Descrição da volta do próximo domingo:
Percurso: Loures-Tojal-Bucelas-Arranhó-Forte de Alqueidão-Sobral-Arruda (esq. p/ Carregado)-Cadafais-Carregado (esq. p/ Cadafais)-Alenquer (p/ Torres)-Aldeia Gavinha-Merceana (à esq. p/ Sobral)-Freiria-Sobral-Forte de Alqueidão-Bucelas-Loures
Distância: 102 km
Espaço aberto à opinião dos ciclómanos sobre ciclismo. De simples entusiastas da modalidade aos que a praticam. Sítio de tertúlia, onde fluem conversas de ciclistas sobre ciclismo.
quinta-feira, novembro 09, 2006
segunda-feira, novembro 06, 2006
Ota cumpriu a tradição
Faça chuva ou sol, a curta subida do Vale do Brejo (Ota) é de todos os «pontos quentes» das voltas domingueiras, o único que, de antemão, não passa sem uma empolgante escaramuça. Voltou sê-lo, ontem, no decurso de mais uma edição da sempre espectacular volta da Ota – a segunda ou terceira realizada «extra» calendário este ano, desta vez para variar, com o asfalto seco!
De facto, não deixa de ser curioso que 2 km a pouco mais de 3% de inclinação média sejam tão «picantes», apetecíveis e que despertem tanto a gula de… tantos comilões. As respostas podem até ser óbvias. Desde logo, o facto de ser uma subida acessível, curta e pouco íngreme, embora sempre selectiva («dói» mas passa depressa), e de se encaixar bem no «miolo» de uma etapa com relevo fácil (o esforço ali dispendido não é assim tão penalizador para a fase final do percurso). A verdade é que, invariavelmente, proporciona grandes momentos de competitividade. E ontem houve mais um, e foi ponto alto da jornada, pois claro!
O pelotão, espicaçado como sempre a partir da vila da Ota, entrou na subida compacto e em andamento moderado, propenso a iniciativas madrugadoras. Foi o que o Carlos fez ao arriscar na antecipação, abrindo um fosso apreciável, pois não teve resposta convincente durante a primeira metade da ascensão (até ao ligeiro descanso intercalar).
Todavia, perante a aparente parcimónia do pelotão, o ZT tomou surpreendentemente o comando, acelerando o suficiente para abrir dois ou três metros. No entanto, apesar de voluntarioso, cometeu um erro estratégico crasso, pois gastou forças preciosas que viriam a fazer-lhe falta quando chegasse a hora das «feras» entrarem em acção. E essa hora viria concerteza… («disse-lhe isso mais tarde»).
Este momento previsível não tardou: o Durão sentiu que tinha de assumir a perseguição e depois de forçar o andamento para encurtar significativamente a distância para o fugitivo – desde logo fazendo a selecção decisiva do grupo (eu entre os ficaram fora de combate) –, seguidamente atacou em força, com o Miguel a ser o único a acompanhar o seu andamento até ao alto do Vale do Brejo.
O Carlos, em perda, acabou por ser alcançado à entrada da recta final, entrando depois dos dois primeiros, à frente do ZT e do Fantasma; o primeiro confirmando a ideia que poderia ter ido mais longe se não se tivesse precipitado; e o segundo demonstrando boa forma que evidencia há algumas semanas.
Como é hábito no Vale do Brejo, os demais não se atrasaram muito, tando assim foi que os primeiros quase não precisaram de esperar na rotunda seguinte, provando que o grupo estava bastante nivelado, por cima.
O segundo momento relevante da etapa (que eu tivesse assistido, pois no Carregado fiquei parado com o Pedro, onde celebrámos o seu terceiro furo do dia) foi a ligação entre Azambuja e o Carregado, percorrida a muito bom ritmo, contra o vento, graças a revezamento excelente à cabeça do pelotão, com fantástico contributo colectivo. Alto nível em pleno «defeso», a abrir boas perspectivas para os próximos fins-de-semana.
Notas de observador
Outro bom desempenho nesta volta teve-o o Salvador, sempre muito activo à frente do pelotão, sobressaindo na ligação entre Vale do Brejo e Azambuja. Trabalhos daqueles não são para todos, ainda mais porque continuou até ao Carregado (pelo menos até onde fui com o pelotão). Obviamente, o esforço paga-se. A energia não é inesgotável mas quando é bem aplicada, compensa sempre!
Como é tradição, não há Ota sem incidentes. Desta vez, felizmente foram insignificantes furos. O Pedro encheu o «papinho» com três, o primeiro deles em simultâneo com o Fantasma, à saída de Vila Franca, quando caíram numa cratera em pleno meio-fundo na protecção de um autocarro. Castigo! O Salvador também lá estava, mas escapou «ileso». Logo a seguir foi o Pina, ainda nem tínhamos chegado à rotunda da AE. O Pedro fechou a contagem, com dose dupla no Carregado – ida e regresso. Devido às demoras consequentes, a volta teve de ser encurtada pela Azambuja.
Há muitas semanas que o pelotão não era tão pouco numeroso à saída de Loures. No entanto, ficou mais composto com a entrada do Carlos no Tojal (atrasado, passou na «brasa e nem nos viu, frente ao Café Golo, onde esperávamos que o Pina tomasse a sua dose de cafeína), e mais tarde em Vila Franca, quando se juntaram o Barão e o seu pupilo, aproveitando outro momento da paragem, desta vez o primeiro devido à longa saga de furos.
De facto, não deixa de ser curioso que 2 km a pouco mais de 3% de inclinação média sejam tão «picantes», apetecíveis e que despertem tanto a gula de… tantos comilões. As respostas podem até ser óbvias. Desde logo, o facto de ser uma subida acessível, curta e pouco íngreme, embora sempre selectiva («dói» mas passa depressa), e de se encaixar bem no «miolo» de uma etapa com relevo fácil (o esforço ali dispendido não é assim tão penalizador para a fase final do percurso). A verdade é que, invariavelmente, proporciona grandes momentos de competitividade. E ontem houve mais um, e foi ponto alto da jornada, pois claro!
O pelotão, espicaçado como sempre a partir da vila da Ota, entrou na subida compacto e em andamento moderado, propenso a iniciativas madrugadoras. Foi o que o Carlos fez ao arriscar na antecipação, abrindo um fosso apreciável, pois não teve resposta convincente durante a primeira metade da ascensão (até ao ligeiro descanso intercalar).
Todavia, perante a aparente parcimónia do pelotão, o ZT tomou surpreendentemente o comando, acelerando o suficiente para abrir dois ou três metros. No entanto, apesar de voluntarioso, cometeu um erro estratégico crasso, pois gastou forças preciosas que viriam a fazer-lhe falta quando chegasse a hora das «feras» entrarem em acção. E essa hora viria concerteza… («disse-lhe isso mais tarde»).
Este momento previsível não tardou: o Durão sentiu que tinha de assumir a perseguição e depois de forçar o andamento para encurtar significativamente a distância para o fugitivo – desde logo fazendo a selecção decisiva do grupo (eu entre os ficaram fora de combate) –, seguidamente atacou em força, com o Miguel a ser o único a acompanhar o seu andamento até ao alto do Vale do Brejo.
O Carlos, em perda, acabou por ser alcançado à entrada da recta final, entrando depois dos dois primeiros, à frente do ZT e do Fantasma; o primeiro confirmando a ideia que poderia ter ido mais longe se não se tivesse precipitado; e o segundo demonstrando boa forma que evidencia há algumas semanas.
Como é hábito no Vale do Brejo, os demais não se atrasaram muito, tando assim foi que os primeiros quase não precisaram de esperar na rotunda seguinte, provando que o grupo estava bastante nivelado, por cima.
O segundo momento relevante da etapa (que eu tivesse assistido, pois no Carregado fiquei parado com o Pedro, onde celebrámos o seu terceiro furo do dia) foi a ligação entre Azambuja e o Carregado, percorrida a muito bom ritmo, contra o vento, graças a revezamento excelente à cabeça do pelotão, com fantástico contributo colectivo. Alto nível em pleno «defeso», a abrir boas perspectivas para os próximos fins-de-semana.
Notas de observador
Outro bom desempenho nesta volta teve-o o Salvador, sempre muito activo à frente do pelotão, sobressaindo na ligação entre Vale do Brejo e Azambuja. Trabalhos daqueles não são para todos, ainda mais porque continuou até ao Carregado (pelo menos até onde fui com o pelotão). Obviamente, o esforço paga-se. A energia não é inesgotável mas quando é bem aplicada, compensa sempre!
Como é tradição, não há Ota sem incidentes. Desta vez, felizmente foram insignificantes furos. O Pedro encheu o «papinho» com três, o primeiro deles em simultâneo com o Fantasma, à saída de Vila Franca, quando caíram numa cratera em pleno meio-fundo na protecção de um autocarro. Castigo! O Salvador também lá estava, mas escapou «ileso». Logo a seguir foi o Pina, ainda nem tínhamos chegado à rotunda da AE. O Pedro fechou a contagem, com dose dupla no Carregado – ida e regresso. Devido às demoras consequentes, a volta teve de ser encurtada pela Azambuja.
Há muitas semanas que o pelotão não era tão pouco numeroso à saída de Loures. No entanto, ficou mais composto com a entrada do Carlos no Tojal (atrasado, passou na «brasa e nem nos viu, frente ao Café Golo, onde esperávamos que o Pina tomasse a sua dose de cafeína), e mais tarde em Vila Franca, quando se juntaram o Barão e o seu pupilo, aproveitando outro momento da paragem, desta vez o primeiro devido à longa saga de furos.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Clássica das Clássicas planas: Ota
No domingo, logo o tempo ajude, está programada mais uma edição da «clássica das clássicas planas»: a Ota. Para os «vets» do pelotão, o percurso é sobejamente conhecido, mas para os novatos aqui fica a descrição: Loures-Alverca-Vila Franca-Carregado-Alenquer-Ota-Vale do Brejo-Aveiras de Cima-Aveiras de Baixo-Azambuja-Carregado-Vila Franca-Alverca-Loures. Total: 113 km.
Há quem diga que a Ota não se faz sem chuva (recorde-se a que caía no dia do acidente do Miguel, em Janeiro) e sem uma boa correria! Assim, ainda à atenção dos novatos e avivando a memória aos «vets», vasculhei os arquivos deste blog e recupero a seguir algumas passagens da crónica desta volta, precisamente há um ano (6/11/2005), ilustrando bem as suas características especiais. Ora atente-se:
«Já se sabia! Ota é sinónimo de velocidade e escaramuças. E embora não seja grande apreciador deste percurso, a verdade é que desta vez (mais uma) a «corrida» foi espectacular. Não só pelo ritmo, como pelas muitas lutas que se travaram, praticamente de início a fim, confirmando também a forma muito boa de alguns elementos». (…) À entrada de Azambuja a normalidade restabeleceu-se, mas rapidamente se partiu para outra correria. O grupo voltou a dividir-se devido à passividade (ou displicência?) de alguns elementos que ficaram para trás, e depois de o mal estar feito houve que fazer nova perseguição. E que perseguição! Os que ficaram no grupo da retaguarda (entre outros, eu, o Miguel, o Freitas, o Pedro e o Steven) levaram uma valente lição, já que os homens que comandavam (destaque para o João, o Farinha, o Carlos e o Luís – perdão se algum faltar) fizeram um excelente trabalho (será que foram a render, e quem?), segurando uma vantagem de 300/400 metros que teimava em não diminuir, mesmo que atrás se rolasse sempre acima dos 40 km/h. À frente o ritmo era tal, que o grupo foi perdendo elementos. A recolagem só aconteceu em Castanheira do Ribatejo, mas a obra estava feita e teve factura elevada».
