Bastante concorrida a volta domingueira deste fim-de-semana. O tempo frio mas ensolarado ajudou a que tivesse sido um pelotão numeroso, embora heterogéneo no nível de forma da maioria dos seus elementos e também na predisposição para completar o trajecto previsto, o que saiu de Loures em direcção a Guerreiros. Por isso, foi um grupo praticamente reduzido à sua terça parte que cumpriu os cerca de 90 km totais.
O relevo ondulado propiciava a ritmos inconstantes, com pouca relevância para o abrigo das rodas a não ser nas longas descidas que houve, quando o vento soprava contrário. Porém, o andamento só se tornou mais selectivo – e sempre para os ciclistas que estão em menor forma –, a partir da Póvoa da Galega, altura em que começou a haver acelerações à frente e principalmente quando o Jony passou pela frente, impondo um ritmo que fez estirar o pelotão. Até aí, mesmo na sempre complicada ligação entre Loures e a Venda do Pinheiro, e no sobe-e-desce da Roussada para o Milharado, a toada tinha sido moderada.
Animado pelo andamento vivo à chegada ao Vale de S. Gião, um pequeno grupo destacou-se na descida para Bucelas, mas, ao contrário das últimas ocasiões, a iniciativa – que contava com os «obrigatórios» Fantasma e Salvador – não ficou muito tempo (ou tempo a mais!) sem resposta, desencadeando-se uma perseguição empenhada do pelotão – ou pelo menos, de parte dele – que anulou a fuga à entrada da subida do Cabeço da Rosa. A partir daqui, o Freitas acelerou e provocou (ainda) maior selecção, restando apenas um quarteto na frente à passagem por Alverca: eu, o Freitas, o Nuno Garcia e o Salvador.
À entrada para a dificuldade seguinte, a subida de A-dos-Melros, a constatação de que ninguém se juntava fez com que a sua transposição fosse pouco mais que um mero passeio em amena cavaqueira – que, aliás, tão bem soube! De resto, só à saída de Arruda chegaram mais elementos, entre os poucos resistentes (ZT, Pina, Carlos do Barro e o «obrigatório» Abel), deslizando-se em direcção a Cadafais, e só os derradeiros dois quilómetros foram mais forçados, para mim, que decidi enfrentar o vento pedalando pesado. No Carregado, o Freitas e o Nuno Garcia (que está em bom momento) disputaram o sprint, que se repetiu em Vila Franca, aqui com o Pina e o Salvador a juntar-se ao Freitas, culminando um trabalho tripartido (Freitas, Nuno e eu) desde o Carregado e após um lançamento a 50 km/h.
Para mim, nesta pré-temporada, foi bom voltar a ultrapassar a barreira dos 120 km.
Notas de observador
Realce para o regresso do Nando, cuja presença assídua tanta falta faz ao grupo, em prol da maturidade do colectivo e da sã camaradagem. Logo ele voltasse a exibir o estado de forma dos velhos tempos...
Outro regresso, o do Rui Scott, a recuperar de intervenção cirúrgica e naturalmente distante da boa forma que tão bom cartel deixou no último Verão. Ávido de voltar, o mais rapidamente possível, ao pleno das suas capacidades, não se coibiu de enfrentar a volta domingueira com um bidão cheio de areia a servir de lastro. Compreendo a sua intenção, mas creio que, nesta altura, quando as forças são escassas, seria melhor não «criar» mais dificuldades ao corpo na complicada tarefa, por agora, de fazer avançar a bicicleta. Quando as pernas estiverem boas, então sim, será conveniente acentuar-lhes a carga para que se esforcem mais. Boa novidade: perspectiva estrear-se, no próximo ano, na Etapa do Tour.
Por falar em Etapa do Tour, assinale-se o regresso ao verdadeiro espírito da prova, devido à escolha de traçado muito mais equilibrado que nos últimos anos (principalmente os dois anteriores), onde se entrou em verdadeiras maratonas de superação humana. A distância é mais «praticável» (165 km) e não faltam montanhas míticas, novamente nos Pirenéus: o Tourmalet, a mais célebre deste sistema montanhoso e quiçá de todo o ciclismo, e o Hautacam, onde coincide a meta. Portanto, chegada em alto, como deve ser! Em futura ocasião, farei uma abordagem mais completa sobre este fabuloso evento.
Espaço aberto à opinião dos ciclómanos sobre ciclismo. De simples entusiastas da modalidade aos que a praticam. Sítio de tertúlia, onde fluem conversas de ciclistas sobre ciclismo.
segunda-feira, novembro 26, 2007
segunda-feira, novembro 12, 2007
Alenquer: a fuga que durou...
A volta deste domingo esteve à altura das expectativas geradas pelo culminar de uma semana muito animada neste blog. Fundamental para o interesse da tirada foi uma longa fuga, desta vez com méritos plenos para os seus (dois) protagonistas, lançada e concretizada nas «barbas» do pelotão. Os seus autores: o Fantasma e o Salvador, tantas vezes em férrea luta e marcação mútua incisiva foram, também devido a isso, parceiros em eficaz colaboração, como se impunha logo que a fuga se desenhou.
O Fantasma tentou a sorte e a sua «sombra» seguiu-o, aproveitando, ambos, a habitual desestabilização do pelotão à passagem pelo irregular empedrado de Unhos, ainda com longo percurso até Alenquer – precisamente onde iniciava a principal subida do dia, para Perrotes.
A planura do relevo era favorável principalmente ao Fantasma, bom rolador, mas também não facilitava a missão aos fugitivos no duelo com o pelotão. Saíram, pois, claramente a ganhar os escapados, que souberam levar a vantagem até já «dentro» da subida – mesmo que apenas o Salvador, devido a furo do seu colega em Castanheira do Ribatejo, percalço que ditou a quebra do duo em, momento pouco indicado para o seu objectivo, exigindo esforço redobrado ao único resistente nesta façanha de mais de 40 km.
O que contribuiu para a aventura ter sido tão anormalmente duradoura? Além do excelente desempenho dos seus intervenientes, o facto de a perseguição, no pelotão, ter estado praticamente restringida a dois elementos: eu e o Freitas. Quanto à ausência de colaboração dos restantes, há pouco a dizer! Apesar de o grupo ter sido numeroso e lá não faltarem interessados em que a fuga não vingasse, a verdade é que quem mais lucraria com a anulação seriam os mais fortes e que sobem melhor. Precisamente, eu e o Freitas, embora na ocasião também o Nuno Garcia ou o Carlos do Barro pudessem lucrar.
Por isso, a perseguição exigiu esforço e aplicação dos dois que a conduziram (o João do Brinco passou brevemente pela frente depois da Castanheira), e apenas o impasse que custou preciosos segundos (algumas dezenas, certamente), à entrada de Alverca, aguardando pelo Steven, foi único factor «terceiro» a jogar a favor do fugitivos. Embora o pelotão rodasse quase sempre em passo certo, com andamento por vezes vivo, a vantagem da fuga deve ter estabilizado em cerca de 2 minutos e assim durado pelo menos até ao furo do Fantasma. Sempre sem contacto visual (e o que isso ajuda os fugitivos!), este cálculo faz-se ao avistarmos o Salvador à saída da rampa mais dura da subida, tendo este cerca de 1 minuto de vantagem sobre mim e o Freitas. Ou seja, de 2 minutos, o Salvador deverá ter perdido cerca de 20 a 30 segundos depois de ter ficado sozinho, após Castanheira, numa altura em que o vento se fazia sentir mais, e mais 15 a 20 segundos na primeira fase da subida.
Para dar uma melhor ideia da situação, refira-se que o Salvador, depois de ter sido alcançado a cerca de 2 km (sensivelmente a meio da subida) ainda perdeu 45 segundos para nós até ao alto. Entre mim e o Freitas, a subida foi discutida palmo-a-palmo, a boa intensidade, com ele a fazer valer a sua maior capacidade de explosão nos metros finais. Ele geriu muito bem a subida, talvez nem se tivesse apercebido que o fez e como o fez, mas assim manteve-se a salvo de quaisquer «eventualidades».
O Nuno Garcia e o Salvador chegaram a par, o Zé-Tó foi o quarto homem depois de excelente subida (não perdeu mais de 1m30), tal com o João do Brinco, que não demorou muito mais.A partir daqui, a ritmo foi muito moderado, inclusive na Carnota, e só voltou a atingir níveis elevados na descida do Alqueidão para Bucelas, onde houve muito bom revezamento nalguns elementos do (que restava do) grupo. Há uma semana, a velocidade média foi de 47 km/h – ontem foi 48 km/h! Aproxima-se a barreira dos 50...
O Fantasma tentou a sorte e a sua «sombra» seguiu-o, aproveitando, ambos, a habitual desestabilização do pelotão à passagem pelo irregular empedrado de Unhos, ainda com longo percurso até Alenquer – precisamente onde iniciava a principal subida do dia, para Perrotes.
A planura do relevo era favorável principalmente ao Fantasma, bom rolador, mas também não facilitava a missão aos fugitivos no duelo com o pelotão. Saíram, pois, claramente a ganhar os escapados, que souberam levar a vantagem até já «dentro» da subida – mesmo que apenas o Salvador, devido a furo do seu colega em Castanheira do Ribatejo, percalço que ditou a quebra do duo em, momento pouco indicado para o seu objectivo, exigindo esforço redobrado ao único resistente nesta façanha de mais de 40 km.
O que contribuiu para a aventura ter sido tão anormalmente duradoura? Além do excelente desempenho dos seus intervenientes, o facto de a perseguição, no pelotão, ter estado praticamente restringida a dois elementos: eu e o Freitas. Quanto à ausência de colaboração dos restantes, há pouco a dizer! Apesar de o grupo ter sido numeroso e lá não faltarem interessados em que a fuga não vingasse, a verdade é que quem mais lucraria com a anulação seriam os mais fortes e que sobem melhor. Precisamente, eu e o Freitas, embora na ocasião também o Nuno Garcia ou o Carlos do Barro pudessem lucrar.
Por isso, a perseguição exigiu esforço e aplicação dos dois que a conduziram (o João do Brinco passou brevemente pela frente depois da Castanheira), e apenas o impasse que custou preciosos segundos (algumas dezenas, certamente), à entrada de Alverca, aguardando pelo Steven, foi único factor «terceiro» a jogar a favor do fugitivos. Embora o pelotão rodasse quase sempre em passo certo, com andamento por vezes vivo, a vantagem da fuga deve ter estabilizado em cerca de 2 minutos e assim durado pelo menos até ao furo do Fantasma. Sempre sem contacto visual (e o que isso ajuda os fugitivos!), este cálculo faz-se ao avistarmos o Salvador à saída da rampa mais dura da subida, tendo este cerca de 1 minuto de vantagem sobre mim e o Freitas. Ou seja, de 2 minutos, o Salvador deverá ter perdido cerca de 20 a 30 segundos depois de ter ficado sozinho, após Castanheira, numa altura em que o vento se fazia sentir mais, e mais 15 a 20 segundos na primeira fase da subida.
Para dar uma melhor ideia da situação, refira-se que o Salvador, depois de ter sido alcançado a cerca de 2 km (sensivelmente a meio da subida) ainda perdeu 45 segundos para nós até ao alto. Entre mim e o Freitas, a subida foi discutida palmo-a-palmo, a boa intensidade, com ele a fazer valer a sua maior capacidade de explosão nos metros finais. Ele geriu muito bem a subida, talvez nem se tivesse apercebido que o fez e como o fez, mas assim manteve-se a salvo de quaisquer «eventualidades».
O Nuno Garcia e o Salvador chegaram a par, o Zé-Tó foi o quarto homem depois de excelente subida (não perdeu mais de 1m30), tal com o João do Brinco, que não demorou muito mais.A partir daqui, a ritmo foi muito moderado, inclusive na Carnota, e só voltou a atingir níveis elevados na descida do Alqueidão para Bucelas, onde houve muito bom revezamento nalguns elementos do (que restava do) grupo. Há uma semana, a velocidade média foi de 47 km/h – ontem foi 48 km/h! Aproxima-se a barreira dos 50...
segunda-feira, novembro 05, 2007
Ereira e mais!
O encadeamento quinta-domingo foi bom para aproveitar o esplêndido Verão de S. Martinho e «manter os níveis» habituais todo o ano. No feriado, dia 1, uma voltinha bem conhecida pelo Sobral, Merceana, Carregado, Arruda e Alverca; e no domingo, bem mais exclusiva e selectiva etapa, para a Ereira.
Na quinta-feira, houve quase sempre ritmo certo, moderado nas dificuldades iniciais, exceptuando a ligação do Tojal até alcançarmos o grupo que arrancou adiantado de Loures, já em plena subida para o Alqueidão. Depois, sim, rolou-se sem grande intensidade até aos Cadafais.
Destaca-se, porém, a «espécie de fuga» do Fantasma a partir do Sobral, ao não ter parado para o habitual reagrupamento, que lhe permitiu seguir isolado até Aldeia Gavinha, quando o pelotão o alcançou após perseguição liderada pelo Freitas e o Salvador. De resto, o Fantasma não se fez rogado com a chegada do grupo e conduziu-o até Carregado, onde deu por concluída o seu ensaio para a maratona de Santarém, onde teve um desempenho meritório a atentar pela classificação – 84º entre 400 participantes.
Entre Cadafais e Arruda a coisa aqueceu bastante. Depois de duas ou três acelerações, a questão tornou-se rapidamente um mano-a-mano entre mim e o Freitas. Foi «rasgadinho» e chegou a empolgar, mas, no final, não fez diferença digna de registo, embora ele tenha aguentado muito bem dois ou três metros no sprint final.
Antes, a coisa chegou a estar bem picante, permitindo inclusive tirar «alguns» azimutes. De tal modo vínhamos desvairados, que mal vimos o Carlos Coelho, de Salvaterra, e um seu companheiro, à beira da estrada quase a chegar a Arruda. Seguiram, depois, com o nosso grupo em direcção a A-do-Barriga.
Ereira
No domingo, a tirada punha-se mais séria com o pitéu da Ereira e um sobe-e-desde constante desde Loures e no regresso. Desta vez, fez-nos companhia o camarada Paulo Pais, que se juntou ao grupo na Malveira – precisamente quando se «perdeu» surpreendentemente um dos seus principais protagonistas: o Freitas seguiu o exemplo do Fantasma na quinta-feira e seguiu directo para Vila Franca do Rosário sem aguardar pelos retardatários. Só cerca de 3 minutos mais tarde arrancaram os últimos da rotunda da auto-estrada. A nova «espécie de fuga» deu em carta fora do baralho na Ereira, e foi pena (para ele próprio!) porque a subida da Ereira é uma subida-bastião da nossa região, obrigando quase sempre a deixar lá a pele.
No domingo não fugiu à regra, jogando-se a três – entre mim, o Paulo Pais e o Renato. Começo por fazer as despesas à entrada, passando o Renato a impor o ritmo ainda durante as duras inclinações irregulares do primeiro quilómetro. Cumprido este, o Paulo Pais faz a primeira alteração de ritmo, obrigando-nos a responder com empenho, mas que foi insuficiente para evitarmos que abrisse um fosso de cerca de 5 metros. O Renato não se fez rogado a conduzir a perseguição (dispensando-me...), que foi árdua mas teve êxito pouco antes dos derradeiros 1,5 km, os mais duros da subida. Então, ele, em minha opinião, joga mal: procura forçar o ritmo, precisamente quando a ascensão e a própria visão que se tem da interminável rampa que liga à localidade se fazem duríssimas. Os primeiros sinais de quebra foram um convite ao experiente Paulo Pais, que volta a acelerar e a destacar-se, agora cerca de 10/15 metros.
A questão tornava-se mais aberta e, para mim, chegava a altura de posicionar-me melhor sob risco de ficar... sem riscar nada! Larguei o Renato em nítida perda e procurei manter uma distância recuperável para o Paulo. Sem conseguir mudar de ritmo para chegar à sua roda, limitei-me a esperar que viesse a quebrar, mesmo que ligeiramente, para fechar o espaço, notando-se que pedalava muito no limite. Foi o que veio a acontecer. Quando deu sinal de fraqueza forcei para o apanhar, e mesmo ultrapassando-o fomos juntos até ao alto, logo seguidos pelo Renato, que reentrou o seu ritmo e recuperou muito bem na parte final.
O quarto homem foi o Salvador, a enormíssima distância dos restantes, que, pelo semblante desanuviado, fizeram uma subida... descansada.
No regresso, ainda houve uma selectiva chegada ao Sobral (a subida desde a Merceana), no seguimento de um trabalho digno de realce do Paulo a partir de Freiria. Impôs um andamento rijo, sem quebras, a seleccionar o grupo a um quarteto (ele, eu, o Freitas e o Renato), aplicando ainda dois ou três «toques de bateria» que sem dúvida causaram danos aos demais. Por isso, quando arranquei, no final, até um homem possante como o Freitas teve dificuldade em responder. Para terminar, em excelente colaboração, eu e Freitas, descemos o Alqueidão para Bucelas à média de 47 km/h.
Importa dizer, ainda, que até à Ereira a etapa não foi menos interessante, destacando-se a prestação exemplar do pelotão, principalmente na subida de Catefica e de Sarge.
Na quinta-feira, houve quase sempre ritmo certo, moderado nas dificuldades iniciais, exceptuando a ligação do Tojal até alcançarmos o grupo que arrancou adiantado de Loures, já em plena subida para o Alqueidão. Depois, sim, rolou-se sem grande intensidade até aos Cadafais.
Destaca-se, porém, a «espécie de fuga» do Fantasma a partir do Sobral, ao não ter parado para o habitual reagrupamento, que lhe permitiu seguir isolado até Aldeia Gavinha, quando o pelotão o alcançou após perseguição liderada pelo Freitas e o Salvador. De resto, o Fantasma não se fez rogado com a chegada do grupo e conduziu-o até Carregado, onde deu por concluída o seu ensaio para a maratona de Santarém, onde teve um desempenho meritório a atentar pela classificação – 84º entre 400 participantes.
Entre Cadafais e Arruda a coisa aqueceu bastante. Depois de duas ou três acelerações, a questão tornou-se rapidamente um mano-a-mano entre mim e o Freitas. Foi «rasgadinho» e chegou a empolgar, mas, no final, não fez diferença digna de registo, embora ele tenha aguentado muito bem dois ou três metros no sprint final.
Antes, a coisa chegou a estar bem picante, permitindo inclusive tirar «alguns» azimutes. De tal modo vínhamos desvairados, que mal vimos o Carlos Coelho, de Salvaterra, e um seu companheiro, à beira da estrada quase a chegar a Arruda. Seguiram, depois, com o nosso grupo em direcção a A-do-Barriga.
Ereira
No domingo, a tirada punha-se mais séria com o pitéu da Ereira e um sobe-e-desde constante desde Loures e no regresso. Desta vez, fez-nos companhia o camarada Paulo Pais, que se juntou ao grupo na Malveira – precisamente quando se «perdeu» surpreendentemente um dos seus principais protagonistas: o Freitas seguiu o exemplo do Fantasma na quinta-feira e seguiu directo para Vila Franca do Rosário sem aguardar pelos retardatários. Só cerca de 3 minutos mais tarde arrancaram os últimos da rotunda da auto-estrada. A nova «espécie de fuga» deu em carta fora do baralho na Ereira, e foi pena (para ele próprio!) porque a subida da Ereira é uma subida-bastião da nossa região, obrigando quase sempre a deixar lá a pele.
No domingo não fugiu à regra, jogando-se a três – entre mim, o Paulo Pais e o Renato. Começo por fazer as despesas à entrada, passando o Renato a impor o ritmo ainda durante as duras inclinações irregulares do primeiro quilómetro. Cumprido este, o Paulo Pais faz a primeira alteração de ritmo, obrigando-nos a responder com empenho, mas que foi insuficiente para evitarmos que abrisse um fosso de cerca de 5 metros. O Renato não se fez rogado a conduzir a perseguição (dispensando-me...), que foi árdua mas teve êxito pouco antes dos derradeiros 1,5 km, os mais duros da subida. Então, ele, em minha opinião, joga mal: procura forçar o ritmo, precisamente quando a ascensão e a própria visão que se tem da interminável rampa que liga à localidade se fazem duríssimas. Os primeiros sinais de quebra foram um convite ao experiente Paulo Pais, que volta a acelerar e a destacar-se, agora cerca de 10/15 metros.
A questão tornava-se mais aberta e, para mim, chegava a altura de posicionar-me melhor sob risco de ficar... sem riscar nada! Larguei o Renato em nítida perda e procurei manter uma distância recuperável para o Paulo. Sem conseguir mudar de ritmo para chegar à sua roda, limitei-me a esperar que viesse a quebrar, mesmo que ligeiramente, para fechar o espaço, notando-se que pedalava muito no limite. Foi o que veio a acontecer. Quando deu sinal de fraqueza forcei para o apanhar, e mesmo ultrapassando-o fomos juntos até ao alto, logo seguidos pelo Renato, que reentrou o seu ritmo e recuperou muito bem na parte final.
O quarto homem foi o Salvador, a enormíssima distância dos restantes, que, pelo semblante desanuviado, fizeram uma subida... descansada.
No regresso, ainda houve uma selectiva chegada ao Sobral (a subida desde a Merceana), no seguimento de um trabalho digno de realce do Paulo a partir de Freiria. Impôs um andamento rijo, sem quebras, a seleccionar o grupo a um quarteto (ele, eu, o Freitas e o Renato), aplicando ainda dois ou três «toques de bateria» que sem dúvida causaram danos aos demais. Por isso, quando arranquei, no final, até um homem possante como o Freitas teve dificuldade em responder. Para terminar, em excelente colaboração, eu e Freitas, descemos o Alqueidão para Bucelas à média de 47 km/h.
