto de Portugal Continental.
A sensação de dever cumprido compensa todos os sacrifícios. E foram muitos! Para o ano, podes meter o comboio à média de 30 km/h que eu fico num grupetto. Ai fico, fico!
E que melhor prémio que a nossa família à espera para nos acolher?
segunda-feira, setembro 11, 2006
Serra da Estrela, a acentuada tortura
A Etapa da Serra da Estrela, de 2006, foi uma jornada épica que superou todas as expectativas sobre as elevadíssimas dificuldades que enfrentariam os «aventureiros» que aceitaram o desafio de cumprir o percurso principal, de 124 km e 2600 metros de desnível acumulado. Todavia, a jornada ficou aquém da mobilização que se pretendia como iniciativa pioneira e aliciante, não apenas em número de participantes, como em coordenação, assistindo-se a uma divisão voluntária do elenco por motivos que não se percebem.
A tirada, já se sabia, seria muito mais exigente que as condições do próprio traçado montanhoso e da sua longa distância, porque a estas havia que contabilizar o factor-competitividade, indissociável a todos grupos de praticantes de ciclismo de bom nível. Mas esta perspectiva foi excedida largamente, impondo à etapa o grau de dificuldade correspondente, que, indiscutivelmente, prejudicou o seu normal desenrolar e provocou desgaste acentuadíssimo a todos – friso: a todos! – os participantes do percurso maior (A). A razão foi a abordagem, muito controversa, à «prova», quiçá subestimando as dificuldades inalienáveis, distância e relevo, juntando-lhe uma inquestionável sobrevalorização (mesmo que inconsciente) das capacidades atléticas individuais (e do grupo, por consequência) em prol de um objectivo legítimo: o espírito competitivo. Ou seja, cometeu-se um erro de gestão de esforço que acabou por sair muito caro quando a Serra da Estrela, no final, impôs a sua factura. E que gorda factura!
Todavia, este percalço, que ficou bem marcado no corpo, não retirou brilhantismo à Etapa: percurso lindíssimo e exigente, realizado, na sua maior parte, a uma velocidade elevadíssima. Daí a razão de todos os males. Os números confirmam: após 50 km e de dupla passagem pela Serra da Gardunha, a média horária fixava-se nos 29,5 km/h. O autor de tamanha proeza irresponsável foi um trio (Durão, Miguel e eu), a que se juntou o Armando (Guedes), cliente do Pina (Cannondale Six13) a passar férias na região, que nos encontrou por feliz casualidade após a primeira ascensão da Gardunha, prestes a dar meia-volta na rotunda de Lardosa.
À chegada a Belmonte, com 85 km percorridos, a média já tinha subido para 30 km/h e em Manteigas, antes de iniciar a subida final para a Torre (103 km e já 1400 metros de desnível acumulado), desceu apenas 0,5 km/h (para 29,5 km/h) - uma média, neste tipo de percurso, que está ao nível de uma Clássica Internacional – mas aqui com apenas quatro elementos!
Repartem-se responsabilidades por este andamento vivíssimo, quase suicida por ter sido à custa de um esforço de grande intensidade, principalmente nas subidas secundárias, onde se recomendaria maior contenção. O Durão abriu as hostilidades nas duas passagens pela Gardunha: a primeira logo a abrir a etapa (mau, mau); e a segunda, mais difícil, mas que teve como atenuante o facto de o andamento ter sido mais moderado, graças ao Miguel, que em boa hora parou para urinar. Depois, ainda e sempre o Durão a impor o ritmo na descida para o Fundão, metendo o grupo a 60 km/h nas suas costas.
Mais tarde, a seguir à Covilhã, na subida de Orjais, foi o Miguel a puxar dos galões e a fazer disparar o coração, na subida de Vale Formoso voltou a ser o Durão a endurecer o ritmo. Por fim, a partir de Valhelhas fui eu a entrar ao serviço, que se estendeu à entrada da subida final para Piornos/Torre.
Assim, dificilmente não se assistiria a uma prova por eliminação. Em Valhelhas, com 87 km, o Miguel foi a primeira vítima deste andamento de elite, perdendo irremediavelmente o contacto com o grupo (naquela altura era um quinteto, com a junção de um elemento nativo de Teixoso até Manteigas), acabando por antecipar o final da sua jornada em Piornos.
Depois, o Durão, já a contas com duas arreliadoras avarias na bicicleta (primeiro o guiador descaiu e depois partiu-se um raio no empedrado de Manteigas, pagou toda a sua audácia ao longo do percurso ficando pregado logo nas primeiras rampas duríssimas (Viveiro das Trutas) da subida final e arrastou-se até Piornos, onde encontrou o Armando, que parara para abastecer depois de ter ficado «vazio», tendo ambos cumprido a ligação à Torre juntos. E eu, abandonado à dor, desfazendo-me serra acima, com um par de paragens pelo meio para atenuar a fadiga e a vontade crescente de acabar o sofrimento mesmo ali!
No final: 5h15m de uma enormíssima aventura a repetir em formato mais «racional» e para recordar, neste caso, para não voltar a cometer os mesmos erros «estratégicos». A experiência das participações além-fronteiras deveria ter sido melhor conselheira. E ninguém está ilibado.
Quanto aos restantes companheiros neste desafio serrano, pode-se dizer que foram apenas companheiros de bastidor, pois o contacto na estrada foi incompreensivelmente fugaz ou mesmo inexistente. Resumiu-se ao encontro com o Zé-Tó e o Steven (que fizeram juntos a trajecto desde a Covilhã), pouco antes do cruzamento de Piornos, onde o primeiro parou. O Steven, que ainda me acompanhou nas primeiras centenas de metros da subida, após a Nave de Santo António, seguiu no seu andamento, chegando à Torre aparentemente em boas condições. Aqui já estavam há algum tempo o João e o Salvador, que partiram do Fundão meia-hora antes do previsto. De resto, nem estes duos se cruzaram em todo percurso. Porquê?!
A tirada, já se sabia, seria muito mais exigente que as condições do próprio traçado montanhoso e da sua longa distância, porque a estas havia que contabilizar o factor-competitividade, indissociável a todos grupos de praticantes de ciclismo de bom nível. Mas esta perspectiva foi excedida largamente, impondo à etapa o grau de dificuldade correspondente, que, indiscutivelmente, prejudicou o seu normal desenrolar e provocou desgaste acentuadíssimo a todos – friso: a todos! – os participantes do percurso maior (A). A razão foi a abordagem, muito controversa, à «prova», quiçá subestimando as dificuldades inalienáveis, distância e relevo, juntando-lhe uma inquestionável sobrevalorização (mesmo que inconsciente) das capacidades atléticas individuais (e do grupo, por consequência) em prol de um objectivo legítimo: o espírito competitivo. Ou seja, cometeu-se um erro de gestão de esforço que acabou por sair muito caro quando a Serra da Estrela, no final, impôs a sua factura. E que gorda factura!
Todavia, este percalço, que ficou bem marcado no corpo, não retirou brilhantismo à Etapa: percurso lindíssimo e exigente, realizado, na sua maior parte, a uma velocidade elevadíssima. Daí a razão de todos os males. Os números confirmam: após 50 km e de dupla passagem pela Serra da Gardunha, a média horária fixava-se nos 29,5 km/h. O autor de tamanha proeza irresponsável foi um trio (Durão, Miguel e eu), a que se juntou o Armando (Guedes), cliente do Pina (Cannondale Six13) a passar férias na região, que nos encontrou por feliz casualidade após a primeira ascensão da Gardunha, prestes a dar meia-volta na rotunda de Lardosa.
À chegada a Belmonte, com 85 km percorridos, a média já tinha subido para 30 km/h e em Manteigas, antes de iniciar a subida final para a Torre (103 km e já 1400 metros de desnível acumulado), desceu apenas 0,5 km/h (para 29,5 km/h) - uma média, neste tipo de percurso, que está ao nível de uma Clássica Internacional – mas aqui com apenas quatro elementos!
Repartem-se responsabilidades por este andamento vivíssimo, quase suicida por ter sido à custa de um esforço de grande intensidade, principalmente nas subidas secundárias, onde se recomendaria maior contenção. O Durão abriu as hostilidades nas duas passagens pela Gardunha: a primeira logo a abrir a etapa (mau, mau); e a segunda, mais difícil, mas que teve como atenuante o facto de o andamento ter sido mais moderado, graças ao Miguel, que em boa hora parou para urinar. Depois, ainda e sempre o Durão a impor o ritmo na descida para o Fundão, metendo o grupo a 60 km/h nas suas costas.
Mais tarde, a seguir à Covilhã, na subida de Orjais, foi o Miguel a puxar dos galões e a fazer disparar o coração, na subida de Vale Formoso voltou a ser o Durão a endurecer o ritmo. Por fim, a partir de Valhelhas fui eu a entrar ao serviço, que se estendeu à entrada da subida final para Piornos/Torre.
Assim, dificilmente não se assistiria a uma prova por eliminação. Em Valhelhas, com 87 km, o Miguel foi a primeira vítima deste andamento de elite, perdendo irremediavelmente o contacto com o grupo (naquela altura era um quinteto, com a junção de um elemento nativo de Teixoso até Manteigas), acabando por antecipar o final da sua jornada em Piornos.
Depois, o Durão, já a contas com duas arreliadoras avarias na bicicleta (primeiro o guiador descaiu e depois partiu-se um raio no empedrado de Manteigas, pagou toda a sua audácia ao longo do percurso ficando pregado logo nas primeiras rampas duríssimas (Viveiro das Trutas) da subida final e arrastou-se até Piornos, onde encontrou o Armando, que parara para abastecer depois de ter ficado «vazio», tendo ambos cumprido a ligação à Torre juntos. E eu, abandonado à dor, desfazendo-me serra acima, com um par de paragens pelo meio para atenuar a fadiga e a vontade crescente de acabar o sofrimento mesmo ali!
No final: 5h15m de uma enormíssima aventura a repetir em formato mais «racional» e para recordar, neste caso, para não voltar a cometer os mesmos erros «estratégicos». A experiência das participações além-fronteiras deveria ter sido melhor conselheira. E ninguém está ilibado.
Quanto aos restantes companheiros neste desafio serrano, pode-se dizer que foram apenas companheiros de bastidor, pois o contacto na estrada foi incompreensivelmente fugaz ou mesmo inexistente. Resumiu-se ao encontro com o Zé-Tó e o Steven (que fizeram juntos a trajecto desde a Covilhã), pouco antes do cruzamento de Piornos, onde o primeiro parou. O Steven, que ainda me acompanhou nas primeiras centenas de metros da subida, após a Nave de Santo António, seguiu no seu andamento, chegando à Torre aparentemente em boas condições. Aqui já estavam há algum tempo o João e o Salvador, que partiram do Fundão meia-hora antes do previsto. De resto, nem estes duos se cruzaram em todo percurso. Porquê?!
domingo, setembro 03, 2006
Rolar ou rolar bem?
Há os que rolam e os que rolam bem. Ponto! Entre uns e outros, as diferenças são significativas e distinguem até quem exibe estados de forma muito aproximados. Quando o relevo não oferece dificuldade apreciável e o peso ou a menor aptidão para exercício de subida não têm especial influência nas performances, sobressaem os ciclistas fortes e possantes que conseguem desenvolver desmultiplicações grandes e consequentemente velocidades de cruzeiro elevadas.
Mesmo contra o vento e muitas vezes sem se aperceberem das dificuldades em que colocam os demais - as que sentem quando enfrentam os trepadores no seu (destes) «habitat»: a montanha. Aliás, no próximo domingo, na Serra da Estrela, haverá oportunidade de constatá-lo. Ou não!
Isto é o que consegue fazer, quase na perfeição, o nosso camarada Durão – classicómano de excepção, mas acima de tudo rolador e sprinter de qualidade indiscutível. Hoje, na lezíria ribatejana, rubricou alguns momentos que comprovam plenamente o estatuto que está na origem do cognome que escolheu para se identificar neste blog.
O primeiro, conduzindo o grupo, numa secção entre Vila Franca e o Porto Alto, sem baixar dos 40 km/h - que meteu muito boa gente (incluindo eu) no «vermelho». Mais tarde, à saída Benavente quando se lançou na peugada do Fantasma (que bem que ia na protecção de um autocarro!) neutralizando rapidamente a sua fuga. Por último, na estrada de Sto. Estevão, quando rolou durante vários km em fuga, sempre a roçar os 40 km/h. E se nas duas primeiras situações, o pelotão enfileirou, como pôde, atrás da locomotiva, já na terceira obrigou a uma perseguição férrea do grupo, que só o bom entendimento entre os seus elementos permitiu que fosse coroada de êxito. Renovo os parabéns ao desempenho individual e colectivo!