Assim se vai construindo o prestígio desta volta…
Há quem diga que a Ota não se faz sem chuva (recorde-se a que caía no dia do acidente do Miguel, em Janeiro) e sem uma boa correria! Assim, ainda à atenção dos novatos e avivando a memória aos «vets», vasculhei os arquivos deste blog e recupero a seguir algumas passagens da crónica desta volta, precisamente há um ano (6/11/2005), ilustrando bem as suas características especiais. Ora atente-se:
«Já se sabia! Ota é sinónimo de velocidade e escaramuças. E embora não seja grande apreciador deste percurso, a verdade é que desta vez (mais uma) a «corrida» foi espectacular. Não só pelo ritmo, como pelas muitas lutas que se travaram, praticamente de início a fim, confirmando também a forma muito boa de alguns elementos». (…) À entrada de Azambuja a normalidade restabeleceu-se, mas rapidamente se partiu para outra correria. O grupo voltou a dividir-se devido à passividade (ou displicência?) de alguns elementos que ficaram para trás, e depois de o mal estar feito houve que fazer nova perseguição. E que perseguição! Os que ficaram no grupo da retaguarda (entre outros, eu, o Miguel, o Freitas, o Pedro e o Steven) levaram uma valente lição, já que os homens que comandavam (destaque para o João, o Farinha, o Carlos e o Luís – perdão se algum faltar) fizeram um excelente trabalho (será que foram a render, e quem?), segurando uma vantagem de 300/400 metros que teimava em não diminuir, mesmo que atrás se rolasse sempre acima dos 40 km/h. À frente o ritmo era tal, que o grupo foi perdendo elementos. A recolagem só aconteceu em Castanheira do Ribatejo, mas a obra estava feita e teve factura elevada».
Assim se vai construindo o prestígio desta volta…
quinta-feira, novembro 02, 2006
Marginal-Sintra: a repetir!
Para o feriado de dia 1 foi desenhada uma volta muitíssimo interessante, sem dúvida, mas que deveria ter sido melhor planeada, dada a sua longa distância e índice de dificuldade. O trajecto original reunia o melhor de dois mundos: a planície, montanha e o campo, acrescentando ainda a diversidade paisagística. De Loures ao Parque das Nações e em toda a zona ribeirinha de Lisboa até Algés prevalece ambiente urbano e as estradas largas e planas, a convidar à velocidade. O terreno de roladores mantém-se na Marginal, com o seu perfil ondulado, ladeado pela lindíssima linha de costa banhada por sol radioso. E assim continua até ao Guincho. Um deleite para calmeirões, como diria o Pintainho.
A partir daqui, embrenhamo-nos na frondosa serra de Sintra, acentuando os desníveis logo à saída do extenso areal do Guincho pela longa subida de Malveira ao Cabo da Roca, seguindo-se a longa descida para Colares e a ascensão final à cidade Património da Humanidade. Aqui, dominam os «todo-o-terreno». Finalmente, a última secção, por Pêro Pinheiro e Negrais, ao género de «parte-pernas», mais ainda quando já acusam alguma fraqueza… A juntar, a distância total, que rondaria certamente os 125/130 km. Resumindo: índice de dificuldade elevado.
Assim, o pelotão, uma vez mais numeroso e motivado saiu de Loures e rolou a velocidade moderada em direcção a Lisboa e Algés, com a vantagem do vento soprar favorável. De resto, os maiores adversários foram as intermináveis tampas de esgoto, o trânsito que não desaparece mesmo em dia de folga, os semáforos quase sempre vermelhos e alguns obstáculos inesperados na via, nomeadamente… pedras! Passar por cima de uma, em Belém, custou-me um furo – rapidamente reparado com o precioso auxílio do João Santos e do Nando – grandes camaradas! De novo na estrada, mas condicionado pelo horário, não fui muito mais longe, invertendo a marcha no cruzamento do Estádio Nacional, infelizmente pouco antes de se iniciar a aguardada Marginal. Fica a próxima! O regresso a Alverca foi higiénico, em amena cavaqueira com o Duarte (treino, provas e afins…) e o Luís (com que nos cruzamos em Sta. Apolónia) – em ritmo ideal para esta altura do ano. 95 km em 3h20: um mimo!
Tal como referi, a exigência do percurso carecia de melhor planeamento desta volta, que deveria ter sido melhor programada, com maior antecedência e, porventura, com horário de saída mais madrugador, etc., etc. Por isso, o grupo teve de encurtar o trajecto, cortando no Estoril para Alcoitão, driblando assim muitos quilómetros e, acima de tudo, os arrepios da Serra de Sintra. De qualquer modo, pela beleza da etapa, penso que a sua realização, em versão integral, deveria ser equacionada – por exemplo, em jeito de Super-Clássica!
A partir daqui, embrenhamo-nos na frondosa serra de Sintra, acentuando os desníveis logo à saída do extenso areal do Guincho pela longa subida de Malveira ao Cabo da Roca, seguindo-se a longa descida para Colares e a ascensão final à cidade Património da Humanidade. Aqui, dominam os «todo-o-terreno». Finalmente, a última secção, por Pêro Pinheiro e Negrais, ao género de «parte-pernas», mais ainda quando já acusam alguma fraqueza… A juntar, a distância total, que rondaria certamente os 125/130 km. Resumindo: índice de dificuldade elevado.
Assim, o pelotão, uma vez mais numeroso e motivado saiu de Loures e rolou a velocidade moderada em direcção a Lisboa e Algés, com a vantagem do vento soprar favorável. De resto, os maiores adversários foram as intermináveis tampas de esgoto, o trânsito que não desaparece mesmo em dia de folga, os semáforos quase sempre vermelhos e alguns obstáculos inesperados na via, nomeadamente… pedras! Passar por cima de uma, em Belém, custou-me um furo – rapidamente reparado com o precioso auxílio do João Santos e do Nando – grandes camaradas! De novo na estrada, mas condicionado pelo horário, não fui muito mais longe, invertendo a marcha no cruzamento do Estádio Nacional, infelizmente pouco antes de se iniciar a aguardada Marginal. Fica a próxima! O regresso a Alverca foi higiénico, em amena cavaqueira com o Duarte (treino, provas e afins…) e o Luís (com que nos cruzamos em Sta. Apolónia) – em ritmo ideal para esta altura do ano. 95 km em 3h20: um mimo!
Tal como referi, a exigência do percurso carecia de melhor planeamento desta volta, que deveria ter sido melhor programada, com maior antecedência e, porventura, com horário de saída mais madrugador, etc., etc. Por isso, o grupo teve de encurtar o trajecto, cortando no Estoril para Alcoitão, driblando assim muitos quilómetros e, acima de tudo, os arrepios da Serra de Sintra. De qualquer modo, pela beleza da etapa, penso que a sua realização, em versão integral, deveria ser equacionada – por exemplo, em jeito de Super-Clássica!
segunda-feira, outubro 30, 2006
«Encerrar» em beleza!
É o que se chama encerrar (o calendário) em beleza! Pelotão tão numeroso só nas Super-Clássicas de Fátima ou Évora; clima de Verão de Outono e percurso propício a todo o tipo de «especialidades», ainda que favorecendo os roladores. Estes foram os condimentos da Clássica de Encerramento, a última etapa do Circuito 2006.
Mas a voltinha saloia a Malveira-Mafra, Ericeira, Pêro Pinheiro e Negrais superou todas as expectativas. Terá sido pelos dias de recolhimento forçado devido ao mau tempo ou porque esta fase do ano é tão pródiga em promover a boa forma de uma grande parte dos elementos do grupo, a verdade é que se assistiu ao soltar de algumas «feras».
Os sinais de espevitamento surgiram logos nos primeiros quilómetros, com a ligação Tojal-Bucelas a não ser de habitual «aquecimento». Por isso, não surpreendeu que a primeira rampa, depois de Bucelas, provocasse a divisão do pelotão, com um grupo numeroso a destacar-se, ainda que nunca mais do que 30 segundos durante a longa subida para a Venda do Pinheiro, mas obrigando a não descurar a perseguição. Na Malveira, onde se fez o reagrupamento, só o Nando e o Fantasma se mantinham isolados – indicativo que seriam eles os principais animadores da jornada.
Até Mafra, o figurino manteve-se. Nova e previsível cisão no grupo à passagem por Alcainça, mas o grosso da coluna repunha-se na Carapinheira. A partir de Mafra, a animação foi ao rubro. O Nando estava endiabrado e o Fantasma não fazia por menos, por isso depois de Paz voltaram a isolar-se, evidenciando a disposição de levar a aventura avante nos 12 km de falso plano descendente até à Ericeira. Mas o pelotão, lá atrás, percebendo a gravidade da situação não demorou a reagir e anulou rapidamente a fuga. Todavia, estava lançada a semente para a correria desenfreada – tanto mais que, mesmo com o «comboio» a 50 km/h, o Nando insistiu em manter-se activo na frente, motivando respostas e contra-respostas, com «picos» que chegaram a superar os 60 km/h! Grande ciclismo! Para dar ideia da loucura, refira-se que na secção Carapinheira-Ericeira fez-se uma média de 43 km/h! Por isso foi com algum alívio pessoal que se chegou ao «descanso» programado, na Ericeira.
Mas depois da Foz do Lizandro, o terreno volta a ser convidativo a mais movimentações. Sem causa aparente, houve um primeiro grupo que iniciou a subida para o Pobral destacado e assim «cavou» um fosso importante para o segundo, que, para mais, tinha o andamento condicionado pela presença dos elementos mais desgastados. Durante a subida, foi o Salvador que primeiro assumiu as despesas à cabeça do grupo da frente, contando depois com a colaboração do Fantasma – principalmente este claramente interessado em não deixar cair o andamento quando o terreno voltou a endireitar. Então aí, houve outros a colaborarem no esforço, casos do Carlos, do Nuno Garcia e do Pedro, dividindo a pesada factura que estava a impor o vento frontal. Folgaram: eu, o Pina, o ZT e o Duarte. Ainda assim, a média rondou os 30 km/h entre o Pobral e Terrugem, onde a distância entre os dois grupos foi superior a 5 minutos.
A partir daqui, de novo, com pelotão compacto, seguiu-se em direcção a Pêro Pinheiro, voltando a haver «selecção» na aproximação e passagem por Negrais (Sta. Eulália), onde o Nando e o Carlos «tiraram» à frente do mini-pelotão. E para terminar em beleza, na descida de Sta. Eulália regressou a animação, gerando um ambiente «altamente» selectivo a partir de Ponte de Lousa (o «Scott carbono», eu, o Nuno Garcia e o Durão) culminado com um sprint vigoroso no alto de Guerreiros, onde o Durão e o Nuno demonstraram que são os mais fortes neste final de temporada, que se afigura altamente competitivo.
Mas a voltinha saloia a Malveira-Mafra, Ericeira, Pêro Pinheiro e Negrais superou todas as expectativas. Terá sido pelos dias de recolhimento forçado devido ao mau tempo ou porque esta fase do ano é tão pródiga em promover a boa forma de uma grande parte dos elementos do grupo, a verdade é que se assistiu ao soltar de algumas «feras».
Os sinais de espevitamento surgiram logos nos primeiros quilómetros, com a ligação Tojal-Bucelas a não ser de habitual «aquecimento». Por isso, não surpreendeu que a primeira rampa, depois de Bucelas, provocasse a divisão do pelotão, com um grupo numeroso a destacar-se, ainda que nunca mais do que 30 segundos durante a longa subida para a Venda do Pinheiro, mas obrigando a não descurar a perseguição. Na Malveira, onde se fez o reagrupamento, só o Nando e o Fantasma se mantinham isolados – indicativo que seriam eles os principais animadores da jornada.
Até Mafra, o figurino manteve-se. Nova e previsível cisão no grupo à passagem por Alcainça, mas o grosso da coluna repunha-se na Carapinheira. A partir de Mafra, a animação foi ao rubro. O Nando estava endiabrado e o Fantasma não fazia por menos, por isso depois de Paz voltaram a isolar-se, evidenciando a disposição de levar a aventura avante nos 12 km de falso plano descendente até à Ericeira. Mas o pelotão, lá atrás, percebendo a gravidade da situação não demorou a reagir e anulou rapidamente a fuga. Todavia, estava lançada a semente para a correria desenfreada – tanto mais que, mesmo com o «comboio» a 50 km/h, o Nando insistiu em manter-se activo na frente, motivando respostas e contra-respostas, com «picos» que chegaram a superar os 60 km/h! Grande ciclismo! Para dar ideia da loucura, refira-se que na secção Carapinheira-Ericeira fez-se uma média de 43 km/h! Por isso foi com algum alívio pessoal que se chegou ao «descanso» programado, na Ericeira.