Importa dizer, ainda, que até à Ereira a etapa não foi menos interessante, destacando-se a prestação exemplar do pelotão, principalmente na subida de Catefica e de Sarge.
domingo, outubro 28, 2007
Enfim, o defeso...
Esta semana, a habitual crónica da volta domingueira fica à responsabilidade de um dos seus participantes, como, aliás, já sucedeu em ocasiões anteriores. Tomem a «palavra», então, os intervenientes...
Quanto a mim, a entrada do «defeso» em definitivo justificou a ausência. Chegou o momento de reduzir a actividade física ao mínimo indispensável, retemperando forças e evitando intensidades altas e a sua tentação (irresistível em saídas de grupo). E ainda mais importante, aproveitar para estar mais perto da minha família, compensando-a (ou tentando!) do muito e precioso tempo em que esteve privada da minha companhia durante este longo e preenchido ano desportivo.
Quanto a mim, a entrada do «defeso» em definitivo justificou a ausência. Chegou o momento de reduzir a actividade física ao mínimo indispensável, retemperando forças e evitando intensidades altas e a sua tentação (irresistível em saídas de grupo). E ainda mais importante, aproveitar para estar mais perto da minha família, compensando-a (ou tentando!) do muito e precioso tempo em que esteve privada da minha companhia durante este longo e preenchido ano desportivo.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Clássica de Torres
Próximo domingo (dia 28) - Clássica de Torres
Velha conhecida, com traçado no sentido do Forte de Alqueidão, Sobral e Runa, e regresso por Vila Franca do Rosário e Malveira.
Distância aprox.: 82 km
ATENÇÃO! A HORA MUDA NO DOMINGO!
ATRASA-SE 1H00! ÀS 8H30 (hora de patida) SERIAM 9H30!
Velha conhecida, com traçado no sentido do Forte de Alqueidão, Sobral e Runa, e regresso por Vila Franca do Rosário e Malveira.
Distância aprox.: 82 km
ATENÇÃO! A HORA MUDA NO DOMINGO!
ATRASA-SE 1H00! ÀS 8H30 (hora de patida) SERIAM 9H30!
terça-feira, outubro 23, 2007
Instantâneos do Caneira-Óbidos
segunda-feira, outubro 22, 2007
Caneira-Óbidos 2007: a crónica

O 1º «Caneira-Óbidos» foi um enorme sucesso! Cumpriu, praticamente na perfeição, o objectivo proposto para esta jornada-convívio de final de temporada organizada pelo camarada Paulo Pais – a quem, desde já, rendo homenagem pelo empenho e espírito de companheirismo inexcedíveis com que soube conduzir as operações.
A forte adesão ao evento foi demonstração cabal do seu êxito. O pelotão que se reuniu, às primeiras horas da manhã, no Livramento, contava com cerca de 40 elementos, entre amigos, velhos e novos conhecidos, na maioria habituais adversários nas corridas federadas de veteranos, aceitaram o repto do Paulo, contribuindo, sem excepção, para excelente jornada de ciclismo. Lá estiveram elementos das equipas Janotas & Simões, Amiciclo Grândola, Viveiros de S. Lourenço, entre outras, não faltando um destacamento dos domingueiros Pina Bike, composto por mim (Ricardo), Freitas, Renato, Salvador e o líder: Grande Abel.
Pouco depois das 9h00, o pelotão lançou-se à estrada para cumprir os cerca de 107 km, de ida e regresso, à lindíssima vila de Óbidos. O dia amanheceu nublado e nos primeiros quilómetros, a ritmo moderado, sentiu-se demasiado a frescura até ao início da subida de Catefica. Depois e até Óbidos, a «temperatura» no pelotão não foi mais do que... amena.
Durante a primeira parte do percurso (cerca de 53 km até Óbidos, onde o pelotão parou durante alguns minutos para reabastecimento líquido), o andamento foi leve, a espaços mesmo muito leve, o que pôde ter surpreendido considerando a «natureza» dos participantes. Todavia, cumpriu-se «regra» que ficara estabelecida – a corda deveria soltar-se no regresso.
Houve apenas um momento que chegou a gerar algum nervoso miudinho: o Abel furou à entrada de Torres e durante o impasse para aguardar a sua reintegração o pelotão fraccionou-se em dois, sendo que o segundo grupo, às voltas pela nova variante da cidade, só mais tarde se apercebeu que o Abel após ter trocado a roda atalhou pelos arruamentos do centro (conhecimento preciso do terreno, lá está!). Então, para os detrás a eventualidade de os da frente aproveitarem a situação dificultando a recolagem. Não foi isso que sucedeu, e bem. O grupo dianteiro «marcou passo» e não foi necessário grande esforço para o detrás recuperar. Depois deslizou-se até Óbidos, onde se cumpria uma média ainda assim bastante simpática de 30,5 km/h.
A forte adesão ao evento foi demonstração cabal do seu êxito. O pelotão que se reuniu, às primeiras horas da manhã, no Livramento, contava com cerca de 40 elementos, entre amigos, velhos e novos conhecidos, na maioria habituais adversários nas corridas federadas de veteranos, aceitaram o repto do Paulo, contribuindo, sem excepção, para excelente jornada de ciclismo. Lá estiveram elementos das equipas Janotas & Simões, Amiciclo Grândola, Viveiros de S. Lourenço, entre outras, não faltando um destacamento dos domingueiros Pina Bike, composto por mim (Ricardo), Freitas, Renato, Salvador e o líder: Grande Abel.
Pouco depois das 9h00, o pelotão lançou-se à estrada para cumprir os cerca de 107 km, de ida e regresso, à lindíssima vila de Óbidos. O dia amanheceu nublado e nos primeiros quilómetros, a ritmo moderado, sentiu-se demasiado a frescura até ao início da subida de Catefica. Depois e até Óbidos, a «temperatura» no pelotão não foi mais do que... amena.
Durante a primeira parte do percurso (cerca de 53 km até Óbidos, onde o pelotão parou durante alguns minutos para reabastecimento líquido), o andamento foi leve, a espaços mesmo muito leve, o que pôde ter surpreendido considerando a «natureza» dos participantes. Todavia, cumpriu-se «regra» que ficara estabelecida – a corda deveria soltar-se no regresso.
Houve apenas um momento que chegou a gerar algum nervoso miudinho: o Abel furou à entrada de Torres e durante o impasse para aguardar a sua reintegração o pelotão fraccionou-se em dois, sendo que o segundo grupo, às voltas pela nova variante da cidade, só mais tarde se apercebeu que o Abel após ter trocado a roda atalhou pelos arruamentos do centro (conhecimento preciso do terreno, lá está!). Então, para os detrás a eventualidade de os da frente aproveitarem a situação dificultando a recolagem. Não foi isso que sucedeu, e bem. O grupo dianteiro «marcou passo» e não foi necessário grande esforço para o detrás recuperar. Depois deslizou-se até Óbidos, onde se cumpria uma média ainda assim bastante simpática de 30,5 km/h.
O regresso
Uma vez, de novo na estrada, o pelotão demorou a abrir as hostilidades que se previam. Entre Óbidos e Bombarral, apenas se saltou 3 ou 4 km/h, para uma velocidade de cruzeiro, em falso plano ascendente, que raramente subiu dos 35 km/h. Nesta altura, o Renato partilhava a condução do grande grupo com o João Aldeano, mas o «nosso» estava mesmo empertigado e não demorou a dispensar parceria, acelerando à frente na subida para o Bombarral – onde um ligeiro percalço na escolha do caminho cortou, de novo, o ritmo.
Aguardou-se, então, pela saída do Bombarral. Estrada ampla, bem asfaltada, não haveria melhor palco para altas cavalgadas. Mas a coisa demorava a «pegar». E teve de ser novamente o Renato a dar o mote. Não saiu com força, mas com pedalada suficientemente vigorosa para começar a ganhar metros com rapidez.
As tropas reuniram-se de pronto, mas durante algum tempo não houve quem ousasse tomar a iniciativa da perseguição. Fê-lo, então, o João Aldeano – e alto e bom som: «É para anular já ou quê?». Nem precisou de esperar pela resposta. Lançou-se na perseguição e desencadeou fortes movimentações no pelotão. A partir desse momento, finalmente estava lançada a «corrida»...
O Renato não demorou a ser absorvido e a haver novos ataques. E novas perseguições, e mais ataques – e uma tentativa do Freitas para se isolar, sem êxito. E de outros, também condenadas ao malogro. Impossíveis naquelas condições!
Não se parou mais até Torres. Depois da longa subida para Outeiro da Cabeça, muito rápida a descida, a espaços acima dos 50 km/h. Alta velocidade. Eis o primeiro topo mais acentuado, de 500 metros. O pelotão passa e nem se dá por ele – pelo topo, entenda-se! Bom sinal: os Pina Bike estão no primeiro grupo – à excepção do Abel.
As acelerações sucedem-se e o andamento não cai nem por instantes. Os Pina Bike não largam os primeiros postos. O Renato sempre muito activo, a impor andamento pesado, o que acabava por lhe custar alguns metros e esforço de recuperação sempre que saíam ataques detrás. Algum nervosismo a mais do Freitas no desencadear de cada perseguição. Para mim, estava (mais ou menos...) controlado. Ainda fechei alguns espaços, sem grande desgaste.
Repito: àquela velocidade, naquele terreno seria muito difícil a alguém destacar-se do pelotão – mesmo a um pequeno grupo. O «pro» da Antarte também esteve na liça e foram dele uma ou duas mudanças de velocidade a merecer resposta aplicada. Pareceu-me o único capaz de surpreender. Naturalmente. Mas nem ele.
A selecção
A subida do Ameal apresentava-se com o último ponto de selecção. Aproveitando o andamento forte à cabeça, mantenho-me nos primeiros postos e salto para frente nos últimos 100 metros. Até ao alto ganho 10/15 metros para um trio de que fazia parte o Freitas e um Janota. Os Janotas, em maioria, estiveram sempre muito mexidos. «Aponto» para a descida e aguardo pela sua chegada do trio. Mas não houve entendimento e o pelotão (ou o que restava dele) fechou rapidamente a distância.
Até ao cruzamento da estrada da Lourinhã/Torres, ainda voltei a forçar no último topo, mas incapaz de fazer qualquer diferença para o pelotão que rodava a alta velocidade. O primeiro grupo contava com 17 unidades – e todos os Pina Bike incluídos (como anteriormente, à excepção do Abel). Muito bem! Entre Bombarral e Torres Vedras, a média foi superior a 40 km/h!
Em Torres aguardou-se pela reintegração do Abel e dos mais que foram ficando para trás nos 20 km precedentes... Com isso, o pelotão não voltou a rodar compacto de regresso ao Livramento.
Tempo ainda para esgotar o depósito (como bem disse o Renato!), mas agora numa «questão» exclusiva aos Pina Bike’s – entre mim, ele e o Freitas. Foram os únicos a irem no meu encalço, à saída de Torres, quando o aperto do meu horário (familiar/profissional) já não permitia andamento de descompressão. Média final: 33 km/h.
A seguir ao «tratamento», para os restantes seguiu-se merecida comezaina e tertúlia pela tarde dentro. Repito: iniciativa com enormíssimo êxito, creio que opinião partilhada por todos os que nela participaram. A repetir! E não só uma vez por ano! Parabéns e muito obrigado à rapaziada e especialmente ao Paulinho! Quem mais, senão ele, para juntar, em sã convivência, tantos «galos»!?
Notas de observador
À chegada a Óbidos, o Renato afirmava estar um pouco defraudado com o andamento «demasiado baixo» registado até aí. Disse que esperava «mais» de um pelotão com tantas «feras». Queria mais. Não concordei, mesmo compreendendo o motivo do seu descontentamento. No meu ponto de vista, a sua opinião pecava por defeito... de antecipação. Como se provou, no regresso, naqueles 20 km de aço. De resto, mesmo em relação ao andamento na primeira parte do percurso, até a própria média, superior a 30 km/h (incluindo o furo do Abel), não justificava a insatisfação. Inclusive de quem está com «ganas» de dar largas ao exponencial momento de forma que atravessa. E houve tempo para fazê-lo! Mas se a média tivesse sido 1 ou 2 km/h mais alta, creio que também ninguém se queixaria!
De qualquer modo, em abono da posição do Renato, há um facto que passo a descrever. Esta jornada acabou por não ser tão exigente como um memorável treino no início de Junho deste ano, com um grupo muito menos numeroso – além de mim, do Paulo, do Luís Runa e do João Aldeano, estavam o Jony e o Mário (cunhado do Paulo Pais – a quem envio um abraço e o agradecimento pelo elogio ao blog!). Então, entre a Caneira, Torres, Cadaval, Bombarral, Torres e Caneira, fez-se 34 km/h de média. O andamento chegou a ser infernal nalguns pontos do trajecto, como referi, na altura, em crónica neste blog. Aliás, apesar dos 40 km/h de média entre Bombarral e Torres (fez-se em menos 6 minutos do que naquele treino de Junho), este troço pareceu mais duro de passar naquele dia, devido a fortíssimos ataques nos topos mais acentuados. Desta vez, passou-se melhor... pois o comboio vinha mais lançado. E também o facto de a primeira parte ter sido tão calma contribuiu para a tirada de ontem ter sido mais acessível! Aqui reside a ponta de razão do amigo Renato. Para quem está bem, a vontade é carregar nos crenques e que o andamento seja sempre selectivo! Por isso, apesar dos tais 20 km frenéticos, ficou-lhe algum sabor a pouco...
Afirmação curiosa teve o Zé Henriques (que não participou devido a avaria na bicicleta antes da partida), que acompanhou o pelotão no «carro de apoio», enquanto aguardávamos os retardatários em Torres Vedras. Entre estes estava o «nosso» Abel, que demorava a aparecer. Às tantas, tive a «infeliz» ideia de o questionar sobre o facto do carro de apoio não ter acompanhado os últimos, em vez dos primeiros, que não deveriam necessitar tanto de auxílio. A resposta do Zé e o próprio tom da mesma foram elucidativos: «A ideia era assistir ao que se passava lá na frente», admitiu. À corrida, está a ver-se! Terá valido a pena, arrisco dizê-lo...
terça-feira, outubro 16, 2007
«Caneira-Óbidos»
No próximo domingo, dia 21, vai realizar-se o 1º «Caneira-Óbidos», encontro-convívio para assinalar o final da temporada de 2007, promovido pelo camarada Paulo Pais e que deverá reunir numeroso e ilustre pelotão.
A concentração está marcada para as 8h30, junto ao pavilhão gimnodesportivo do Livramento, e a partida prevista para as 9h00. O percurso ligará a Óbidos, por Torres Vedras e Bombarral, com regresso pelo mesmo trajecto, num total de aproximadamente 105 km.
Para evitar aglomerações nos quilómetros iniciais, está previsto que os participantes partam divididos em grupos, que se reunirão durante a primeira fase do percurso, provavelmente logo à saída de Torres para o Bombarral, quando a estrada é mais larga.
No final, no regresso, estabeleceu-se uma neutralização em Torres Vedras, junto à estátua de Joaquim Agostinho, onde se procederá, se necessário, ao reagrupamento, após o que se concluirá o troço em falta, de volta ao Livramento. Aqui, serão disponibilizados balneários para banhos, seguidos de almoço de confraternização.
Prevê-se uma jornada de ciclismo muito especial, com o propósito de juntar velhos e novos conhecidos, e a que não deverá faltar dose de competitividade ao nível dos seus participantes.
A concentração está marcada para as 8h30, junto ao pavilhão gimnodesportivo do Livramento, e a partida prevista para as 9h00. O percurso ligará a Óbidos, por Torres Vedras e Bombarral, com regresso pelo mesmo trajecto, num total de aproximadamente 105 km.
Para evitar aglomerações nos quilómetros iniciais, está previsto que os participantes partam divididos em grupos, que se reunirão durante a primeira fase do percurso, provavelmente logo à saída de Torres para o Bombarral, quando a estrada é mais larga.
No final, no regresso, estabeleceu-se uma neutralização em Torres Vedras, junto à estátua de Joaquim Agostinho, onde se procederá, se necessário, ao reagrupamento, após o que se concluirá o troço em falta, de volta ao Livramento. Aqui, serão disponibilizados balneários para banhos, seguidos de almoço de confraternização.
Prevê-se uma jornada de ciclismo muito especial, com o propósito de juntar velhos e novos conhecidos, e a que não deverá faltar dose de competitividade ao nível dos seus participantes.
domingo, outubro 14, 2007
Maratona BTT de Alcácer
A minha estreia em maratonas de BTT foi de bradar aos céus! Quedas para todos os gostos e um empeno que não há memória!
Antes da crónica da atribulada prova, importa destacar a extraordinária prestação do Renato Hernandez, que se classificou na terceira posição! O Nuno Garcia também esteve muito bem (15º), tal como o Fantasma, que preferiu atrasar-se (inclusive ficando atrás de «básicos» do trilho, como eu) por uma boa companhia feminina – a bela da Sónia, a melhor que esteve nos montes de Alcácer do Sal. «Melhor», entenda-se, por primeira da sua categoria.
Agora a história. Devo sublinhar que fui perfeitamente «ao engano», mesmo que ninguém me tivesse, realmente, enganado! Eu próprio, devido à inexperiência, avaliei por defeito as características do percurso em relação às minhas capacidades. Ou seja, o trajecto foi demasiado exigente para as minhas habilitações no BTT. Tão longa distância (102 km), no mato, torna-se uma tortura para o corpo. Estava a contar com pouco mais de 4 horas, saíram-me mais de cinco e meia.
Porque não estava a contar com nada desses «extras», avaliei mal a própria gestão dos líquidos e da alimentação. Tanto mais, que ainda não tenho a destreza suficiente para tirar as mãos do guiador mais de 5 segundos sem perder o controlo da bicicleta.
De resto, a falta de rotina nestas lides tornou-me o rei do mergulho na areia. Foram muitas as quedas, mais uma dezena, demasiadas segundo a opinião da maioria das pessoas com quem falei, quase todas em troços muito arenosos – e eram bastantes ao longo do percurso –, e que foram deixando marcas físicas e anímicas negativas.
Como se não bastasse a estreia ainda teve direito a um furo. Felizmente, a camaradagem impera nesta especialidade do ciclismo e contei com preciosa ajuda na troca da câmara-de-ar.
Mas não foi tudo. A partir de metade do percurso, de tão maltratada, a bicicleta deixou de colaborar (e tinha razão!...), não permitindo engrenar as mudanças mais leves da pedaleira intermédia. Ou seja, nas picadas mais íngremes não havia outra coisa a fazer que levá-la à mão. Mesmo assim, não foi mau, porque na segunda metade do percurso foram poucas. Menos só com a pedaleira grande, passei relativamente bem só esbarrando no solo a cada areal em que passava! Assim, mesmo tendo concluído a prova em sofrimento físico e muito dorido, foi penoso, o resultado final (creio que 23º), que considero positivo, fica a dever-se exclusivamente à componente atlética. E nada mais!
Camaradas, o BTT é duro, muito duro para quem começa. Recomendo a quem pretende dar as primeiras pedaladas no trilho puro e duro – e apenas tem experiência de estrada (como eu) ou do eixo Parque das Nações Norte-Sul, que reduza as expectativas pessoais. Nem pensem em arriscar em maratonas e desconfiem do desnível acumulado (os sites das provas disponibilizam-no quase sempre). Além disso, malta que lá anda, sabe do ofício, não facilita. Ao contrário da estrada, não se vê quem queira desafiar o limite das suas capacidades. Porque, se o fizer, pode «acabar» mal e no meio de nenhures.
As indicações com que fiquei é que existe um grupo de elite (em que o Renato se incluiu nesta prova), que junta excelente preparação física a uma técnica muito apurada e tem andamento muito forte, outro que faz uma gestão criteriosa do esforço e da habilidade para ultrapassar, o melhor possível, os obstáculos e a distância. É este patamar que ambiciono, mas ainda falta bastante prática para lá chegar...
Em suma, «desenganem-se» os que crêem que a condição física é suficiente no BTT. Sem uma boa dose de técnica e experiência, a tensão é permanente e o esforço é desmedidamente maior, com a agravante das quedas e dos sustos. Aliás, durante algum tempo (pouco) consegui sentir algum equilíbrio esforço/técnica, em que as coisas começaram a sair com alguma naturalidade – e então tudo foi diferente... para melhor! Até uma boa «roda» encontrei, como na estrada. Infelizmente, este estado de graça acabou depressa, interrompido por um furo. E depois voltou tudo ao início. Pior, ainda com mais areia!
P.S. Refira-se que o Jony também alinhou, mas teve de abandonar cerca dos 30 km por motivos de saúde.
Antes da crónica da atribulada prova, importa destacar a extraordinária prestação do Renato Hernandez, que se classificou na terceira posição! O Nuno Garcia também esteve muito bem (15º), tal como o Fantasma, que preferiu atrasar-se (inclusive ficando atrás de «básicos» do trilho, como eu) por uma boa companhia feminina – a bela da Sónia, a melhor que esteve nos montes de Alcácer do Sal. «Melhor», entenda-se, por primeira da sua categoria.