Estes foram, de resto, os momentos mais destacados de uma volta (reedição da Clássica de Sto. Estevão) realizada a uma média excepcional de quase 32 km/h (e houve algumas quebras e paragens. Por exemplo, não me sai da memória a visão do Fantasma a tentar equilibrar a delicadíssima Six13 no espesso areal da largada de touros em Sto. Estevão), e onde o comportamento e empenho do grupo merece, sem contemplações, rasgados elogios, demonstrando que as baterias estão quase no ponto para a Serra da Estrela, que é já no próximo domingo.
Mais: através das boas indicações deixadas, percebe-se que há um punhado de unidades em estado de forma muito aproximado, deixando em aberto algumas interrogações sobre o desempenho final na etapa serrana. Refiro-me ao trio João, Salvador e ZT, cuja presença à partida do Fundão está confirmada, e que, à parte da certeza de que reúnem todas as condições para realizar muito bem a etapa, haverá, da minha parte, uma certa curiosidade em saber como se irão sair, tendo em conta a elevadíssima selectividade da tirada.
Na perspectiva de observador atento, creio que haverá factores, digamos, indirectos, como a gestão do esforço e a própria leitura das incidências, que poderão ajudar a definir as diferenças finais, podendo diluir condicionantes quase sempre determinantes como os km acumulados durante o ano e o nível de treino. Na minha opinião, até ver este será o núcleo duro dos participantes no percurso B, que terão tudo a ganhar se unirem esforços, pois o maior desafio de todos é chegar à Torre.
Quanto ao percurso A, existe apenas a certeza antecipada de que não será fácil a ninguém. Logo que o tempo ajude, há tudo para ser uma memorável jornada de ciclismo!
Mesmo contra o vento e muitas vezes sem se aperceberem das dificuldades em que colocam os demais - as que sentem quando enfrentam os trepadores no seu (destes) «habitat»: a montanha. Aliás, no próximo domingo, na Serra da Estrela, haverá oportunidade de constatá-lo. Ou não!
Isto é o que consegue fazer, quase na perfeição, o nosso camarada Durão – classicómano de excepção, mas acima de tudo rolador e sprinter de qualidade indiscutível. Hoje, na lezíria ribatejana, rubricou alguns momentos que comprovam plenamente o estatuto que está na origem do cognome que escolheu para se identificar neste blog.
O primeiro, conduzindo o grupo, numa secção entre Vila Franca e o Porto Alto, sem baixar dos 40 km/h - que meteu muito boa gente (incluindo eu) no «vermelho». Mais tarde, à saída Benavente quando se lançou na peugada do Fantasma (que bem que ia na protecção de um autocarro!) neutralizando rapidamente a sua fuga. Por último, na estrada de Sto. Estevão, quando rolou durante vários km em fuga, sempre a roçar os 40 km/h. E se nas duas primeiras situações, o pelotão enfileirou, como pôde, atrás da locomotiva, já na terceira obrigou a uma perseguição férrea do grupo, que só o bom entendimento entre os seus elementos permitiu que fosse coroada de êxito. Renovo os parabéns ao desempenho individual e colectivo!
Estes foram, de resto, os momentos mais destacados de uma volta (reedição da Clássica de Sto. Estevão) realizada a uma média excepcional de quase 32 km/h (e houve algumas quebras e paragens. Por exemplo, não me sai da memória a visão do Fantasma a tentar equilibrar a delicadíssima Six13 no espesso areal da largada de touros em Sto. Estevão), e onde o comportamento e empenho do grupo merece, sem contemplações, rasgados elogios, demonstrando que as baterias estão quase no ponto para a Serra da Estrela, que é já no próximo domingo.
Mais: através das boas indicações deixadas, percebe-se que há um punhado de unidades em estado de forma muito aproximado, deixando em aberto algumas interrogações sobre o desempenho final na etapa serrana. Refiro-me ao trio João, Salvador e ZT, cuja presença à partida do Fundão está confirmada, e que, à parte da certeza de que reúnem todas as condições para realizar muito bem a etapa, haverá, da minha parte, uma certa curiosidade em saber como se irão sair, tendo em conta a elevadíssima selectividade da tirada.
Na perspectiva de observador atento, creio que haverá factores, digamos, indirectos, como a gestão do esforço e a própria leitura das incidências, que poderão ajudar a definir as diferenças finais, podendo diluir condicionantes quase sempre determinantes como os km acumulados durante o ano e o nível de treino. Na minha opinião, até ver este será o núcleo duro dos participantes no percurso B, que terão tudo a ganhar se unirem esforços, pois o maior desafio de todos é chegar à Torre.
Quanto ao percurso A, existe apenas a certeza antecipada de que não será fácil a ninguém. Logo que o tempo ajude, há tudo para ser uma memorável jornada de ciclismo!
quinta-feira, agosto 31, 2006
Mobilização cresce para a Serra
Afinam-se agulhas para a Etapa da Serra da Estrela. A mobilização é inequívoca e crescente, tanto daqueles que desde o início confirmaram a sua presença, empenhando-se em apurar a forma física para enfrentar as agruras do terreno, como dos que o fizeram muito recentemente, casos do ZT, Fantasma e Daniel – também eles não resistiram ao desafio da montanha e a mais um garantido momento de convívio, como os que se repetem nas clássicas de Évora ou Fátima.
O facto de haver a possibilidade de opção entre dois percursos, com índices de dificuldades distintos mas em cujos está presente o áspero fascínio de subir à Torre, permite a abertura a um leque mais abrangente de participantes. Por isso, o pelotão engrossa a cada dia, reunindo-se, assim, condições óptimas para que o próximo dia 10 seja uma enorme jornada de ciclismo.
Quanto ao alojamento e logística, o ideal seria que o quartel-general ficasse instalado no Hotel Alambique (telf. 275.774145 ou 96.977.7146), no Fundão, onde será a partida para os dois percursos. Os preços oscilam entre 27 euros (single) e pouco mais de 55 € (duplo). Todavia, a oferta hoteleira na região é vasta, principalmente na Covilhã, onde se pode obter preços mais variados e qualidade bastante aceitável (ex. Hotel Sta. Eufémia).
Quanto à logística, não deverá ser muito diferente da habitual (Évora e Fátima), ultimando-se esforços para garantir, pelo menos, um carro de apoio neutro, embora seja provável (e bom) que os acompanhantes (familiares/amigos) possam prestar, em algum ponto do percurso, apoio ao seu «respectivo».
Em relação à hora de partida (sugestão): para o percurso A (8h00) – o motivo de não ser mais cedo deve-se ao facto do pequeno almoço no hotel começar a ser servido apenas a partir das 7h30; e para o percurso B, quando o grupo A voltar a passar pelo local (frente ao hotel), estima-se que entre 1h45 e 2h00 depois de iniciar a etapa em direcção à Gardunha.
O facto de haver a possibilidade de opção entre dois percursos, com índices de dificuldades distintos mas em cujos está presente o áspero fascínio de subir à Torre, permite a abertura a um leque mais abrangente de participantes. Por isso, o pelotão engrossa a cada dia, reunindo-se, assim, condições óptimas para que o próximo dia 10 seja uma enorme jornada de ciclismo.
Quanto ao alojamento e logística, o ideal seria que o quartel-general ficasse instalado no Hotel Alambique (telf. 275.774145 ou 96.977.7146), no Fundão, onde será a partida para os dois percursos. Os preços oscilam entre 27 euros (single) e pouco mais de 55 € (duplo). Todavia, a oferta hoteleira na região é vasta, principalmente na Covilhã, onde se pode obter preços mais variados e qualidade bastante aceitável (ex. Hotel Sta. Eufémia).
Quanto à logística, não deverá ser muito diferente da habitual (Évora e Fátima), ultimando-se esforços para garantir, pelo menos, um carro de apoio neutro, embora seja provável (e bom) que os acompanhantes (familiares/amigos) possam prestar, em algum ponto do percurso, apoio ao seu «respectivo».
Em relação à hora de partida (sugestão): para o percurso A (8h00) – o motivo de não ser mais cedo deve-se ao facto do pequeno almoço no hotel começar a ser servido apenas a partir das 7h30; e para o percurso B, quando o grupo A voltar a passar pelo local (frente ao hotel), estima-se que entre 1h45 e 2h00 depois de iniciar a etapa em direcção à Gardunha.
terça-feira, agosto 29, 2006
Enfim, as tertúlias!
Primeiro que tudo, apraz-me registar com satisfação o facto da tertúlia ter regressado, em força, a este blog, embora crendo que a partir de certo nível de conversação é desleal o(s) verdadeiro(s) autor(es) dos comentários não se identificar(em), quiçá uma atitude cobarde de esconder fraquezas.
Mais do que isso: algumas das afirmações, como a primeira, que refere que o Carlos terá sido «queimado», estão totalmente desprovidas de sentido, reflectindo uma análise ignorante do que realmente aconteceu. Por isso, não as considero merecedoras de reparo.
Surpreende-me apenas o gigantismo dos efeitos do que se passou no domingo. As críticas feitas por alguém que se esconde sob a capa de «Canibal» são, no mínimo, ridículas, de tão inversamente proporcionais ao que, de facto, é o ciclismo. Por isso, só poderão vir de alguém completamente equivocado, a quem sugiro que saia de cima dos rolos no fundo da garagem, procurando ultrapassar os traumas que o mantêm alheado do mundo real. No mínimo, que acompanhe mais de perto o ciclismo, nem que seja pela televisão.
Mas serei peremptório na resposta ao último comentário. Pois bem, alguém acredita que pode deixar de haver competitividade no grupo – que tem como consequência as «malditas» corridas? Mas se, porventura, acabar, com ela também o próprio grupo!
Mais do que isso: algumas das afirmações, como a primeira, que refere que o Carlos terá sido «queimado», estão totalmente desprovidas de sentido, reflectindo uma análise ignorante do que realmente aconteceu. Por isso, não as considero merecedoras de reparo.
Surpreende-me apenas o gigantismo dos efeitos do que se passou no domingo. As críticas feitas por alguém que se esconde sob a capa de «Canibal» são, no mínimo, ridículas, de tão inversamente proporcionais ao que, de facto, é o ciclismo. Por isso, só poderão vir de alguém completamente equivocado, a quem sugiro que saia de cima dos rolos no fundo da garagem, procurando ultrapassar os traumas que o mantêm alheado do mundo real. No mínimo, que acompanhe mais de perto o ciclismo, nem que seja pela televisão.
Mas serei peremptório na resposta ao último comentário. Pois bem, alguém acredita que pode deixar de haver competitividade no grupo – que tem como consequência as «malditas» corridas? Mas se, porventura, acabar, com ela também o próprio grupo!
domingo, agosto 27, 2006
Enorme Montejunto!
Um ataque do Carlos, à saída da Atalaia, surpreendeu o grupo e marcou definitivamente a subida de hoje a Montejunto, colocando em causa, inclusive, a lei dos «internacionais».
A volta já se sabia difícil e foi ainda mais devido à forte nortada que soprava, por isso não se previa que o andamento fosse tão rijo logo a partir de Bucelas até ao Forte do Alqueidão. O Nuno Garcia deu o mote a seguir à Bemposta e o Freitas rendeu-o mais adiante, fazendo as despesas de quase toda a subida, fortemente castigado pelo vento. Ficava desde logo evidente que a etapa iria ser ainda mais selectiva. Todavia, ao contrário do habitual, não houve acelerações nesta fase, tendo o grupo chegado compacto ao Alqueidão.
À saída do Sobral, a caminho da Freiria, o Nuno volta a tomar as rédeas, obrigando o grupo a cerrar fileiras na descida. A calmaria só regressou à entrada da Merceana, antes das rampas de Freixial de Cima e Cortegana começarem a dar um cheirinho da serra. Então, à saída da Atalaia o pelotão retraiu-se e o Carlos sobressaiu, causando surpresa pela coragem de querer enfrentar sozinho o terreno que começa a empinar e o vento contrário. Imediatamente, houve quem não lhe augurasse grande sucesso. Erro crasso, como depois se viu…
Uma iniciativa perfeita, no melhor local e na melhor altura – quando toda a gente começava a fazer contas de cabeça para Montejunto. Nem precisou de acelerar muito, só de manter a velocidade durante a subida (difícil) e no falso plano ascendente que se segue, também muito exposto ao vento. O pelotão manteve-se na expectativa, aparentemente tranquilo, mas não demorou muito a que as vozes se calassem e se passasse à perseguição. Tomou as rédeas quem mais tinha trabalhado até ali: Freitas e Nuno. Mas rapidamente se verificou que a tarefa exigia mais colaboradores. E não havia! Por isso, a fuga começou a ganhar contornos mais vincados. Preocupantes. Antes de começar a descer para Vila Verde dos Francos já havia a certeza que não seria anulada antes de entrar na subida de Montejunto e ficou ainda mais sólida quando os dois lideres desamparados do grupo perseguidor mostraram a revolta e abdicaram. Nesta altura, o Zé-Tó parecia com dificuldade em acreditar no que estava realmente a suceder.