Mas depois da Foz do Lizandro, o terreno volta a ser convidativo a mais movimentações. Sem causa aparente, houve um primeiro grupo que iniciou a subida para o Pobral destacado e assim «cavou» um fosso importante para o segundo, que, para mais, tinha o andamento condicionado pela presença dos elementos mais desgastados. Durante a subida, foi o Salvador que primeiro assumiu as despesas à cabeça do grupo da frente, contando depois com a colaboração do Fantasma – principalmente este claramente interessado em não deixar cair o andamento quando o terreno voltou a endireitar. Então aí, houve outros a colaborarem no esforço, casos do Carlos, do Nuno Garcia e do Pedro, dividindo a pesada factura que estava a impor o vento frontal. Folgaram: eu, o Pina, o ZT e o Duarte. Ainda assim, a média rondou os 30 km/h entre o Pobral e Terrugem, onde a distância entre os dois grupos foi superior a 5 minutos.
A partir daqui, de novo, com pelotão compacto, seguiu-se em direcção a Pêro Pinheiro, voltando a haver «selecção» na aproximação e passagem por Negrais (Sta. Eulália), onde o Nando e o Carlos «tiraram» à frente do mini-pelotão. E para terminar em beleza, na descida de Sta. Eulália regressou a animação, gerando um ambiente «altamente» selectivo a partir de Ponte de Lousa (o «Scott carbono», eu, o Nuno Garcia e o Durão) culminado com um sprint vigoroso no alto de Guerreiros, onde o Durão e o Nuno demonstraram que são os mais fortes neste final de temporada, que se afigura altamente competitivo.
quinta-feira, outubro 26, 2006
Aí está a Etapa do Tour 2007!
Aí está a ETAPA DO TOUR 2007!
Data: 16 Julho
Etapa: Foix-Loudenvielle - 196 km
4 contagens de montanha de altíssima categoria:
Col de Port (11,4 km a 5,3%)
Col de Portet d'Aspet (5,7 a 6,9%)
Col de Menté (7 km a 8,1%)
Port de Balés (19,2 km a 6,2 km)
Col de Peyresourde (9,7 a 7,8%)
Um percurso duríssimo, extremamente selectivo, certamente mais ainda que o deste ano! (Izoard-Lautaret-Alpe d'Huez; 191 km), a exigir nível de preparação superior. A raínha das ciclodesportivas internacionais é isso mesmo!
Data: 16 Julho
Etapa: Foix-Loudenvielle - 196 km
4 contagens de montanha de altíssima categoria:
Col de Port (11,4 km a 5,3%)
Col de Portet d'Aspet (5,7 a 6,9%)
Col de Menté (7 km a 8,1%)
Port de Balés (19,2 km a 6,2 km)
Col de Peyresourde (9,7 a 7,8%)
Um percurso duríssimo, extremamente selectivo, certamente mais ainda que o deste ano! (Izoard-Lautaret-Alpe d'Huez; 191 km), a exigir nível de preparação superior. A raínha das ciclodesportivas internacionais é isso mesmo!
quarta-feira, outubro 25, 2006
Clássica de Encerramento: a descrição
No próximo domingo, realiza-se a volta de Encerramento do 1º Circuito Ciclista Pina Bike (2006). A hora (8h30) e o percurso:
Loures-Tojal (4 km)-Bucelas (8)-Freixial (12)-Venda do Pinheiro (20)-Malveira (23)-Alcainça (26)-Mafra (32)-Paz (33)-Ericeira (42)-Foz do Lizandro (47)-Pobral (50)-Odrinhas (56)-Terrugem (61)-Pêro Pinheiro-(68)-Negrais (74)-Sta. Eulália (76)-Ponte de Lousa (81)-Pinheiro de Loures (86)-Loures (88)
Pontos neutralização para reagrupamento: Venda do Pinheiro (20 km); Carapinheira (30 km); Ericeira (42 km) e Terrugem (61 km).
Pontos quentes sugeridos*: Ericeira-Terrugem (19 km) e Terrugem-Sta. Eulália (15 km).
* Devem entender-se as referidas secções como «indicadas a todo o tipo de hostilidades». Todavia, não terão de ser necessariamente… De resto, como sempre o ritmo é livre em todo o percurso. Acima de tudo, o importante é respeitar as neutralizações.
Loures-Tojal (4 km)-Bucelas (8)-Freixial (12)-Venda do Pinheiro (20)-Malveira (23)-Alcainça (26)-Mafra (32)-Paz (33)-Ericeira (42)-Foz do Lizandro (47)-Pobral (50)-Odrinhas (56)-Terrugem (61)-Pêro Pinheiro-(68)-Negrais (74)-Sta. Eulália (76)-Ponte de Lousa (81)-Pinheiro de Loures (86)-Loures (88)
Pontos neutralização para reagrupamento: Venda do Pinheiro (20 km); Carapinheira (30 km); Ericeira (42 km) e Terrugem (61 km).
Pontos quentes sugeridos*: Ericeira-Terrugem (19 km) e Terrugem-Sta. Eulália (15 km).
* Devem entender-se as referidas secções como «indicadas a todo o tipo de hostilidades». Todavia, não terão de ser necessariamente… De resto, como sempre o ritmo é livre em todo o percurso. Acima de tudo, o importante é respeitar as neutralizações.
segunda-feira, outubro 23, 2006
O Nando sempre foi...
Ontem, apesar da intempérie, o Nando cumpriu a preceito o seu objectivo de ir a Fátima de bicicleta, contando com a preciosa colaboração dos «todo-o-clima» Freitas e Carlos, da Póvoa, que o acompanharam até Alcoentre, tal como previsto. Segundo soube, o vento soprou de Sul, de feição a quem rumava a Norte (no caso, o Nando), mas de cara a quem teve de dar a volta de regresso a casa. Para estes, acrescentou-se a chuva torrencial a partir do Carregado. Dantesco! No entanto, de toda a «maluquice» sobressai a demonstração de camaradagem em apoio a um companheiro de estrada. Acções que merecem ser elogiadas…
quinta-feira, outubro 19, 2006
A «missão» de Alcoentre: a descrição
Como ficou previsto, a volta do próximo domingo foi pensada com a missão de acompanhar o Nando durante a primeira fase da sua jornada solitária a Fátima, até Alcoentre. Para tal, antecipou-se a saída de Loures para as 8h00, após o que se parte em direcção a Alverca (16 km), Vila Franca (24), Alenquer, Ota (pela EN1 - 43 km), Abrigada (47), Espinheira (55) e rotunda do Cercal (57) – onde o nosso «passageiro» ficará por sua conta, após o que viramos à direita para Alcoentre (59) em direcção a Aveiras de Cima (68), Azambuja (70) e Carregado (82) e regresso a Loures. Distância total: 125 km.
O percurso é praticamente plano, apenas com alguns topos «doces»: em Alenquer (que termina na rotunda já conhecido da volta da Ota), na Ota (até perto do cruzamento da Abrigada), e mais um ou outro nos 8 km que restam até à rotunda da Espinheira/Cercal. Logo a seguir a Alcoentre ainda se sobe, suavemente, mas depois é sempre a descer, em falso plano, para Aveiras e daqui para a Azambuja (à excepção dos dois «topecos» a chegar a esta vila).
Como tal, devido ao carácter acessível do revelo, sugere-se apenas UMA PARAGEM PARA REAGRUPAMENTO na rotunda da Espinheira/Cercal (a tal onde «libertaremos» o Nando), com aprox. 57 km percorridos. O mesmo será dizer que antes e depois deste ponto há liberdade total para praticar todo o tipo de hostilidades… Esta será, de resto, uma etapa para roladores e própria para longas fugas. Tomara que o tempo ajude!
O percurso é praticamente plano, apenas com alguns topos «doces»: em Alenquer (que termina na rotunda já conhecido da volta da Ota), na Ota (até perto do cruzamento da Abrigada), e mais um ou outro nos 8 km que restam até à rotunda da Espinheira/Cercal. Logo a seguir a Alcoentre ainda se sobe, suavemente, mas depois é sempre a descer, em falso plano, para Aveiras e daqui para a Azambuja (à excepção dos dois «topecos» a chegar a esta vila).
Como tal, devido ao carácter acessível do revelo, sugere-se apenas UMA PARAGEM PARA REAGRUPAMENTO na rotunda da Espinheira/Cercal (a tal onde «libertaremos» o Nando), com aprox. 57 km percorridos. O mesmo será dizer que antes e depois deste ponto há liberdade total para praticar todo o tipo de hostilidades… Esta será, de resto, uma etapa para roladores e própria para longas fugas. Tomara que o tempo ajude!
segunda-feira, outubro 16, 2006
A Ajuda divina
Quando o Durão acelerou na subida de Frielas, fraccionando o pelotão em dois grupos, cheguei a temer pelo bom desenrolar da volta de ontem – a exigente Clássica da Sra. da Ajuda. Felizmente, os meus receios não se confirmaram, e a etapa veio a superar as melhores expectativas, assistindo-se a alguns desempenhos de verdadeiros campeões…
Assim, ainda no rescaldo das chagas provocadas pela fuga «mal-entendida» da Clássica de Torres, a tal escaramuça não augurava nada de bom. A partir do momento em que, no cruzamento de Unhos, tanto o João, o ZT e o Abel descolaram do grupo principal; e eu, o Steven e o Carlos ficámos em posição intermédia, mas ainda a tempo de recuperar, a melhor decisão era reunir as tropas e, acima de tudo, motivá-las para o muito que faltava percorrer – o que nem sempre é fácil! De resto, porque se sabia que o primeiro grupo, além de numeroso e muito forte – a ver: Durão, Nando, João Santos, Fantasma, Salvador, Pedro e o Luís –, não iria «parar»… antes da Mata.
Depois do sexteto estar a postos, metemos a velocidade de cruzeiro a partir de Sacavém, sempre com preocupação para não causar desgastes excessivos e, por outro lado, não perder demasiado tempo para os homens da frente. Por isso, em Alverca, antes de iniciar a subida de A-do-Melros, era geral a sensação que o trabalho tinha sido bem feito. O grupo principal estava a menos de um minuto e sabia-se que lá, mais do que a inclinação (porque é baixa) dos próximos 7 km seria a falta de entendimento e as acelerações, que iriam fazer as primeiras vítimas. Ei-las, inclusive mais cedo que esperava: o Nando (penso que mais voluntariamente) e o Luís. Depois, o Pedro (já na descida para Arruda) e finalmente o Fantasma (só à entrada da subida da Mata porque o grupo «alivou» para deixar o Nando reentrar depois de parar para recuperar do chão uma barra energética). Lá à frente, os mais fortes aceleraram e praticamente só eles resistiram: o Durão, o João Santos e o Salvador – este mais uma vez, a passar a si próprio uma factura que veio a pagar bem.
No início da Mata, os meus companheiros de fuga «libertaram-me» para tentar alcançar os últimos fugitivos. Tarefa complicada, tendo em conta o atraso (cerca de 1 minuto) e, entre eles, estar o Durão. Acelerei e avistei o trio antes do 1º gancho (estavam no andar de cima, nesta altura a não mais de 40 segundos). O Durão viu-me e atacou, deixando o Salvador pregado. A partir daqui iniciava-se a verdadeira perseguição. O João Santos resistiu até já depois da passagem pela Mata e alcancei-o no 2ª gancho, onde já não tinha ilusões quanto a apanhar o Durão, que chegou ao alto com uma vantagem de 20 segundos. Tempo de subida: 12m14s, apenas mais 2 s que o meu melhor de sempre. Média de pulsação: 180!