Agora a história. Devo sublinhar que fui perfeitamente «ao engano», mesmo que ninguém me tivesse, realmente, enganado! Eu próprio, devido à inexperiência, avaliei por defeito as características do percurso em relação às minhas capacidades. Ou seja, o trajecto foi demasiado exigente para as minhas habilitações no BTT. Tão longa distância (102 km), no mato, torna-se uma tortura para o corpo. Estava a contar com pouco mais de 4 horas, saíram-me mais de cinco e meia.
Porque não estava a contar com nada desses «extras», avaliei mal a própria gestão dos líquidos e da alimentação. Tanto mais, que ainda não tenho a destreza suficiente para tirar as mãos do guiador mais de 5 segundos sem perder o controlo da bicicleta.
De resto, a falta de rotina nestas lides tornou-me o rei do mergulho na areia. Foram muitas as quedas, mais uma dezena, demasiadas segundo a opinião da maioria das pessoas com quem falei, quase todas em troços muito arenosos – e eram bastantes ao longo do percurso –, e que foram deixando marcas físicas e anímicas negativas.
Como se não bastasse a estreia ainda teve direito a um furo. Felizmente, a camaradagem impera nesta especialidade do ciclismo e contei com preciosa ajuda na troca da câmara-de-ar.
Mas não foi tudo. A partir de metade do percurso, de tão maltratada, a bicicleta deixou de colaborar (e tinha razão!...), não permitindo engrenar as mudanças mais leves da pedaleira intermédia. Ou seja, nas picadas mais íngremes não havia outra coisa a fazer que levá-la à mão. Mesmo assim, não foi mau, porque na segunda metade do percurso foram poucas. Menos só com a pedaleira grande, passei relativamente bem só esbarrando no solo a cada areal em que passava! Assim, mesmo tendo concluído a prova em sofrimento físico e muito dorido, foi penoso, o resultado final (creio que 23º), que considero positivo, fica a dever-se exclusivamente à componente atlética. E nada mais!
Camaradas, o BTT é duro, muito duro para quem começa. Recomendo a quem pretende dar as primeiras pedaladas no trilho puro e duro – e apenas tem experiência de estrada (como eu) ou do eixo Parque das Nações Norte-Sul, que reduza as expectativas pessoais. Nem pensem em arriscar em maratonas e desconfiem do desnível acumulado (os sites das provas disponibilizam-no quase sempre). Além disso, malta que lá anda, sabe do ofício, não facilita. Ao contrário da estrada, não se vê quem queira desafiar o limite das suas capacidades. Porque, se o fizer, pode «acabar» mal e no meio de nenhures.
As indicações com que fiquei é que existe um grupo de elite (em que o Renato se incluiu nesta prova), que junta excelente preparação física a uma técnica muito apurada e tem andamento muito forte, outro que faz uma gestão criteriosa do esforço e da habilidade para ultrapassar, o melhor possível, os obstáculos e a distância. É este patamar que ambiciono, mas ainda falta bastante prática para lá chegar...
Em suma, «desenganem-se» os que crêem que a condição física é suficiente no BTT. Sem uma boa dose de técnica e experiência, a tensão é permanente e o esforço é desmedidamente maior, com a agravante das quedas e dos sustos. Aliás, durante algum tempo (pouco) consegui sentir algum equilíbrio esforço/técnica, em que as coisas começaram a sair com alguma naturalidade – e então tudo foi diferente... para melhor! Até uma boa «roda» encontrei, como na estrada. Infelizmente, este estado de graça acabou depressa, interrompido por um furo. E depois voltou tudo ao início. Pior, ainda com mais areia!
P.S. Refira-se que o Jony também alinhou, mas teve de abandonar cerca dos 30 km por motivos de saúde.
sexta-feira, outubro 12, 2007
Actividade, muita actividade...
Amanhã (9h00), Maratona de BTT «Vale do Sado», Alcácer do Sal.
Distância: 100 km
Desnível acumulado: 1560 metros
Equipa: Fantasma, Jony, Nuno Garcia, Ricardo e Renato

Domingo (8h30): Loures, bicicleta de estrada: Volta do Infantado (Porto Alto).
Distância: aprox. 110 km
Para roladores!
Próximo domingo: Caneira-Óbidos-Caneira, bicicleta de estrada (organização Paulo Pais); Pelotão de elite! Mais destaques ao longo da semana.
Distância: 100 km
Desnível acumulado: 1560 metros
Equipa: Fantasma, Jony, Nuno Garcia, Ricardo e Renato

Domingo (8h30): Loures, bicicleta de estrada: Volta do Infantado (Porto Alto).
Distância: aprox. 110 km
Para roladores!
Próximo domingo: Caneira-Óbidos-Caneira, bicicleta de estrada (organização Paulo Pais); Pelotão de elite! Mais destaques ao longo da semana.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Bons momentos na Carnota
Alguém acreditava que a volta de domingo, para a Carnota, serviria para «limpar o ácido» das jornadas exigentes do feriado de sexta-feira? Logo nas primeiras rampas do Sobral, o Freitas meteu passo acima do moderado, forçando os restantes a optarem entre (tentar) seguir ou abdicar para um andamento mais higiénico.
O Grande Abel, um dos heróis da Ericeira, foi no engodo da sua habitual abnegação e rapidamente pagou a factura. O Jony fez-lhe companhia e ajudou-o a recolocar-se quando o pelotão decidiu esperar. Mas o comedimento foi «sol de pouca dura». O Freitas voltou a carregar nos pedais e, nessa altura, fez-se a selecção definitiva. Seguiram-no o Salvador, o Fantasma e eu. As despesas foram da sua exclusividade até ao alto, e no ferro-velho de Arranho o grupo perdeu o primeiro elemento: o Fantasma, cujo esforço de dois dias antes pesou na sua condição física durante a volta.
Com o aproximar do cume do Alqueidão, o Freitas castigou mais ainda. Eu, como o Salvador, largámos pouco antes do «descanso» do cruzamento de A-dos-Arcos. Ele definitivamente e eu, por instantes, com a intenção de manter a distância para não sacrificar os músculos, tentando depois recuperar na rampa final. Consegui só o primeiro objectivo – porque o homem da frente não estava para dar tréguas! E deu a primeira prova do dia da sua excelente forma.
A descida do Sobral para Arruda foi rápida, como habitualmente, motivado pelo perfil do traçado. A suave inclinação e os vários relevos dão «ganas» de acelerar o comboio. Quem o fez primeiro, fá-lo quase sempre bem! E quem? O Grande Abel, pois claro! Depois foi rendido, acabando o Jony por meter velocidade de cruzeiro elevada até Arruda.
Daí para os Cadafais, não houve grande história. O grupo ainda chegou a partir-se na descida, com o Fantasma a liderar na dianteira, mas lá de trás os mais fortes não demoraram a fechar o espaço. Não me apetecia nada e fui o último a juntar-me!
Nos Cadafais, o Jony deixou-nos, seguindo para o Carregado. O Fantasma só resistiu à tentação de fazer precisamente o mesmo, porque não pôde defraudar a voz do «exemplo»: do Grande Abel. De qualquer modo, ambos (e também o Luís) subiram a ritmo bastante moderado.
No início da Carnota, procurei meter um passo confortável, mas o Freitas estava com ideias fixas. Rapidamente saltou para patamares de intensidade altos. Eu e o Salvador aceitámos o repto e fomos até aguentar. Não muito mais além! O ritmo não era fácil e, às tantas, o Salvador deu-me sinal, oferecendo-me a roda do Freitas, que preferi rejeitar, preferindo dar-lhe algum espaço naquela fase. Foi um erro, para quem teria a ideia de repetir a «estratégia» do Sobral: subir ao meu ritmo, deixando-o entregue a si próprio, e depois na fase mais inclinada da subida (últimos 3 km, após Santana), tentar fechar a distância. Impossível para mim! Até lá, rolou-se, em perseguição, a alta velocidade, mas sem que o líder cedesse um metro sequer. Na minha roda, muito bem o Salvador. Pena que não pudesse ajudar-me. Mas já fez muito, acredite-se!
Quando entrou a subida propriamente dita estávamos, à custa de muito esforço, a cerca de 10/15 segundos do Freitas. Distância recuperável se, à frente, houvesse uma quebra, mesmo que ligeira. Só que não houve! Pelo contrário, a distância aumentou paulatinamente e no alto foi quase o... dobro. Excelente forma a do Freitas! Arrisco mesmo dizer que está no ponto mais alto de toda a temporada – incluindo a altura da Etapa do Tour. E estamos em Outubro!
O Salvador largou a minha roda apenas no último 1 km da subida, e aguentou com grande mérito, demonstrando também estar numa das suas melhores fases da época.
A partir daqui, moderou-se muito mais a força de pedalada. Mesmo com nova passagem pelo Alqueidão, não houve mais movimentações hostis. E o sprint para o alto só aconteceu porque o Salvador «picou» o Freitas na subida, que não quis dar o flanco depois de dizer que ficaria com o Abel. O sprint correu-me bem e fiquei com a improvável sensação que poderia ter dado luta séria ao Freitas se tivesse conseguido meter a pedaleira grande durante a aceleração. Sprintei em 36x12!
Mas a confirmação veio pouco depois, à chegada a Bucelas, depois de uma descida fantástica, com toda a gente a passar pela frente. Só que, de forma pouco habitual nele, o Freitas ficou na frente à saída da Bemposta. Por um instante, tive o impulso de antecipar a aceleração, quando o ritmo baixou, mas ele estava muito atento e respondeu de imediato. Entretanto, aliviei (embora ainda nem sequer tivesse embalado) mas ele decidiu arrancar ainda antes da última curva. O Fantasma agarrou-lhe a roda e eu a dele. Nos últimos 200 metros, senti que estava em condições de discutir o sprint e ainda tive de adiar a aceleração porque houve algumas mudanças de trajectória. Com o sprint lançado a 55 km/h, fiquei lado a lado com o Freitas e adiantei-me no final ao conseguir aguentar um pouco mais o esforço, dando por mim numa posição muito pouco ortodoxa em cima da bicicleta – «quase» sentado no guiador!
Compreensivelmente, rejubilei com o feito! Perdoem-me os meus companheiros pela comemoração efusiva, mas a sensação foi óptima. Como deverá ser, quando conseguimos superar-nos... e aos colegas – para mais em «especialidades» em que não somos tão fortes.
Por tudo isso, incluindo os bons momentos de ciclismo no Sobral e Carnota, foi uma volta muito interessante...
O Grande Abel, um dos heróis da Ericeira, foi no engodo da sua habitual abnegação e rapidamente pagou a factura. O Jony fez-lhe companhia e ajudou-o a recolocar-se quando o pelotão decidiu esperar. Mas o comedimento foi «sol de pouca dura». O Freitas voltou a carregar nos pedais e, nessa altura, fez-se a selecção definitiva. Seguiram-no o Salvador, o Fantasma e eu. As despesas foram da sua exclusividade até ao alto, e no ferro-velho de Arranho o grupo perdeu o primeiro elemento: o Fantasma, cujo esforço de dois dias antes pesou na sua condição física durante a volta.
Com o aproximar do cume do Alqueidão, o Freitas castigou mais ainda. Eu, como o Salvador, largámos pouco antes do «descanso» do cruzamento de A-dos-Arcos. Ele definitivamente e eu, por instantes, com a intenção de manter a distância para não sacrificar os músculos, tentando depois recuperar na rampa final. Consegui só o primeiro objectivo – porque o homem da frente não estava para dar tréguas! E deu a primeira prova do dia da sua excelente forma.
A descida do Sobral para Arruda foi rápida, como habitualmente, motivado pelo perfil do traçado. A suave inclinação e os vários relevos dão «ganas» de acelerar o comboio. Quem o fez primeiro, fá-lo quase sempre bem! E quem? O Grande Abel, pois claro! Depois foi rendido, acabando o Jony por meter velocidade de cruzeiro elevada até Arruda.
Daí para os Cadafais, não houve grande história. O grupo ainda chegou a partir-se na descida, com o Fantasma a liderar na dianteira, mas lá de trás os mais fortes não demoraram a fechar o espaço. Não me apetecia nada e fui o último a juntar-me!
Nos Cadafais, o Jony deixou-nos, seguindo para o Carregado. O Fantasma só resistiu à tentação de fazer precisamente o mesmo, porque não pôde defraudar a voz do «exemplo»: do Grande Abel. De qualquer modo, ambos (e também o Luís) subiram a ritmo bastante moderado.
No início da Carnota, procurei meter um passo confortável, mas o Freitas estava com ideias fixas. Rapidamente saltou para patamares de intensidade altos. Eu e o Salvador aceitámos o repto e fomos até aguentar. Não muito mais além! O ritmo não era fácil e, às tantas, o Salvador deu-me sinal, oferecendo-me a roda do Freitas, que preferi rejeitar, preferindo dar-lhe algum espaço naquela fase. Foi um erro, para quem teria a ideia de repetir a «estratégia» do Sobral: subir ao meu ritmo, deixando-o entregue a si próprio, e depois na fase mais inclinada da subida (últimos 3 km, após Santana), tentar fechar a distância. Impossível para mim! Até lá, rolou-se, em perseguição, a alta velocidade, mas sem que o líder cedesse um metro sequer. Na minha roda, muito bem o Salvador. Pena que não pudesse ajudar-me. Mas já fez muito, acredite-se!
Quando entrou a subida propriamente dita estávamos, à custa de muito esforço, a cerca de 10/15 segundos do Freitas. Distância recuperável se, à frente, houvesse uma quebra, mesmo que ligeira. Só que não houve! Pelo contrário, a distância aumentou paulatinamente e no alto foi quase o... dobro. Excelente forma a do Freitas! Arrisco mesmo dizer que está no ponto mais alto de toda a temporada – incluindo a altura da Etapa do Tour. E estamos em Outubro!
O Salvador largou a minha roda apenas no último 1 km da subida, e aguentou com grande mérito, demonstrando também estar numa das suas melhores fases da época.
A partir daqui, moderou-se muito mais a força de pedalada. Mesmo com nova passagem pelo Alqueidão, não houve mais movimentações hostis. E o sprint para o alto só aconteceu porque o Salvador «picou» o Freitas na subida, que não quis dar o flanco depois de dizer que ficaria com o Abel. O sprint correu-me bem e fiquei com a improvável sensação que poderia ter dado luta séria ao Freitas se tivesse conseguido meter a pedaleira grande durante a aceleração. Sprintei em 36x12!
Mas a confirmação veio pouco depois, à chegada a Bucelas, depois de uma descida fantástica, com toda a gente a passar pela frente. Só que, de forma pouco habitual nele, o Freitas ficou na frente à saída da Bemposta. Por um instante, tive o impulso de antecipar a aceleração, quando o ritmo baixou, mas ele estava muito atento e respondeu de imediato. Entretanto, aliviei (embora ainda nem sequer tivesse embalado) mas ele decidiu arrancar ainda antes da última curva. O Fantasma agarrou-lhe a roda e eu a dele. Nos últimos 200 metros, senti que estava em condições de discutir o sprint e ainda tive de adiar a aceleração porque houve algumas mudanças de trajectória. Com o sprint lançado a 55 km/h, fiquei lado a lado com o Freitas e adiantei-me no final ao conseguir aguentar um pouco mais o esforço, dando por mim numa posição muito pouco ortodoxa em cima da bicicleta – «quase» sentado no guiador!
Compreensivelmente, rejubilei com o feito! Perdoem-me os meus companheiros pela comemoração efusiva, mas a sensação foi óptima. Como deverá ser, quando conseguimos superar-nos... e aos colegas – para mais em «especialidades» em que não somos tão fortes.
Por tudo isso, incluindo os bons momentos de ciclismo no Sobral e Carnota, foi uma volta muito interessante...
sexta-feira, outubro 05, 2007
Grande jornada para a Ericeira
Hoje de manhã, para a Ericeira, grande jornada!
Abel: o exemplo de fibra e coragem de sempre
Pina: sempre presente e solidário; a forma ainda não dá para mostrar «serviço»
Fantasma: amigo do «ferro», sempre disponível, mas hoje com grandes dificuldades para «aturar» o Evaristo e o Pintainho.
Samuel: atitude impecável: defender-se bem a maioria do percurso e acabar ainda com «alma» para dar.
Luís: devido a uma má disposição, não deu para demonstrar a evolução que vem vindo a registar, depois de longos meses de ausência. Há dias assim! Mas é para continuar!
Evaristo: o mais forte concorrente do Fantasma no gosto pela «vampiragem». Gosta de castigar quando a a força ainda abunda, mas ontem mostrou, no final, ainda tem mais um «bocadinho» que a sua «sombra». Foi capaz de meter o pelotão a 60 km/h a caminho da Ericeira. E foi o terceiro homem em Sta. Eulália.
Pintainho: agradável surpresa. Terceiro homem na montanha e muito trabalho à frente do grupo... a rolar contra o vento! Chapeau!
Hugo: confirmação de grande atleta, a sua fama de mauzão mete em sentido quem o conhece do BTT. Excelente subida para o Milharado - surpreendeu-me muito a maioria do elementos do pelotão que não cederam um metro, perante um andamento verdadeiramente selectivo. Muito bom ainda na Foz do Lizandro, a guardar-se bem na minha roda, rendendo-me nos últimos 500 metros. E a «ferro e fogo» em Negrais, sem vacilar um milímetro! Muita intensidade, e as caimbras a apareceram aos pares no topo de Guerreiros. Vai aparecendo, serás sempre bem-vindo!
Camarada conterrâneo do Carlos do Barro: juntou-se ao grupo na rotunda da Carapinheira e não demorou muito mostrar atrevimento, na sua bicicleta equipada com extensores. Foi ele a abrir as hostilidades após Mafra, mas rapidamente viu com quem se metia - ora quem! As ideias ainda duraram as primeiras rampas da Foz do Lizandro, e apesar do andamento na frente ter sido «impossível» para ele, mesmo assim foi o quarto homem a chegar ao cimo da subida - logo atrás do Pintainho. A partir daí, escondeu-se, e fez bem! Tem «ganas»! E agora está sempre convidado!
Eu: pernas doridas a limitar-me em 10 pulsações no limite. Na Foz do Lizandro, foi onde mais se fez sentir essa restrição. Foi uma boa subida, mas abaixo das possibilidades. De Pêro Pinheiro a Negrais fiz as despesas e o «forcing» final para Sta. Eulália, com 90 km, deu-me algumas indicações importantes.
Média final muito próxima dos 30 km/h!!
A todos, parabéns pelo esforço e companheirismo.
Domingo: Carnota
Percurso: Tojal, Bucelas, Sobral, Arruda, Cadafais, Carnota, Freiria, Sobral, Alqueidão, Bucelas, Loures.
Abel: o exemplo de fibra e coragem de sempre
Pina: sempre presente e solidário; a forma ainda não dá para mostrar «serviço»
Fantasma: amigo do «ferro», sempre disponível, mas hoje com grandes dificuldades para «aturar» o Evaristo e o Pintainho.
Samuel: atitude impecável: defender-se bem a maioria do percurso e acabar ainda com «alma» para dar.
Luís: devido a uma má disposição, não deu para demonstrar a evolução que vem vindo a registar, depois de longos meses de ausência. Há dias assim! Mas é para continuar!
Evaristo: o mais forte concorrente do Fantasma no gosto pela «vampiragem». Gosta de castigar quando a a força ainda abunda, mas ontem mostrou, no final, ainda tem mais um «bocadinho» que a sua «sombra». Foi capaz de meter o pelotão a 60 km/h a caminho da Ericeira. E foi o terceiro homem em Sta. Eulália.
Pintainho: agradável surpresa. Terceiro homem na montanha e muito trabalho à frente do grupo... a rolar contra o vento! Chapeau!
Hugo: confirmação de grande atleta, a sua fama de mauzão mete em sentido quem o conhece do BTT. Excelente subida para o Milharado - surpreendeu-me muito a maioria do elementos do pelotão que não cederam um metro, perante um andamento verdadeiramente selectivo. Muito bom ainda na Foz do Lizandro, a guardar-se bem na minha roda, rendendo-me nos últimos 500 metros. E a «ferro e fogo» em Negrais, sem vacilar um milímetro! Muita intensidade, e as caimbras a apareceram aos pares no topo de Guerreiros. Vai aparecendo, serás sempre bem-vindo!
Camarada conterrâneo do Carlos do Barro: juntou-se ao grupo na rotunda da Carapinheira e não demorou muito mostrar atrevimento, na sua bicicleta equipada com extensores. Foi ele a abrir as hostilidades após Mafra, mas rapidamente viu com quem se metia - ora quem! As ideias ainda duraram as primeiras rampas da Foz do Lizandro, e apesar do andamento na frente ter sido «impossível» para ele, mesmo assim foi o quarto homem a chegar ao cimo da subida - logo atrás do Pintainho. A partir daí, escondeu-se, e fez bem! Tem «ganas»! E agora está sempre convidado!
Eu: pernas doridas a limitar-me em 10 pulsações no limite. Na Foz do Lizandro, foi onde mais se fez sentir essa restrição. Foi uma boa subida, mas abaixo das possibilidades. De Pêro Pinheiro a Negrais fiz as despesas e o «forcing» final para Sta. Eulália, com 90 km, deu-me algumas indicações importantes.
Média final muito próxima dos 30 km/h!!
A todos, parabéns pelo esforço e companheirismo.
Domingo: Carnota
Percurso: Tojal, Bucelas, Sobral, Arruda, Cadafais, Carnota, Freiria, Sobral, Alqueidão, Bucelas, Loures.
domingo, setembro 30, 2007
Identifiquem-se!