Mas ainda estava para vir o segundo capítulo: a subida. A entrada, muito dura, deu mais do mesmo! Ou seja, entre os «internacionais» a desorganização acentuou-se, de tal modo que o Salvador, o Samuel e o João chegaram a adiantar-se. O Carlos, à frente, beneficiava da apatia. O Freitas teve de assumir a perseguição, com o Nuno em tímida colaboração. Eu sempre na roda. Na primeira contagem de tempo, a olho, antes da ligeira descida, a vantagem do Carlos rondava 1 minuto. Veredicto: para já, uma distância confortável e embora ainda restasse muito e o mais difícil para subir, a missão de anular a fuga começava a complicar-se sem uma inter-ajuda efectiva.
Então o Freitas quis testar a reacção dos seus dois parceiros. Sentir o pulso ou talvez espicaçar! Talvez saber se a razão da minha inércia seria… incapacidade? A resposta terá sido esclarecedora, mas sem contra-ataque.
Estávamos a entrar no segundo maciço da serra, na zona de floresta, e apesar de se ter recuperado cerca de 10 segundos para o fugitivo, a perseguição dava sinais de fraqueza. As esperanças de entendimento tinham acabado definitivamente. Prova disso foi o Nuno ter recuado para a minha roda, deixando ao Freitas as despesas da perseguição. No topo antes da segunda descida (para o cruzamento do quartel), este voltou a tentar livrar-se da (má) companhia. Mais uma vez, sem êxito.
Na fase final da subida, a mais dura, a partir do quartel, o Nuno começou a dar sinais de estar em dificuldades, passando para a ponta do elástico. À frente do trio perseguidor ainda e sempre o Freitas. O Carlos lutava para preservar uma vantagem que lhe permitisse chegar isolado ao alto – nesta altura pouco mais de 20 segundos. Então, a cerca de 700 metros do alto, o Nuno cede e libertou-me das amarras (coisas da táctica!). Passei para a ilharga do Freitas e forcei, depois dei uma sacudidela forte com resposta, descanso, e logo a seguir outra, decisiva. Logo fiquei em cima do Carlos. A 300 metros do cume, acabava a louca aventura do fugitivo. Ainda o convidei a seguir-me nos metros finais (merecia-o, sem imodéstia) mas ele preferiu não forçar, a pensar no… regresso, disse-me! Quem pensaria assim, à beira de fechar com chave de ouro uma grande prova?! Mas, afinal, estamos a falar do senhor «Reservado». De qualquer modo, não precisou de se defender do Freitas – que estava em perda depois de um excelente trabalho durante toda a subida. Também ele com motivos para estar satisfeito com a sua prestação. De resto, tal como o Nuno – a Etapa da Serra está aí!
Referência ainda para as extraordinárias subidas do Salvador e do João – que completaram o lote de notáveis que chegou ao alto de Montejunto.
Notas de observador
O Carlos apostou e ficou a um pequeníssimo passo de ganhar! Todavia, tem o mérito inteiro. Pela coragem, determinação e enorme qualidade demonstradas. A sua prestação tem, no entanto, contrapartidas futuras: a partir de agora, não pode deixar de assumir, em próximas ocasiões, a responsabilidade que advém desta proeza, e que, de certo modo, o colocará perante uma dura batalha pessoal, já que é uma pessoa bastante reservada. Além disso, tão cedo seguramente não irá beneficiar do factor-surpresa que lhe permitiu angariar uma vantagem substancial antes do início da subida para Montejunto, a que inegavelmente não esteve alheia uma certa dose de permissividade, quiçá de menosprezo, dos mais fortes do pelotão – e também de alguma confusão motivada por algumas situações pouco comuns na perseguição.
A diferença abismal que «cavou» para os «não internacionais» é outra conclusão a retirar do seu magnífico desempenho. E não foi só em Montejunto que o Carlos mostrou estar em grande forma. Na subida para o Sobral resistiu, sem vacilar, a um andamento médio de 30 km/h e aos 100 km subiu para o Alqueidão com a mesma frescura com que atacou na Atalaia. Pena que não possa estar na Etapa da Serra da Estrela.
A propósito da Etapa da Serra da Estrela, para dar uma ideia da dureza do percurso A (124 km), basta dizer que o desnível acumulado da volta de hoje (para mim, 133 km) foi de cerca de 1800 metros. No próximo dia 10, vai ser de 2600 metros. Promete!
A volta já se sabia difícil e foi ainda mais devido à forte nortada que soprava, por isso não se previa que o andamento fosse tão rijo logo a partir de Bucelas até ao Forte do Alqueidão. O Nuno Garcia deu o mote a seguir à Bemposta e o Freitas rendeu-o mais adiante, fazendo as despesas de quase toda a subida, fortemente castigado pelo vento. Ficava desde logo evidente que a etapa iria ser ainda mais selectiva. Todavia, ao contrário do habitual, não houve acelerações nesta fase, tendo o grupo chegado compacto ao Alqueidão.
À saída do Sobral, a caminho da Freiria, o Nuno volta a tomar as rédeas, obrigando o grupo a cerrar fileiras na descida. A calmaria só regressou à entrada da Merceana, antes das rampas de Freixial de Cima e Cortegana começarem a dar um cheirinho da serra. Então, à saída da Atalaia o pelotão retraiu-se e o Carlos sobressaiu, causando surpresa pela coragem de querer enfrentar sozinho o terreno que começa a empinar e o vento contrário. Imediatamente, houve quem não lhe augurasse grande sucesso. Erro crasso, como depois se viu…
Uma iniciativa perfeita, no melhor local e na melhor altura – quando toda a gente começava a fazer contas de cabeça para Montejunto. Nem precisou de acelerar muito, só de manter a velocidade durante a subida (difícil) e no falso plano ascendente que se segue, também muito exposto ao vento. O pelotão manteve-se na expectativa, aparentemente tranquilo, mas não demorou muito a que as vozes se calassem e se passasse à perseguição. Tomou as rédeas quem mais tinha trabalhado até ali: Freitas e Nuno. Mas rapidamente se verificou que a tarefa exigia mais colaboradores. E não havia! Por isso, a fuga começou a ganhar contornos mais vincados. Preocupantes. Antes de começar a descer para Vila Verde dos Francos já havia a certeza que não seria anulada antes de entrar na subida de Montejunto e ficou ainda mais sólida quando os dois lideres desamparados do grupo perseguidor mostraram a revolta e abdicaram. Nesta altura, o Zé-Tó parecia com dificuldade em acreditar no que estava realmente a suceder.
Mas ainda estava para vir o segundo capítulo: a subida. A entrada, muito dura, deu mais do mesmo! Ou seja, entre os «internacionais» a desorganização acentuou-se, de tal modo que o Salvador, o Samuel e o João chegaram a adiantar-se. O Carlos, à frente, beneficiava da apatia. O Freitas teve de assumir a perseguição, com o Nuno em tímida colaboração. Eu sempre na roda. Na primeira contagem de tempo, a olho, antes da ligeira descida, a vantagem do Carlos rondava 1 minuto. Veredicto: para já, uma distância confortável e embora ainda restasse muito e o mais difícil para subir, a missão de anular a fuga começava a complicar-se sem uma inter-ajuda efectiva.
Então o Freitas quis testar a reacção dos seus dois parceiros. Sentir o pulso ou talvez espicaçar! Talvez saber se a razão da minha inércia seria… incapacidade? A resposta terá sido esclarecedora, mas sem contra-ataque.
Estávamos a entrar no segundo maciço da serra, na zona de floresta, e apesar de se ter recuperado cerca de 10 segundos para o fugitivo, a perseguição dava sinais de fraqueza. As esperanças de entendimento tinham acabado definitivamente. Prova disso foi o Nuno ter recuado para a minha roda, deixando ao Freitas as despesas da perseguição. No topo antes da segunda descida (para o cruzamento do quartel), este voltou a tentar livrar-se da (má) companhia. Mais uma vez, sem êxito.
Na fase final da subida, a mais dura, a partir do quartel, o Nuno começou a dar sinais de estar em dificuldades, passando para a ponta do elástico. À frente do trio perseguidor ainda e sempre o Freitas. O Carlos lutava para preservar uma vantagem que lhe permitisse chegar isolado ao alto – nesta altura pouco mais de 20 segundos. Então, a cerca de 700 metros do alto, o Nuno cede e libertou-me das amarras (coisas da táctica!). Passei para a ilharga do Freitas e forcei, depois dei uma sacudidela forte com resposta, descanso, e logo a seguir outra, decisiva. Logo fiquei em cima do Carlos. A 300 metros do cume, acabava a louca aventura do fugitivo. Ainda o convidei a seguir-me nos metros finais (merecia-o, sem imodéstia) mas ele preferiu não forçar, a pensar no… regresso, disse-me! Quem pensaria assim, à beira de fechar com chave de ouro uma grande prova?! Mas, afinal, estamos a falar do senhor «Reservado». De qualquer modo, não precisou de se defender do Freitas – que estava em perda depois de um excelente trabalho durante toda a subida. Também ele com motivos para estar satisfeito com a sua prestação. De resto, tal como o Nuno – a Etapa da Serra está aí!
Referência ainda para as extraordinárias subidas do Salvador e do João – que completaram o lote de notáveis que chegou ao alto de Montejunto.
Notas de observador
O Carlos apostou e ficou a um pequeníssimo passo de ganhar! Todavia, tem o mérito inteiro. Pela coragem, determinação e enorme qualidade demonstradas. A sua prestação tem, no entanto, contrapartidas futuras: a partir de agora, não pode deixar de assumir, em próximas ocasiões, a responsabilidade que advém desta proeza, e que, de certo modo, o colocará perante uma dura batalha pessoal, já que é uma pessoa bastante reservada. Além disso, tão cedo seguramente não irá beneficiar do factor-surpresa que lhe permitiu angariar uma vantagem substancial antes do início da subida para Montejunto, a que inegavelmente não esteve alheia uma certa dose de permissividade, quiçá de menosprezo, dos mais fortes do pelotão – e também de alguma confusão motivada por algumas situações pouco comuns na perseguição.
A diferença abismal que «cavou» para os «não internacionais» é outra conclusão a retirar do seu magnífico desempenho. E não foi só em Montejunto que o Carlos mostrou estar em grande forma. Na subida para o Sobral resistiu, sem vacilar, a um andamento médio de 30 km/h e aos 100 km subiu para o Alqueidão com a mesma frescura com que atacou na Atalaia. Pena que não possa estar na Etapa da Serra da Estrela.
A propósito da Etapa da Serra da Estrela, para dar uma ideia da dureza do percurso A (124 km), basta dizer que o desnível acumulado da volta de hoje (para mim, 133 km) foi de cerca de 1800 metros. No próximo dia 10, vai ser de 2600 metros. Promete!
quinta-feira, agosto 24, 2006
Definição muscular
O ZT teve uma observação curiosa: na volta do último domingo avaliou o bom estado de forma do grupo através da definição muscular. A verdade é que o efeito dos quilómetros (muitos!) está aí bem explícito e até os não-depilados exibem, nesta altura da temporada, uma estampa invejável, que não engana sobre o nível bastante selectivo que o nosso pelotão atingiu.
Nem mais a propósito: há dias em conversa, o proprietário da loja de bicicletas em Alverca dizia-me que o nosso grupo era visto, na região, como altamente competitivo, a um nível muito superior aos dos passeios de fim-de-semana. Contou que, há algum tempo, o grupo a que pertence deparou-se connosco algures na subida do Freixial e quando passámos mal teve tempo de identificar as camisolas! «Sic».
Outra: o Carlos, da Póvoa, dizia-me que, no seu grupo domingueiro, havia alguns elementos com capacidade para integrar o nosso, mas que não o faziam por um motivo muito simples: a «fama terrível» do Pina Bike.
E eu acrescento: há momentos das nossas voltas realmente muito difíceis de explicar a quem não os «vive» por dentro…
Nem mais a propósito: há dias em conversa, o proprietário da loja de bicicletas em Alverca dizia-me que o nosso grupo era visto, na região, como altamente competitivo, a um nível muito superior aos dos passeios de fim-de-semana. Contou que, há algum tempo, o grupo a que pertence deparou-se connosco algures na subida do Freixial e quando passámos mal teve tempo de identificar as camisolas! «Sic».
Outra: o Carlos, da Póvoa, dizia-me que, no seu grupo domingueiro, havia alguns elementos com capacidade para integrar o nosso, mas que não o faziam por um motivo muito simples: a «fama terrível» do Pina Bike.