Os restantes foram chegando, a maioria aos pares, e só se teve de esperar mais tempo pelo Abel e o Steven.
Após a Mata deslizou-se na descida para S. Tiago dos Velhos e rapidamente nos deparámos com o «muro» da Sra. da Ajuda. O Nando abriu as hostilidades, provando a sua subida de forma, mas eu fechei o espaço, levando o Durão na roda. Mais uma vez, o grupo teve uma excelente prestação, voltando a reunir-se a caminho da Tesoureira.
Aqui, já com o peso da distância e acima de tudo das subidas, o fraccionou-se definitivamente, quando o Nando acelerou na descida, ficando na frente o eu, Nando, Fantasma, Durão, João Santos, ZT e o João, que se adiantou em direcção a Casais da Serra, terminando, de vez, com a já fraca vontade do Fantasma e do ZT em subir Ribas. Até o próprio ficou tentado a seguir para Bucelas, mas acabou por completar o percurso.
Chegava então, a último ponto quente da jornada. A uma média de 20 km/h e 177 pulsações/minuto, quebrei (pelos menos 2 segundos que me faltaram na Mata) a minha melhor marca pessoal, que durava há 3 anos: 9m55s. O Durão chegou 35 s depois, também ele a fazer uma óptima subida. Depois o João Santos, e juntos o Nando e o João. O Carlos e o Salvador, que tinham «evitado» a Sra. da Ajuda, também chegaram ao alto de Ribas. Mas o «melhor» também estava a chegar: o Abel. Já não encontro nada de novo para elogiar os exemplos de coragem com que este homem nos esmaga todos os domingos!
Notas de observador:
Elogio a atitude e a excelente prestação de todos os participantes neste difícil percurso. Todavia, destaco, por esta ordem, os que completaram a distância e que, além disso, estiveram no grupo perseguidor – assim (além de mim) refiro-me ao João e ao incontornável Abel. Mas volto a sublinhar que todos, sem excepção, estivemos em GRANDE! Mais: faço uma vénia a todos os que, por motivos vários, não têm o nível de preparação dos chamados «internacionais», pelo desempenho que têm em voltas como esta. Assumo, sem faltas modéstias, que não seria capaz de tanto.
Todavia, a aceleração do Durão em Frielas, que provocou a divisão do grupo merece reparo. Ou seja, mesmo tendo marcado negativamente o desenrolar da tirada – desta vez! –, volto a frisar que não devem os mais fortes participar em iniciativas deste género, tão madrugadoras e em etapas com índice de dificuldade elevado, e muito menos serem estes a promovê-las, como foi o caso.
As despesas da perseguição ao grupo que se destacou em Unhos não foram bem distribuídas, mas nestas situações a gestão é muito mais importante. Ou seja, num grupo heterogéneo como aquele devem ser os mais aptos a tomar as rédeas e a despender o esforço maior, voluntariamente e sem esperar ajudas dos menos fortes. Naquela situação, eu e o Carlos, embora todos tivessem dado, mesmo que apenas as espaços curtos, o seu contributo. Mas sinceramente, não se deviam sentir obrigados. Deviam, sim, motivar-se e motivarem os outros.
Na óptica do comentário anterior, penso que a melhor abordagem a todas às clássicas domingueiras é pensar no percurso como um todo, e não apenas numa parte. Com isto quero dizer que não é recomendável entrar em esforços prolongados de alta intensidade (e são estes que acabam com a resistência) na primeira fase da volta para depois pagar copiosamente essa factura e ter de encurtar caminho ou não completar o percurso previsto. A estratégia faz parte deste e todos os desportos e para se evoluir em cada um é saber utilizá-la em proveito próprio. E para isso é preciso ter cabecinha!
Em relação ao ponto anterior, este domingo vi bons e maus exemplos. Não contando que o pior de todos foi dado pelos mais fortes (Durão), pelos motivos já referidos, destaco entre os «bons», o do Nando e do Luís, que se deixaram descair em A-dos-Melros quando viram que o ritmo não era adequado; entre os «assim-assim», o Fantasma e o Pedro (este com a desculpa da inexperiência), que devem ser insistido em resistir ao ritmo do Durão o mais tempo possível. O primeiro acabou com mais uma «facadinha» ao percurso, passando ao largo de Ribas, e o Pedro, que actualmente deve ter como prioridade poupar toda a energia possível, que é o primeiro ensinamento para evoluir como pretende. E finalmente, entre os «maus», sem dúvida o Salvador, que foi «até dar» com o João Santos e o Durão, na Mata, só cedendo ao previsível ataque do Durão. Então, já o mal estava feito! Depois, como as forças já eram escassas, vieram as fintas ao percurso e ao próprio grupo… O mérito maior não é andar na frente enquanto se puder, mas é chegar ao fim, mesmo que se tenha de andar «incógnito» a volta inteira!
Esta excelente etapa marcou definitivamente o meu final de temporada. Não cessarei a actividade – altamente desaconselhável! – para não deixar cair demasiado a forma, mas acabaram os esforços muito intensos, como os deste domingo na Mata e em Ribas. Estarei sempre pronto para colaborar em qualquer iniciativa do pelotão, mas, nos próximos meses, baixarei a «atitude competitiva» para o nível mínimo. Depois de baixado o volume e as cargas de treino a partir da Etapa da Serra da Estrela, e apesar de ter ganho 2 kg em relação ao peso de forma, concluo a longa e fatigante temporada 2006 curiosamente a sentir-me muitíssimo bem – os tempos naquelas subidas provam-no. Vou continuar a passear durante a semana pelos «picotos» que tenho descoberto por aí, e começar a pensar em 2007.
No próximo domingo, temos uma missão de honra: acompanhar o Nando durante os primeiros quilómetros para Fátima. O objectivo é ajudar o nosso camarada até Alcoentre, após o que daremos meia-volta de regresso, deixando-o entregas às suas forças – ficará bem, sem dúvida! Por isso, a hora de partida de Loures foi antecipada para as 8h00. Com isto, a volta terá cerca de 100 km. Bons treinos!
Assim, ainda no rescaldo das chagas provocadas pela fuga «mal-entendida» da Clássica de Torres, a tal escaramuça não augurava nada de bom. A partir do momento em que, no cruzamento de Unhos, tanto o João, o ZT e o Abel descolaram do grupo principal; e eu, o Steven e o Carlos ficámos em posição intermédia, mas ainda a tempo de recuperar, a melhor decisão era reunir as tropas e, acima de tudo, motivá-las para o muito que faltava percorrer – o que nem sempre é fácil! De resto, porque se sabia que o primeiro grupo, além de numeroso e muito forte – a ver: Durão, Nando, João Santos, Fantasma, Salvador, Pedro e o Luís –, não iria «parar»… antes da Mata.
Depois do sexteto estar a postos, metemos a velocidade de cruzeiro a partir de Sacavém, sempre com preocupação para não causar desgastes excessivos e, por outro lado, não perder demasiado tempo para os homens da frente. Por isso, em Alverca, antes de iniciar a subida de A-do-Melros, era geral a sensação que o trabalho tinha sido bem feito. O grupo principal estava a menos de um minuto e sabia-se que lá, mais do que a inclinação (porque é baixa) dos próximos 7 km seria a falta de entendimento e as acelerações, que iriam fazer as primeiras vítimas. Ei-las, inclusive mais cedo que esperava: o Nando (penso que mais voluntariamente) e o Luís. Depois, o Pedro (já na descida para Arruda) e finalmente o Fantasma (só à entrada da subida da Mata porque o grupo «alivou» para deixar o Nando reentrar depois de parar para recuperar do chão uma barra energética). Lá à frente, os mais fortes aceleraram e praticamente só eles resistiram: o Durão, o João Santos e o Salvador – este mais uma vez, a passar a si próprio uma factura que veio a pagar bem.
No início da Mata, os meus companheiros de fuga «libertaram-me» para tentar alcançar os últimos fugitivos. Tarefa complicada, tendo em conta o atraso (cerca de 1 minuto) e, entre eles, estar o Durão. Acelerei e avistei o trio antes do 1º gancho (estavam no andar de cima, nesta altura a não mais de 40 segundos). O Durão viu-me e atacou, deixando o Salvador pregado. A partir daqui iniciava-se a verdadeira perseguição. O João Santos resistiu até já depois da passagem pela Mata e alcancei-o no 2ª gancho, onde já não tinha ilusões quanto a apanhar o Durão, que chegou ao alto com uma vantagem de 20 segundos. Tempo de subida: 12m14s, apenas mais 2 s que o meu melhor de sempre. Média de pulsação: 180!
Os restantes foram chegando, a maioria aos pares, e só se teve de esperar mais tempo pelo Abel e o Steven.
Após a Mata deslizou-se na descida para S. Tiago dos Velhos e rapidamente nos deparámos com o «muro» da Sra. da Ajuda. O Nando abriu as hostilidades, provando a sua subida de forma, mas eu fechei o espaço, levando o Durão na roda. Mais uma vez, o grupo teve uma excelente prestação, voltando a reunir-se a caminho da Tesoureira.
Aqui, já com o peso da distância e acima de tudo das subidas, o fraccionou-se definitivamente, quando o Nando acelerou na descida, ficando na frente o eu, Nando, Fantasma, Durão, João Santos, ZT e o João, que se adiantou em direcção a Casais da Serra, terminando, de vez, com a já fraca vontade do Fantasma e do ZT em subir Ribas. Até o próprio ficou tentado a seguir para Bucelas, mas acabou por completar o percurso.
Chegava então, a último ponto quente da jornada. A uma média de 20 km/h e 177 pulsações/minuto, quebrei (pelos menos 2 segundos que me faltaram na Mata) a minha melhor marca pessoal, que durava há 3 anos: 9m55s. O Durão chegou 35 s depois, também ele a fazer uma óptima subida. Depois o João Santos, e juntos o Nando e o João. O Carlos e o Salvador, que tinham «evitado» a Sra. da Ajuda, também chegaram ao alto de Ribas. Mas o «melhor» também estava a chegar: o Abel. Já não encontro nada de novo para elogiar os exemplos de coragem com que este homem nos esmaga todos os domingos!
Notas de observador:
Elogio a atitude e a excelente prestação de todos os participantes neste difícil percurso. Todavia, destaco, por esta ordem, os que completaram a distância e que, além disso, estiveram no grupo perseguidor – assim (além de mim) refiro-me ao João e ao incontornável Abel. Mas volto a sublinhar que todos, sem excepção, estivemos em GRANDE! Mais: faço uma vénia a todos os que, por motivos vários, não têm o nível de preparação dos chamados «internacionais», pelo desempenho que têm em voltas como esta. Assumo, sem faltas modéstias, que não seria capaz de tanto.
Todavia, a aceleração do Durão em Frielas, que provocou a divisão do grupo merece reparo. Ou seja, mesmo tendo marcado negativamente o desenrolar da tirada – desta vez! –, volto a frisar que não devem os mais fortes participar em iniciativas deste género, tão madrugadoras e em etapas com índice de dificuldade elevado, e muito menos serem estes a promovê-las, como foi o caso.
As despesas da perseguição ao grupo que se destacou em Unhos não foram bem distribuídas, mas nestas situações a gestão é muito mais importante. Ou seja, num grupo heterogéneo como aquele devem ser os mais aptos a tomar as rédeas e a despender o esforço maior, voluntariamente e sem esperar ajudas dos menos fortes. Naquela situação, eu e o Carlos, embora todos tivessem dado, mesmo que apenas as espaços curtos, o seu contributo. Mas sinceramente, não se deviam sentir obrigados. Deviam, sim, motivar-se e motivarem os outros.
Na óptica do comentário anterior, penso que a melhor abordagem a todas às clássicas domingueiras é pensar no percurso como um todo, e não apenas numa parte. Com isto quero dizer que não é recomendável entrar em esforços prolongados de alta intensidade (e são estes que acabam com a resistência) na primeira fase da volta para depois pagar copiosamente essa factura e ter de encurtar caminho ou não completar o percurso previsto. A estratégia faz parte deste e todos os desportos e para se evoluir em cada um é saber utilizá-la em proveito próprio. E para isso é preciso ter cabecinha!