Identifiquem-se os temerários que enfrentaram a forte intempérie da manhã de domingo! Segundo fonte, houve realmente quem saísse de Loures à hora marcada. Para onde terão ido? E por quanto tempo? E terão regressado? Certamente não secos!
Outros dedicaram-se a vertente do ciclismo mais condizente com o clima: o BTT. Diz que «trilharam» por Monsanto no meio do lamaçal, mas voltaram com a satisfação do dever cumprido.
Quem mais se acusa?! Eu, cá, permaneci no vale dos lençóis.
Pena o tempo, porque a volta prevista para a Ericeira parecia reunir todos os aliciantes. Inclusive, havia a presença de um elemento que deixou muito bom cartel na única vez (quase sem memória) que alinhou no nosso grupo. Curiosamente, numa volta também pela Ericieira. Pode ser que dê para a semana... ou quem sabe, já no feriado de sexta-feira!
Outros dedicaram-se a vertente do ciclismo mais condizente com o clima: o BTT. Diz que «trilharam» por Monsanto no meio do lamaçal, mas voltaram com a satisfação do dever cumprido.
Quem mais se acusa?! Eu, cá, permaneci no vale dos lençóis.
Pena o tempo, porque a volta prevista para a Ericeira parecia reunir todos os aliciantes. Inclusive, havia a presença de um elemento que deixou muito bom cartel na única vez (quase sem memória) que alinhou no nosso grupo. Curiosamente, numa volta também pela Ericieira. Pode ser que dê para a semana... ou quem sabe, já no feriado de sexta-feira!
segunda-feira, setembro 24, 2007
Ota à média de 34 km/h
A natural quebra de forma de fim de temporada ainda vem longe para muita gente no nosso pelotão. Alguns elementos rentabilizam o trabalho sem paragens acumulado neste final de Verão para apresentar níveis de forma bastante elevados para a época. Tal, porém, não constitui novidade. O calendário preenchido e aumento exponencial da competitividade estimulam a essa continuidade e o resultado é a média recorde realizada na volta deste domingo, da Ota, a rondar os 34 km/h. A fórmula é demais sabida: terreno plano e grupo homogéneo e de alto nível.
O pelotão foi quase sempre conduzido pelos homens mais fortes do momento e logo as tentativas de fuga ficaram condenadas ao malogro. Restou o ponto quente de Vale do Brejo. Até Alenquer, estas nem seriam previsíveis, mas o ritmo proibitivo imposto à cabeça do grupo, principalmente pelo Freitas, e a espaços pelo Renato, o Fantasma o Jony, o Salvador e o Nuno Garcia, aconselhava mais a manter o abrigo do que a aventuras. No entanto, só a primeira passagem do Renato pela frente, entre Alverca e Alhandra, cortou mais o fôlego.
Muito activo desde os primeiros quilómetros, o Freitas cedo deu a perceber que estava bem... e com ideias. A subida do Vale do Brejo foi dele e com muito mérito bateu toda a gente, inclusive o Jony ao sprint. A já clássica subida – a única dificuldade do revelo, ainda assim leve (2 km a 3%) - foi, contudo, mais táctica que o habitual. Depois da Ota, constantes abrandamentos permitiram que alguns elementos -, por exemplo, o Nuno Garcia - tentassem isolar-se, sem êxito, mas criando nervoso miudinho no pelotão. Fez bem, digo eu!
Foram essas «paragens» que possibilitaram que eu fosse até tão longe na discussão da subida – e ainda tivesse lançado o derradeiro ataque já nos últimos 300 metros – só superado pelo Freitas e o Jony. Muito satisfatório para quem está nitidamente em patamar de forma inferior aos das principais referências do grupo de ontem (não cometo injustiça se disser: Jony, Freitas, Renato e Nuno Garcia). Aliás, nem o treino da véspera (125 km e «específico») pareceu pesar no muito que faltou percorrer, dando para algumas «brincadeiras» que pensava, honestamente, não estar apto, entre elas, contribuir para os 41 km/h de média entre Carregado e Vila Franca, em parceria perfeita com os «homens do remo». Grande nível!
No tradicional sprint à chegada à cidade de «touros e toureiros», o Freitas completou a faena, à frente do Fantasma e do Salvador, num dia em que demonstrou, sem dúvida, estar em muito bom momento... e sem rival nos sprints. Há quanto tempo isso não acontecia!
À chegada a Alverca estive em nova aceleração e o sprint teve os mesmos protagonistas. E já depois da «minha» cidade, para meter o glicogénio na reserva, com o Renato ainda travei um imprevisto despique final na subida da Cervejeira, onde ele se impôs.
Mais que tudo, parabéns ao grupo. E realce muito positivo para o regresso do Luís em crescendo de forma, tal como o Samuel, no seu melhor momento da temporada.
O pelotão foi quase sempre conduzido pelos homens mais fortes do momento e logo as tentativas de fuga ficaram condenadas ao malogro. Restou o ponto quente de Vale do Brejo. Até Alenquer, estas nem seriam previsíveis, mas o ritmo proibitivo imposto à cabeça do grupo, principalmente pelo Freitas, e a espaços pelo Renato, o Fantasma o Jony, o Salvador e o Nuno Garcia, aconselhava mais a manter o abrigo do que a aventuras. No entanto, só a primeira passagem do Renato pela frente, entre Alverca e Alhandra, cortou mais o fôlego.
Muito activo desde os primeiros quilómetros, o Freitas cedo deu a perceber que estava bem... e com ideias. A subida do Vale do Brejo foi dele e com muito mérito bateu toda a gente, inclusive o Jony ao sprint. A já clássica subida – a única dificuldade do revelo, ainda assim leve (2 km a 3%) - foi, contudo, mais táctica que o habitual. Depois da Ota, constantes abrandamentos permitiram que alguns elementos -, por exemplo, o Nuno Garcia - tentassem isolar-se, sem êxito, mas criando nervoso miudinho no pelotão. Fez bem, digo eu!
Foram essas «paragens» que possibilitaram que eu fosse até tão longe na discussão da subida – e ainda tivesse lançado o derradeiro ataque já nos últimos 300 metros – só superado pelo Freitas e o Jony. Muito satisfatório para quem está nitidamente em patamar de forma inferior aos das principais referências do grupo de ontem (não cometo injustiça se disser: Jony, Freitas, Renato e Nuno Garcia). Aliás, nem o treino da véspera (125 km e «específico») pareceu pesar no muito que faltou percorrer, dando para algumas «brincadeiras» que pensava, honestamente, não estar apto, entre elas, contribuir para os 41 km/h de média entre Carregado e Vila Franca, em parceria perfeita com os «homens do remo». Grande nível!
No tradicional sprint à chegada à cidade de «touros e toureiros», o Freitas completou a faena, à frente do Fantasma e do Salvador, num dia em que demonstrou, sem dúvida, estar em muito bom momento... e sem rival nos sprints. Há quanto tempo isso não acontecia!
À chegada a Alverca estive em nova aceleração e o sprint teve os mesmos protagonistas. E já depois da «minha» cidade, para meter o glicogénio na reserva, com o Renato ainda travei um imprevisto despique final na subida da Cervejeira, onde ele se impôs.
Mais que tudo, parabéns ao grupo. E realce muito positivo para o regresso do Luís em crescendo de forma, tal como o Samuel, no seu melhor momento da temporada.
domingo, setembro 16, 2007
Regresso às lides
Após dez dias de interregno, volto a escrever. Durante a minha ausência, para gozo de merecidas férias - não apenas da actividade profissional mas também da desportiva -, constato, com realce, que o «mundo» não parou.
No passado fim-de-semana houve a tradicional etapa da Serra da Estrela, que, segundo os relatos, foi muito bem disputada apesar de algumas ausências de vulto - incluindo a minha...
Já este final de semana também foi de grande actividade ciclista: no sábado, um grupo de nomeada (Jony, Renato, Nuno Garcia e Fantasma) deixou bom cartel na Maratona de BTT de Penedo Gordo; e no domingo, o Freitas, o Miguel, Salvador e outros cumpriram a longa tirada Alverca-Reguengos de Monsaraz, na distância de mais de 160 km, em contra-relógio por equipas (de momento desconheço as incidências). No mesmo dia, apesar de desfalcado, o grupo juntou-se em Loures para uma tirada de limpeza de ácido. No meu caso, foi de regresso às lides.
Veremos o que reserva a segunda metade de Setembro, tradicionalmente a recta final da minha temporada. Porém, uma coisa é certa, apesar de a época ir longa, ainda há muito boa gente em plena forma.
No passado fim-de-semana houve a tradicional etapa da Serra da Estrela, que, segundo os relatos, foi muito bem disputada apesar de algumas ausências de vulto - incluindo a minha...
Já este final de semana também foi de grande actividade ciclista: no sábado, um grupo de nomeada (Jony, Renato, Nuno Garcia e Fantasma) deixou bom cartel na Maratona de BTT de Penedo Gordo; e no domingo, o Freitas, o Miguel, Salvador e outros cumpriram a longa tirada Alverca-Reguengos de Monsaraz, na distância de mais de 160 km, em contra-relógio por equipas (de momento desconheço as incidências). No mesmo dia, apesar de desfalcado, o grupo juntou-se em Loures para uma tirada de limpeza de ácido. No meu caso, foi de regresso às lides.
Veremos o que reserva a segunda metade de Setembro, tradicionalmente a recta final da minha temporada. Porém, uma coisa é certa, apesar de a época ir longa, ainda há muito boa gente em plena forma.
quarta-feira, setembro 05, 2007
Lagoa Azul: a crónica
A volta do pretérito domingo pode considerar-se já uma clássica do nosso calendário: Sintra, por Lagoa Azul.
Esta edição terá sido a mais competitiva alguma vez realizada, espelho fiel do elevado nível a que chegou o grupo que quase todos os fins-de-semana se reúne em Loures. Já muito se falou do contributo de novos elementos para a ascensão meteórica de uma minoria que actualmente se verifica. Mas não só. Também os veteranos não têm deixado os seus pergaminhos por mãos alheias e reconhecem unanimemente ser fundamental não descurar a preparação física face à vaga de delfins de grande categoria.
Eu posso assumir-me como indicador privilegiado desse «status quo». Para tal, recorro-me do desempenho e indicadores individuais de esforço observados na exigente tirada de domingo para maior exactidão das conclusões que a seguir apresento. Eis alguns pontos que merecem apreciação:
Primeiro: embora eu estando em notória baixa de forma (lá está, por descurar a preparação nas últimas semanas!), tal não impediu que tivesse superado o meu recorde pessoal da subida da Lagoa Azul (24 segundos), do Cabo da Roca (Malveira-Azóia) e da Várzea para Sintra (significativos 47 segundos). As pulsações médias são elucidativas (acima de 180) e as sensações (de sofrimento, na maioria das ocasiões) também. Um fenómeno de superação devido à competitividade, podem dizê-lo. Mas mais relevante para análise é o facto de, à excepção do Cabo da Roca, o esforço não ter sido suficiente para chegar com o primeiro aos ditos pontos quentes! Elucidativo, não?!
Também é verdade que a presença do Rui Scott altera a hierarquia tradicional do pelotão, principalmente em montanha, mas não basta só contar com ele nestes momentos altamente selectivos - outro novato está a fazer abalar o establishment do grupo: o Renato. Impressionante performance na Lagoa Azul, no Cabo da Roca, na Várzea e na fuga encetada, comigo, entre Pêro Pinheiro e Sta. Eulália. Como bem referiu o Nuno Garcia em comentário à volta do Sobral da Abelheira, o peso e a envergadura avantajados não são handicap às suas prestações em subida – até ver, nas mais curtas, mesmo que bastante duras, como são exemplos a Abelheira e a Lagoa Azul. Basta dizer que foi o único que resistiu ao andamento do Rui na Lagoa Azul, perdendo apenas algum (pouco significativo) terreno nos últimos 500 metros.
Nessa subida, fui observador privilegiado do seu desempenho e reconheço ter ficado muitíssimo surpreendido. Surpreendido, de facto, pois não esperava que ele aguentasse o forte ritmo que o Scott impôs desde o início e que não permitiu quaisquer veleidades aos demais. Eu, aliás, limitei-me a atenuar as distâncias (entre 15 a 20 segundos ao longo de toda a subida), sempre em regimes altamente desaconselháveis (cheguei a temer pelo bom desenrolar da volta quando verifiquei que mesmo acima das 185 perdia terreno para o Renato). Pouco mais atrás (sensivelmente a distância igual) o Jony e o Freitas, este a fazer uma ascensão em recuperação depois de uma entrada cautelosa. O Nuno também entrou naqueles 2 km a 7,5% com o grupo da frente, tal como Pintainho, mas rapidamente verificaram que não era andamento que pudessem seguir.
Na descida, devido às curtas distâncias entre os primeiros, juntou-se um quinteto (Scott, Renato, eu, o Jony e o Freitas) na Malveira da Serra, mas apenas durante breves instantes foi possível recuperar o fôlego. De imediato, o Renato tomou as rédeas e impôs andamento forte, a recomendar abrigo aos demais. A subida para o Cabo da Roca, mais suave, favorecia os mais possantes e aí o Freitas demonstrou sempre muito à-vontade em todas as mudanças de velocidade, inclusive quando o Scott imprimiu andamento verdadeiramente selectivo nos últimos quilómetros, fazendo descolar o Jony e o próprio Renato – embora este tenha conseguido reentrar na descida. No sprint final para o cruzamento do Cabo da Roca, ainda tentei a minha sorte, mas fiquei-me pela consolação de ter resistido no trio da frente – pois o Renato voltou a perder alguns metros na aceleração.
Previsivelmente, os restantes demoraram mais tempo que o habitual a chegar ao cruzamento do Cabo da Roca, a partir do qual deixou-se de contar com o Freitas.
Depois da descida do Pé da Serra e de Colares, eis o Nuno Garcia a surpreender o pelotão, adiantando-se com a determinação de quem pretendia chegar isolado a Sintra. O fosso cavou-se rapidamente e finalmente foi o Renato a tomar a iniciativa de comandar a perseguição, inclusive durante grande parte da subida da Várzea, onde apenas resistiam na frente, ele eu e o Scott. Aqui, mais uma demonstração de grande classe do Renato. Andamento fortíssimo, pedalada redonda sem quebras, muito difícil de acompanhar, a não ser na roda. O Nuno lutou até onde lhe foi possível e esteve em muito bom plano. Estou em crer que, não fosse o excelente trabalho do Renato, sem «pedir» auxílio, o fugitivo teria conseguido os seus intentos. Provavelmente, teria guardado forças na Lagoa Azul e aplicou-as com o rigor da sua experiência naquele troço. A anulação da fuga não foi fácil, mas a cerca de 1 km de Sintra, apercebendo-se que não conseguiria fazer vingar a sua iniciativa, o Nuno abdicou... e viu o comboio passar sem esboçar qualquer reacção. Nessa altura, o Scott desferiu o golpe final, ao seu estilo, arrancando decisivamente para chegar isolado à rotunda do empedrado de Sintra. O Renato, apesar de bastante desgastado, ainda procurou fechar o espaço, mas sem êxito. Ainda assim, fez com que eu perdesse a sua roda e alguns metros até chegar ao alto. Mesmo assim, entre os três a diferença não ultrapassou os 20 segundos. Os restantes voltaram a demorar mais que o habitual a chegar.
O prato final da tirada ainda não estava servido. Afinal, eu não poderia ficar conformado com papel secundário em toda a volta, onde me limitei a atenuar «prejuízos»! Assim, depois do Jony ter acelerado muito bem o pelotão na subida à entrada de Pêro Pinheiro, resolvi atacar na rampa estreita no interior da localidade, que liga à estrada de Negrais. Depois, ainda antes de ter conferido a reacção do pelotão (assim não sucedeu), reparei que tinha companhia. Tinha, o Renato, quem mais?
A partir daí, foi uma corrida de gato e de rato com o objectivo de chegarmos isolados a Sta. Eulália. E só não o conseguimos porque o Scott, neste momento, está uns bons furos acima da «concorrência». Ninguém conseguiu resistir ao seu esforço de recuperação - inclusive o Jony e o Nuno Garcia - e alcançou-nos já na recta do Caneira dos Leitões, passando directo para Sta. Eulália. Impressionou a sua capacidade, mesmo num terreno em que não é tão forte. Quanto a mim e ao Renato: morremos na praia!
Após isto, e numa altura em que irei ausentar-me durante algumas semanas (treinos, incluídos) fica adiada, sem prazo previsto, a ocasião em que voltarei a estar em condições óptimas para aferir mais precisamente do «actual estado de coisas».
Entretanto, fico a aguardar com muita expectativa a etapa da Serra da Estrela, no próximo domingo. Conto com a crónica completa!
Esta edição terá sido a mais competitiva alguma vez realizada, espelho fiel do elevado nível a que chegou o grupo que quase todos os fins-de-semana se reúne em Loures. Já muito se falou do contributo de novos elementos para a ascensão meteórica de uma minoria que actualmente se verifica. Mas não só. Também os veteranos não têm deixado os seus pergaminhos por mãos alheias e reconhecem unanimemente ser fundamental não descurar a preparação física face à vaga de delfins de grande categoria.
Eu posso assumir-me como indicador privilegiado desse «status quo». Para tal, recorro-me do desempenho e indicadores individuais de esforço observados na exigente tirada de domingo para maior exactidão das conclusões que a seguir apresento. Eis alguns pontos que merecem apreciação:
Primeiro: embora eu estando em notória baixa de forma (lá está, por descurar a preparação nas últimas semanas!), tal não impediu que tivesse superado o meu recorde pessoal da subida da Lagoa Azul (24 segundos), do Cabo da Roca (Malveira-Azóia) e da Várzea para Sintra (significativos 47 segundos). As pulsações médias são elucidativas (acima de 180) e as sensações (de sofrimento, na maioria das ocasiões) também. Um fenómeno de superação devido à competitividade, podem dizê-lo. Mas mais relevante para análise é o facto de, à excepção do Cabo da Roca, o esforço não ter sido suficiente para chegar com o primeiro aos ditos pontos quentes! Elucidativo, não?!
Também é verdade que a presença do Rui Scott altera a hierarquia tradicional do pelotão, principalmente em montanha, mas não basta só contar com ele nestes momentos altamente selectivos - outro novato está a fazer abalar o establishment do grupo: o Renato. Impressionante performance na Lagoa Azul, no Cabo da Roca, na Várzea e na fuga encetada, comigo, entre Pêro Pinheiro e Sta. Eulália. Como bem referiu o Nuno Garcia em comentário à volta do Sobral da Abelheira, o peso e a envergadura avantajados não são handicap às suas prestações em subida – até ver, nas mais curtas, mesmo que bastante duras, como são exemplos a Abelheira e a Lagoa Azul. Basta dizer que foi o único que resistiu ao andamento do Rui na Lagoa Azul, perdendo apenas algum (pouco significativo) terreno nos últimos 500 metros.
Nessa subida, fui observador privilegiado do seu desempenho e reconheço ter ficado muitíssimo surpreendido. Surpreendido, de facto, pois não esperava que ele aguentasse o forte ritmo que o Scott impôs desde o início e que não permitiu quaisquer veleidades aos demais. Eu, aliás, limitei-me a atenuar as distâncias (entre 15 a 20 segundos ao longo de toda a subida), sempre em regimes altamente desaconselháveis (cheguei a temer pelo bom desenrolar da volta quando verifiquei que mesmo acima das 185 perdia terreno para o Renato). Pouco mais atrás (sensivelmente a distância igual) o Jony e o Freitas, este a fazer uma ascensão em recuperação depois de uma entrada cautelosa. O Nuno também entrou naqueles 2 km a 7,5% com o grupo da frente, tal como Pintainho, mas rapidamente verificaram que não era andamento que pudessem seguir.
Na descida, devido às curtas distâncias entre os primeiros, juntou-se um quinteto (Scott, Renato, eu, o Jony e o Freitas) na Malveira da Serra, mas apenas durante breves instantes foi possível recuperar o fôlego. De imediato, o Renato tomou as rédeas e impôs andamento forte, a recomendar abrigo aos demais. A subida para o Cabo da Roca, mais suave, favorecia os mais possantes e aí o Freitas demonstrou sempre muito à-vontade em todas as mudanças de velocidade, inclusive quando o Scott imprimiu andamento verdadeiramente selectivo nos últimos quilómetros, fazendo descolar o Jony e o próprio Renato – embora este tenha conseguido reentrar na descida. No sprint final para o cruzamento do Cabo da Roca, ainda tentei a minha sorte, mas fiquei-me pela consolação de ter resistido no trio da frente – pois o Renato voltou a perder alguns metros na aceleração.
Previsivelmente, os restantes demoraram mais tempo que o habitual a chegar ao cruzamento do Cabo da Roca, a partir do qual deixou-se de contar com o Freitas.