E eu acrescento: há momentos das nossas voltas realmente muito difíceis de explicar a quem não os «vive» por dentro…
quarta-feira, agosto 23, 2006
Miguel Marcelino
Nas conversas, quase diárias, que vou mantendo com o nosso amigo Freitas, é frequente perguntar-lhe pelo paradeiro do Miguel Marcelino, cuja ausência prolongada nas voltas domingueiras - ele que se tornou um «habitué» e uma referência de companheirismo, boa disposição e combatividade – é a cada semana que passa ainda mais notada. A última vez que estivemos os dois na estrada já foi em meados de Maio, na Clássica dos Lagos de Covadonga, e agora, se não for antes, devemos, com toda a certeza, reencontrar-nos na Etapa da Serra da Estrela. Sei que depois da «Pedro Delgado» continua a treinar com o empenho que lhe é peculiar, por isso deverá estar ao seu melhor nível no próximo dia 10 de Setembro. Recorde-se que, no ano passado, deu um verdadeiro recital nas terríveis rampas do Sanatório, mas acabou por pagar por um erro quase infantil na descida de Piornos. Este ano, com as novas características da prova, a «coisa» pôe-se ainda mais dura - como dizem os loucos espanhóis que tão bem conhece.
Um abraço e bons treinos, camarada!
Um abraço e bons treinos, camarada!
segunda-feira, agosto 21, 2006
Oeste: a «Bela Clássica»
A Clássica do Oeste confirmou as melhores expectativas. Teve um pelotão bem disposto e empenhado em enfrentar as exigências do percurso. O resultado foi excelente! Felizmente sem a oposição do calor excessivo, a irregularidade do terreno impôs aos participantes as maiores dificuldades da tirada, através de trajecto interessantíssimo que serpenteou por paragens lindíssimas da região Oeste.
O andamento moderado, factor determinante para o bom desenrolar da etapa, também permitiu atenuar os desgastes do acumular dos quilómetros e do desnível. Foi o que se viu desde Loures até à Malveira, ligação particularmente delicada, onde o ritmo foi moderado, não descansado. Permitindo enfrentar a subida da Freixeira – primeiro obstáculo sério –, com os depósitos ainda cheios.
À passagem pela Malveira, já o grupo engrossara, com a integração do Nuno Garcia (retido à saída de casa devido a um furo) e o Zé-Tó «Ullrich», que aguardava no início da descida de Vila Franca do Rosário. A partir daqui o cariz da volta mudou. O «Falcão» Freitas tomou o comando e precipitou-se encosta abaixo, mantendo um andamento rijo até ao cruzamento do Livramento, altura em que deixou a condução do grupo entregue ao Hélder. Que não deixou o ritmo baixar, claro está! Por isso, com os topos do Turcifal a meterem parte do pelotão no «red line», a entrada na subida de Catefica provocou imediatamente cortes previsíveis. A maioria não conseguiu seguir o ritmo do duo Hélder/Garcia e outros, como o Freitas, preferiram permanecer na retaguarda, junto do Abel. Inicialmente mantive-me em posição intermédia, com o Carlos e o Salvador, mas quando acelerei para fazer a junção ao duo da frente, não tive companhia.
De novo reagrupados, fizemos uma excelente ligação entre Torres e a Encarnação, primeiro a rolar a favor do vento (O Zé-Tó e o Freitas meteram o andamento ideal) e depois na subida, onde foi louvável o trabalho do Carlos e do Salvador.
De seguida, a Picanceira – o «hot spot» da jornada. Ao contrário do que sucedera na última vez (e até então a única) que se realizou esta volta, a entrada foi moderada e quando passei para a frente, o ritmo foi aumentando gradualmente até à passagem pela localidade. A partir daqui, a parada tornou-se mais selectiva, ainda assim sem mudanças bruscas de velocidade, assim se mantendo até à descida.
Todavia, na abordagem à fase final da subida, na Barreiralva, o Carlos decidiu atacar, desencadeando uma reacção pronta e forte e a quebra definitiva da harmonia. As consequências foram imediatas, como o Pintainho e o próprio Carlos a descolarem no falso plano até à Murgueira, onde continuei a meter o ritmo, experimentando algumas variações, sempre com resposta eficaz do Freitas e do Nuno Garcia, companheiros «inseparáveis» até ao alto do Gradil (Murgueira), onde o nosso «sprintoso» Durão – indiscutivelmente o classicómano mais forte do grupo – impôs mais uma vez a sua lei.
Notas de observador
O momento alto da volta, na minha opinião, foi o ataque do Carlos no topo da Barreiralva. Embora sem o resultado que ele supostamente pretendia, teve todo o mérito ao quebrar a cadência constante elevada que eu vinha a marcar desde a Picanceira, e que não era propícia a aventuras. Ao agitar-se as águas, acabou a coesão do grupo restrito que seguia na frente. O próprio foi vítima de ter ousado mexer no vespeiro, mas pela sua demonstração de coragem e também de força (de facto!), merece inteiramente este destaque. Para mais, ele que, por natureza, é demasiado comedido… Por isso, é uma enorme baixa para a Etapa da Serra da Estrela – que continua em contagem decrescente.
Ao invés, o Hélder «desapareceu» inesperadamente a partir de Torres Vedras. Depois de se ter mostrado na Freixeira e especialmente em Catefica, mergulhou numa discrição muito pouco habitual nele, eclipsando-se na subida da Encarnação e abdicando totalmente de tentar seguir na frente na Picanceira. Aliás, foi com espanto que o vimos chegar com o Abel e o Salvador, os últimos na Murgueira. Terá sido um acto voluntarioso ou o disfarce de um momento mau?! Seja o que for, considero sempre bastante curiosa a forma de se gerirem as fraquezas sem as expor. Ou melhor, tirar a carne do grelhador quando pode sair chamuscada…
O regressado Zé-Tó demonstrou, uma vez mais, que apesar das ausências pontuais mantém um nível de forma satisfatório muito regular. O segredo, segundo diz, é a forma como gere as limitações físicas devido ao escasso treino através de uma abordagem cautelosa às voltas. É um facto, todavia também não é alheia uma dose importante do que se pode chamar factor-genético, ou seja, a sua condição física inata de desportista. E também é atenuante não serem raras as vezes que faz apenas uma parte do percurso. Como o caso de ontem. À parte: já lhe fiz o repto da Serra e ele aceitou ponderar. Bom sinal!
Para a semana, sobe-se Montejunto. A vertente escolhida é a de Vila Verde dos Francos. O percurso de ida e volta é pelo Sobral, Merceana e Atalaia. Bom teste para a Serra da Estrela.
Já agora, no seguimento da conversa mantida com o Pintainho (que continua em evidente crescendo de forma e cada vez melhor adaptado aos «rigores» da roda fina, sendo outra ausência confirmada na Serra, a lamentar), sobre o desafio por ele proposto das Quatro Subidas de Montejunto sugiro-lhe (e aos demais interessados) a data de 5 de Outubro (feriado, quinta-feira). Vamos começar desde já a preparar a aliciante aventura, que serviria para terminar a época em beleza?
O andamento moderado, factor determinante para o bom desenrolar da etapa, também permitiu atenuar os desgastes do acumular dos quilómetros e do desnível. Foi o que se viu desde Loures até à Malveira, ligação particularmente delicada, onde o ritmo foi moderado, não descansado. Permitindo enfrentar a subida da Freixeira – primeiro obstáculo sério –, com os depósitos ainda cheios.
À passagem pela Malveira, já o grupo engrossara, com a integração do Nuno Garcia (retido à saída de casa devido a um furo) e o Zé-Tó «Ullrich», que aguardava no início da descida de Vila Franca do Rosário. A partir daqui o cariz da volta mudou. O «Falcão» Freitas tomou o comando e precipitou-se encosta abaixo, mantendo um andamento rijo até ao cruzamento do Livramento, altura em que deixou a condução do grupo entregue ao Hélder. Que não deixou o ritmo baixar, claro está! Por isso, com os topos do Turcifal a meterem parte do pelotão no «red line», a entrada na subida de Catefica provocou imediatamente cortes previsíveis. A maioria não conseguiu seguir o ritmo do duo Hélder/Garcia e outros, como o Freitas, preferiram permanecer na retaguarda, junto do Abel. Inicialmente mantive-me em posição intermédia, com o Carlos e o Salvador, mas quando acelerei para fazer a junção ao duo da frente, não tive companhia.
De novo reagrupados, fizemos uma excelente ligação entre Torres e a Encarnação, primeiro a rolar a favor do vento (O Zé-Tó e o Freitas meteram o andamento ideal) e depois na subida, onde foi louvável o trabalho do Carlos e do Salvador.
De seguida, a Picanceira – o «hot spot» da jornada. Ao contrário do que sucedera na última vez (e até então a única) que se realizou esta volta, a entrada foi moderada e quando passei para a frente, o ritmo foi aumentando gradualmente até à passagem pela localidade. A partir daqui, a parada tornou-se mais selectiva, ainda assim sem mudanças bruscas de velocidade, assim se mantendo até à descida.
Todavia, na abordagem à fase final da subida, na Barreiralva, o Carlos decidiu atacar, desencadeando uma reacção pronta e forte e a quebra definitiva da harmonia. As consequências foram imediatas, como o Pintainho e o próprio Carlos a descolarem no falso plano até à Murgueira, onde continuei a meter o ritmo, experimentando algumas variações, sempre com resposta eficaz do Freitas e do Nuno Garcia, companheiros «inseparáveis» até ao alto do Gradil (Murgueira), onde o nosso «sprintoso» Durão – indiscutivelmente o classicómano mais forte do grupo – impôs mais uma vez a sua lei.
Notas de observador
O momento alto da volta, na minha opinião, foi o ataque do Carlos no topo da Barreiralva. Embora sem o resultado que ele supostamente pretendia, teve todo o mérito ao quebrar a cadência constante elevada que eu vinha a marcar desde a Picanceira, e que não era propícia a aventuras. Ao agitar-se as águas, acabou a coesão do grupo restrito que seguia na frente. O próprio foi vítima de ter ousado mexer no vespeiro, mas pela sua demonstração de coragem e também de força (de facto!), merece inteiramente este destaque. Para mais, ele que, por natureza, é demasiado comedido… Por isso, é uma enorme baixa para a Etapa da Serra da Estrela – que continua em contagem decrescente.
Ao invés, o Hélder «desapareceu» inesperadamente a partir de Torres Vedras. Depois de se ter mostrado na Freixeira e especialmente em Catefica, mergulhou numa discrição muito pouco habitual nele, eclipsando-se na subida da Encarnação e abdicando totalmente de tentar seguir na frente na Picanceira. Aliás, foi com espanto que o vimos chegar com o Abel e o Salvador, os últimos na Murgueira. Terá sido um acto voluntarioso ou o disfarce de um momento mau?! Seja o que for, considero sempre bastante curiosa a forma de se gerirem as fraquezas sem as expor. Ou melhor, tirar a carne do grelhador quando pode sair chamuscada…
O regressado Zé-Tó demonstrou, uma vez mais, que apesar das ausências pontuais mantém um nível de forma satisfatório muito regular. O segredo, segundo diz, é a forma como gere as limitações físicas devido ao escasso treino através de uma abordagem cautelosa às voltas. É um facto, todavia também não é alheia uma dose importante do que se pode chamar factor-genético, ou seja, a sua condição física inata de desportista. E também é atenuante não serem raras as vezes que faz apenas uma parte do percurso. Como o caso de ontem. À parte: já lhe fiz o repto da Serra e ele aceitou ponderar. Bom sinal!
Para a semana, sobe-se Montejunto. A vertente escolhida é a de Vila Verde dos Francos. O percurso de ida e volta é pelo Sobral, Merceana e Atalaia. Bom teste para a Serra da Estrela.
Já agora, no seguimento da conversa mantida com o Pintainho (que continua em evidente crescendo de forma e cada vez melhor adaptado aos «rigores» da roda fina, sendo outra ausência confirmada na Serra, a lamentar), sobre o desafio por ele proposto das Quatro Subidas de Montejunto sugiro-lhe (e aos demais interessados) a data de 5 de Outubro (feriado, quinta-feira). Vamos começar desde já a preparar a aliciante aventura, que serviria para terminar a época em beleza?
quinta-feira, agosto 17, 2006
Oeste no domingo: belíssima!
A volta do próximo domingo é, em minha opinião, uma das mais belas e interessantes do nosso calendário. A Clássica do Oeste é, como o próprio nome indica, uma incursão ao Oeste profundo e as suas paisagens rurais, com paragem obrigatória na sua cidade-baluarte: Torres Vedras.
A partir de Loures dirigimo-nos a Lousa e e Malveira, um troço complicado, que começa logo a subir aos primeiros quilómetros para Guerreiros e termina com a dura encosta da Freixeira. Depois da Malveira, a longa descida para Vila Franca do Rosário e a ligação a Torres, com passagem por nova dificuldade: a subida de Catefica.