Em relação ao ponto anterior, este domingo vi bons e maus exemplos. Não contando que o pior de todos foi dado pelos mais fortes (Durão), pelos motivos já referidos, destaco entre os «bons», o do Nando e do Luís, que se deixaram descair em A-dos-Melros quando viram que o ritmo não era adequado; entre os «assim-assim», o Fantasma e o Pedro (este com a desculpa da inexperiência), que devem ser insistido em resistir ao ritmo do Durão o mais tempo possível. O primeiro acabou com mais uma «facadinha» ao percurso, passando ao largo de Ribas, e o Pedro, que actualmente deve ter como prioridade poupar toda a energia possível, que é o primeiro ensinamento para evoluir como pretende. E finalmente, entre os «maus», sem dúvida o Salvador, que foi «até dar» com o João Santos e o Durão, na Mata, só cedendo ao previsível ataque do Durão. Então, já o mal estava feito! Depois, como as forças já eram escassas, vieram as fintas ao percurso e ao próprio grupo… O mérito maior não é andar na frente enquanto se puder, mas é chegar ao fim, mesmo que se tenha de andar «incógnito» a volta inteira!
Esta excelente etapa marcou definitivamente o meu final de temporada. Não cessarei a actividade – altamente desaconselhável! – para não deixar cair demasiado a forma, mas acabaram os esforços muito intensos, como os deste domingo na Mata e em Ribas. Estarei sempre pronto para colaborar em qualquer iniciativa do pelotão, mas, nos próximos meses, baixarei a «atitude competitiva» para o nível mínimo. Depois de baixado o volume e as cargas de treino a partir da Etapa da Serra da Estrela, e apesar de ter ganho 2 kg em relação ao peso de forma, concluo a longa e fatigante temporada 2006 curiosamente a sentir-me muitíssimo bem – os tempos naquelas subidas provam-no. Vou continuar a passear durante a semana pelos «picotos» que tenho descoberto por aí, e começar a pensar em 2007.
No próximo domingo, temos uma missão de honra: acompanhar o Nando durante os primeiros quilómetros para Fátima. O objectivo é ajudar o nosso camarada até Alcoentre, após o que daremos meia-volta de regresso, deixando-o entregas às suas forças – ficará bem, sem dúvida! Por isso, a hora de partida de Loures foi antecipada para as 8h00. Com isto, a volta terá cerca de 100 km. Bons treinos!
quarta-feira, outubro 11, 2006
N. Sra. da Ajuda: descrição e dicas
No rescaldo de uma semana agitada pelas repercussões da volta de Torres, no próximo domingo teremos a Clássica da Nossa Sra. da Ajuda, que inclui duas subidas «míticas» da nossa região, Mata e Ribas. Mas não só: pelo meio, o pelotão terá de enfrentar a longa subida desde Alverca para A-do-Barriga por A-dos-Melros (estrada de Arruda), a duríssima rampa de Nossa Sra. da Ajuda e a Tesoureira para Casais da Serra.
No total, o percurso tem 80 km, uma vez que foi acrescentado um sector inicial, de 12 km, entre Loures e Sacavém, o mesmo que foi realizado na recente Clássica de Alenquer, no feriado de 5 de Outubro. Ou seja, Loures-Frielas-Unhos-Sacavém e depois em direcção a Alverca pela EN10.
Eis a descrição resumida do trajecto da volta e principais dificuldades:
0 km - Loures
5 km – Frielas
6 km - Cruz. Unhos
8 km – Unhos
12,5 km – Sacavém
27 km – Alverca
34 km - A-do Barriga (6,8 km a 2,4%)
39 km – Arruda
43,5 km – Mata (4,2 km a 5,3%)
48 km - S. Tiago dos Velhos (dir. p/ Contradinha/N. Sra. Ajuda)
51 km – N. Sra. Ajuda (1,5 km a 5,6%; 500 metros a 12%)
53 km - Quinta do Paço (esq. p/ Bucelas)
54 km – Cruz. Tesoureira
62 km - Casais da Serra (2,6 km a 3,4%)
62,5 km - Cruz. à esq. p/ Freixial
66 km – Freixial
70 km – Ribas (3,2 km a 6%)
71,5 km – Fanhões
76,5 km – Tojal
80 km – Loures
Nota: sugerem-se dois «pontos quentes» (Mata e Ribas), após os quais deverá haver neutralizações para reagrupamento de TODA A GENTE. Assim, evitam-se os mal-entendidos e as fugas serão, digamos, mais legítimas, pois todos estarão nas mesmas condições para decidir a integrá-las ou não. Nos restantes sectores, intermédios e restantes subidas, o andamento, como sempre, será LIVRE.
Por isso, sugere-se que os ciclistas adeqúem o andamento às suas capacidades e abdiquem de forçar para seguir ritmos que as transcendem. Repito que mais importante que tentar acompanhar os mais fortes nos «hot spots» é estar em condições de acompanhar o andamento de cruzeiro do pelotão (considerando sempre o nível médio deste pelotão). E será esse andamento que irá prevalecer na restante extensão do percurso.
No total, o percurso tem 80 km, uma vez que foi acrescentado um sector inicial, de 12 km, entre Loures e Sacavém, o mesmo que foi realizado na recente Clássica de Alenquer, no feriado de 5 de Outubro. Ou seja, Loures-Frielas-Unhos-Sacavém e depois em direcção a Alverca pela EN10.
Eis a descrição resumida do trajecto da volta e principais dificuldades:
0 km - Loures
5 km – Frielas
6 km - Cruz. Unhos
8 km – Unhos
12,5 km – Sacavém
27 km – Alverca
34 km - A-do Barriga (6,8 km a 2,4%)
39 km – Arruda
43,5 km – Mata (4,2 km a 5,3%)
48 km - S. Tiago dos Velhos (dir. p/ Contradinha/N. Sra. Ajuda)
51 km – N. Sra. Ajuda (1,5 km a 5,6%; 500 metros a 12%)
53 km - Quinta do Paço (esq. p/ Bucelas)
54 km – Cruz. Tesoureira
62 km - Casais da Serra (2,6 km a 3,4%)
62,5 km - Cruz. à esq. p/ Freixial
66 km – Freixial
70 km – Ribas (3,2 km a 6%)
71,5 km – Fanhões
76,5 km – Tojal
80 km – Loures
Nota: sugerem-se dois «pontos quentes» (Mata e Ribas), após os quais deverá haver neutralizações para reagrupamento de TODA A GENTE. Assim, evitam-se os mal-entendidos e as fugas serão, digamos, mais legítimas, pois todos estarão nas mesmas condições para decidir a integrá-las ou não. Nos restantes sectores, intermédios e restantes subidas, o andamento, como sempre, será LIVRE.
Por isso, sugere-se que os ciclistas adeqúem o andamento às suas capacidades e abdiquem de forçar para seguir ritmos que as transcendem. Repito que mais importante que tentar acompanhar os mais fortes nos «hot spots» é estar em condições de acompanhar o andamento de cruzeiro do pelotão (considerando sempre o nível médio deste pelotão). E será esse andamento que irá prevalecer na restante extensão do percurso.
domingo, outubro 08, 2006
Clássica de Torres: a crónica
O pelotão recheadíssimo que fez se à estrada a caminho de Torres ficou mais ainda à chegada ao Forte de Alqueidão, com mais quatro aquisições, mas rapidamente se dispersou quando pequenos grupos que se destacaram na descida para o Sobral, enquanto outros ficaram à espera dos que sucumbiram à intensidade do último km. O demasiado tempo perdido no reagrupamento dos retardatários estimulou os que se adiantaram a persistirem.
Entre estes, estava um quarteto com «figuras importantes», como Nando, Carlos, Fantasma e o Salvador, que, perante o impasse na retaguarda, abriram com facilidade uma distância considerável. Mais: provavelmente apercebendo-se que a vantagem se tornara bastante apreciável, empenharam-se no objectivo de a levar o mais longe possível, quiçá até ao final, e conseguiram.
Todavia, convém frisar que lá atrás nunca houve uma perseguição efectiva. Aliás, ainda antes do Sobral –ainda muito a tempo de «reunir as tropas» para tentar a recuperação – já se tinha percebido que não havia condições para que essa se sequer se iniciasse, sem que ficassem imediatamente «apeados» alguns elementos que já vinham muito… curtinhos – o Abel, entre outros!
Perante este cenário, a ligação entre o Sobral e Torres Vedras foi feita com pinças para não «derreter» totalmente os mais debilitados, situação que se manteve até aos topos do Turcifal, onde o João e o Bruno, até aí em posição intermédia, foram absorvidos. Só a partir daqui, perante o arrastar da situação (a subida de Catefica voltou a abrir brechas nos mais frágeis), decidi tomar a dianteira do grupo e acelerar ligeiramente o andamento – embora sem adquirir carácter de perseguição. De resto, nesta altura, esta só se poderia concretizar se, lá à frente, o quarteto «parasse» – que, tendo em conta a sua aguerrida composição, convenhamos que seria pouco provável!
A partir de Vila Franca do Rosário até à Malveira – então sim! –, alterei profundamente o ritmo «dispensando» colaboração, perfazendo, nesta secção, interessante média de 28 km/h. À última rampa só chegaram eu, o Nuno e o Durão, que fez valer os seus créditos no renhido sprint final. Nas bombas da Malveira esperou-se que chegasse toda a gente… durante mais de um quarto de hora!
Antecipei o regresso a Loures, na companhia do Nuno, tendo à chegada às bombas um comité de recepção fervoroso: os quatro fugitivos do dia. Em peso para nos «saudar»! Nos seus semblantes estavam bem vincados o esforço intenso empregue na façanha e a satisfação indisfarçável por tê-la concretizado. Acentuada pelos muitos minutos de vantagem – 17 ao todo, contados com precisão por quem os viu passar com transbordante entusiasmo. Reconheçamos que fomos «tratados» com o devido apreço, mas ficou no ar a sensação que estavam a guardar a principal reverência para outros que, até à hora em que me retirei, ainda não tinham dado a cara. Tê-la-ão feito!?
Notas de observador:
Apesar dos condicionantes da fuga do dia, o quarteto que a encetou e concretizou está de parabéns, pelo esforço dispendido durante tantos quilómetros. Mas não só: também pelo espírito de combatividade que é sempre saudável à prática desportiva, neste caso alimentado pelo facto de se «opor» a elementos reconhecidamente mais treinados. Para mim, é estimulante tentar fazer tanto ou mais que os mais fortes! Por isso, justificava-se o contentamento dos fugitivos à chegada: Nando, Carlos, Fantasma e Salvador (confirma-se que estes dois não podem passar um sem o outro…).
Reitero a homenagem colectiva, destacando pessoalmente o Nando, que, em crescendo de forma, começa a fazer estragos «dos seus» – e se bem o conheço, logo possa não irá parar por aqui! No Forte de Alqueidão, bem se viu que a iniciativa foi sua, mas até final contou certamente com empenhada colaboração dos seus três companheiros de fuga. E olha quais! Resta-me concordar com as palavras (algo crispadas) do Pina, ainda ontem, e aguardar que próximas iniciativas sucedam em situações mais «abertas». A volta da próxima semana é mesmo à medida de tais!
Já o disse há algum tempo e repito-o: o pelotão Pina Bike está com grande dinâmica. Não só pela presença
massiva dos «habitués» (apesar de algumas ausências), mas principalmente porque o número de novos aderentes não pára de aumentar. Ainda que alguns destes possam estar apenas de passagem, como o Luís, o Paulo Matias ou o Bruno, a verdade é que os «delfins» Pedro Fonseca e João Santos pegaram de estaca e é inequívoca a sua boa integração, para o qual contribui, em ambos, a simpatia, empenho e o espírito de grupo. Diz-se, inclusive, que o João Santos, que tem deixado muito boas indicações, recebeu algumas propostas interessantes para integrar já uma equipa (duo) de topo neste final de temporada. O mercado de transferências está em ebulição!