Depois da descida do Pé da Serra e de Colares, eis o Nuno Garcia a surpreender o pelotão, adiantando-se com a determinação de quem pretendia chegar isolado a Sintra. O fosso cavou-se rapidamente e finalmente foi o Renato a tomar a iniciativa de comandar a perseguição, inclusive durante grande parte da subida da Várzea, onde apenas resistiam na frente, ele eu e o Scott. Aqui, mais uma demonstração de grande classe do Renato. Andamento fortíssimo, pedalada redonda sem quebras, muito difícil de acompanhar, a não ser na roda. O Nuno lutou até onde lhe foi possível e esteve em muito bom plano. Estou em crer que, não fosse o excelente trabalho do Renato, sem «pedir» auxílio, o fugitivo teria conseguido os seus intentos. Provavelmente, teria guardado forças na Lagoa Azul e aplicou-as com o rigor da sua experiência naquele troço. A anulação da fuga não foi fácil, mas a cerca de 1 km de Sintra, apercebendo-se que não conseguiria fazer vingar a sua iniciativa, o Nuno abdicou... e viu o comboio passar sem esboçar qualquer reacção. Nessa altura, o Scott desferiu o golpe final, ao seu estilo, arrancando decisivamente para chegar isolado à rotunda do empedrado de Sintra. O Renato, apesar de bastante desgastado, ainda procurou fechar o espaço, mas sem êxito. Ainda assim, fez com que eu perdesse a sua roda e alguns metros até chegar ao alto. Mesmo assim, entre os três a diferença não ultrapassou os 20 segundos. Os restantes voltaram a demorar mais que o habitual a chegar.
O prato final da tirada ainda não estava servido. Afinal, eu não poderia ficar conformado com papel secundário em toda a volta, onde me limitei a atenuar «prejuízos»! Assim, depois do Jony ter acelerado muito bem o pelotão na subida à entrada de Pêro Pinheiro, resolvi atacar na rampa estreita no interior da localidade, que liga à estrada de Negrais. Depois, ainda antes de ter conferido a reacção do pelotão (assim não sucedeu), reparei que tinha companhia. Tinha, o Renato, quem mais?
A partir daí, foi uma corrida de gato e de rato com o objectivo de chegarmos isolados a Sta. Eulália. E só não o conseguimos porque o Scott, neste momento, está uns bons furos acima da «concorrência». Ninguém conseguiu resistir ao seu esforço de recuperação - inclusive o Jony e o Nuno Garcia - e alcançou-nos já na recta do Caneira dos Leitões, passando directo para Sta. Eulália. Impressionou a sua capacidade, mesmo num terreno em que não é tão forte. Quanto a mim e ao Renato: morremos na praia!
Após isto, e numa altura em que irei ausentar-me durante algumas semanas (treinos, incluídos) fica adiada, sem prazo previsto, a ocasião em que voltarei a estar em condições óptimas para aferir mais precisamente do «actual estado de coisas».
Entretanto, fico a aguardar com muita expectativa a etapa da Serra da Estrela, no próximo domingo. Conto com a crónica completa!
segunda-feira, agosto 27, 2007
Aguardando a crónica...
Eu e muitos utilizadores deste blog que não participaram na volta do último domingo estão na expectativa de saber as principais incidências da tirada... Não se vai deixar passar esta semana sem crónica!
A etapa da Serra da Estrela fica marcada, em definitivo, para dia 9 de Setembro (domingo)
No próximo domingo está prevista volta de Sintra (Lagoa Azul)
A etapa da Serra da Estrela fica marcada, em definitivo, para dia 9 de Setembro (domingo)
No próximo domingo está prevista volta de Sintra (Lagoa Azul)
segunda-feira, agosto 20, 2007
S. Romão superou a dureza que se esperava!
No domingo, a volta apresentava o aliciante de concluir a clássica da Ota com a subida inédita a S. Romão, que acabou se revelar bastante mais dura do que é efectivamente!... Arrisco a dizê-lo «bastante mais dura» porque, no meu caso, foi mesmo a sério! Por três motivos principais:
1º O notório decréscimo de forma devido à inconstância de treinos nas últimas semanas, motivada por saturação de uma época longa que não deixa grandes saudades.
2º O andamento extremamente selectivo imposto desde o início da subida, em Alhandra, pelo Carlos Coelho, corredor federado (veteranos), que deixou excelente impressão durante todo o percurso, e não apenas na montanha, onde fez estragos a sério, como se descreverá mais adiante.
3º O vento forte, que foi obstáculo suplementar, e se fez sentir com grande intensidade ao longo da subida, acentuando os desgastes – principalmente dos que passavam por mais dificuldades, como eu.
De resto, para mim, a volta de domingo começou aziaga, com a quebra de um raio em Vialonga, forçando-me a parar, em casa (felizmente estava perto), para trocar a roda. Incidente que só não impediu a minha continuidade (pois a vontade nem era muita!) porque desde há algumas semanas temos o privilégio de contar com carro de apoio: conduzido pelo sr. Zé João – pai do José Henriques, também elemento recente do nosso grupo. Neste caso, teve a gentileza de aguardar enquanto trocava a roda e de voltar a colocar-me no pelotão, já este entrava na Ota. Desde já, o meu agradecimento!
Devido à avaria, fiquei a dever quilómetros preciosos aos bravos que enfrentaram o vento e a força dos roladores entre Alverca e a Ota. Lá estava o Freitas no seu terreno predilecto, o Paulo Pais em forma, o Rui (Scott) e principalmente o referido Carlos Coelho, que, logo a seguir, teve uma demonstração de bom nível na subida do Vale do Brejo, onde imprimiu um andamento muitíssimo rijo que seleccionou o grupo aos mais fortes – e nele se deve incluir o Fantasma, que só descolou na aceleração final.
Como tem sido habitual, o ritmo em terreno plano raramente é moderado. Friso, moderado! Porque nem pensar que possa ser leve... Facto que, a juntar ao vento muito forte, reforça o mérito de quem dá o peito à frente do pelotão mas também não permite grande poupança aos restantes. Além disso, por algumas ocasiões o andamento passou de forte a fortíssimo, como, o que «meteu» o Paulo Pais na aproximação de Vila Nova da Rainha, fraccionando imediatamente o pelotão: só o Freitas e o Fantasma, que estavam imediatamente atrás de si, não ficaram surpreendidos com a aceleração. Aliás, os que ficaram mais perto, no grupo perseguidor intermédio, foram apenas eu, o Carlos Coelho e o Rui Scott – o que diz bem da dureza da pedalada.
Talvez pelo andamento demasiado selectivo durante toda a tirada tenha havido uma fraca mobilização para a subida para S. Romão, que, afinal, era o grande atractivo da jornada. Todavia, os que decidiram enfrentá-la cumpriram esse enorme desafio, dadas as dificuldades, que, volto a reforçar, devido ao vento, para alguns, e pelo vento e o andamento, para outros, foram bastante superiores às que a própria subida impõe, em condições normais.
A subida foi verdadeiramente competitiva. O quarteto que se formou à cabeça, depois de alcançar o Freitas (que se tinha adiantado com um pequeno grupo após o empedrado de Vila Franca), não durou muito a desfazer-se. O ritmo forte, com variações bruscas, do Carlos Coelho (excelente trepador!) não demorou a fazer vítimas. O primeiro foi o Freitas, a tirar «bilhete» logo aos abanões iniciais mal a subida empinou; e o segundo fui eu, nas últimas centenas de metros da primeira parte da subida, também vergado a mais uma aceleração do Coelho, desta vez, saindo de trás, procurando surpreender. Mas só a mim, que definitivamente estava em dia «não»!
À frente, ficou o trio Coelho, Paulo Pais e Rui Scott, que «discutiu» palmo a palmo a parte final da ascensão, marcada por algumas rampas bastante inclinadas, e onde este último voltou a demonstrar os créditos que tem firmado nos últimos tempos, deixando a respeitosa concorrência para trás na derradeira rampa. Depois de mais esta exibição de classe, parece extremamente complicado vislumbrar actualmente quem consiga destroná-lo na montanha, e como...
Ontem perdi, para ele, mais de 2 minutos nos últimos 3,4 km (a segunda metade da subida), diferença bastante significativa. De resto, esta temporada já não devo encontrar motivação nem força anímica para voltar a atingir nível de forma que me permita «atacar» a sua hegemonia – e que ainda há bem pouco tempo assumi, perante próprio, ser um objectivo pessoal. Reconhecimento esse, que creio ser lisonjeiro para ambos!
Notas de observador:
Elucidativa, a expressão do Freitas à chegada ao Lameiro das Antas (a concentração final): «Posso rolar, passar topos, mas definitivamente não fui feito para subir...». Ele que, apesar de a época também já ir longa, ainda evidencia indiscutível boa forma, voltando a tomar as rédeas do pelotão, imprimindo andamento forte quando o terreno é-lhe mais favorável, situação que só na última quarta-feira, em Sto. Estevão, tinha voltado a acontecer desde meados de Julho.
Aplausos para as subidas do Salvador e do Fantasma, que resistiram à atracção de continuar em frente em Alhandra. E olha que era bem forte! Eis a atitude que se pretende. Mais: o Fantasma esteve «em grande» durante toda a volta, no seu terreno, e enfrentou a adversidade (entenda-se montanha) com inexcedível aplicação. Por seu turno, o Salvador, mais discreto na volta, empenhou-se na subida e teve boa recompensa. Poderosos!
Para o exemplo de galhardia do José Henriques na subida final. O novo recruta do grupo – daqueles que se quer muitos –, conclui a subida em grande esforço, encorajado pelo seu pai, a partir do carro de apoio. Cruzei-me com ele quando descia de regresso a Alverca e não resisti em dar-lhe uma «mãozinha» naqueles metros finais tão penosos. Perante a prestação que acabara de assistir do seu filho mais velho, no interior da viatura, Zé João (75 anos, muitos deles ligados ao ciclismo profissional), qual pai orgulhoso, premiou, alto e bom som, a proeza do seu filho: «Foi espectacular!»
Os mesmos elogios para mais uma demonstração de tenacidade do «Grande» Abel, desta vez acompanhado do Zé Filipe, que não «fugiram» ao tirocínio de S. Romão. Também quando já descia, a caminho de Alverca, cruzo com eles a cerca de 500 metros do alto da subida, onde o Abel, mesmo lidando com as fortes inclinações e o vento contrário, afirmou com surpreendente tranquilidade, no seu sotaque alentejano, dirigiu-me uma expressão que define bem a sua maneira exemplar de estar no grupo. «Vê lá tu, andámos para aí perdidos, mas passámos por umas rampas tã... lindas!». Por isso e muito mais, ele é «Grande».
1º O notório decréscimo de forma devido à inconstância de treinos nas últimas semanas, motivada por saturação de uma época longa que não deixa grandes saudades.
2º O andamento extremamente selectivo imposto desde o início da subida, em Alhandra, pelo Carlos Coelho, corredor federado (veteranos), que deixou excelente impressão durante todo o percurso, e não apenas na montanha, onde fez estragos a sério, como se descreverá mais adiante.
3º O vento forte, que foi obstáculo suplementar, e se fez sentir com grande intensidade ao longo da subida, acentuando os desgastes – principalmente dos que passavam por mais dificuldades, como eu.
De resto, para mim, a volta de domingo começou aziaga, com a quebra de um raio em Vialonga, forçando-me a parar, em casa (felizmente estava perto), para trocar a roda. Incidente que só não impediu a minha continuidade (pois a vontade nem era muita!) porque desde há algumas semanas temos o privilégio de contar com carro de apoio: conduzido pelo sr. Zé João – pai do José Henriques, também elemento recente do nosso grupo. Neste caso, teve a gentileza de aguardar enquanto trocava a roda e de voltar a colocar-me no pelotão, já este entrava na Ota. Desde já, o meu agradecimento!
Devido à avaria, fiquei a dever quilómetros preciosos aos bravos que enfrentaram o vento e a força dos roladores entre Alverca e a Ota. Lá estava o Freitas no seu terreno predilecto, o Paulo Pais em forma, o Rui (Scott) e principalmente o referido Carlos Coelho, que, logo a seguir, teve uma demonstração de bom nível na subida do Vale do Brejo, onde imprimiu um andamento muitíssimo rijo que seleccionou o grupo aos mais fortes – e nele se deve incluir o Fantasma, que só descolou na aceleração final.
Como tem sido habitual, o ritmo em terreno plano raramente é moderado. Friso, moderado! Porque nem pensar que possa ser leve... Facto que, a juntar ao vento muito forte, reforça o mérito de quem dá o peito à frente do pelotão mas também não permite grande poupança aos restantes. Além disso, por algumas ocasiões o andamento passou de forte a fortíssimo, como, o que «meteu» o Paulo Pais na aproximação de Vila Nova da Rainha, fraccionando imediatamente o pelotão: só o Freitas e o Fantasma, que estavam imediatamente atrás de si, não ficaram surpreendidos com a aceleração. Aliás, os que ficaram mais perto, no grupo perseguidor intermédio, foram apenas eu, o Carlos Coelho e o Rui Scott – o que diz bem da dureza da pedalada.
Talvez pelo andamento demasiado selectivo durante toda a tirada tenha havido uma fraca mobilização para a subida para S. Romão, que, afinal, era o grande atractivo da jornada. Todavia, os que decidiram enfrentá-la cumpriram esse enorme desafio, dadas as dificuldades, que, volto a reforçar, devido ao vento, para alguns, e pelo vento e o andamento, para outros, foram bastante superiores às que a própria subida impõe, em condições normais.
A subida foi verdadeiramente competitiva. O quarteto que se formou à cabeça, depois de alcançar o Freitas (que se tinha adiantado com um pequeno grupo após o empedrado de Vila Franca), não durou muito a desfazer-se. O ritmo forte, com variações bruscas, do Carlos Coelho (excelente trepador!) não demorou a fazer vítimas. O primeiro foi o Freitas, a tirar «bilhete» logo aos abanões iniciais mal a subida empinou; e o segundo fui eu, nas últimas centenas de metros da primeira parte da subida, também vergado a mais uma aceleração do Coelho, desta vez, saindo de trás, procurando surpreender. Mas só a mim, que definitivamente estava em dia «não»!
À frente, ficou o trio Coelho, Paulo Pais e Rui Scott, que «discutiu» palmo a palmo a parte final da ascensão, marcada por algumas rampas bastante inclinadas, e onde este último voltou a demonstrar os créditos que tem firmado nos últimos tempos, deixando a respeitosa concorrência para trás na derradeira rampa. Depois de mais esta exibição de classe, parece extremamente complicado vislumbrar actualmente quem consiga destroná-lo na montanha, e como...
Ontem perdi, para ele, mais de 2 minutos nos últimos 3,4 km (a segunda metade da subida), diferença bastante significativa. De resto, esta temporada já não devo encontrar motivação nem força anímica para voltar a atingir nível de forma que me permita «atacar» a sua hegemonia – e que ainda há bem pouco tempo assumi, perante próprio, ser um objectivo pessoal. Reconhecimento esse, que creio ser lisonjeiro para ambos!
Notas de observador:
Elucidativa, a expressão do Freitas à chegada ao Lameiro das Antas (a concentração final): «Posso rolar, passar topos, mas definitivamente não fui feito para subir...». Ele que, apesar de a época também já ir longa, ainda evidencia indiscutível boa forma, voltando a tomar as rédeas do pelotão, imprimindo andamento forte quando o terreno é-lhe mais favorável, situação que só na última quarta-feira, em Sto. Estevão, tinha voltado a acontecer desde meados de Julho.
Aplausos para as subidas do Salvador e do Fantasma, que resistiram à atracção de continuar em frente em Alhandra. E olha que era bem forte! Eis a atitude que se pretende. Mais: o Fantasma esteve «em grande» durante toda a volta, no seu terreno, e enfrentou a adversidade (entenda-se montanha) com inexcedível aplicação. Por seu turno, o Salvador, mais discreto na volta, empenhou-se na subida e teve boa recompensa. Poderosos!
Para o exemplo de galhardia do José Henriques na subida final. O novo recruta do grupo – daqueles que se quer muitos –, conclui a subida em grande esforço, encorajado pelo seu pai, a partir do carro de apoio. Cruzei-me com ele quando descia de regresso a Alverca e não resisti em dar-lhe uma «mãozinha» naqueles metros finais tão penosos. Perante a prestação que acabara de assistir do seu filho mais velho, no interior da viatura, Zé João (75 anos, muitos deles ligados ao ciclismo profissional), qual pai orgulhoso, premiou, alto e bom som, a proeza do seu filho: «Foi espectacular!»
Os mesmos elogios para mais uma demonstração de tenacidade do «Grande» Abel, desta vez acompanhado do Zé Filipe, que não «fugiram» ao tirocínio de S. Romão. Também quando já descia, a caminho de Alverca, cruzo com eles a cerca de 500 metros do alto da subida, onde o Abel, mesmo lidando com as fortes inclinações e o vento contrário, afirmou com surpreendente tranquilidade, no seu sotaque alentejano, dirigiu-me uma expressão que define bem a sua maneira exemplar de estar no grupo. «Vê lá tu, andámos para aí perdidos, mas passámos por umas rampas tã... lindas!». Por isso e muito mais, ele é «Grande».
quinta-feira, agosto 16, 2007
Sto. Estevão e inédita subida a S. Romão
Sto. Estevão já se tornou a rainha das etapas planas. No nosso calendário anual, não há outra igual. É uma estafa de tão plana, regalo para roladores e tem a vantagem de atenuar diferenças no pelotão.
Na última quarta-feira, feriado nacional, realizou-se mais uma destas longas tiradas pela lezíria ribatejana, em que à falta de dificuldades de relevo houve o vento para a tornar tão exigente como que as demais. Mas o vento não foi o único obstáculo. O andamento fortíssimo ainda mais!
E quando os roladores do pelotão estão em forma: a média horária aumenta vertiginosamente e com ela as dificuldades. Desta vez, até faltou um dos elementos em melhor forma do grupo e fortíssimo rolador, o Jony, mas convenhamos que o Freitas, sozinho, chegou e sobrou para as encomendas. Pode não ter sido o único a demonstrar qualidades de rolador, mas poucos mais conseguiram fazê-lo com a mesma «eloquência».
O Rui Scott foi um deles, a espaços muito mais reduzidos. Acima de tudo, é um trepador que demonstrou ser ciclista completo, ao acelerar paulatinamente o pelotão até aos 45 km/h (sob acção contrária do vento) em plena recta do Cabo, só parando quando os «elásticos» começaram a esticar demasiado para muito boa gente, que se a correria durasse mais algumas centenas de metros certamente partiriam...
A partir daí, impôs-se uma barreira «psicológica»: os 50 km/h. Restava saber quem teria capacidade para batê-la. Naquele dia, quem melhor que o Freitas? Fez um trabalho de se tirar o chapéu, de Samora Correia a Benavente, onde, à chegada, «tocou» os 50 km/h. Mais uma vez, houve elásticos a esticar, mas o vento favorável atenuou o desgaste.
De resto, apesar de a velocidade não ter atingido mais essa marca, a verdade é que o ritmo de cruzeiro elevado, com primazia para a acção do Freitas, não permitiu que alguém ousasse escapar do pelotão. Aliás, penso que foi (ou é!) a única pecha destas voltas sempre a rolar – que até aprecio, apesar de não me serem favoráveis: uma boa perseguição dá sempre outro «gosto». Mas com velocidades de cruzeiro de 35 km/h (a média final foi superior a 32 km/h) e ímpeto para rapidamente ultrapassar os 40 km/h, não pode haver espaço à aventura.
A única perseguição fi-la eu (por iniciativa em solitário) ao quarteto (Fantasma, Salvador, Pina e João do brinco) quando este se isolou na recta do Cabo, no regresso, na sequência de um compasso de espera, após o Freitas ter parado para reabastecer em Porto Alto. Foram 10 minutos de alta intensidade, a solo, e com boas sensações tendo em conta os 100 km a rolar já percorridos (o que para mim é positivo!), mas não chegou para «encostar» nos ditos fugitivos até Vila Franca. Depois foi rolar até final, onde nos aguardava uma chuvada de Agosto.
Infelizmente, há a lamentar as quedas do Carlos do Barro (em Sto. Estevão) e do Salvador (em Vila Franca), a primeira com consequências bem mais graves – fractura da omoplata e de um dedo, e que só não foi ainda mais grave, graças ao (indispensável) capacete. Para ambos, o nosso encorajamento e os votos de rápida recuperação das mazelas.
Próximo domingo: inédita subida ao Santuário de S. Romão
Na senda do êxito das recentes tiradas Marginal-Sintra e Nossa Sra. da Ajuda, anuncia-se que, no próximo domingo (dia 19), está prevista a realização de outra super-volta, que, tal como aquela, promete ser extremamente interessante.
Pensou-se num percurso que correspondesse às características fundamentais da apreciada volta do passado fim-de-semana, um misto de planície com montanha, privilegiando muito mais a primeira, mas concentrando as principais dificuldades do relevo no final, e mantendo a distância (selectiva) superior a 100 km, aconselhando, a sensatez, que a abordagem à maior parte do trajecto seja «suficientemente» moderada.
Anuncia-se, então, o Loures-Santuário de S. Romão, na distância de 110 km (aprox.), cuja atracção é a chegada ao alto de S. Romão (santuário), inédita em voltas do nosso grupo. Trata-se de uma subida de 9 km no total, com cerca de 4% de inclinação média, dividida em duas partes, praticamente com os mesmos kms: a primeira inicia-se em Alhandra, para S. João dos Montes até ao alto de A-do-Barriga (4 km a 4,5%), no cruzamento da Estrada Nacional 248-3 com EN 10-6, de Alverca para A-dos-Melros e Adanaia; seguindo-se um falso plano de cerca de 1,5 km, antes da segunda fase da subida, para o santuário de S. Romão (3,4 km a 5,5%, até aos 350 m de altitude) – a 2 km de Lameiro das Antas, o cume da tradicional subida de S. Tiago dos Velhos, onde está prevista a concentração final da etapa.
Sobre as características da subida, apesar da inclinação média relativamente acessível (os referidos 4%), devemos considerar que está dividida pelo referido troço de cerca de 1 km em falso plano descendente, que, como facilmente faz deduzir que a percentagem média dos restantes 8 km é bem mais elevada, atribuindo-lhe dureza necessária para ser selectiva, principalmente após 110 km. Mas nada melhor, para quem ainda não a conhece, que fazer recomendável reconhecimento...