Após atravessarmos Torres tomamos a estrada de Sta. Cruz em direcção a Ponte do Rol e depois à esquerda para S. Pedro da Cadeira. A partir daqui regressa o sobe e desce, que depois só acaba... em Loures. A saber: Encarnação (subida), Picanceira (subida... dura!), Murgueira, Mafra/Carapinheira (subida), Alcaínça, Malveira (subida), Venda do Pinheiro e sempre a descer (finalmente!) até Loures.
A partir de Loures dirigimo-nos a Lousa e e Malveira, um troço complicado, que começa logo a subir aos primeiros quilómetros para Guerreiros e termina com a dura encosta da Freixeira. Depois da Malveira, a longa descida para Vila Franca do Rosário e a ligação a Torres, com passagem por nova dificuldade: a subida de Catefica.
Após atravessarmos Torres tomamos a estrada de Sta. Cruz em direcção a Ponte do Rol e depois à esquerda para S. Pedro da Cadeira. A partir daqui regressa o sobe e desce, que depois só acaba... em Loures. A saber: Encarnação (subida), Picanceira (subida... dura!), Murgueira, Mafra/Carapinheira (subida), Alcaínça, Malveira (subida), Venda do Pinheiro e sempre a descer (finalmente!) até Loures.
terça-feira, agosto 15, 2006
A-dos-Arcos agradou
Dia feriado e de regresso às pedaladas. Mais uma volta maioritariamente a rolar – mais do que a de domingo transacto, de Runa – e disputada com igual empenho por um grupo ainda reduzido. Desta vez, apenas quatro elementos: eu, João, Salvador e Freitas, este acabadinho de chegar de terras de Espanha, onde foi representar uma vez mais galhardamente as nossas cores na «Pedro Delgado», na companhia do Miguel e do Jerónimo. Percorreu-se a planície da Nacional 10 até ao Carregado e depois em direcção a Azambuja, onde fizemos inversão de marcha. Terreno de roladores, com o vento a fazer-se sentir. Hoje, tal como no domingo, o ritmo foi muito bom, embora não tão constante, notando-se o forte aumento de vivacidade quando o Freitas entrou ao serviço, a partir de Alverca, como é seu hábito. No entanto, o João teve remédio santo: deixou-se atrasar nos topos à saída daquela cidade e o Durão teve de refrear definitivamente o ímpeto – sinal inequívoco que é necessário reformular a filosofia das Clássicas domingueiras: prevalecendo a moderação nivelada por cima!
Sobre o assunto, o João fez um comentário muito válido. Disse que mantendo um ritmo constante elevado mas suportável a todo o pelotão, tendo em conta que nem todos aguentam andamentos muito fortes durante muito tempo, ou sofrem as suas consequências mais tarde, é possível ter períodos em que se pode até conversas. Foi o que sucedeu entre Azambuja e Carregado, sem penalizar o normal decurso da volta (a média rondava os 31 km/h à chegada ao cruzamento.
Aliás, nem quando abandonámos o terreno plano para enfrentar o ascendente até Arruda, aumentaram as dificuldades. Num ápice estávamos em Pontes de Monfalim, onde se inicia a estreante subida de A-dos-Arcos, com inclinação suave (3,3%) e 5 km de extensão. Abordagem fez-se a dois tempos. Ou seja, aos pares: primeiro eu e o Salvador, depois o Freitas e o João, que tinham parado à saída de Arruda para «mudar a água às azeitonas». Pior para eles! Nós que ficámos fomos subindo devagar, facilitando a tarefa de junção aos voluntariamente retardatários. E que vinham cheios de garra, passando imediatamente para a dianteira.
Como a subida é extensa dá para moer, permitindo causando algum desgaste com a aparoximação ao alto. O Freitas antecipou o seu sprint final e atacou a cerca de 400 metros de atravessar A-dos-Arcos (a cerca de 1 km do cume), mas apenas conseguiu distanciar o Salvador. No interior da aldeia, mal se formou o trio, o João passou imediatamente ao ataque, decisão que me pareceu precipitada, e que tive oportunidade de lhe dizer «in loco», pois não teve a «potência» que se exigia naquele local tão próximo do alto, em que é difícil surpreender uma concorrência forte. Pior: rapidamente se percebeu que ele ficou «vazio» para responder à aceleração final. O Freitas abriu as hostilidades ao seu estilo, arrancando fortíssimo e eu só tive possibilidade de fechar o espaço à chegada ao alto.
A descer calmamente para Bucelas, o João fez o retrato fiel do que acabara de se passar: «É uma subidinha mesmo à medida do Freitas. Se soubesses a força com que entrou para recuperar o nosso atraso. E ele nem precisava de ter atacado tão cedo». Digo mais: neste tipo de subidas suaves, só impondo um andamento muitíssimo forte desde o início se pode fazer frente ao poder explosivo final do camarada Durão. Mesmo assim…
Entretanto, realce-se que o João e o Salvador confirmaram praticamente a sua presença na Etapa da Serra da Estrela. E que o Rui, o qual agradeço o seu simpático comentário na crónica da volta de Runa, também se mostrou interessado. Seria um valorosíssimo reforço.
Sobre o assunto, o João fez um comentário muito válido. Disse que mantendo um ritmo constante elevado mas suportável a todo o pelotão, tendo em conta que nem todos aguentam andamentos muito fortes durante muito tempo, ou sofrem as suas consequências mais tarde, é possível ter períodos em que se pode até conversas. Foi o que sucedeu entre Azambuja e Carregado, sem penalizar o normal decurso da volta (a média rondava os 31 km/h à chegada ao cruzamento.
Aliás, nem quando abandonámos o terreno plano para enfrentar o ascendente até Arruda, aumentaram as dificuldades. Num ápice estávamos em Pontes de Monfalim, onde se inicia a estreante subida de A-dos-Arcos, com inclinação suave (3,3%) e 5 km de extensão. Abordagem fez-se a dois tempos. Ou seja, aos pares: primeiro eu e o Salvador, depois o Freitas e o João, que tinham parado à saída de Arruda para «mudar a água às azeitonas». Pior para eles! Nós que ficámos fomos subindo devagar, facilitando a tarefa de junção aos voluntariamente retardatários. E que vinham cheios de garra, passando imediatamente para a dianteira.
Como a subida é extensa dá para moer, permitindo causando algum desgaste com a aparoximação ao alto. O Freitas antecipou o seu sprint final e atacou a cerca de 400 metros de atravessar A-dos-Arcos (a cerca de 1 km do cume), mas apenas conseguiu distanciar o Salvador. No interior da aldeia, mal se formou o trio, o João passou imediatamente ao ataque, decisão que me pareceu precipitada, e que tive oportunidade de lhe dizer «in loco», pois não teve a «potência» que se exigia naquele local tão próximo do alto, em que é difícil surpreender uma concorrência forte. Pior: rapidamente se percebeu que ele ficou «vazio» para responder à aceleração final. O Freitas abriu as hostilidades ao seu estilo, arrancando fortíssimo e eu só tive possibilidade de fechar o espaço à chegada ao alto.
A descer calmamente para Bucelas, o João fez o retrato fiel do que acabara de se passar: «É uma subidinha mesmo à medida do Freitas. Se soubesses a força com que entrou para recuperar o nosso atraso. E ele nem precisava de ter atacado tão cedo». Digo mais: neste tipo de subidas suaves, só impondo um andamento muitíssimo forte desde o início se pode fazer frente ao poder explosivo final do camarada Durão. Mesmo assim…
Entretanto, realce-se que o João e o Salvador confirmaram praticamente a sua presença na Etapa da Serra da Estrela. E que o Rui, o qual agradeço o seu simpático comentário na crónica da volta de Runa, também se mostrou interessado. Seria um valorosíssimo reforço.
domingo, agosto 13, 2006
Runa exemplar!
Num domingo coincidente com fim-de-semana prolongado, não surpreendeu que apenas quatro tenham saído de Loures para os cerca de 100 km da interessante Clássica de Runa. Mesmo que à entrada de Alverca se tenham juntado mais dois, ainda eram poucos para se considerar mini-pelotão. Todavia, «mini» só em número, porque foi «maxi» em abnegação. A saber: eu, João, Steven, Rui, Pina e Salvador – poucos mas bons para repartir o trabalho que nos esperava na planície ribatejana e no carrossel do Oeste. O resultado superou todas as expectativas. Um único adjectivo para classificar a prestação do grupo: excelente!
De Loures a Alverca, ainda a quatro, aqueceu-se progressivamente e a bom ritmo, mas depois dos reforços rolou-se em andamento mais vivo, sempre sem forçar e sem quebras, mesmo no incómodo pavé de Vila Franca. Velocidade de cruzeiro de 30-35 km/h até Alenquer, onde se chegou com mais de 31 km/h de média. E sem dor!
Quando acabou a planície pensou-se que o sobe-e-desce trouxesse alguma retracção. Puro engano. Apesar das habituais reservas nos topos à saída de Alenquer, o grupo cerrou fileiras, toda a gente colaborou à frente e facilmente se chegou à Merceana. Depressa e acima de tudo, sem desgaste acentuado. A esta altura já se comentava a média surpreendente (32 km/h). «Eu estava a aperceber-me que se estava a andar depressa, mas não pensava que era tanto», exclamou o Steven.
Mas o melhor (ou o pior) estava a chegar: a ligação «rompe pernas» entre Merceana e Runa. Moderação e mais moderação. Mas nem tanto. Um trabalho notável do João (como ele tanto gosta!) impôs um andamento suficientemente rijo para não encorajar a acelerações, fazendo-nos «devorar» os topos num ápice e manteve o grupo compacto até muito perto do final do último topo, quando o Rui forçou ligeiramente o ritmo. De qualquer modo, sem aliviar muito na rápida descida, o sexteto estava novamente formado antes do cruzamento para Runa.
A dura rampa do campo de futebol, à saída desta localidade, foi controladíssima e depois de descer para Dois Portos a média teimava em não baixar dos 32 km/h. Apreciável num percurso tão acidentado, provando que, desta maneira de fazer a volta, sobressai mais o elevado nível do grupo Pina Bike.
A partir daqui, o grupo entrou em descompressão. O João parou para reabastecer em Dois Portos e subiu-se para o Sobral bastante devagar – e só uma aceleração forte que fiz nos últimos 300 metros, com o Rui, deu para levar o coração às 187. Ainda assim, a «léguas» das 200 dos domingos anteriores, na Carnota e no Gradil. Depois chegou-se levezinho ao Forte de Alqueidão e ainda mais a Bucelas.
Mas houve um motivo especial para tanta calmaria. À passagem por Seramena, o Pina e o Steven decidiram parar numa taberna para se refrescarem. Os restantes resolveram continuar a subir para o Alqueidão a ritmo de amena cavaqueira. Lá em cima, nem sinais dos retardatários sequiosos. Todavia, decidimos descer sem pedalar… Mesmo assim, nem sombras. Uma vez em Bucelas, esperámos 5, 10 minutos e nada. Preocupados com o atraso, resolvemos entrar em contacto. Do outro lado da linha: «Estamos mesmo a chegar». Enfim, ficámos mais descansados, mas impunha-se uma justificação. Simples: Na taberna não vendiam latas de Coca-Cola, só garrafas de 1,5 litros. Então venha de lá uma… a preço de duas: 1,5 euros. O pior foi para os rapazes beberem aquela quantidade de refrigerante tão depressa! Ainda esperaram que voltássemos para trás, mas como não… foi a garrafa inteira. «Eis a razão do nosso atraso». Pudera!
Um último reparo: mesmo sem cafeína na descida do Sobral, a média total foi de 29,3 km/h – a mesma que era no Forte do Alqueidão.
A volta da próxima terça-feira (dia 15, feriado nacional) é a seguinte: Loures, Alverca, Vila Franca, Carregado, Azambuja (dar a volta), Carregado, Cadafais, Arruda, Pontes de Monfalim, A-dos-Arcos (subida), Estrada do Sobral (descida), Bucelas, Loures (aprox. 105 km). O percurso é sempre a rolar até Cadafais e depois torna-se mais ondulado até Arruda e depois de Pontes de Monfalim, uma subida suave mas selectiva de 5 km (A-dos-Arcos) antes de descer para Bucelas. Interessante!
De Loures a Alverca, ainda a quatro, aqueceu-se progressivamente e a bom ritmo, mas depois dos reforços rolou-se em andamento mais vivo, sempre sem forçar e sem quebras, mesmo no incómodo pavé de Vila Franca. Velocidade de cruzeiro de 30-35 km/h até Alenquer, onde se chegou com mais de 31 km/h de média. E sem dor!