O ZT juntou-se ao pelotão já em Torres – sensivelmente a meio do percurso –, e veio a ser vítima de um problema físico que o obrigou a entrar no carro-vassoura algures na subida de Vila Franca do Rosário. Esperamos que não seja nada de grave, mas apenas maleitas de umas mini-férias andorrenhas. Rápidas melhoras!
Entre estes, estava um quarteto com «figuras importantes», como Nando, Carlos, Fantasma e o Salvador, que, perante o impasse na retaguarda, abriram com facilidade uma distância considerável. Mais: provavelmente apercebendo-se que a vantagem se tornara bastante apreciável, empenharam-se no objectivo de a levar o mais longe possível, quiçá até ao final, e conseguiram.
Todavia, convém frisar que lá atrás nunca houve uma perseguição efectiva. Aliás, ainda antes do Sobral –ainda muito a tempo de «reunir as tropas» para tentar a recuperação – já se tinha percebido que não havia condições para que essa se sequer se iniciasse, sem que ficassem imediatamente «apeados» alguns elementos que já vinham muito… curtinhos – o Abel, entre outros!
Perante este cenário, a ligação entre o Sobral e Torres Vedras foi feita com pinças para não «derreter» totalmente os mais debilitados, situação que se manteve até aos topos do Turcifal, onde o João e o Bruno, até aí em posição intermédia, foram absorvidos. Só a partir daqui, perante o arrastar da situação (a subida de Catefica voltou a abrir brechas nos mais frágeis), decidi tomar a dianteira do grupo e acelerar ligeiramente o andamento – embora sem adquirir carácter de perseguição. De resto, nesta altura, esta só se poderia concretizar se, lá à frente, o quarteto «parasse» – que, tendo em conta a sua aguerrida composição, convenhamos que seria pouco provável!
A partir de Vila Franca do Rosário até à Malveira – então sim! –, alterei profundamente o ritmo «dispensando» colaboração, perfazendo, nesta secção, interessante média de 28 km/h. À última rampa só chegaram eu, o Nuno e o Durão, que fez valer os seus créditos no renhido sprint final. Nas bombas da Malveira esperou-se que chegasse toda a gente… durante mais de um quarto de hora!
Antecipei o regresso a Loures, na companhia do Nuno, tendo à chegada às bombas um comité de recepção fervoroso: os quatro fugitivos do dia. Em peso para nos «saudar»! Nos seus semblantes estavam bem vincados o esforço intenso empregue na façanha e a satisfação indisfarçável por tê-la concretizado. Acentuada pelos muitos minutos de vantagem – 17 ao todo, contados com precisão por quem os viu passar com transbordante entusiasmo. Reconheçamos que fomos «tratados» com o devido apreço, mas ficou no ar a sensação que estavam a guardar a principal reverência para outros que, até à hora em que me retirei, ainda não tinham dado a cara. Tê-la-ão feito!?
Notas de observador:
Apesar dos condicionantes da fuga do dia, o quarteto que a encetou e concretizou está de parabéns, pelo esforço dispendido durante tantos quilómetros. Mas não só: também pelo espírito de combatividade que é sempre saudável à prática desportiva, neste caso alimentado pelo facto de se «opor» a elementos reconhecidamente mais treinados. Para mim, é estimulante tentar fazer tanto ou mais que os mais fortes! Por isso, justificava-se o contentamento dos fugitivos à chegada: Nando, Carlos, Fantasma e Salvador (confirma-se que estes dois não podem passar um sem o outro…).
Reitero a homenagem colectiva, destacando pessoalmente o Nando, que, em crescendo de forma, começa a fazer estragos «dos seus» – e se bem o conheço, logo possa não irá parar por aqui! No Forte de Alqueidão, bem se viu que a iniciativa foi sua, mas até final contou certamente com empenhada colaboração dos seus três companheiros de fuga. E olha quais! Resta-me concordar com as palavras (algo crispadas) do Pina, ainda ontem, e aguardar que próximas iniciativas sucedam em situações mais «abertas». A volta da próxima semana é mesmo à medida de tais!
Já o disse há algum tempo e repito-o: o pelotão Pina Bike está com grande dinâmica. Não só pela presença
massiva dos «habitués» (apesar de algumas ausências), mas principalmente porque o número de novos aderentes não pára de aumentar. Ainda que alguns destes possam estar apenas de passagem, como o Luís, o Paulo Matias ou o Bruno, a verdade é que os «delfins» Pedro Fonseca e João Santos pegaram de estaca e é inequívoca a sua boa integração, para o qual contribui, em ambos, a simpatia, empenho e o espírito de grupo. Diz-se, inclusive, que o João Santos, que tem deixado muito boas indicações, recebeu algumas propostas interessantes para integrar já uma equipa (duo) de topo neste final de temporada. O mercado de transferências está em ebulição!
O ZT juntou-se ao pelotão já em Torres – sensivelmente a meio do percurso –, e veio a ser vítima de um problema físico que o obrigou a entrar no carro-vassoura algures na subida de Vila Franca do Rosário. Esperamos que não seja nada de grave, mas apenas maleitas de umas mini-férias andorrenhas. Rápidas melhoras!
segunda-feira, outubro 02, 2006
A-do-Louco Imprevisível
Há muito tempo que se aguardava pelo regresso do Miguel. Salvo erro, foram quatro meses de ausência das tradicionais voltas domingueiras, por motivos que, com alguma insistência, fui tentando perceber, em vão, em conversas várias com o Durão – seu parceiro de longa data e sempre muito bem informado nestas questões. Para ele, a época começou aziaga, com o acidente na Ota, depois a ausência forçada da Etapa do Tour, e tem sido complicada de gerir, com sinais de forma algo periclitante, por motivos que se calhar nem ele próprio consegue identificar com precisão. Ter sido das piores vítimas da loucura colectiva da Serra da Estrela é exemplo cabal.
Este domingo de manhã, porém, para grande surpresa e satisfação, lá estava a Specialized full carbon estacionada nas bombas de Loures. O seu regresso ao seio do grupo não foi apenas um reencontro de companheiros de estrada, revelou-se esfuziante. Verdadeiro recital, como nos seus melhores tempos – não muito longínquos. Exibição de altíssimo nível na dura subida de A-dos-Loucos, principal «hot spot» do percurso deste domingo, corolário de um «pico» de forma que culminaria, no sábado, com as três subidas da Serra da Estrela, que, no entanto, preferiu prescindir. E bem, digo eu!
Esta foi «apenas» a melhor notícia de uma clássica que reuniu todos os predicados para ser merecer o título de espectacular, «nervosa» desde o início devido a um factor de desestabilização inesperado – um elemento estreante que se revelou incrivelmente empertigado durante a primeira metade do percurso, e que acabaria, com lógica, por pagar a factura de tal desbarato de energia. Mas soube sair de cena antes de sofrer males maiores.
Além disso, o pelotão, numeroso e bem recheado, com a presença de consagrados, como o Nuno Garcia e do Carlos, entre os habitués, contribuiu para elevar o nível do grupo. O primeiro exibiu-se em bom plano no Cabeço da Rosa, lançando um forte ataque. Na aceleração que permitiu fazer a junção antes do topo levei o coração às 198 bpm… e o Durão na roda.
Antes da passagem pelo «ponto quente» do Cabeço da Rosa (em versão «soft», a partir de Vila de Rei), o Miguel começou por mostrar serviço na subida da Freixeira, levando apenas o Durão na roda (tiques que não passam!). O tempo inferior a 4 minutos (3.55) indica que o ritmo foi forte. Todavia, as principais figuras controlaram à distância.
A ligação entre a Venda do Pinheiro (agora com o ZT, o Samuel e o Abel já integrados) Milharado, Póvoa da Galega e Bucelas foi tudo menos um passeio, havendo muita chispa, mas sem beliscar a moderação que se recomenda antes das grandes dificuldades.
A história no Cabeço da Rosa já foi descrita, e num ápice estávamos em Alhandra, prestes a enfrentar a subida de A-dos-Loucos – que se revelou fantástica.
Começou pela imprevisibilidade do Miguel (lá está!) ao «negociar» os 400 metros iniciais (a mais de 5%) em pedaleira grande, abrindo, naturalmente, uma distância considerável antes de se entrar na fase mais dura da subida (1 km a 9%, com passagens a 12%). Jogada arriscada, mas que se revelou acertada, pois, rapidamente, deu a perceber que não foi fogo de palha. Já a lidar com as fortes percentagens, passou a gerir o seu avanço face à perseguição que lhe movia, e cujo esforço foi demasiado elevado para o Durão, fazendo-o sucumbir, precisamente na altura em que absorvíamos o fugitivo.
Mas o melhor estava para vir. Ao passar pelo Miguel, este nem esboçou reacção. Estaria a aguardar pelo Durão ou também já estava «descarregado?», questionei-me. A resposta chegou pouco depois, quando o vi passar pela direita, obrigando-me a uma resposta difícil, que me colocou no «red line». O km demolidor estava ultrapassado e confirmava-se que a «coisa» seria discutida a dois. O Durão dificilmente reentraria e o Nuno e o Carlos estavam ainda mais para trás, mas chegaram praticamente em cima do Durão. Muito boa subida também!
Depois de um ligeiro descanso, a passagem pelo empedrado no interior da localidade trouxe mais dificuldades. Seria aqui que se faria mais uma avaliação de forças. Ele, desconhecendo o local, desviou-se do caminho correcto, perante a terrível rampa duríssima em paralelo à nossa frente. Seria sintoma (subconsciente) de fraqueza? Puro engano! Os próximos metros foram de mais esforço para manter ali e demonstraram que, até final, o meu «parceiro» era inatacável. No topo, rendemo-nos mútua homenagem. Bem haja, louco imprevisível, que subida dos diabos! A repetir!
Na última parte do percurso, destaque para a descida de A-dos-Melros a grande velocidade, com empolgantes revezamentos, fechando com chave de ouro uma jornada de altíssimo nível.
Notas de observador
A escaldante subida de A-dos-Loucos foi feita em tempo recorde pessoal. Os 2,8 km (6,3% de inclinação média) em 8m50s pulverizaram o meu anterior registo em 57 segundos! Mais: 19 km/h de média e 183 bpm (ritmo cardíaco revelador que a forma já lá vai e que 2 quilinhos já cá cantam!) E como estão em voga os estudos e artigos de opinião sobre as performances dos ciclistas internacionais (a revista francesa «Velo» tem multiplicado os análises sobre a prestação de Floyd Landis no Tour e de Vinokourov/Valverde na Vuelta), decidi, com o recurso a um programa informático, determinar a potência em Watt desenvolvida por mim e o Miguel em A-dos-Loucos. A saber: no meu caso, fiz média de 342 W, que corresponde a 4,7 W/kg (para 72,5 kg) e o Miguel 295 W, equivalente a 4,9 W/kg (para 60 kg, suponho).
Resta dizer que os melhores do Mundo fazem cerca de 1W/kg mais (mais 70 W em média!), em subidas com o triplo da distância e com o triplo dos km nas pernas. Mesmo assim estamos longe de envergonhar!
Na próxima quinta-feira, feriado, a volta que está prevista promete muito, incluindo alguns troços e uma subida inéditos. A partir de Loures, dirigimo-nos a Frielas, cruzamento de Unhos, Unhos e Sacavém. Depois Alverca, Vila Franca e Alenquer (sempre a rolar durante 50 km). Depois de os roladores se terem saciado, chega a vez dos trepadores: a partir de Alenquer está a 1ª subida, principal «hot spot» do dia (inédita com 4,2 km a 5,5%, e algumas passagens duras, a 15 e 16%. Todavia, não é caso para temores, pois a pendente é irregular, contemplando alguns planos e mesmo descidas. O «miolo»: 1,5 km a partir do km 1,7 tem 6% de média). A ascensão é muito interessante, iniciando-se no cruzamento (à esquerda) à entrada de Alenquer (logo a seguir às bombas) em direcção à zona alta da vila e depois sobe em direcção a Santana da Carnota. O «Prémio da Montanha» está a cerca de 4,5 km (descida suave) do centro da Carnota. Aqui inicia-se a 2ª subida (3 km 3,5%), já conhecida da Clássica da Carnota, até aos eucaliptos, e depois o planalto para Freiria. Então vira-se à esquerda em direcção ao Sobral e daqui para o Forte de Alqueidão, descendo-se depois para Bucelas. Total: 95 km.