Quanto aos restantes 110 km, não têm outra dificuldade montanhosa que se compare. De resto, não oferecem grandes novidades à clássica volta da Ota. O traçado é conhecido (Loures-Tojal-Vialonga-Alverca-Vila Franca-Carregado-Alenquer-Cheganças-Ota) e a tradicional subida do Vale do Brejo está igualmente contemplada no percurso.
Todavia, em Aveiras de Cima, o percurso original faz uma variação, tomando o cruzamento à esquerda, logo a seguir à saída da povoação, para Pontével (por Casais Penedos). Logo após o cruzamento, há um topo de cerca de 800 metros bem inclinado e a ligação a Pontével faz-se em terreno «parte-pernas», embora descendente. O contrário acontece de Pontével para Cruz do Campo (cruz. EN 3), onde se sobe suave mas progressivamente. A partir de Cruz, à direita para Azambuja, retoma-se mais adiante o percurso da volta da Ota (no cruz de Aveiras) e ruma-se em direcção ao Carregado e Vila Franca, onde o «factor-empedrado» não poderá ser descurado, pois logo a seguir está Alhandra e imediatamente ao início da subida final para o santuário de S. Romão. Recorde-se que a concentração final está marcada para o cruzamento do Lameiro das Antas – a partir daí, a ideia é descer tranquilamente para Bucelas e para Loures (total 125 km).
Na última quarta-feira, feriado nacional, realizou-se mais uma destas longas tiradas pela lezíria ribatejana, em que à falta de dificuldades de relevo houve o vento para a tornar tão exigente como que as demais. Mas o vento não foi o único obstáculo. O andamento fortíssimo ainda mais!
E quando os roladores do pelotão estão em forma: a média horária aumenta vertiginosamente e com ela as dificuldades. Desta vez, até faltou um dos elementos em melhor forma do grupo e fortíssimo rolador, o Jony, mas convenhamos que o Freitas, sozinho, chegou e sobrou para as encomendas. Pode não ter sido o único a demonstrar qualidades de rolador, mas poucos mais conseguiram fazê-lo com a mesma «eloquência».
O Rui Scott foi um deles, a espaços muito mais reduzidos. Acima de tudo, é um trepador que demonstrou ser ciclista completo, ao acelerar paulatinamente o pelotão até aos 45 km/h (sob acção contrária do vento) em plena recta do Cabo, só parando quando os «elásticos» começaram a esticar demasiado para muito boa gente, que se a correria durasse mais algumas centenas de metros certamente partiriam...
A partir daí, impôs-se uma barreira «psicológica»: os 50 km/h. Restava saber quem teria capacidade para batê-la. Naquele dia, quem melhor que o Freitas? Fez um trabalho de se tirar o chapéu, de Samora Correia a Benavente, onde, à chegada, «tocou» os 50 km/h. Mais uma vez, houve elásticos a esticar, mas o vento favorável atenuou o desgaste.
De resto, apesar de a velocidade não ter atingido mais essa marca, a verdade é que o ritmo de cruzeiro elevado, com primazia para a acção do Freitas, não permitiu que alguém ousasse escapar do pelotão. Aliás, penso que foi (ou é!) a única pecha destas voltas sempre a rolar – que até aprecio, apesar de não me serem favoráveis: uma boa perseguição dá sempre outro «gosto». Mas com velocidades de cruzeiro de 35 km/h (a média final foi superior a 32 km/h) e ímpeto para rapidamente ultrapassar os 40 km/h, não pode haver espaço à aventura.
A única perseguição fi-la eu (por iniciativa em solitário) ao quarteto (Fantasma, Salvador, Pina e João do brinco) quando este se isolou na recta do Cabo, no regresso, na sequência de um compasso de espera, após o Freitas ter parado para reabastecer em Porto Alto. Foram 10 minutos de alta intensidade, a solo, e com boas sensações tendo em conta os 100 km a rolar já percorridos (o que para mim é positivo!), mas não chegou para «encostar» nos ditos fugitivos até Vila Franca. Depois foi rolar até final, onde nos aguardava uma chuvada de Agosto.
Infelizmente, há a lamentar as quedas do Carlos do Barro (em Sto. Estevão) e do Salvador (em Vila Franca), a primeira com consequências bem mais graves – fractura da omoplata e de um dedo, e que só não foi ainda mais grave, graças ao (indispensável) capacete. Para ambos, o nosso encorajamento e os votos de rápida recuperação das mazelas.
Próximo domingo: inédita subida ao Santuário de S. Romão
Na senda do êxito das recentes tiradas Marginal-Sintra e Nossa Sra. da Ajuda, anuncia-se que, no próximo domingo (dia 19), está prevista a realização de outra super-volta, que, tal como aquela, promete ser extremamente interessante.
Pensou-se num percurso que correspondesse às características fundamentais da apreciada volta do passado fim-de-semana, um misto de planície com montanha, privilegiando muito mais a primeira, mas concentrando as principais dificuldades do relevo no final, e mantendo a distância (selectiva) superior a 100 km, aconselhando, a sensatez, que a abordagem à maior parte do trajecto seja «suficientemente» moderada.
Anuncia-se, então, o Loures-Santuário de S. Romão, na distância de 110 km (aprox.), cuja atracção é a chegada ao alto de S. Romão (santuário), inédita em voltas do nosso grupo. Trata-se de uma subida de 9 km no total, com cerca de 4% de inclinação média, dividida em duas partes, praticamente com os mesmos kms: a primeira inicia-se em Alhandra, para S. João dos Montes até ao alto de A-do-Barriga (4 km a 4,5%), no cruzamento da Estrada Nacional 248-3 com EN 10-6, de Alverca para A-dos-Melros e Adanaia; seguindo-se um falso plano de cerca de 1,5 km, antes da segunda fase da subida, para o santuário de S. Romão (3,4 km a 5,5%, até aos 350 m de altitude) – a 2 km de Lameiro das Antas, o cume da tradicional subida de S. Tiago dos Velhos, onde está prevista a concentração final da etapa.
Sobre as características da subida, apesar da inclinação média relativamente acessível (os referidos 4%), devemos considerar que está dividida pelo referido troço de cerca de 1 km em falso plano descendente, que, como facilmente faz deduzir que a percentagem média dos restantes 8 km é bem mais elevada, atribuindo-lhe dureza necessária para ser selectiva, principalmente após 110 km. Mas nada melhor, para quem ainda não a conhece, que fazer recomendável reconhecimento...
Quanto aos restantes 110 km, não têm outra dificuldade montanhosa que se compare. De resto, não oferecem grandes novidades à clássica volta da Ota. O traçado é conhecido (Loures-Tojal-Vialonga-Alverca-Vila Franca-Carregado-Alenquer-Cheganças-Ota) e a tradicional subida do Vale do Brejo está igualmente contemplada no percurso.
Todavia, em Aveiras de Cima, o percurso original faz uma variação, tomando o cruzamento à esquerda, logo a seguir à saída da povoação, para Pontével (por Casais Penedos). Logo após o cruzamento, há um topo de cerca de 800 metros bem inclinado e a ligação a Pontével faz-se em terreno «parte-pernas», embora descendente. O contrário acontece de Pontével para Cruz do Campo (cruz. EN 3), onde se sobe suave mas progressivamente. A partir de Cruz, à direita para Azambuja, retoma-se mais adiante o percurso da volta da Ota (no cruz de Aveiras) e ruma-se em direcção ao Carregado e Vila Franca, onde o «factor-empedrado» não poderá ser descurado, pois logo a seguir está Alhandra e imediatamente ao início da subida final para o santuário de S. Romão. Recorde-se que a concentração final está marcada para o cruzamento do Lameiro das Antas – a partir daí, a ideia é descer tranquilamente para Bucelas e para Loures (total 125 km).
quarta-feira, agosto 15, 2007
Há coisas engraçadas, não há!!
terça-feira, agosto 14, 2007
Domingos empolgantes!
De manhã cedo, o parque velocípede nas bombas da BP de Loures além de caro era imenso. Mas não só. Os seus felizes proprietários eram bons e apresentavam-se uma vez mais motivados para a exigente tirada domingueira. O Renato Hernandez, a estrear a sua negríssima Six13, definiu o estado geral do nosso pelotão: «A malta nem vai de férias só para vir aos domingos!»
Quem o diz faz parte de uma nova geração de sangue na guelra, que tem contribuído decisivamente para que o nível do grupo tivesse atingido nível nunca antes alcançado. Mau augúrio, podem afirmar os críticos do costume. Para mim, pelo contrário, é sinal de vitalidade. A demonstrá-lo está o desempenho e a atitude global fantásticos durante a tormentosa Nossa Sra. da Ajuda. Ambos resumem-se em apenas um aspecto fundamental: sinto-me lisonjeado por TODOS terem correspondido ao meu repto de concluírem o percurso – friso todos, mesmo sem saber se algum não o terá feito. Tanto mais, que as dificuldades do percurso, montanhoso (+ de 1200 metros de desnível acumulado), foram ainda agravadas pelo andamento altamente selectivo. As expectativas foram largamente superadas, acima de tudo, porque ao compromisso (pessoal, esclareça-se) em concluir o traçado juntou-se empenho fora-de-série!
Mas vamos à crónica. Como aconselhava o facto das grandes dificuldades estarem reservadas para a segunda parte do percurso, a primeira decorreu sem excessos, por isso sem grande história. O pelotão rolou, contra o vento, de Sacavém a Alverca, «puxado» maioritariamente pela dupla Jony e Rui Scott, (embora também lá tenha passado o Steven, e poucos mais). À chegada à minha cidade-residência (Alverca), o Rui protagonizou a primeira mudança de figurino da tirada. Na avenida central, acelerou o ritmo e o pelotão permitiu que se isolasse, levando o Fantasma (regresso após algumas semanas de ausência) na roda. À chegada à rotunda do Brejo já levavam cerca de 200 metros de vantagem, mas o pelotão preparava-se para se reorganizar na perseguição. O Rui é uma das figuras a quem não está autorizadas liberdades excessivas... O João do brinco relembrou-o, mas nem precisava.
Todavia, alguns metros depois, ao iniciar-se a subida de A-dos-Melros, a ausência de contacto visual na primeira longa recta exaltou os líderes do pelotão. Por isso, o que poderia ser uma perseguição através de controlo à distância, passou rapidamente a corrida desenfreada. Toda a parte mais dura da subida foi «a mata-cavalos», contra o vento, a meter muita gente – eu incluído – no «red line» tanto nos períodos em que assumi a condução do grupo, como naqueles em que o Nuno Garcia, o Jony e o Freitas também se revezaram.
Contudo, apesar do andamento altíssimo, nem sinal dos fugitivos. A explicação veio pouco depois – mesmo assim, já quase no final da subida, já os desgastes tinham sido feitos: um telefonema do Rui esclareceu sobre esta corrida do gato e do rato, em que o rato parecia correr mais que a conta! Os dois «fugitivos» tinham-se enganado no caminho e seguiram em frente, para Vila Franca, nem sequer iniciando a subida. Ai a falta de cuidado em saber o percurso!!!
Enfim, o pelotão descomprimiu. E bem! Aguardou-se muito pela reintegração de todos os elementos que foram adequando o ritmo às suas capacidade e ainda mais para o Rui (que teve de realizar toda a subida sozinho, em recuperação (rapidamente o Fantasma não consegui seguir-lhe a roda – e de resto, acabou por tomar outro rumo), sem dúvida em condições não mais favoráveis que as dos seus supostos perseguidores.
A Mata era o prato seguinte. Após entrada moderada, «meti» o ritmo, embora não demorasse muito a ser rendido pelo Jony, que fez as despesas durante o «miolo» da subida impondo um ritmo muito bom. No último km, o Rui rende-o e levou o restrito grupo da frente quase até à meta do Prémio da Montanha, onde o Freitas quis passar à frente, não lhe permitindo o Jony. Depois disso, foi com especial prazer que assisti à chegada dos demais, ao ritmo que mais lhes convinha. No alto, respeitou-se escrupulosamente a neutralização, após o que se rumou a S. Tiago dos Velhos e ao segundo «prato» do dia: o «muro» da Ajuda.
Na descida, o Salvador acelerou e ganhou distância. Muito boa iniciativa, que lhe permitiu entrar nas elevadas pendentes com bom avanço. Voltei a endurecer o ritmo à frente do pelotão e ainda mais na abordagem à duríssima rampa, ainda mais porque fortemente batida a vento. Entretanto, o Rui Scott ultrapassa-me e força. Apanho-lhe a roda. Mas não é fácil. Para mais que o Nuno Garcia surpreende pela esquerda. A roda a seguir era, agora, a dele. Mas o Rui volta a mudar de ritmo e o Garcia tem uma «quebra» acentuada e quase pára à minha frente, obrigando-me a ficar pendurado nos pedais. Impossível alcançar o Rui. Mas as diferenças foram mínimas. O esforço, ao invés, foi máximo!
Lá em cima, nova paragem para reagrupamento. Ninguém quebrou o protocolo. Cinco estrelas! E depois de subida, outra descida. Agora para Quinta do Paço e Tesoureira. Surpreendentemente, o Freitas acelera à frente do pelotão tentando aproveitar o relaxe geral e minha posição e do Jony na causa do grupo. O Rui estava por perto e juntou-se à iniciativa, que, porém, foi neutralizada com a eficaz reacção do pelotão (e não foram precisas ajudas dos mais fortes; a união e o espírito de responsabilidade fizeram a força. Super!).
Mas a contenda estava definitivamente espicaçada, e por acção do Jony (não terá apreciado muito o movimento sorrateiro do Freitas?!) e de outros, como o Carlos do Barro e o Salvador, fez a ligação ao início da subida para Casais da Serra em bom ritmo. Assim se mantendo, quando o Jony voltou a «pegar» no ritmo. Outra vez, como na Mata, de muito bom nível. Os restantes procuraram abrigo nas rodas, embora o vento, nesta fase, não fosse tão castigador. No último km, o Rui voltou acelerar e obrigou a perseguição esforçada, dada a aproximação da derradeira e decisiva subida: Ribas. No cruzamento de Casais da Serra estavam o pelotão (ou o que restava dele) de novo reagrupado e foi conduzido pelo Salvador e o Carlos do Barro que chegou ao Freixial para atacar o derradeiro pitéu...
A rampa de entrada na subida de Ribas mostrou o Renato ao ataque. Fortíssimo, impossível de acompanhar. Mas demasiado também para quem tinha de lidar com os três complicados quilómetros que restavam. A quebra foi rápida e antes de iniciar o troço da escola primária (Ribas de Baixo) encarreguei-me de fechar o espaço. Quando o fiz, passei logo ao ataque, fazendo a primeira mudança de ritmo, procurando aferir a resposta dos seus parceiros. E depois uma segunda logo após a aldeia. Ainda sem me aperceber se teria causado «estragos», o Rui ultrapassou-me e tomou as rédeas, forçando. À chegada ao «descanso» intermédio da subida, finalmente inteirei-me da situação: o Freitas tinha descolado. Primeiro pela minha acção e depois pela consolidação motivada pelo Rui. No descanso, encarreguei-me deste não haver...
Restava um trio à frente: eu, o Rui Scott e o Jony. Não demorou muito a que o Rui me rendesse e conduzisse o trio a partir da entrada nos últimos 1,5 km, a fase mais dura da subida, principalmente a partir do cruzamento para o Vale S. Gião. Então, veio o momento decisivo da subida: à passagem pela entrada do Parque de Montachique, o Rui (que não conhecia o local) exterioriza algum desconforto com a visão da forte pendente que se deparava. Informámo-lo sobre a distância que restava para o alto (300/400 metros), mas à passagem pelo interior da curva larga à direita (onde a inclinação atinge acentuação máxima), deixa cair o andamento significativamente (de 18/19 km/h para 16 km/h) e eu decidi lançar a minha cartada. Acelerei para descolá-lo - naquela fase já não pensava que o fizesse em relação ao Jony, mas acabou por ele a ceder. Quanto ao Rui, reagiu muito bem e teve ainda força para «passar» directo, ganhando-me cerca de 10 metros no Alto do Andrade.
O Jony começou às voltas com ameaças de caímbras e consentiu muito tempo em poucos metros. Ao invés, o Freitas recuperara do mau momento no início da subida e depois de numa primeira fase ter sido alcançado pelo Carlos do Barro (que chegou ao alto com a máscara de esforço pelo empenho que deveria ter sempre nestes momentos) e o Renato (promissor), deixou-os para trás e chegou já muito perto do Jony. O Carlos e o Renato também terminaram logo a seguir, e depois o Salvador à frente do João do brinco (subida de forma indiscutível, que o já coloca quase ao nível do Salvador!). Estes foram o que fizeram a subida mais rápido, mas todos os restantes estão de parabéns.
Amanhã (dia 15): Sto. Estevão (8h30)
ÚLTIMA HORA: No próximo domingo, está em preparação mais uma super-volta, com final inédito e empolgante. Amanhã à tarde, a apresentação!
Quem o diz faz parte de uma nova geração de sangue na guelra, que tem contribuído decisivamente para que o nível do grupo tivesse atingido nível nunca antes alcançado. Mau augúrio, podem afirmar os críticos do costume. Para mim, pelo contrário, é sinal de vitalidade. A demonstrá-lo está o desempenho e a atitude global fantásticos durante a tormentosa Nossa Sra. da Ajuda. Ambos resumem-se em apenas um aspecto fundamental: sinto-me lisonjeado por TODOS terem correspondido ao meu repto de concluírem o percurso – friso todos, mesmo sem saber se algum não o terá feito. Tanto mais, que as dificuldades do percurso, montanhoso (+ de 1200 metros de desnível acumulado), foram ainda agravadas pelo andamento altamente selectivo. As expectativas foram largamente superadas, acima de tudo, porque ao compromisso (pessoal, esclareça-se) em concluir o traçado juntou-se empenho fora-de-série!
Mas vamos à crónica. Como aconselhava o facto das grandes dificuldades estarem reservadas para a segunda parte do percurso, a primeira decorreu sem excessos, por isso sem grande história. O pelotão rolou, contra o vento, de Sacavém a Alverca, «puxado» maioritariamente pela dupla Jony e Rui Scott, (embora também lá tenha passado o Steven, e poucos mais). À chegada à minha cidade-residência (Alverca), o Rui protagonizou a primeira mudança de figurino da tirada. Na avenida central, acelerou o ritmo e o pelotão permitiu que se isolasse, levando o Fantasma (regresso após algumas semanas de ausência) na roda. À chegada à rotunda do Brejo já levavam cerca de 200 metros de vantagem, mas o pelotão preparava-se para se reorganizar na perseguição. O Rui é uma das figuras a quem não está autorizadas liberdades excessivas... O João do brinco relembrou-o, mas nem precisava.
Todavia, alguns metros depois, ao iniciar-se a subida de A-dos-Melros, a ausência de contacto visual na primeira longa recta exaltou os líderes do pelotão. Por isso, o que poderia ser uma perseguição através de controlo à distância, passou rapidamente a corrida desenfreada. Toda a parte mais dura da subida foi «a mata-cavalos», contra o vento, a meter muita gente – eu incluído – no «red line» tanto nos períodos em que assumi a condução do grupo, como naqueles em que o Nuno Garcia, o Jony e o Freitas também se revezaram.
Contudo, apesar do andamento altíssimo, nem sinal dos fugitivos. A explicação veio pouco depois – mesmo assim, já quase no final da subida, já os desgastes tinham sido feitos: um telefonema do Rui esclareceu sobre esta corrida do gato e do rato, em que o rato parecia correr mais que a conta! Os dois «fugitivos» tinham-se enganado no caminho e seguiram em frente, para Vila Franca, nem sequer iniciando a subida. Ai a falta de cuidado em saber o percurso!!!
Enfim, o pelotão descomprimiu. E bem! Aguardou-se muito pela reintegração de todos os elementos que foram adequando o ritmo às suas capacidade e ainda mais para o Rui (que teve de realizar toda a subida sozinho, em recuperação (rapidamente o Fantasma não consegui seguir-lhe a roda – e de resto, acabou por tomar outro rumo), sem dúvida em condições não mais favoráveis que as dos seus supostos perseguidores.
A Mata era o prato seguinte. Após entrada moderada, «meti» o ritmo, embora não demorasse muito a ser rendido pelo Jony, que fez as despesas durante o «miolo» da subida impondo um ritmo muito bom. No último km, o Rui rende-o e levou o restrito grupo da frente quase até à meta do Prémio da Montanha, onde o Freitas quis passar à frente, não lhe permitindo o Jony. Depois disso, foi com especial prazer que assisti à chegada dos demais, ao ritmo que mais lhes convinha. No alto, respeitou-se escrupulosamente a neutralização, após o que se rumou a S. Tiago dos Velhos e ao segundo «prato» do dia: o «muro» da Ajuda.
Na descida, o Salvador acelerou e ganhou distância. Muito boa iniciativa, que lhe permitiu entrar nas elevadas pendentes com bom avanço. Voltei a endurecer o ritmo à frente do pelotão e ainda mais na abordagem à duríssima rampa, ainda mais porque fortemente batida a vento. Entretanto, o Rui Scott ultrapassa-me e força. Apanho-lhe a roda. Mas não é fácil. Para mais que o Nuno Garcia surpreende pela esquerda. A roda a seguir era, agora, a dele. Mas o Rui volta a mudar de ritmo e o Garcia tem uma «quebra» acentuada e quase pára à minha frente, obrigando-me a ficar pendurado nos pedais. Impossível alcançar o Rui. Mas as diferenças foram mínimas. O esforço, ao invés, foi máximo!