Quando acabou a planície pensou-se que o sobe-e-desce trouxesse alguma retracção. Puro engano. Apesar das habituais reservas nos topos à saída de Alenquer, o grupo cerrou fileiras, toda a gente colaborou à frente e facilmente se chegou à Merceana. Depressa e acima de tudo, sem desgaste acentuado. A esta altura já se comentava a média surpreendente (32 km/h). «Eu estava a aperceber-me que se estava a andar depressa, mas não pensava que era tanto», exclamou o Steven.
Mas o melhor (ou o pior) estava a chegar: a ligação «rompe pernas» entre Merceana e Runa. Moderação e mais moderação. Mas nem tanto. Um trabalho notável do João (como ele tanto gosta!) impôs um andamento suficientemente rijo para não encorajar a acelerações, fazendo-nos «devorar» os topos num ápice e manteve o grupo compacto até muito perto do final do último topo, quando o Rui forçou ligeiramente o ritmo. De qualquer modo, sem aliviar muito na rápida descida, o sexteto estava novamente formado antes do cruzamento para Runa.
A dura rampa do campo de futebol, à saída desta localidade, foi controladíssima e depois de descer para Dois Portos a média teimava em não baixar dos 32 km/h. Apreciável num percurso tão acidentado, provando que, desta maneira de fazer a volta, sobressai mais o elevado nível do grupo Pina Bike.
A partir daqui, o grupo entrou em descompressão. O João parou para reabastecer em Dois Portos e subiu-se para o Sobral bastante devagar – e só uma aceleração forte que fiz nos últimos 300 metros, com o Rui, deu para levar o coração às 187. Ainda assim, a «léguas» das 200 dos domingos anteriores, na Carnota e no Gradil. Depois chegou-se levezinho ao Forte de Alqueidão e ainda mais a Bucelas.
Mas houve um motivo especial para tanta calmaria. À passagem por Seramena, o Pina e o Steven decidiram parar numa taberna para se refrescarem. Os restantes resolveram continuar a subir para o Alqueidão a ritmo de amena cavaqueira. Lá em cima, nem sinais dos retardatários sequiosos. Todavia, decidimos descer sem pedalar… Mesmo assim, nem sombras. Uma vez em Bucelas, esperámos 5, 10 minutos e nada. Preocupados com o atraso, resolvemos entrar em contacto. Do outro lado da linha: «Estamos mesmo a chegar». Enfim, ficámos mais descansados, mas impunha-se uma justificação. Simples: Na taberna não vendiam latas de Coca-Cola, só garrafas de 1,5 litros. Então venha de lá uma… a preço de duas: 1,5 euros. O pior foi para os rapazes beberem aquela quantidade de refrigerante tão depressa! Ainda esperaram que voltássemos para trás, mas como não… foi a garrafa inteira. «Eis a razão do nosso atraso». Pudera!
Um último reparo: mesmo sem cafeína na descida do Sobral, a média total foi de 29,3 km/h – a mesma que era no Forte do Alqueidão.
A volta da próxima terça-feira (dia 15, feriado nacional) é a seguinte: Loures, Alverca, Vila Franca, Carregado, Azambuja (dar a volta), Carregado, Cadafais, Arruda, Pontes de Monfalim, A-dos-Arcos (subida), Estrada do Sobral (descida), Bucelas, Loures (aprox. 105 km). O percurso é sempre a rolar até Cadafais e depois torna-se mais ondulado até Arruda e depois de Pontes de Monfalim, uma subida suave mas selectiva de 5 km (A-dos-Arcos) antes de descer para Bucelas. Interessante!
quinta-feira, agosto 10, 2006
Clássica de Runa no domingo
A Clássica do próximo domingo é a de Runa. O percurso tem 104 km, é geralmente plano durante os primeiros 40 km, guardando as principais dificuldades para a segunda metade. Estas começam, verdadeiramente, a partir da Merceana em direcção à Carvoeira, num «rompe piernas» que há uns meses provocou grande animação.
Antes porém, a ligação a partir de Loures oferece a possibilidade de rolar a boa velocidade, passando por Alverca, Vila Franca, Carregado e Alenquer – onde os homens forte podem testar as forças à frente do pelotão.
Depois de Alenquer, a primeira voltinha de carrossel, por Porto de Luz, Cotovelo, Aldeia Gavinha e finalmente Merceana. A partir daqui acentua-se o sobe-e-desce, terreno favorável aos todo-o-terreno, e onde o acumular dos quilómetros poderá começar a fazer uma selecção natural no grupo. A chegada ao cruzamento para Runa (à esquerda) faz-se em rápida descida e num ápice estamos a atravessar a localidade. À saída, depara-se-nos uma rampa bastante inclinada, com cerca de 1 km a mais de 8%, em que qualquer alteração de ritmo poderá acabar com a já delicada coesão do grupo nesta altura. Todavia, se esta se mantiver (como aconteceu na primeira e única vez que se disputou esta volta*) certamente não resistirá a partir de Dois Portos, pois será sempre a trepar até ao Sobral, através de um troço (4,2 km) que se faz muito poucas vezes… a subir. Após o Sobral ainda resta ascender ao Forte de Alqueidão, seguindo-se a longa descida para Bucelas e finalmente o regresso a Loures.
* Recorde-se que a primeira vez que se efectuou esta volta foi dia 8 de Janeiro, sob frio intenso (5 graus à partida), e depois de uma série de interessantes escaramuças entre Merceana e Runa, à saída de Dois Porto seguiu-se em direcção à Feliteira, Sapataria, Póvoa da Galega e Montachique, em ritmo muito moderado, inclusive na subida final para Montachique. Todo este troço referenciado foi suprimido devido às más condições do piso, subindo-se agora de Dois Portos para o Sobral.
Antes porém, a ligação a partir de Loures oferece a possibilidade de rolar a boa velocidade, passando por Alverca, Vila Franca, Carregado e Alenquer – onde os homens forte podem testar as forças à frente do pelotão.
Depois de Alenquer, a primeira voltinha de carrossel, por Porto de Luz, Cotovelo, Aldeia Gavinha e finalmente Merceana. A partir daqui acentua-se o sobe-e-desce, terreno favorável aos todo-o-terreno, e onde o acumular dos quilómetros poderá começar a fazer uma selecção natural no grupo. A chegada ao cruzamento para Runa (à esquerda) faz-se em rápida descida e num ápice estamos a atravessar a localidade. À saída, depara-se-nos uma rampa bastante inclinada, com cerca de 1 km a mais de 8%, em que qualquer alteração de ritmo poderá acabar com a já delicada coesão do grupo nesta altura. Todavia, se esta se mantiver (como aconteceu na primeira e única vez que se disputou esta volta*) certamente não resistirá a partir de Dois Portos, pois será sempre a trepar até ao Sobral, através de um troço (4,2 km) que se faz muito poucas vezes… a subir. Após o Sobral ainda resta ascender ao Forte de Alqueidão, seguindo-se a longa descida para Bucelas e finalmente o regresso a Loures.
* Recorde-se que a primeira vez que se efectuou esta volta foi dia 8 de Janeiro, sob frio intenso (5 graus à partida), e depois de uma série de interessantes escaramuças entre Merceana e Runa, à saída de Dois Porto seguiu-se em direcção à Feliteira, Sapataria, Póvoa da Galega e Montachique, em ritmo muito moderado, inclusive na subida final para Montachique. Todo este troço referenciado foi suprimido devido às más condições do piso, subindo-se agora de Dois Portos para o Sobral.
quarta-feira, agosto 09, 2006
Gardunha em dose dupla
Já aqui se falou sobre as características e dificuldades da Etapa da Serra da Estrela. A um mês (e um dia) de distância da prova (10 de Setembro) convém sublinhar, a todos que pretendem participar, a importância de a preparar devidamente, não apenas fisicamente mas também do ponto de vista estratégico. Mais precisamente da gestão do esforço, que mesmo optando pelo percurso mais curto e acidentado, é elevado, considerando ter de subir à Torre.
Todavia, as recomendações dirigem-se aos candidatos ao percurso maior (124 km), que contempla, além de duas passagens pela Serra da Gardunha, a ligação nada fácil a Manteigas e finalmente a longa e dura subida ao ponto mais alto de Portugal Continental.
Partindo do pressuposto que não conheço as subidas em questão (Gardunha Norte, Sul e Manteigas-Piornos) todavia é-me possível concluir, através dos testemunhos de quem já as fez e também pelo reconhecimento teórico, via Google Earth (calculando as distâncias e as percentagens de inclinação), que a primeira passagem pela Gardunha (Norte) terá a condicionante ser logo aos primeiros quilómetros (3 km), embora a subida propriamente dita só comece aos 12 km. Todavia, logo à saída do Fundão, a estrada empina, deparando-nos uma primeira rampa de 600 metros, a 5,3% (aos 6,2 km), e mais tarde (8 km) outra, que embora mais curta, (360 m) é muito mais dura (10,6%). Um sobe e desce que antecede a subida principal, que tem 3,2 km e 4% - praticamente da distância da nossa bem conhecida Ribas, mas muito mais suave (Ribas tem 6%).
Depois de descer a serra e de percorrer 16 km (duas vezes 8 km) em terreno quase plano, com inversão de marcha na rotunda de Soalheira (25 km), aborda-se a segunda passagem pela Gardunha (Sul) – também conhecida por Alpedrinha, pois atravessa esta localidade serrana. Desta tenho uma vaga ideia, por tê-la subido há alguns anos no tradicional passeio de cicloturismo… a 10 km/h. Logo são poucas as referências.
É mais longa (5,4 km) mas tem a vantagem, em relação à primeira, de a inclinação ser mais constante e não muito mais elevada (4,3%). A sua abordagem faz-se aos 33 km, ainda no primeiro terço da etapa. Ou seja, com muito por pedalar. Logo todas as cautelas serão poucas…
Certamente, para alguns participantes é fundamental atentar ao andamento do grupo, pois pode ser proibitivo ou, no mínimo, pouco recomendável segui-lo. Por isso, aconselha-se a cada pessoa que adeque o ritmo às suas capacidades, o que nem sempre é fácil. Neste caso, a auto-avaliação impõe uma grande dose de racionalidade e de humildade…
Contudo, o resultado final de uma gestão cautelosa certamente será recompensador!
Todavia, as recomendações dirigem-se aos candidatos ao percurso maior (124 km), que contempla, além de duas passagens pela Serra da Gardunha, a ligação nada fácil a Manteigas e finalmente a longa e dura subida ao ponto mais alto de Portugal Continental.
Partindo do pressuposto que não conheço as subidas em questão (Gardunha Norte, Sul e Manteigas-Piornos) todavia é-me possível concluir, através dos testemunhos de quem já as fez e também pelo reconhecimento teórico, via Google Earth (calculando as distâncias e as percentagens de inclinação), que a primeira passagem pela Gardunha (Norte) terá a condicionante ser logo aos primeiros quilómetros (3 km), embora a subida propriamente dita só comece aos 12 km. Todavia, logo à saída do Fundão, a estrada empina, deparando-nos uma primeira rampa de 600 metros, a 5,3% (aos 6,2 km), e mais tarde (8 km) outra, que embora mais curta, (360 m) é muito mais dura (10,6%). Um sobe e desce que antecede a subida principal, que tem 3,2 km e 4% - praticamente da distância da nossa bem conhecida Ribas, mas muito mais suave (Ribas tem 6%).
Depois de descer a serra e de percorrer 16 km (duas vezes 8 km) em terreno quase plano, com inversão de marcha na rotunda de Soalheira (25 km), aborda-se a segunda passagem pela Gardunha (Sul) – também conhecida por Alpedrinha, pois atravessa esta localidade serrana. Desta tenho uma vaga ideia, por tê-la subido há alguns anos no tradicional passeio de cicloturismo… a 10 km/h. Logo são poucas as referências.
É mais longa (5,4 km) mas tem a vantagem, em relação à primeira, de a inclinação ser mais constante e não muito mais elevada (4,3%). A sua abordagem faz-se aos 33 km, ainda no primeiro terço da etapa. Ou seja, com muito por pedalar. Logo todas as cautelas serão poucas…
Certamente, para alguns participantes é fundamental atentar ao andamento do grupo, pois pode ser proibitivo ou, no mínimo, pouco recomendável segui-lo. Por isso, aconselha-se a cada pessoa que adeque o ritmo às suas capacidades, o que nem sempre é fácil. Neste caso, a auto-avaliação impõe uma grande dose de racionalidade e de humildade…
Contudo, o resultado final de uma gestão cautelosa certamente será recompensador!
terça-feira, agosto 08, 2006
Etapa da Serra da Estrela - apresentação
Este ano, a tradicional subida da Serra da Estrela será uma verdadeira etapa de montanha. O desafio que se propõe aos participantes é realizarem, no próximo dia 10 de Setembro (domingo), a ligação entre Fundão e a Torre, com uma dupla passagem pela Serra da Gardunha, nas suas duas vertentes, e subindo ao ponto mais alto de Portugal Continental por Manteigas e não, como é habitual, pela Covilhã, num total de 124 km e 2600 metros de desnível acumulado.