Provavelmente, amanhã, se não chover, poderei descrever mais pormenorizadamente a subida de Alenquer.
Este domingo de manhã, porém, para grande surpresa e satisfação, lá estava a Specialized full carbon estacionada nas bombas de Loures. O seu regresso ao seio do grupo não foi apenas um reencontro de companheiros de estrada, revelou-se esfuziante. Verdadeiro recital, como nos seus melhores tempos – não muito longínquos. Exibição de altíssimo nível na dura subida de A-dos-Loucos, principal «hot spot» do percurso deste domingo, corolário de um «pico» de forma que culminaria, no sábado, com as três subidas da Serra da Estrela, que, no entanto, preferiu prescindir. E bem, digo eu!
Esta foi «apenas» a melhor notícia de uma clássica que reuniu todos os predicados para ser merecer o título de espectacular, «nervosa» desde o início devido a um factor de desestabilização inesperado – um elemento estreante que se revelou incrivelmente empertigado durante a primeira metade do percurso, e que acabaria, com lógica, por pagar a factura de tal desbarato de energia. Mas soube sair de cena antes de sofrer males maiores.
Além disso, o pelotão, numeroso e bem recheado, com a presença de consagrados, como o Nuno Garcia e do Carlos, entre os habitués, contribuiu para elevar o nível do grupo. O primeiro exibiu-se em bom plano no Cabeço da Rosa, lançando um forte ataque. Na aceleração que permitiu fazer a junção antes do topo levei o coração às 198 bpm… e o Durão na roda.
Antes da passagem pelo «ponto quente» do Cabeço da Rosa (em versão «soft», a partir de Vila de Rei), o Miguel começou por mostrar serviço na subida da Freixeira, levando apenas o Durão na roda (tiques que não passam!). O tempo inferior a 4 minutos (3.55) indica que o ritmo foi forte. Todavia, as principais figuras controlaram à distância.
A ligação entre a Venda do Pinheiro (agora com o ZT, o Samuel e o Abel já integrados) Milharado, Póvoa da Galega e Bucelas foi tudo menos um passeio, havendo muita chispa, mas sem beliscar a moderação que se recomenda antes das grandes dificuldades.
A história no Cabeço da Rosa já foi descrita, e num ápice estávamos em Alhandra, prestes a enfrentar a subida de A-dos-Loucos – que se revelou fantástica.
Começou pela imprevisibilidade do Miguel (lá está!) ao «negociar» os 400 metros iniciais (a mais de 5%) em pedaleira grande, abrindo, naturalmente, uma distância considerável antes de se entrar na fase mais dura da subida (1 km a 9%, com passagens a 12%). Jogada arriscada, mas que se revelou acertada, pois, rapidamente, deu a perceber que não foi fogo de palha. Já a lidar com as fortes percentagens, passou a gerir o seu avanço face à perseguição que lhe movia, e cujo esforço foi demasiado elevado para o Durão, fazendo-o sucumbir, precisamente na altura em que absorvíamos o fugitivo.
Mas o melhor estava para vir. Ao passar pelo Miguel, este nem esboçou reacção. Estaria a aguardar pelo Durão ou também já estava «descarregado?», questionei-me. A resposta chegou pouco depois, quando o vi passar pela direita, obrigando-me a uma resposta difícil, que me colocou no «red line». O km demolidor estava ultrapassado e confirmava-se que a «coisa» seria discutida a dois. O Durão dificilmente reentraria e o Nuno e o Carlos estavam ainda mais para trás, mas chegaram praticamente em cima do Durão. Muito boa subida também!
Depois de um ligeiro descanso, a passagem pelo empedrado no interior da localidade trouxe mais dificuldades. Seria aqui que se faria mais uma avaliação de forças. Ele, desconhecendo o local, desviou-se do caminho correcto, perante a terrível rampa duríssima em paralelo à nossa frente. Seria sintoma (subconsciente) de fraqueza? Puro engano! Os próximos metros foram de mais esforço para manter ali e demonstraram que, até final, o meu «parceiro» era inatacável. No topo, rendemo-nos mútua homenagem. Bem haja, louco imprevisível, que subida dos diabos! A repetir!
Na última parte do percurso, destaque para a descida de A-dos-Melros a grande velocidade, com empolgantes revezamentos, fechando com chave de ouro uma jornada de altíssimo nível.
Notas de observador
A escaldante subida de A-dos-Loucos foi feita em tempo recorde pessoal. Os 2,8 km (6,3% de inclinação média) em 8m50s pulverizaram o meu anterior registo em 57 segundos! Mais: 19 km/h de média e 183 bpm (ritmo cardíaco revelador que a forma já lá vai e que 2 quilinhos já cá cantam!) E como estão em voga os estudos e artigos de opinião sobre as performances dos ciclistas internacionais (a revista francesa «Velo» tem multiplicado os análises sobre a prestação de Floyd Landis no Tour e de Vinokourov/Valverde na Vuelta), decidi, com o recurso a um programa informático, determinar a potência em Watt desenvolvida por mim e o Miguel em A-dos-Loucos. A saber: no meu caso, fiz média de 342 W, que corresponde a 4,7 W/kg (para 72,5 kg) e o Miguel 295 W, equivalente a 4,9 W/kg (para 60 kg, suponho).
Resta dizer que os melhores do Mundo fazem cerca de 1W/kg mais (mais 70 W em média!), em subidas com o triplo da distância e com o triplo dos km nas pernas. Mesmo assim estamos longe de envergonhar!
Na próxima quinta-feira, feriado, a volta que está prevista promete muito, incluindo alguns troços e uma subida inéditos. A partir de Loures, dirigimo-nos a Frielas, cruzamento de Unhos, Unhos e Sacavém. Depois Alverca, Vila Franca e Alenquer (sempre a rolar durante 50 km). Depois de os roladores se terem saciado, chega a vez dos trepadores: a partir de Alenquer está a 1ª subida, principal «hot spot» do dia (inédita com 4,2 km a 5,5%, e algumas passagens duras, a 15 e 16%. Todavia, não é caso para temores, pois a pendente é irregular, contemplando alguns planos e mesmo descidas. O «miolo»: 1,5 km a partir do km 1,7 tem 6% de média). A ascensão é muito interessante, iniciando-se no cruzamento (à esquerda) à entrada de Alenquer (logo a seguir às bombas) em direcção à zona alta da vila e depois sobe em direcção a Santana da Carnota. O «Prémio da Montanha» está a cerca de 4,5 km (descida suave) do centro da Carnota. Aqui inicia-se a 2ª subida (3 km 3,5%), já conhecida da Clássica da Carnota, até aos eucaliptos, e depois o planalto para Freiria. Então vira-se à esquerda em direcção ao Sobral e daqui para o Forte de Alqueidão, descendo-se depois para Bucelas. Total: 95 km.
Provavelmente, amanhã, se não chover, poderei descrever mais pormenorizadamente a subida de Alenquer.
segunda-feira, setembro 25, 2006
Clássica da Abrigada
O percurso inédito foi aliciante adicional da Clássica da Abrigada, realizada no último domingo, pela primeira vez no âmbito do calendário de temporada. O traçado extremamente equilibrado entre o terreno plano e a montanha «suave» conduziu o pelotão de Loures a Abrigada, da Merceana ao Sobral, e de regresso ao ponto de partida, aproveitando a trégua de S. Pedro, mas enfrentando forte vento na segunda metade: a que tem relevo mais difícil.
Mas não foi só por isso que a jornada foi interessante e bem sucedida. Para tal, contribuiu o comportamento exemplar do grupo, uma vez mais demonstrando elevado nível global, a que não alheia a integração de novos elementos bastante válidos, casos do Pedro Fonseca – grande confirmação! – e do Albino, velho conhecido do Durão, que revelou muito boas qualidades. Estas duas integrações recentes revelam igualmente a óptima saúde do nosso grupo, apesar do extenso rol de ausências de figuras de nomeada, a maioria motivada pela participação nos 100 km de Mafra (BTT), que se disputaram na mesma manhã.
As boas notícias não findam aqui. A maior de todas – perdoem-me a preferência – foi a presença do Nando, cujo gosto pela bicicleta e espírito de sacrifício motivou-o a completar a volta, considerando o que custa a quem tem a forma física insuficiente devido à escassez do treino. Digo-o lamentando a sua presença inconstante nas concentrações domingueiras – por imperativos pessoais e profissionais –, dada a mais-valia insubstituível para o grupo que representa o «peso» do seu enorme carisma. Um grande exemplo, como ficou mais uma vez demonstrado.
Outro facto que não deve deixar de ser (sempre) louvado é a coesão do grupo, tanto mais porque esteve em destaque nesta volta. O melhor exemplo este domingo foi o Samuel, cuja atitude exemplar, compatível com a sua boa forma, contribuiu activamente o bom desenrolar da jornada. Além dele, o combativo rebenta-crencos-Salvador, e o eternoAbel, regressado com o lastro próprio de férias com mesa farta.
Contra todos esteve o vento, principalmente, quando, a partir da Abrigada, passou a soprar de cara, obrigado a um esforço suplementar. Até aí, na primeira parte do percurso o andamento foi bastante moderado – como se quer! –, apesar do engodo à velocidade que oferece a planura do relevo. Nada de mata-cavalos, logo os desgastes foram minimizados, preservando energia preciosa para a secção final, mais acidentada e empenhativa. O Durão, sempre incansável, teve muito mérito ao assegurar, à cabeça do grupo, o ritmo de cruzeiro ideal, para o qual deram o seu préstimo todos os que se sentiram com capacidade, sem excepção.
A partir de Marceana em direcção ao Sobral, o passo endureceu. Chegava a altura adequar o ritmo às capacidades próprias. Bastaram as primeiras rampas, feitas a uma intensidade elevada, para se fazer rapidamente a selecção. A subida é longa e inconstante, requerendo uma gestão rigorosa do esforço, protecção do vento, e uma boa roda. A roda, a minha, e os dignos «chupas»: Durão, o estreante Albino e o Salvador. Só este acabou por ceder, sensivelmente a meio da ascensão, mas, mais tarde, já após a passagem pelo Sobral, demonstrou a sua reconhecida tenacidade, alcançando o trio da frente, passou directo ao Forte de Alqueidão. Então o Durão impôs a sua cadência pesada (52x23) entre os perseguidores e anulou a fuga. Assim, também o Albino acabou por ceder à dureza (vento acima de tudo), chegando ao alto na companhia do Salvador.
A partir daqui, por imperativos de horário, antecipei o regresso a casa, atalhando pelo eixo S. Tiago dos Velhos-A do Mourão, mas já tive conhecimento que a conclusão da jornada decorreu normalmente – que, no cômputo geral, volto a frisar, foi excelente!
Notas de observador
Como já referi, a integração de novos elementos é sintoma de vitalidade do grupo, livre dos maus presságios de opiniões cépticas que, por vezes, emergem sem, porém, mostrarem o rosto. O Pedro Fonseca fez a sua segunda aparição, após a estreia e sádica «praxe» em Sintra e, segundo fontes bem colocadas, apesar de o tratamento não ter tido tanto choque, as consequências repetiram-se: valente empeno! É assim, através de aferições de capacidade superação e resistência às fortes exigências de um grupo de nível, além de camaradagem, que se faz o tirocínio no Pina Bike. Para ti, Pedro, a prova foi superada com 20 valores!