Lá em cima, nova paragem para reagrupamento. Ninguém quebrou o protocolo. Cinco estrelas! E depois de subida, outra descida. Agora para Quinta do Paço e Tesoureira. Surpreendentemente, o Freitas acelera à frente do pelotão tentando aproveitar o relaxe geral e minha posição e do Jony na causa do grupo. O Rui estava por perto e juntou-se à iniciativa, que, porém, foi neutralizada com a eficaz reacção do pelotão (e não foram precisas ajudas dos mais fortes; a união e o espírito de responsabilidade fizeram a força. Super!).
Mas a contenda estava definitivamente espicaçada, e por acção do Jony (não terá apreciado muito o movimento sorrateiro do Freitas?!) e de outros, como o Carlos do Barro e o Salvador, fez a ligação ao início da subida para Casais da Serra em bom ritmo. Assim se mantendo, quando o Jony voltou a «pegar» no ritmo. Outra vez, como na Mata, de muito bom nível. Os restantes procuraram abrigo nas rodas, embora o vento, nesta fase, não fosse tão castigador. No último km, o Rui voltou acelerar e obrigou a perseguição esforçada, dada a aproximação da derradeira e decisiva subida: Ribas. No cruzamento de Casais da Serra estavam o pelotão (ou o que restava dele) de novo reagrupado e foi conduzido pelo Salvador e o Carlos do Barro que chegou ao Freixial para atacar o derradeiro pitéu...
A rampa de entrada na subida de Ribas mostrou o Renato ao ataque. Fortíssimo, impossível de acompanhar. Mas demasiado também para quem tinha de lidar com os três complicados quilómetros que restavam. A quebra foi rápida e antes de iniciar o troço da escola primária (Ribas de Baixo) encarreguei-me de fechar o espaço. Quando o fiz, passei logo ao ataque, fazendo a primeira mudança de ritmo, procurando aferir a resposta dos seus parceiros. E depois uma segunda logo após a aldeia. Ainda sem me aperceber se teria causado «estragos», o Rui ultrapassou-me e tomou as rédeas, forçando. À chegada ao «descanso» intermédio da subida, finalmente inteirei-me da situação: o Freitas tinha descolado. Primeiro pela minha acção e depois pela consolidação motivada pelo Rui. No descanso, encarreguei-me deste não haver...
Restava um trio à frente: eu, o Rui Scott e o Jony. Não demorou muito a que o Rui me rendesse e conduzisse o trio a partir da entrada nos últimos 1,5 km, a fase mais dura da subida, principalmente a partir do cruzamento para o Vale S. Gião. Então, veio o momento decisivo da subida: à passagem pela entrada do Parque de Montachique, o Rui (que não conhecia o local) exterioriza algum desconforto com a visão da forte pendente que se deparava. Informámo-lo sobre a distância que restava para o alto (300/400 metros), mas à passagem pelo interior da curva larga à direita (onde a inclinação atinge acentuação máxima), deixa cair o andamento significativamente (de 18/19 km/h para 16 km/h) e eu decidi lançar a minha cartada. Acelerei para descolá-lo - naquela fase já não pensava que o fizesse em relação ao Jony, mas acabou por ele a ceder. Quanto ao Rui, reagiu muito bem e teve ainda força para «passar» directo, ganhando-me cerca de 10 metros no Alto do Andrade.
O Jony começou às voltas com ameaças de caímbras e consentiu muito tempo em poucos metros. Ao invés, o Freitas recuperara do mau momento no início da subida e depois de numa primeira fase ter sido alcançado pelo Carlos do Barro (que chegou ao alto com a máscara de esforço pelo empenho que deveria ter sempre nestes momentos) e o Renato (promissor), deixou-os para trás e chegou já muito perto do Jony. O Carlos e o Renato também terminaram logo a seguir, e depois o Salvador à frente do João do brinco (subida de forma indiscutível, que o já coloca quase ao nível do Salvador!). Estes foram o que fizeram a subida mais rápido, mas todos os restantes estão de parabéns.
Amanhã (dia 15): Sto. Estevão (8h30)
ÚLTIMA HORA: No próximo domingo, está em preparação mais uma super-volta, com final inédito e empolgante. Amanhã à tarde, a apresentação!
sexta-feira, agosto 10, 2007
N. Sra. Ajuda: «muro» para transpor no domingo
Info para a volta do próximo domingo: Sra. da Ajuda
Percurso: Loures-Frielas-Unhos-Sacavém-Alverca-A-dos-Melros-Adanaia-A-do-Barriga-Arruda-Mata-S. Tiago dos Velhos-Contradinha-N. Sra. Ajuda-Quinta do Paço-Tesoureira-Casais da Serra-Freixial-Ribas-Fanhões-Tojal-Loures
Distância: 80 km
Horário de saída: 8h30 (Loures)
Sugere-se que sejam respeitados (rigorosamente) três pontos de neutralização para reagrupamento de todos os elementos:
1º alto da Mata
2º alto de N. Sra. Ajuda
3º Ribas (alto do Andrade)
O motivo de os dois primeiros pontos de «espera» estarem tão próximos deve-se ao facto de a passagem pelo conhecido «muro» da N. Sra. Ajuda provocar, naturalmente, diferenças acentuadas que dificilmente serão recuperáveis durante os quilómetros que restam, uma vez que a entrada na subida da Tesoureira e Casais da Serra é logo a seguir, tal como daí à subida final para Ribas.
A neutralização no alto do «muro» da Sra. da Ajuda permite com que o grupo possa iniciar compacto a subida de Tesoureira - o que raramente sucedeu em anteriores ocasiões.
Notas de rodapé:
Tal como na edição de 2006, faço desde já um desafio a todos os participantes que coloquem como objectivo principal cumprir o percurso na totalidade. Para tal, escusado será dizer que é fundamental cada um adaptar o seu andamento às suas capacidades. A volta, apesar de curta, é muito exigente, constituindo, acima de tudo, um desafio de superação individual. Terminá-la deveria ser, para todos, a motivação maior! Embarcar em esforços excessivos durante a primeira fase do trajecto (até à Mata) é meio caminho para não encontrar força física e anímica para conclui-lo, nomeadamente, fazer a última subida de Ribas.
Também se sugere que ninguém se adiante aquando das neutralizações, o que além de não ter qualquer justificação plausível, acaba por provoca desestabilização e desnorte no grupo, além de riscos inerentes ao desconhecimento do paradeiro da(s) pessoa(s).
Percurso: Loures-Frielas-Unhos-Sacavém-Alverca-A-dos-Melros-Adanaia-A-do-Barriga-Arruda-Mata-S. Tiago dos Velhos-Contradinha-N. Sra. Ajuda-Quinta do Paço-Tesoureira-Casais da Serra-Freixial-Ribas-Fanhões-Tojal-Loures
Distância: 80 km
Horário de saída: 8h30 (Loures)
Sugere-se que sejam respeitados (rigorosamente) três pontos de neutralização para reagrupamento de todos os elementos:
1º alto da Mata
2º alto de N. Sra. Ajuda
3º Ribas (alto do Andrade)
O motivo de os dois primeiros pontos de «espera» estarem tão próximos deve-se ao facto de a passagem pelo conhecido «muro» da N. Sra. Ajuda provocar, naturalmente, diferenças acentuadas que dificilmente serão recuperáveis durante os quilómetros que restam, uma vez que a entrada na subida da Tesoureira e Casais da Serra é logo a seguir, tal como daí à subida final para Ribas.
A neutralização no alto do «muro» da Sra. da Ajuda permite com que o grupo possa iniciar compacto a subida de Tesoureira - o que raramente sucedeu em anteriores ocasiões.
Notas de rodapé:
Tal como na edição de 2006, faço desde já um desafio a todos os participantes que coloquem como objectivo principal cumprir o percurso na totalidade. Para tal, escusado será dizer que é fundamental cada um adaptar o seu andamento às suas capacidades. A volta, apesar de curta, é muito exigente, constituindo, acima de tudo, um desafio de superação individual. Terminá-la deveria ser, para todos, a motivação maior! Embarcar em esforços excessivos durante a primeira fase do trajecto (até à Mata) é meio caminho para não encontrar força física e anímica para conclui-lo, nomeadamente, fazer a última subida de Ribas.
Também se sugere que ninguém se adiante aquando das neutralizações, o que além de não ter qualquer justificação plausível, acaba por provoca desestabilização e desnorte no grupo, além de riscos inerentes ao desconhecimento do paradeiro da(s) pessoa(s).
quinta-feira, agosto 09, 2007
Feriado em Montejunto: a crónica que faltava
A pedido de várias família e como não gosto falhar a compromissos, eis a crónica de Montejunto, no passado dia 26, ferido municipal em Loures. A possível, dada a distância que já está...
Feriado em Loures, gazeta para a maioria dos trabalhadores por conta de outrem do pelotão Pina Bike a labutar no município. Por tradição, essa malta gosta de se sacrificar mesmo em folga e todos os anos não prescinde de uma esticadinha a Montejunto. Não fazem por menos!
No último dia 26, lá estavam eles, preparados para o castigo, e contando com a adesão por solidariedade, imagina-se, de mais uns quantos de outras paragens com disponibilidade matinal. O dia amanheceu farrusco, a ameaçar chuva e desgraçadamente batido a vento. O grupo reuniu-se em Bucelas (para variar, das bombas de Loures) e bem composto, mas partiu esfrangalhado e pachorrento em direcção ao Forte de Alqueidão. O Carlos do Barro e o Evaristo com avanço (no primeiro já não espanta!), e os restantes concentrando-se aos poucos até formarem, finalmente, pelotão digno desse nome após os primeiros quilómetros da subida ao Alqueidão.
Apenas ficou a faltar o Hélder, à espera dos colegas que tinham, segundo ele, adormecido (Enfim, alguém que parecia saber aproveitar o feriado!). Resultado: Saíram com relativo atraso, e desde logo ficou esclarecido que só muito mais tarde o veríamos. Pois não havia dúvidas que o voltaríamos a ver, esmo que, como se esperava, o obrigasse a desenfreada perseguição. Mas também ficou imediatamente confirmado que não teria condições de estar «efectivamente» na subida. Mas lá iremos...
A subida para o Forte de Alqueidão não teve história, embora o andamento forte do possante Renato Hernandez, contra o vento, causasse a fracção no pelotão. Adiantou-se quem considerava que o esforço não iria «pesar» em Montejunto: além do Renato, só eu e o Jony.
A partir do Sobral, o cariz da tirada mudou radicalmente. O ZT isolou-se e o Evaristo foi o único que não estava disposto a deixá-lo ganhar avanço. Durante a descida para a Merceana, os dois fugitivos rapidamente ganharam distância... pouco habitual! Como se esperava, o pelotão entrou estado de alerta e «meteu uma abaixo». E então quando tinha a fuga controlada, teve, por fim, atitude habitual: anulou-a assim que pôde – ainda antes da Merceana. O principal obreiro foi o Jony, que manteve o ímpeto da descida na complicada ligação a Freixial ao Meio e Atalaia, causando, naturalmente, a selecção.
A partir daí, o andamento não voltou a descer. Ou parecia que ninguém queria vê-lo descer. Inclusive o Hernandez e o Evaristo. Sem surpresa, depois de Atalaia já só sobrava um pequeno grupo - Jony, Ricardo, Hernandez, Carlos do Barro, Evaristo e João do brinco –, que entrou isolado a Vila Verde dos Francos.
A subida a Montejunto voltou a não trazer grande história, apenas o desenlace previsível do atraso do Hélder à saída de Bucelas, embora reconhecendo já não esperar naquela altura voltar a vê-lo. Após as primeiras rampas, em que impus andamento que só o Jony conseguiu seguir, na pequena descida, enquanto aproveitávamos para aliviar um pouco as pernas, somos sobressaltados pela passagem de rompante do Hélder! O Jony ainda «engatilhou» mas nem chegou a ser preciso «disparar». O homem esclareceu imediatamente que tinha vindo «a abrir» desde Bucelas, «a 30 à hora contra o vento no Alqueidão», segundo ele, e que «não estava em condições de acompanhar o ritmo na subida». Ou seja, veio dar um ar da sua graça. E foi precisamente o que fez. Quando o terreno voltou a empinar, meti novamente a «marcheta» e só o Jony conseguiu acompanhar-me.
A partir daí, foi uma subida muito interessante, realizada «a dois», em entendimento perfeito, permitindo igualar o tempo realizado (por mim) na última vez que o grupo tinha ali subido, numa terrível manhã de frio e nevoeiro. O «crono» agora efectuado (27.18) e o facto de termos chegado a par ao alto, demonstra, antes de mais, a grande evolução do Jony em subidas longas.
Os restantes chegaram a conta-gotas, com o Carlos do Barro a realizar um boa subida (mais uma vez prescindiu de tentar seguir-nos, quando tem condições para o fazer... E já o provou em mais que uma ocasião). Depois de uma abordagem demasiado cautelosa à subida, foi progredindo e deixou para trás o grupo do Hélder (que trouxe os tais dois colegas), o Evaristo (faz sempre boa figura em Montejunto, mesmo depois de grande actividade durante o percurso), o João do brinco (já a demonstrar apreciável subida de forma, que, de resto, tem vindo cimentar, como no último domingo, em Sintra) e o Renato Hernandez (a carimbar uma estreia auspiciosa em Montejunto).
Resta uma nota de realce no regresso: os que não tiveram a sorte de gozar feriado viram-se obrigados a regressar mais... rapidamente. Não esperava que fosso tanto. Decidimos fazê-lo por Abrigada... felizmente a favor do vento. Formou-se então um trio: eu, Jony e o Hernandez. O ritmo começou a «animar» no falso plano descendente do aviário, para Abrigada, onde o Jony meteu o ponteiro nos 70 km/h! Eu lutei por não perder a sua roda com todas as limitações do meu 50x12, a uma cadência de 130 rotações p/ minuto e os tendões a querer «saltar»! Entre o alto de Montejunto e Vila Franca realizámos a excelente média de 39 km/h! E com alguns momentos de relaxe... forçado, pois a facilidade com que o Jony acelerava nos topos deixava-nos imediatamente em dificuldades. O Renato tirou bilhete duas ou três vezes, mas, como é bravo, à chegada a em Alverca (quando me despedi) lá permanecia!
Feriado em Loures, gazeta para a maioria dos trabalhadores por conta de outrem do pelotão Pina Bike a labutar no município. Por tradição, essa malta gosta de se sacrificar mesmo em folga e todos os anos não prescinde de uma esticadinha a Montejunto. Não fazem por menos!
No último dia 26, lá estavam eles, preparados para o castigo, e contando com a adesão por solidariedade, imagina-se, de mais uns quantos de outras paragens com disponibilidade matinal. O dia amanheceu farrusco, a ameaçar chuva e desgraçadamente batido a vento. O grupo reuniu-se em Bucelas (para variar, das bombas de Loures) e bem composto, mas partiu esfrangalhado e pachorrento em direcção ao Forte de Alqueidão. O Carlos do Barro e o Evaristo com avanço (no primeiro já não espanta!), e os restantes concentrando-se aos poucos até formarem, finalmente, pelotão digno desse nome após os primeiros quilómetros da subida ao Alqueidão.
Apenas ficou a faltar o Hélder, à espera dos colegas que tinham, segundo ele, adormecido (Enfim, alguém que parecia saber aproveitar o feriado!). Resultado: Saíram com relativo atraso, e desde logo ficou esclarecido que só muito mais tarde o veríamos. Pois não havia dúvidas que o voltaríamos a ver, esmo que, como se esperava, o obrigasse a desenfreada perseguição. Mas também ficou imediatamente confirmado que não teria condições de estar «efectivamente» na subida. Mas lá iremos...
A subida para o Forte de Alqueidão não teve história, embora o andamento forte do possante Renato Hernandez, contra o vento, causasse a fracção no pelotão. Adiantou-se quem considerava que o esforço não iria «pesar» em Montejunto: além do Renato, só eu e o Jony.
A partir do Sobral, o cariz da tirada mudou radicalmente. O ZT isolou-se e o Evaristo foi o único que não estava disposto a deixá-lo ganhar avanço. Durante a descida para a Merceana, os dois fugitivos rapidamente ganharam distância... pouco habitual! Como se esperava, o pelotão entrou estado de alerta e «meteu uma abaixo». E então quando tinha a fuga controlada, teve, por fim, atitude habitual: anulou-a assim que pôde – ainda antes da Merceana. O principal obreiro foi o Jony, que manteve o ímpeto da descida na complicada ligação a Freixial ao Meio e Atalaia, causando, naturalmente, a selecção.
A partir daí, o andamento não voltou a descer. Ou parecia que ninguém queria vê-lo descer. Inclusive o Hernandez e o Evaristo. Sem surpresa, depois de Atalaia já só sobrava um pequeno grupo - Jony, Ricardo, Hernandez, Carlos do Barro, Evaristo e João do brinco –, que entrou isolado a Vila Verde dos Francos.
A subida a Montejunto voltou a não trazer grande história, apenas o desenlace previsível do atraso do Hélder à saída de Bucelas, embora reconhecendo já não esperar naquela altura voltar a vê-lo. Após as primeiras rampas, em que impus andamento que só o Jony conseguiu seguir, na pequena descida, enquanto aproveitávamos para aliviar um pouco as pernas, somos sobressaltados pela passagem de rompante do Hélder! O Jony ainda «engatilhou» mas nem chegou a ser preciso «disparar». O homem esclareceu imediatamente que tinha vindo «a abrir» desde Bucelas, «a 30 à hora contra o vento no Alqueidão», segundo ele, e que «não estava em condições de acompanhar o ritmo na subida». Ou seja, veio dar um ar da sua graça. E foi precisamente o que fez. Quando o terreno voltou a empinar, meti novamente a «marcheta» e só o Jony conseguiu acompanhar-me.
A partir daí, foi uma subida muito interessante, realizada «a dois», em entendimento perfeito, permitindo igualar o tempo realizado (por mim) na última vez que o grupo tinha ali subido, numa terrível manhã de frio e nevoeiro. O «crono» agora efectuado (27.18) e o facto de termos chegado a par ao alto, demonstra, antes de mais, a grande evolução do Jony em subidas longas.
Os restantes chegaram a conta-gotas, com o Carlos do Barro a realizar um boa subida (mais uma vez prescindiu de tentar seguir-nos, quando tem condições para o fazer... E já o provou em mais que uma ocasião). Depois de uma abordagem demasiado cautelosa à subida, foi progredindo e deixou para trás o grupo do Hélder (que trouxe os tais dois colegas), o Evaristo (faz sempre boa figura em Montejunto, mesmo depois de grande actividade durante o percurso), o João do brinco (já a demonstrar apreciável subida de forma, que, de resto, tem vindo cimentar, como no último domingo, em Sintra) e o Renato Hernandez (a carimbar uma estreia auspiciosa em Montejunto).
Resta uma nota de realce no regresso: os que não tiveram a sorte de gozar feriado viram-se obrigados a regressar mais... rapidamente. Não esperava que fosso tanto. Decidimos fazê-lo por Abrigada... felizmente a favor do vento. Formou-se então um trio: eu, Jony e o Hernandez. O ritmo começou a «animar» no falso plano descendente do aviário, para Abrigada, onde o Jony meteu o ponteiro nos 70 km/h! Eu lutei por não perder a sua roda com todas as limitações do meu 50x12, a uma cadência de 130 rotações p/ minuto e os tendões a querer «saltar»! Entre o alto de Montejunto e Vila Franca realizámos a excelente média de 39 km/h! E com alguns momentos de relaxe... forçado, pois a facilidade com que o Jony acelerava nos topos deixava-nos imediatamente em dificuldades. O Renato tirou bilhete duas ou três vezes, mas, como é bravo, à chegada a em Alverca (quando me despedi) lá permanecia!
quarta-feira, agosto 08, 2007
A minha «caixa negra» da volta da Marginal-Sintra
A caixa negra (Polar) não mente! Mostra explicitamente as principais alterações de intensidade durante a volta do último domingo: Marginal-Sintra. A primeira mudança de patamar de esforço aconteceu entre os 20 e os 35 km, durante a fuga de Cabo Ruivo a Algés. Como se pode ver, a intensidade foi de endurante alto (zona amarela), sem entrar em «sobre-regime».O que se segue, até ao Guincho, mostra bem como se pode conduzir um pelotão a mais de 30 km/h sem quase ultrapassar as 140 bpm. O que quebra alguns «mitos», ehe!
O «pico seguinte já foi na subida para a Malveira da Serra, devido ao excelente trabalho do Paulo Franzino à frente do grupo, também sem sair da zona amarela, ao que se seguiu um ligeiro descanso (quando ele deixou a dianteira e o terreno ficou menos inclinado).
A seguir vieram as verdadeiras agruras: a subida para a Peninha sempre em regime anaeróbio (9 minutos na zona vermelha, acima das 172 pulsações - embora neste caso tenha sido acima das 180).
Finalmente, o último «pico» foi à passagem por Negrais, também a alta intensidade (zona vermelha), mas sem capacidade para seguir no grupo da frente na aceleração final para Sta. Eulália.
Ainda houve mais um «piquinho» final, no topo de Guerreiros, mas foi apenas um esboço de reacção ao sprint entre o Jony, Freitas, Rui Rodrigues e o Paulo Pais. Mas como se pode ver, foi apenas um esboço...