O objectivo, claro está, é bastante mais exigente, impondo aos participantes condição física apurada e uma abordagem extremamente cautelosa. Mas também neste particular a tirada deste ano pretende ser de diferente cariz, sugerindo-se aos mesmos que a encarem como um repto estritamente individual, preparando-a com toda a aplicação e rigor que recomenda, encarando-a segundo o princípio-mor de a cumprir, independentemente do tempo que demore.
Por esse motivo, foi igualmente definido um percurso alternativo (B), mais curto e acessível, que suprime as duas ascensões da Gardunha, deste modo suprindo cerca de 700 metros de desnível acumulado e 50 km, num total de 74 km. A ideia é que os participantes neste trajecto iniciem a prova na altura em que os que efectuam o percurso completo (A) regressam ao Fundão, junto ao conhecido Hotel do Alambique, na zona industrial à saída da cidade em direcção à Covilhã (Estrada Nacional 18). Mas não é imperativo que o façam.
De acordo com a hora a definir para a partida dos participantes no percurso A, estima-se que a sua passagem no local referido se efectue entre 1h50/2h00 depois (média entre 25-27 km/h).
Com esta proposta pretende-se que maior número de pessoas alinhe nesta fascinante aventura ciclista da Serra que promete ser especial.
Para mais informações (e respectiva actualização) consultar este blog ou através do telefone 96.293.9482 (Ricardo Costa) e ainda no estabelecimento Pina Bike, na Quinta Nova de S. Roque, Loures.
Importante: recomenda-se aos interessados que confirmem a sua presença com devida antecedência.
O objectivo, claro está, é bastante mais exigente, impondo aos participantes condição física apurada e uma abordagem extremamente cautelosa. Mas também neste particular a tirada deste ano pretende ser de diferente cariz, sugerindo-se aos mesmos que a encarem como um repto estritamente individual, preparando-a com toda a aplicação e rigor que recomenda, encarando-a segundo o princípio-mor de a cumprir, independentemente do tempo que demore.
Por esse motivo, foi igualmente definido um percurso alternativo (B), mais curto e acessível, que suprime as duas ascensões da Gardunha, deste modo suprindo cerca de 700 metros de desnível acumulado e 50 km, num total de 74 km. A ideia é que os participantes neste trajecto iniciem a prova na altura em que os que efectuam o percurso completo (A) regressam ao Fundão, junto ao conhecido Hotel do Alambique, na zona industrial à saída da cidade em direcção à Covilhã (Estrada Nacional 18). Mas não é imperativo que o façam.
De acordo com a hora a definir para a partida dos participantes no percurso A, estima-se que a sua passagem no local referido se efectue entre 1h50/2h00 depois (média entre 25-27 km/h).
Com esta proposta pretende-se que maior número de pessoas alinhe nesta fascinante aventura ciclista da Serra que promete ser especial.
Para mais informações (e respectiva actualização) consultar este blog ou através do telefone 96.293.9482 (Ricardo Costa) e ainda no estabelecimento Pina Bike, na Quinta Nova de S. Roque, Loures.
Importante: recomenda-se aos interessados que confirmem a sua presença com devida antecedência.
segunda-feira, agosto 07, 2006
Gradil ainda mais selectivo
As altas temperaturas marcaram a Clássica do Gradil, realizada ontem. O percurso era exigente, mais do que a distância (80 km), mas o calor tórrido que se fez sentir desde as primeiras pedaladas dificultou ainda mais a tarefa dos ciclistas.
O grupo que saiu de Loures foi o mais numeroso de há muitos domingos a esta parte - o que se salienta pela positiva - e teve um desempenho muito homógeneo, apenas se desagregando definitivamente na aproximação à Malveira, quando já pessavam nas pernas o desgaste provocado pelo calor e as passagens pelo Forte de Alqueidão e no ponto alto da etapa: a dupla subida do Gradil.
A primeira foi feita a ritmo bem moderado até aos ferro-velhos, altura em que o trio Freitas-Hélder-«Ribeiralves» se destacou, forçando a uma perseguição forte do pelotão até ao Forte. Aliás, situação já habitual neste local. Pelo contrário, o Gradil, além de mais exigente foi marcado por um andamento forte quase desde o início, imposto pelo Hélder, seleccionando rapidamente um sexteto composto por Hélder-Ricardo-Freitas-Nuno-Pintainho e «Ribeiralves».
Sinal que a «coisa» seria dura foi o elevado número de «talegas» metidas. E com as pulsações muito perto de regimes máximos dei-me por satisfeito ter chegado ao primeiro topo no grupo da frente. A subida final para a Murgueira teve uma abordagem mais cautelosa, tanto mais que o Hélder demorou a assumir-se, como seria previsível, deixando mesmo o comando para o «Ribeiralves» e o Nuno. O Freitas e eu, ambos na expectativa. Aliás, o aguardado ataque do Hélder terá sido mais retardado também por ter ficado fechado junto à berma durante algumas centenas de metros, mas depois do gancho nada nem ninguém o pôde contar, fazendo uma fortíssima aceleração, que obrigou os restantes a cerrarem fileiras. O espaço abriu-se, mas felizmente ele parou... Mas fez «estragos» - o mais vísivel, no Pintainho, que largou. À entrada para o último km, decidiu experimentar a sorte. Acelerei uma primeira vez, em esticão, para sentir as pernas e aliviei. O grupo esticou e voltou a agregar-se. desta vez, terá ficado o «Ribeiralves». Mas 100 metros depois, voltei a acelerar, desta vez bem à vista de todos, e após as primeiras pedaladas as pernas «pediram» o 50, fraccionando definitivamente o grupo e isolando-me com o Hélder (em grande forma!), que sprintou mais forte para passar à frente no alto. A «temperatura» subiu a valores elevadísimos... mas foi muito divertido!
No regresso, registe-se a providencial e retemperadora paragem do pelotão para abastecimento na estação de serviço à entrada de Mafra e após o acidentado percurso até à Malveira apenas os mais fortes resistiram no grupo da frente. Em relação ao grupo mais forte no Gradil faltou o Pintainho (como é habitual os km já deveriam pesar nas pernas, o que não invalida a sua excelente prestação nas subidas, sem dúvida, a um nível superior à média do grupo), e entraram o João e o Salvador, que não estiveram nos momentos «altos» da tirada porque o andamento foi, de facto, altamente selectivo.
O grupo que saiu de Loures foi o mais numeroso de há muitos domingos a esta parte - o que se salienta pela positiva - e teve um desempenho muito homógeneo, apenas se desagregando definitivamente na aproximação à Malveira, quando já pessavam nas pernas o desgaste provocado pelo calor e as passagens pelo Forte de Alqueidão e no ponto alto da etapa: a dupla subida do Gradil.
A primeira foi feita a ritmo bem moderado até aos ferro-velhos, altura em que o trio Freitas-Hélder-«Ribeiralves» se destacou, forçando a uma perseguição forte do pelotão até ao Forte. Aliás, situação já habitual neste local. Pelo contrário, o Gradil, além de mais exigente foi marcado por um andamento forte quase desde o início, imposto pelo Hélder, seleccionando rapidamente um sexteto composto por Hélder-Ricardo-Freitas-Nuno-Pintainho e «Ribeiralves».
Sinal que a «coisa» seria dura foi o elevado número de «talegas» metidas. E com as pulsações muito perto de regimes máximos dei-me por satisfeito ter chegado ao primeiro topo no grupo da frente. A subida final para a Murgueira teve uma abordagem mais cautelosa, tanto mais que o Hélder demorou a assumir-se, como seria previsível, deixando mesmo o comando para o «Ribeiralves» e o Nuno. O Freitas e eu, ambos na expectativa. Aliás, o aguardado ataque do Hélder terá sido mais retardado também por ter ficado fechado junto à berma durante algumas centenas de metros, mas depois do gancho nada nem ninguém o pôde contar, fazendo uma fortíssima aceleração, que obrigou os restantes a cerrarem fileiras. O espaço abriu-se, mas felizmente ele parou... Mas fez «estragos» - o mais vísivel, no Pintainho, que largou. À entrada para o último km, decidiu experimentar a sorte. Acelerei uma primeira vez, em esticão, para sentir as pernas e aliviei. O grupo esticou e voltou a agregar-se. desta vez, terá ficado o «Ribeiralves». Mas 100 metros depois, voltei a acelerar, desta vez bem à vista de todos, e após as primeiras pedaladas as pernas «pediram» o 50, fraccionando definitivamente o grupo e isolando-me com o Hélder (em grande forma!), que sprintou mais forte para passar à frente no alto. A «temperatura» subiu a valores elevadísimos... mas foi muito divertido!
No regresso, registe-se a providencial e retemperadora paragem do pelotão para abastecimento na estação de serviço à entrada de Mafra e após o acidentado percurso até à Malveira apenas os mais fortes resistiram no grupo da frente. Em relação ao grupo mais forte no Gradil faltou o Pintainho (como é habitual os km já deveriam pesar nas pernas, o que não invalida a sua excelente prestação nas subidas, sem dúvida, a um nível superior à média do grupo), e entraram o João e o Salvador, que não estiveram nos momentos «altos» da tirada porque o andamento foi, de facto, altamente selectivo.
sexta-feira, agosto 04, 2006
Volta a Portugal 2006
Amanhã começa a Volta a Portugal 2006. Apesar de continuar a ser uma competição da terceira divisão do ciclismo mundial, para todos efeitos é a nossa volta. E por isso deve ser acarinhada. Mas sem exageros!
Este ano, parece ter havido um esforço da organização em tornar a dar a Volta a Portugal e não só ao Norte e Centro. Mas numa etapa apenas (1ª) liga-se o Algarve (Portimão) ao Alentejo (Beja) e a coisa está feita! Louva-se também que a caravana faça uma passagem (obrigatória, digo eu!) por Lisboa, afinal ainda é capital.
No entanto, em relação ao percurso, creio que desta vez o Joaquim Gomes deixou-se finalmente convencer pelo eterno choradinho do Cândido Barbosa e da sua trupe e fez a volta à medida do sprinter-trepador da LA. Na minha opinião, até mais que em 2005 - como se fosse possível haver melhor a pensar nas características do menino de Lordelo - mas ninguém esperava que o «Bladimir» (que é grande ciclista) lhes desse a... volta.
Mas há limites para a indecência. Mesmo elogiando alguns finais de etapa pouco habituais nos últimos anos, como a chegada a Felgueiras - que deverá ser interessante -, a longa mas pouco selectiva subida para a Guarda e a clássica Sra. da Graça, que é de longe a etapa mais dura, ao nível das melhores provas internacionais. Nesta última, no entanto, a atentar pelos últimos anos, o pelotão vai voltar a arrastar-se pelo Alvão e o Viso para não moer muito as perninhas, e depois toda a gente vai chegar com força ao Monte Farinha, principalmente o bom do Cândido, prevendo-se mais um sprint de 500 metros no alto, como em 2005.
Mas muito mais escandaloso é a etapa-que-custumava-ser-rainha da Volta: a da Torre. Já se vai tornando um hábito triste que a etapa não termine na única montanha de categoria especial que temos em Portugal, mas creio que este ano estão mesmo a brincar com o povo! Como não ficaram satisfeitos com madorna do ano passado que foi assistir à perseguição do Cândido ao Efemkin e ao Perez pela perigosa descida para a Covilhã e depois sensaborona ligação ao Fundão, mesmo ao jeito dos roladores, agora ainda fizeram pior: sobe-se para a Torre pela vertente mais fácil (Seia) e desce-se para Manteigas para terminar novamente no Fundão. O terreno plano e as descidas são ainda maiores. Quem será o louco trepador que vai atacar nas Penhas Douradas ou em Seia, para depois derreter nos quase 100 km que faltarão?
Bom isto sou eu a falar... mal!
Este ano, parece ter havido um esforço da organização em tornar a dar a Volta a Portugal e não só ao Norte e Centro. Mas numa etapa apenas (1ª) liga-se o Algarve (Portimão) ao Alentejo (Beja) e a coisa está feita! Louva-se também que a caravana faça uma passagem (obrigatória, digo eu!) por Lisboa, afinal ainda é capital.
No entanto, em relação ao percurso, creio que desta vez o Joaquim Gomes deixou-se finalmente convencer pelo eterno choradinho do Cândido Barbosa e da sua trupe e fez a volta à medida do sprinter-trepador da LA. Na minha opinião, até mais que em 2005 - como se fosse possível haver melhor a pensar nas características do menino de Lordelo - mas ninguém esperava que o «Bladimir» (que é grande ciclista) lhes desse a... volta.