P.S. A volta do próximo fim-de-semana é a não menos «picante» da Nossa Sra. da Ajuda, com subida a A-dos-Melros (por Alverca), Mata, o muro da Sra. da Ajuda, Casais da Serra e Ribas no cardápio. Salvam-se os 80 km... apenas!
segunda-feira, agosto 06, 2007
Marginal-Sintra: a crónica
A volta deste domingo teve o melhor e o pior. Comecemos pelo pior. A queda do Polícia e do Renato Hernandez na descida da Peninha, que deixou o primeiro bem marcado e em sofrimento no regresso a Loures. Alertara com veemência, neste blog, para a perigosidade da descida (muito íngreme, estreita, sinuosa e com mau piso), mas, ao que se sabe, o motivo da queda foi desconcentração do Renato devido à perda de um bidão. Um incidente lamentável que ensombrou uma tirada que tudo teve de espectacular: pelotão enorme, andamento vivo, fugas, perseguições, terreno de predilecção para roladores e trepadores e alguns sprints fortíssimos.
O impacto causado pela projecção desta super-volta, a atracção do belíssimo percurso pela Marginal e Sintra ficou, desde logo, comprovado pelo extraordinário número de elementos à partida de Loures, para a partida justificadamente antecipada em relação à hora habitual, devido à distância e dificuldades da tirada, que muito cedo conheceu animação: fuga inesperada protagonizada por quem não devia ter muito espaço de manobra. Conta-se assim:
À passagem por Cabo Ruivo, adiantei-me algumas dezenas de metros ao pelotão sem que nada tivesse feito por isso, e surpreendido vejo o Freitas passar «directo». A reacção do pelotão tardou e após alguns instantes em posição intermédia, acelerei para me juntar, formando o duo, que passou de imediato ao esforço conjunto de consolidar a fuga, principalmente depois de também o Henrique e o Salvador terem chegado.
Durante os primeiros quilómetros, a escapada foi-se cimentando, já com o pelotão na perseguição, sempre com os fugitivos à vista. O trânsito e os semáforos junto ao Terreiro do Paço e Cais do Sodré jogaram a favor do quarteto, mas à passagem por Alcântara era visível a aproximação de um duo – situação que surpreendeu. Quem teria saído do pelotão, procurando juntar-se à fuga? A resposta surgiu entre Belém e Algés, quando o quarteto passou a sexteto, com a integração do Jony e do Hélder. A entrada dos perseguidores no mini-grupo ainda causou alguma agitação, mas só serviu para condenar a fuga ao malogro, pois junto ao Aquário Vasco da Gama, o pelotão, conduzido pelo Paulo Pais, estava de novo compacto.
A partir daí, rolou-se sem mais novidades até ao Cascais e em toda a ventosa estrada do Guincho – a não ser as «entradas» do Rui Scott e do Miguel Marcelino e o seu amigo de Montejunto. Prestes a deixar a planície da Marginal, entrando nas vertentes da Serra de Sintra, eis um furo a forçar a uma paragem de alguns minutos, que teve o condão de arrefecer os ânimos.
Ao retomar-se a marcha, já só sobrava o grupo dos que queriam «disputar» a longa subida até ao alto da Peninha. A este juntaram mais alguns elementos, entre eles dois «federados» da equipa Janota & Simões, Henrique Janota e Vítor Faria, engrossando a lista de candidatos.
A abordagem à subida foi cautelosa, mas com andamento muito bom, imposto pelo Paulo (Franzino), que soube conduzir o pelotão (ou o que restava dele) até depois da Malveira da Serra, realizando um trabalho muito meritório, de voluntarismo elogiável. Ao surgir as primeiras vertentes expostas ao vento, a caminho da Azóia, o Paulo cedeu a sua posição e o grupo, agora sem «condutor», começou a desgarrar-se, tendo o Vítor Faria tomado as rédeas. Mas acabou por ser o Freitas, logo a seguir (cerca de 1 km do alto), que fez a verdadeira mudança de ritmo, obrigando o grupo a cerrar fileiras.
Na aproximação do Prémio da Montanha (Azóia), surgiu mais um «reforço»: nada menos que o Rui Rodrigues, que veio ao nosso encontro, e passou imediatamente... ao ataque! A tirada estava mais aberta que nunca, e ainda não se tinha entrado na fase decisiva.
A ligação ao cruzamento do Cabo da Roca foi rápida e ainda mais frenética foi a entrada na subida final, para a Peninha. O primeiro a acelerar foi o Hélder, ao seu estilo, mas o Freitas não fez por menos. As respostas não se fizeram esperar, principalmente dos Janotas, do Rui Rodrigues e do Paulo Pais. O ritmo das primeiras centenas de metros foi vivíssimo!
Refira-se que a subida tem 3,2 km e inclinação média superior a 6%, incluindo um curto descanso e uma breve descida (acentuada) lá mais para cima. Ou seja, atacavam-se «como se não houvesse amanhã» as primeiras rampas, certamente a mais de 8%. A selecção fez-se sem surpresas: Rui Rodrigues, os dois Janotas, Paulo Pais, Freitas, Jony, Hélder, eu e o rui Scott.
Mas não se pense que ficou por esta ordem! Começaram a «sair» as primeiras facturas: o Freitas e o Hélder pagaram a ousadia da entrada e à passagem do km inicial já estavam fora de combate. Lá à frente, o Rui Rodrigues parecia ganhar vantagem, mas os Janotas lutavam por se manter em jogo. O Paulo Pais começava a acusar o esforço e o Jony também teve de encontrar o seu ritmo. Em nítido ascendente estava o Rui Scott, que rapidamente fechou o espaço de 20/30 metros para os homens da frente, onde Vítor Faria também fraquejava e o Rui Rodrigues não tinha capacidade de seguir o ritmo do Henrique Janota e do Scott. Nesta altura, depois de também ter encontrado o meu ritmo, começava a recuperar, ultrapassando o Paulo Pais e o Vítor Faria ao último descanso da subida, antes da pequena descida e da duríssima rampa final (200 metros). Lá à frente, o Rui Scott fazia o Henrique Janota «sofrer», enquanto o Rui Rodrigues tentava atenuar o «prejuízo» para aquele duo, mas via-me chegar praticamente à sua roda, tal como o segundo Janota, que, num lampejo final, chegou connosco.
Mais atrás, o Paulo Pais, o Jony, o Freitas e o Hélder. Mas não só. Os restantes, com destaque para o Paulo (Franzino), o João (do brinco) e o Salvador, autores de excelente subida, mas também o Polícia e o Renato (que viriam a sofrer quedas na descida que se seguiu), o Steven, Carlos do Barro, ZT, etc... sem esquecer o insuperável Abel.
O regresso a Loures ainda teve outro momento de grande intensidade. Uma fortíssima chegada a Sta. Eulália e um sprint de «prós» no topo de Guerreiros, demasiado musculados para mim...
Notas de observador
Ponto prévio, muito importante: qualquer dos novos «inquilinos» – nomeadamente, o Rui Rodrigues, os dois Janotas e o próprio Rui Scott, sem desprimor do excelente desempenho nesta parte decisiva da subida, encontravam-se em posição de indiscutível vantagem sobre os demais, que arrancaram de Loures em plano de igualdade e, naquela altura, já contabilizavam 70 km e considerável dose de ácido láctico nas pernas.
Elogio à forte mobilização para esta volta, correspondendo aos fortes aliciantes do percurso, mas também prova que o nosso grupo está bem e recomenda-se!
Elogio à presença do Paulo Pais, que além do seu inquestionável companheirismo, demonstrou estar em muito boa forma. Amigão, estiveste bem na subida da Peninha, e creio sinceramente que se tivesses optado por não tentar ir com os primeiros logo no início, chegarias ao alto com eles!
Elogio ao excelente momento do Jony. Na minha opinião, actualmente é o mais forte do nosso grupo. Pode não sê-lo ainda nas subidas mais selectivas (como a de ontem, mas não pela inclinação, mas devido ao andamento), mas demonstra-o, sem dúvida, na enorme disponibilidade física em todo o tipo de terreno. Impressiona só de ver! Só o passo que meteu à frente do pelotão na perseguição à fuga fez com que saísse dele – só o Hélder o acompanhou! E depois, praticamente sem a ajuda deste, recuperou para se juntarem aos fugitivos. E ao sprint ainda está para vir quem... lhe dê luta.
O Freitas também exibe grande forma, mas que leva-o a cometer alguns excessos (ou talvez, precipitações), como a de ontem, à entrada da subida final, que o impedem de retirar o melhor proveito desse bom nível. Ou seja, ao atacar ou meter andamentos demasiado altos em subida, contraria as suas próprias características, o que acaba por jogar contra si. O que ontem fez à entrada da subida da Peninha não é para um ciclista com o seu peso, é para trepadores franzinos. Mas não só, os efeitos colaterais ainda foram mais graves. Com aquilo, espicaçou a forte concorrência e assim colocou logo em xeque o seu desempenho na subida.
Aliás, ontem, o próprio Jony acabou por ser «vítima» desse erro estratégico do Freitas. É-lhes favorável que, em subida, o ritmo não seja tão intenso, para, mais acima, poderem aplicar a sua capacidade de mudar de velocidade. Aliás, isso já vai acontecendo durante o ano, em subidas como Mata e Ribas, inclusive em situações em que (neste caso, o Freitas) já tem tirado vantagem de ser ele próprio a meter o passo que mais lhe convém (rijo, mas não demasiado). Assim, impede que outros giram a subida à maneira que mais lhe convém ou sucedam mudanças de velocidade desfavoráveis, aplicando no final a sua explosão muscular para tentar fazer a diferença. Mas, como ele habitualmente diz, outras ocasiões para rectificar não faltarão!
Outro elogio, para o Rui Scott. Pela presença e pela exibição em Sintra. Depois de ter surpreendido em Fátima, em finais de Abril, voltou a brilhar, com grande classe, desta vez frente a concorrência (ainda mais) competitiva. Eu fui observador privilegiado da sua excelente subida. Em progressão, foi galgando terreno com facilidade até alcançar que se adiantaram nas primeiras rampas, «vergando», no final, a sua derradeira companhia. Apesar de, como referi na crónica, estar com alguma vantagem em relação aos que fizeram a volta completa. Porém, em igualdade com os seus principais «adversários» na subida, os Janotas e o Rui Rodrigues! E contra estes foi nitidamente superior. Além disso, é pessoa humilde, o que joga ainda mais a seu favor! Pena que a sua presença seja apenas em... ocasiões especiais, onde deixa sempre a sua marca!
Não tenho memória de ter empenhado tanto esforço, como ontem na subida da Peninha. Desde a base até ao alto, sempre acima das 180 bpm – o que quer dizer que, com «aquelas» penas, não poderia ir mais depressa. A entrada foi vertiginosa, o que me deixou «aos papéis», mas rapidamente entre no «meu» ritmo e não posso deixar de ficar satisfeito com a minha prestação. Apesar do sofrimento, as sensações foi sempre positivas e a melhorarem com desenrolar da subida. O Rui Scott e o Henrique Janota estavam fora do alcance (chegaram ao alto com aprox. 20 segundos de vantagem) numa ascensão tão curta, mas fica o consolo ter chegado na roda do Rui Rodrigues.
Também gostei muito da entrega às dificuldades e a boa forma do João do brinco e do Salvador.
O impacto causado pela projecção desta super-volta, a atracção do belíssimo percurso pela Marginal e Sintra ficou, desde logo, comprovado pelo extraordinário número de elementos à partida de Loures, para a partida justificadamente antecipada em relação à hora habitual, devido à distância e dificuldades da tirada, que muito cedo conheceu animação: fuga inesperada protagonizada por quem não devia ter muito espaço de manobra. Conta-se assim:
À passagem por Cabo Ruivo, adiantei-me algumas dezenas de metros ao pelotão sem que nada tivesse feito por isso, e surpreendido vejo o Freitas passar «directo». A reacção do pelotão tardou e após alguns instantes em posição intermédia, acelerei para me juntar, formando o duo, que passou de imediato ao esforço conjunto de consolidar a fuga, principalmente depois de também o Henrique e o Salvador terem chegado.
Durante os primeiros quilómetros, a escapada foi-se cimentando, já com o pelotão na perseguição, sempre com os fugitivos à vista. O trânsito e os semáforos junto ao Terreiro do Paço e Cais do Sodré jogaram a favor do quarteto, mas à passagem por Alcântara era visível a aproximação de um duo – situação que surpreendeu. Quem teria saído do pelotão, procurando juntar-se à fuga? A resposta surgiu entre Belém e Algés, quando o quarteto passou a sexteto, com a integração do Jony e do Hélder. A entrada dos perseguidores no mini-grupo ainda causou alguma agitação, mas só serviu para condenar a fuga ao malogro, pois junto ao Aquário Vasco da Gama, o pelotão, conduzido pelo Paulo Pais, estava de novo compacto.
A partir daí, rolou-se sem mais novidades até ao Cascais e em toda a ventosa estrada do Guincho – a não ser as «entradas» do Rui Scott e do Miguel Marcelino e o seu amigo de Montejunto. Prestes a deixar a planície da Marginal, entrando nas vertentes da Serra de Sintra, eis um furo a forçar a uma paragem de alguns minutos, que teve o condão de arrefecer os ânimos.
Ao retomar-se a marcha, já só sobrava o grupo dos que queriam «disputar» a longa subida até ao alto da Peninha. A este juntaram mais alguns elementos, entre eles dois «federados» da equipa Janota & Simões, Henrique Janota e Vítor Faria, engrossando a lista de candidatos.
A abordagem à subida foi cautelosa, mas com andamento muito bom, imposto pelo Paulo (Franzino), que soube conduzir o pelotão (ou o que restava dele) até depois da Malveira da Serra, realizando um trabalho muito meritório, de voluntarismo elogiável. Ao surgir as primeiras vertentes expostas ao vento, a caminho da Azóia, o Paulo cedeu a sua posição e o grupo, agora sem «condutor», começou a desgarrar-se, tendo o Vítor Faria tomado as rédeas. Mas acabou por ser o Freitas, logo a seguir (cerca de 1 km do alto), que fez a verdadeira mudança de ritmo, obrigando o grupo a cerrar fileiras.
Na aproximação do Prémio da Montanha (Azóia), surgiu mais um «reforço»: nada menos que o Rui Rodrigues, que veio ao nosso encontro, e passou imediatamente... ao ataque! A tirada estava mais aberta que nunca, e ainda não se tinha entrado na fase decisiva.
A ligação ao cruzamento do Cabo da Roca foi rápida e ainda mais frenética foi a entrada na subida final, para a Peninha. O primeiro a acelerar foi o Hélder, ao seu estilo, mas o Freitas não fez por menos. As respostas não se fizeram esperar, principalmente dos Janotas, do Rui Rodrigues e do Paulo Pais. O ritmo das primeiras centenas de metros foi vivíssimo!
Refira-se que a subida tem 3,2 km e inclinação média superior a 6%, incluindo um curto descanso e uma breve descida (acentuada) lá mais para cima. Ou seja, atacavam-se «como se não houvesse amanhã» as primeiras rampas, certamente a mais de 8%. A selecção fez-se sem surpresas: Rui Rodrigues, os dois Janotas, Paulo Pais, Freitas, Jony, Hélder, eu e o rui Scott.
Mas não se pense que ficou por esta ordem! Começaram a «sair» as primeiras facturas: o Freitas e o Hélder pagaram a ousadia da entrada e à passagem do km inicial já estavam fora de combate. Lá à frente, o Rui Rodrigues parecia ganhar vantagem, mas os Janotas lutavam por se manter em jogo. O Paulo Pais começava a acusar o esforço e o Jony também teve de encontrar o seu ritmo. Em nítido ascendente estava o Rui Scott, que rapidamente fechou o espaço de 20/30 metros para os homens da frente, onde Vítor Faria também fraquejava e o Rui Rodrigues não tinha capacidade de seguir o ritmo do Henrique Janota e do Scott. Nesta altura, depois de também ter encontrado o meu ritmo, começava a recuperar, ultrapassando o Paulo Pais e o Vítor Faria ao último descanso da subida, antes da pequena descida e da duríssima rampa final (200 metros). Lá à frente, o Rui Scott fazia o Henrique Janota «sofrer», enquanto o Rui Rodrigues tentava atenuar o «prejuízo» para aquele duo, mas via-me chegar praticamente à sua roda, tal como o segundo Janota, que, num lampejo final, chegou connosco.
Mais atrás, o Paulo Pais, o Jony, o Freitas e o Hélder. Mas não só. Os restantes, com destaque para o Paulo (Franzino), o João (do brinco) e o Salvador, autores de excelente subida, mas também o Polícia e o Renato (que viriam a sofrer quedas na descida que se seguiu), o Steven, Carlos do Barro, ZT, etc... sem esquecer o insuperável Abel.
O regresso a Loures ainda teve outro momento de grande intensidade. Uma fortíssima chegada a Sta. Eulália e um sprint de «prós» no topo de Guerreiros, demasiado musculados para mim...
Notas de observador
Ponto prévio, muito importante: qualquer dos novos «inquilinos» – nomeadamente, o Rui Rodrigues, os dois Janotas e o próprio Rui Scott, sem desprimor do excelente desempenho nesta parte decisiva da subida, encontravam-se em posição de indiscutível vantagem sobre os demais, que arrancaram de Loures em plano de igualdade e, naquela altura, já contabilizavam 70 km e considerável dose de ácido láctico nas pernas.
Elogio à forte mobilização para esta volta, correspondendo aos fortes aliciantes do percurso, mas também prova que o nosso grupo está bem e recomenda-se!
Elogio à presença do Paulo Pais, que além do seu inquestionável companheirismo, demonstrou estar em muito boa forma. Amigão, estiveste bem na subida da Peninha, e creio sinceramente que se tivesses optado por não tentar ir com os primeiros logo no início, chegarias ao alto com eles!
Elogio ao excelente momento do Jony. Na minha opinião, actualmente é o mais forte do nosso grupo. Pode não sê-lo ainda nas subidas mais selectivas (como a de ontem, mas não pela inclinação, mas devido ao andamento), mas demonstra-o, sem dúvida, na enorme disponibilidade física em todo o tipo de terreno. Impressiona só de ver! Só o passo que meteu à frente do pelotão na perseguição à fuga fez com que saísse dele – só o Hélder o acompanhou! E depois, praticamente sem a ajuda deste, recuperou para se juntarem aos fugitivos. E ao sprint ainda está para vir quem... lhe dê luta.
O Freitas também exibe grande forma, mas que leva-o a cometer alguns excessos (ou talvez, precipitações), como a de ontem, à entrada da subida final, que o impedem de retirar o melhor proveito desse bom nível. Ou seja, ao atacar ou meter andamentos demasiado altos em subida, contraria as suas próprias características, o que acaba por jogar contra si. O que ontem fez à entrada da subida da Peninha não é para um ciclista com o seu peso, é para trepadores franzinos. Mas não só, os efeitos colaterais ainda foram mais graves. Com aquilo, espicaçou a forte concorrência e assim colocou logo em xeque o seu desempenho na subida.
Aliás, ontem, o próprio Jony acabou por ser «vítima» desse erro estratégico do Freitas. É-lhes favorável que, em subida, o ritmo não seja tão intenso, para, mais acima, poderem aplicar a sua capacidade de mudar de velocidade. Aliás, isso já vai acontecendo durante o ano, em subidas como Mata e Ribas, inclusive em situações em que (neste caso, o Freitas) já tem tirado vantagem de ser ele próprio a meter o passo que mais lhe convém (rijo, mas não demasiado). Assim, impede que outros giram a subida à maneira que mais lhe convém ou sucedam mudanças de velocidade desfavoráveis, aplicando no final a sua explosão muscular para tentar fazer a diferença. Mas, como ele habitualmente diz, outras ocasiões para rectificar não faltarão!
Outro elogio, para o Rui Scott. Pela presença e pela exibição em Sintra. Depois de ter surpreendido em Fátima, em finais de Abril, voltou a brilhar, com grande classe, desta vez frente a concorrência (ainda mais) competitiva. Eu fui observador privilegiado da sua excelente subida. Em progressão, foi galgando terreno com facilidade até alcançar que se adiantaram nas primeiras rampas, «vergando», no final, a sua derradeira companhia. Apesar de, como referi na crónica, estar com alguma vantagem em relação aos que fizeram a volta completa. Porém, em igualdade com os seus principais «adversários» na subida, os Janotas e o Rui Rodrigues! E contra estes foi nitidamente superior. Além disso, é pessoa humilde, o que joga ainda mais a seu favor! Pena que a sua presença seja apenas em... ocasiões especiais, onde deixa sempre a sua marca!
Não tenho memória de ter empenhado tanto esforço, como ontem na subida da Peninha. Desde a base até ao alto, sempre acima das 180 bpm – o que quer dizer que, com «aquelas» penas, não poderia ir mais depressa. A entrada foi vertiginosa, o que me deixou «aos papéis», mas rapidamente entre no «meu» ritmo e não posso deixar de ficar satisfeito com a minha prestação. Apesar do sofrimento, as sensações foi sempre positivas e a melhorarem com desenrolar da subida. O Rui Scott e o Henrique Janota estavam fora do alcance (chegaram ao alto com aprox. 20 segundos de vantagem) numa ascensão tão curta, mas fica o consolo ter chegado na roda do Rui Rodrigues.
Também gostei muito da entrega às dificuldades e a boa forma do João do brinco e do Salvador.
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