Mas há limites para a indecência. Mesmo elogiando alguns finais de etapa pouco habituais nos últimos anos, como a chegada a Felgueiras - que deverá ser interessante -, a longa mas pouco selectiva subida para a Guarda e a clássica Sra. da Graça, que é de longe a etapa mais dura, ao nível das melhores provas internacionais. Nesta última, no entanto, a atentar pelos últimos anos, o pelotão vai voltar a arrastar-se pelo Alvão e o Viso para não moer muito as perninhas, e depois toda a gente vai chegar com força ao Monte Farinha, principalmente o bom do Cândido, prevendo-se mais um sprint de 500 metros no alto, como em 2005.
Mas muito mais escandaloso é a etapa-que-custumava-ser-rainha da Volta: a da Torre. Já se vai tornando um hábito triste que a etapa não termine na única montanha de categoria especial que temos em Portugal, mas creio que este ano estão mesmo a brincar com o povo! Como não ficaram satisfeitos com madorna do ano passado que foi assistir à perseguição do Cândido ao Efemkin e ao Perez pela perigosa descida para a Covilhã e depois sensaborona ligação ao Fundão, mesmo ao jeito dos roladores, agora ainda fizeram pior: sobe-se para a Torre pela vertente mais fácil (Seia) e desce-se para Manteigas para terminar novamente no Fundão. O terreno plano e as descidas são ainda maiores. Quem será o louco trepador que vai atacar nas Penhas Douradas ou em Seia, para depois derreter nos quase 100 km que faltarão?
Bom isto sou eu a falar... mal!
quinta-feira, agosto 03, 2006
Gradil «aqueceu» em Novembro
No próximo domingo, sobe-se o Gradil, local que já ganhou estatuto de clássico de animadas batalhas. A etapa é na sua globalidade interessante, com passagem pelo igualmente referencial Forte de Alqueidão e após a dupla ascenção do Gradil entra no carrossel de Mafra-Malveira.
Em jeito de curiosidade, relembro que no já longuínquo dia 13 de Novembro de 2005, cinzento e frio, a mesma etapa ficou marcada por uma fuga épica de dois corredores iniciada na descida da Feliteira, perigosamente molhada, que supreendeu um pelotão recheado de ilustres figuras como o Freitas, o Miguel e o Nuno Garcia, e durou até à Murgueira, no alto do Gradil.
Quem seriam o dois gloriosos – embora apenas um tenha concretizado essa façanha, derretendo (!) uma legião de perseguidores? Desde já, garante-se que no domingo não se repetirá…
Em jeito de curiosidade, relembro que no já longuínquo dia 13 de Novembro de 2005, cinzento e frio, a mesma etapa ficou marcada por uma fuga épica de dois corredores iniciada na descida da Feliteira, perigosamente molhada, que supreendeu um pelotão recheado de ilustres figuras como o Freitas, o Miguel e o Nuno Garcia, e durou até à Murgueira, no alto do Gradil.
Quem seriam o dois gloriosos – embora apenas um tenha concretizado essa façanha, derretendo (!) uma legião de perseguidores? Desde já, garante-se que no domingo não se repetirá…
terça-feira, agosto 01, 2006
Regresso com recordes...
O regresso às voltas domingueiras depois de duas semanas completas de inactividade foi como se esperava: sofrido. Durante este período de férias diluiu-se o apuro de forma que culminou no passado dia 10 de Julho, na Etapa do Tour, e por isso o choque com a «realidade» competitiva do grupo Pina Bike teve efeitos previsíveis no desempenho e no corpo.
De qualquer maneira, ao início da manhã do último domingo resolvi fazer o percurso entre Alverca e Loures à moda antiga, de bicicleta, aproveitando para aferir o estado do físico, evitando fazê-lo em plena volta – se optasse, como seria recomendável, por ir de carro até ao local da concentração. Embora não sentisse as pernas muito presas, as pulsações eram incontroláveis, pronuncio de grandes atrocidades nas horas seguintes. Ao ponto de me assolar a ideia de poder ser dia de empeno, e daqueles valentes.
Pelos menos, foi de recordes, mesmo que sem serem propriamente gloriosos. O recorde da pulsação média (158) e de pulsação máxima (200). A barreira psicológica (ou será mais física…) foi quebrada!
Mas apesar destes números alucinantes, a verdade é que passei ao lado de um castigo demasiado severo para os músculos. Os mais puristas podem crer que cientificamente não terá sido a abordagem recomendável ao regresso à actividade, mas digo-lhes que foi, sem dúvida, a que deliberadamente pretendi. Aliás, depois de sete meses «amarrado» a um programa de preparação com vista a objectivos específicos espaçados no tempo, chegou a hora de dar largas…
Para mais, a volta foi muito interessante e bem disputada. Tratou-se da Clássica da Carnota, que, pelos visto, foi a mais suave dos últimos 15 dias, em que os meus camaradas aproveitaram a minha ausência para andar em terreno de trepadores. Não é justo, digo eu!
A saída de Loures em direcção a Alverca, onde se enfrentou a subida de A-do-Barriga, foi bastante moderado. Mais para os outros, certamente, porque eu raramente baixei das 150 bpm. Na subida deixei mesmo de olhar para o pulsómetro para me concentrar nas sensações, que, de resto, foram bastante melhores do que em ocasiões semelhantes – e por isso o andamento não tivesse sido tão difícil de aguentar e o esforço não tido efeitos tão nefastos.
O Durão do Freitas aguentou muito bem o «tranco» no pelotão na subida quando o sempre empertigado Hélder se adiantou, mantendo um passo que permitiu não perder o fugitivo de vista e não causar grandes mossas no grupo perseguidor. O ritmo moderado, aliás, manteve-se na descida para Alhandra e depois em direcção ao Carregado e a Cadafais, onde começou a segunda dificuldade do dia: a subida para Santana da Carnota.
Também aqui, o Durão não se fez rogado a dar o peito ao vento na condução do grupo e assim continuou quando o Hélder voltou a acelerar, desta vez levando na roda o Carlos e o João. Agora, a perseguição tinha de ser mais efectiva do que em A-do-Barriga, sempre com o Freitas a fazer as despesas ao longo do falso plano ascendente antes da subida propriamente dita – os últimos 3 km.
A distância para os três fugitivos manteve-se estabilizada mas, às tantas, afigurava-se difícil de anular antes da subida. Na frente, o Hélder não cedia e parecia dispensar a ajuda dos seus companheiros de fuga.
Então resolvi dar uma mãozinha ao voluntarioso Durão. Um trabalho de gregário, perceba-se. Mesmo com o coração na garganta, as pernas ainda tinham alguma coisa para dar. A cerca de um quilómetro da Carnota disse-lhe para suster um pouco o andamento, permitindo-me colocar-me à frente do pelotão à entrada da subida – numa altura em que, entre os fugitivos, o Carlos fazia a primeira mudança de ritmo e o João cedia.
Lá atrás, meti o passo possível para anular a fuga antes do alto, permitindo ao Durão «encostar». O objectivo foi concretizado ainda a cerca de 1 km do cume, altura em que as minhas forças chegaram ao limite. Ainda tive oportunidade de observar mais uma mudança de velocidade do Carlos, a que não foi fácil responder, mas penso que o trio chegou junto ao alto. O João recuperou muito bem após o momento de fraqueza no início da subida e passou por mim em bom andamento.
A partir da daqui, e com pouco mais de metade do percurso realizado, não voltou a haver grandes correrias, a não ser um sprint vigoroso no Forte do Alqueidão (o Hélder foi adversário duro de roer para o… Durão) e depois, muito mais tarde, na rampa do depósito de rações, à chegada a Bucelas. Também aqui, o betetista apertou o nosso «sprintoso», que está quase ao ponto para a «Pedro Delgado».
Para mim, depois de Bucelas a «solo» no regresso a Alverca, o Cabeço da Rosa não foi tão mau como se antevia. Agora é recuperar para adquirir paulatinamente uma forma…decente!
Tanto mais, que este ano a tradicional etapa da Serra da Estrela, em meados de Setembro, tem muitas novidades e promete ser ainda mais interessante. A revelar em breve!
De qualquer maneira, ao início da manhã do último domingo resolvi fazer o percurso entre Alverca e Loures à moda antiga, de bicicleta, aproveitando para aferir o estado do físico, evitando fazê-lo em plena volta – se optasse, como seria recomendável, por ir de carro até ao local da concentração. Embora não sentisse as pernas muito presas, as pulsações eram incontroláveis, pronuncio de grandes atrocidades nas horas seguintes. Ao ponto de me assolar a ideia de poder ser dia de empeno, e daqueles valentes.
Pelos menos, foi de recordes, mesmo que sem serem propriamente gloriosos. O recorde da pulsação média (158) e de pulsação máxima (200). A barreira psicológica (ou será mais física…) foi quebrada!
Mas apesar destes números alucinantes, a verdade é que passei ao lado de um castigo demasiado severo para os músculos. Os mais puristas podem crer que cientificamente não terá sido a abordagem recomendável ao regresso à actividade, mas digo-lhes que foi, sem dúvida, a que deliberadamente pretendi. Aliás, depois de sete meses «amarrado» a um programa de preparação com vista a objectivos específicos espaçados no tempo, chegou a hora de dar largas…
Para mais, a volta foi muito interessante e bem disputada. Tratou-se da Clássica da Carnota, que, pelos visto, foi a mais suave dos últimos 15 dias, em que os meus camaradas aproveitaram a minha ausência para andar em terreno de trepadores. Não é justo, digo eu!
A saída de Loures em direcção a Alverca, onde se enfrentou a subida de A-do-Barriga, foi bastante moderado. Mais para os outros, certamente, porque eu raramente baixei das 150 bpm. Na subida deixei mesmo de olhar para o pulsómetro para me concentrar nas sensações, que, de resto, foram bastante melhores do que em ocasiões semelhantes – e por isso o andamento não tivesse sido tão difícil de aguentar e o esforço não tido efeitos tão nefastos.
O Durão do Freitas aguentou muito bem o «tranco» no pelotão na subida quando o sempre empertigado Hélder se adiantou, mantendo um passo que permitiu não perder o fugitivo de vista e não causar grandes mossas no grupo perseguidor. O ritmo moderado, aliás, manteve-se na descida para Alhandra e depois em direcção ao Carregado e a Cadafais, onde começou a segunda dificuldade do dia: a subida para Santana da Carnota.
Também aqui, o Durão não se fez rogado a dar o peito ao vento na condução do grupo e assim continuou quando o Hélder voltou a acelerar, desta vez levando na roda o Carlos e o João. Agora, a perseguição tinha de ser mais efectiva do que em A-do-Barriga, sempre com o Freitas a fazer as despesas ao longo do falso plano ascendente antes da subida propriamente dita – os últimos 3 km.
A distância para os três fugitivos manteve-se estabilizada mas, às tantas, afigurava-se difícil de anular antes da subida. Na frente, o Hélder não cedia e parecia dispensar a ajuda dos seus companheiros de fuga.
Então resolvi dar uma mãozinha ao voluntarioso Durão. Um trabalho de gregário, perceba-se. Mesmo com o coração na garganta, as pernas ainda tinham alguma coisa para dar. A cerca de um quilómetro da Carnota disse-lhe para suster um pouco o andamento, permitindo-me colocar-me à frente do pelotão à entrada da subida – numa altura em que, entre os fugitivos, o Carlos fazia a primeira mudança de ritmo e o João cedia.
Lá atrás, meti o passo possível para anular a fuga antes do alto, permitindo ao Durão «encostar». O objectivo foi concretizado ainda a cerca de 1 km do cume, altura em que as minhas forças chegaram ao limite. Ainda tive oportunidade de observar mais uma mudança de velocidade do Carlos, a que não foi fácil responder, mas penso que o trio chegou junto ao alto. O João recuperou muito bem após o momento de fraqueza no início da subida e passou por mim em bom andamento.
A partir da daqui, e com pouco mais de metade do percurso realizado, não voltou a haver grandes correrias, a não ser um sprint vigoroso no Forte do Alqueidão (o Hélder foi adversário duro de roer para o… Durão) e depois, muito mais tarde, na rampa do depósito de rações, à chegada a Bucelas. Também aqui, o betetista apertou o nosso «sprintoso», que está quase ao ponto para a «Pedro Delgado».
Para mim, depois de Bucelas a «solo» no regresso a Alverca, o Cabeço da Rosa não foi tão mau como se antevia. Agora é recuperar para adquirir paulatinamente uma forma…decente!
Tanto mais, que este ano a tradicional etapa da Serra da Estrela, em meados de Setembro, tem muitas novidades e promete ser ainda mais interessante. A revelar em breve!
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