E a atentar às indicações prestadas este domingo pelo outro delfim, o Albino, logo em dia de estreia, o relatório será rigorosamente igual. Bem-vindos, companheiros!
Por falar em indicadores – mas referindo os (meus) físicos –, depreende-se que a temporada no limiar do fim. Fazer força nos pedais já custa muito e os resultados não compensam. Assim, mais do que lógico abrandar o volume e a carga nesta altura do ano, é imperioso aliviar significativamente aos domingos, mesmo se até ao final de Outubro ainda restem algumas Clássicas com subidas exigentes, como a Sra. da Ajuda (espectacular mas para ser feita no auge da forma!) e A-dos-Loucos – esta já no próximo domingo. Ai ai, quem é que fez o calendário?!
Mas não foi só por isso que a jornada foi interessante e bem sucedida. Para tal, contribuiu o comportamento exemplar do grupo, uma vez mais demonstrando elevado nível global, a que não alheia a integração de novos elementos bastante válidos, casos do Pedro Fonseca – grande confirmação! – e do Albino, velho conhecido do Durão, que revelou muito boas qualidades. Estas duas integrações recentes revelam igualmente a óptima saúde do nosso grupo, apesar do extenso rol de ausências de figuras de nomeada, a maioria motivada pela participação nos 100 km de Mafra (BTT), que se disputaram na mesma manhã.
As boas notícias não findam aqui. A maior de todas – perdoem-me a preferência – foi a presença do Nando, cujo gosto pela bicicleta e espírito de sacrifício motivou-o a completar a volta, considerando o que custa a quem tem a forma física insuficiente devido à escassez do treino. Digo-o lamentando a sua presença inconstante nas concentrações domingueiras – por imperativos pessoais e profissionais –, dada a mais-valia insubstituível para o grupo que representa o «peso» do seu enorme carisma. Um grande exemplo, como ficou mais uma vez demonstrado.
Outro facto que não deve deixar de ser (sempre) louvado é a coesão do grupo, tanto mais porque esteve em destaque nesta volta. O melhor exemplo este domingo foi o Samuel, cuja atitude exemplar, compatível com a sua boa forma, contribuiu activamente o bom desenrolar da jornada. Além dele, o combativo rebenta-crencos-Salvador, e o eternoAbel, regressado com o lastro próprio de férias com mesa farta.
Contra todos esteve o vento, principalmente, quando, a partir da Abrigada, passou a soprar de cara, obrigado a um esforço suplementar. Até aí, na primeira parte do percurso o andamento foi bastante moderado – como se quer! –, apesar do engodo à velocidade que oferece a planura do relevo. Nada de mata-cavalos, logo os desgastes foram minimizados, preservando energia preciosa para a secção final, mais acidentada e empenhativa. O Durão, sempre incansável, teve muito mérito ao assegurar, à cabeça do grupo, o ritmo de cruzeiro ideal, para o qual deram o seu préstimo todos os que se sentiram com capacidade, sem excepção.
A partir de Marceana em direcção ao Sobral, o passo endureceu. Chegava a altura adequar o ritmo às capacidades próprias. Bastaram as primeiras rampas, feitas a uma intensidade elevada, para se fazer rapidamente a selecção. A subida é longa e inconstante, requerendo uma gestão rigorosa do esforço, protecção do vento, e uma boa roda. A roda, a minha, e os dignos «chupas»: Durão, o estreante Albino e o Salvador. Só este acabou por ceder, sensivelmente a meio da ascensão, mas, mais tarde, já após a passagem pelo Sobral, demonstrou a sua reconhecida tenacidade, alcançando o trio da frente, passou directo ao Forte de Alqueidão. Então o Durão impôs a sua cadência pesada (52x23) entre os perseguidores e anulou a fuga. Assim, também o Albino acabou por ceder à dureza (vento acima de tudo), chegando ao alto na companhia do Salvador.
A partir daqui, por imperativos de horário, antecipei o regresso a casa, atalhando pelo eixo S. Tiago dos Velhos-A do Mourão, mas já tive conhecimento que a conclusão da jornada decorreu normalmente – que, no cômputo geral, volto a frisar, foi excelente!
Notas de observador
Como já referi, a integração de novos elementos é sintoma de vitalidade do grupo, livre dos maus presságios de opiniões cépticas que, por vezes, emergem sem, porém, mostrarem o rosto. O Pedro Fonseca fez a sua segunda aparição, após a estreia e sádica «praxe» em Sintra e, segundo fontes bem colocadas, apesar de o tratamento não ter tido tanto choque, as consequências repetiram-se: valente empeno! É assim, através de aferições de capacidade superação e resistência às fortes exigências de um grupo de nível, além de camaradagem, que se faz o tirocínio no Pina Bike. Para ti, Pedro, a prova foi superada com 20 valores!
E a atentar às indicações prestadas este domingo pelo outro delfim, o Albino, logo em dia de estreia, o relatório será rigorosamente igual. Bem-vindos, companheiros!
Por falar em indicadores – mas referindo os (meus) físicos –, depreende-se que a temporada no limiar do fim. Fazer força nos pedais já custa muito e os resultados não compensam. Assim, mais do que lógico abrandar o volume e a carga nesta altura do ano, é imperioso aliviar significativamente aos domingos, mesmo se até ao final de Outubro ainda restem algumas Clássicas com subidas exigentes, como a Sra. da Ajuda (espectacular mas para ser feita no auge da forma!) e A-dos-Loucos – esta já no próximo domingo. Ai ai, quem é que fez o calendário?!
terça-feira, setembro 19, 2006
Lagoa Azul
A Clássica de Sintra, na sua versão mais «picante», com passagem pela dura subida da Lagoa Azul, foi extremamente conturbada, ao ponto de se inflectir a marcha, precisamente após aquela ascensão. O motivo foi a quebra de uma das manivelas dos pedais da bicicleta do Salvador, em plena subida, que implicou a interrupção da jornada e o regresso directo a Loures, para garantir que o nosso companheiro chegaria «são e salvo».
Pena que tivesse acontecido este incidente, pois a tirada, além de reunir todas as condições para ser bastante interessante, naquela altura estava ao rubro, com o Freitas «Durão» isolado à entrada para os 2 km terríveis da Lagoa Azul e a perseguição em curso – apesar de eu ter furado e assim eliminado as possibilidades de o grupo anular a aventura do Durão antes da passagem pelo prémio da montanha.
Além disso, neste dia tivemos o agrado da companhia do Paulo Pais, que está a ultimar a sua preparação para a Volta a Palma de Maiorca, nunca se devendo enjeitar a possibilidade de obter ensinamentos e referências de quem, como ele, participa em competições federadas. Por isso, também se lamenta que as incidências da volta tenham prejudicado o seu treino, esperando que o reencontro seja para breve. Que tal, já o próximo domingo, agora que estará mais ciente que, com estes meninos do Pina Bike, a correria pode rebentar quando menos se espera, tal a maneira como foi surpreendido no topo de Guerreiros, a caminho de Loures – tradicionalmente local de última explosão! E depois ainda houve sprint final à chegada às bombas. Depois há quem diga que treinar com alguns «Pina Bike» não dá saúde nenhuma...
Apraz-se registar ainda a estreia do Pedro Fonseca, que, além da simpatia, demonstrou enorme força de vontade em acompanhar o grupo, apesar de ter sentido algumas dificuldades quando o andamento endureceu. Todavia, só pela atitude de galhardia, a que não deve ser alheia a enorme motivação em progredir para um nível de forma mais compatível com as exigências, creio que representa uma mais-valia importante para o grupo. Para a semana, revemo-nos nas bombas da BP.
De resto, registe-se também as presenças do Nuno Garcia e do Zé-Tó, num mini-pelotão que estava a demonstrar boa coesão, pelo menos, até ao primeiro hot-spot (ponto quente) do dia, na Lagoa Azul. Ficou, porém, por saber como decorreria o que restava do percurso original, ainda bastante e recheado de dificuldades.
Pena que tivesse acontecido este incidente, pois a tirada, além de reunir todas as condições para ser bastante interessante, naquela altura estava ao rubro, com o Freitas «Durão» isolado à entrada para os 2 km terríveis da Lagoa Azul e a perseguição em curso – apesar de eu ter furado e assim eliminado as possibilidades de o grupo anular a aventura do Durão antes da passagem pelo prémio da montanha.
Além disso, neste dia tivemos o agrado da companhia do Paulo Pais, que está a ultimar a sua preparação para a Volta a Palma de Maiorca, nunca se devendo enjeitar a possibilidade de obter ensinamentos e referências de quem, como ele, participa em competições federadas. Por isso, também se lamenta que as incidências da volta tenham prejudicado o seu treino, esperando que o reencontro seja para breve. Que tal, já o próximo domingo, agora que estará mais ciente que, com estes meninos do Pina Bike, a correria pode rebentar quando menos se espera, tal a maneira como foi surpreendido no topo de Guerreiros, a caminho de Loures – tradicionalmente local de última explosão! E depois ainda houve sprint final à chegada às bombas. Depois há quem diga que treinar com alguns «Pina Bike» não dá saúde nenhuma...
Apraz-se registar ainda a estreia do Pedro Fonseca, que, além da simpatia, demonstrou enorme força de vontade em acompanhar o grupo, apesar de ter sentido algumas dificuldades quando o andamento endureceu. Todavia, só pela atitude de galhardia, a que não deve ser alheia a enorme motivação em progredir para um nível de forma mais compatível com as exigências, creio que representa uma mais-valia importante para o grupo. Para a semana, revemo-nos nas bombas da BP.
De resto, registe-se também as presenças do Nuno Garcia e do Zé-Tó, num mini-pelotão que estava a demonstrar boa coesão, pelo menos, até ao primeiro hot-spot (ponto quente) do dia, na Lagoa Azul. Ficou, porém, por saber como decorreria o que restava do percurso original, ainda bastante e recheado de dificuldades.
sexta-feira, setembro 15, 2006
Etapa da Serra em imagens -1

Depois das agruras da Serra da Gardunha, quarteto tenta retemperar forças no «rompe pernas» entre o Fundão e a Covilhã. No entanto, o ritmo nunca caiu demasiado e em Belmonte a média fixava-se em apreciáveis 30 km/h. Naturalmente, tudo isto se pagaria bem caro... e uns mais pagaram mais que outros!
Da esquerda para a direita: Miguel, Guedes, Ricardo e Freitas, perdão, Durão. Aliás, quem é que se decide a pôr o peitinho ao vento?!
Etapa da Serra em imagens -2

O entusiasmo do público foi uma constante ao longo de toda a etapa, como se pode ver pela imagem.
Nesta altura, entre Covilhã e Belmonte, com a Serra da Estrela em pano de fundo, (ainda) era esse o sentimento que reinava no seio do mini-pelotão, onde o Miguel impunha o andamento.
O pior foi quando o «pano» deixou de estar ao fundo! Ai, ai...

Esta é uma das imagens mais fortes da Etapa. Estávamos ainda a alguns quilómetros de Manteigas e o Durão já exibia o ar afanado com que chegou à Torre (para ver melhor a foto basta clicar sobre a mesma).
Testemunhas confessaram que depois do Viveiro das Trutas as suas feições ainda espelhavam maior sofrimento. Não foram só as dele...
A fechar o trio é um companheiro muito generoso que entrou depois da Covilhã e seguiu-nos até Manteigas. Depois deu a volta ao cavalo, já adivinhando o que se passaria a partir daí...

Manteigas acabava de ficar para trás e atacavam-se as primeiras rampas, duríssimas, da subida para Piornos.
O prato forte estava servido. Neste preciso momento, o Guedes preparava-se para fazer uma ligeira mudança de ritmo na frente do trio, que deitou por terra toda a estratégia de desgaste do Durão.
A sentença estava ditada!

Dois valentes cavaleiros solitários serra acima.
A atentar pelas semelhanças do equipamento (e da perna peluda!) seria dupla para trabalhar em conjunto... mas a concorrência nem se deu a ver.
Todavia, tiveram muito mérito pelo esforço, rapazes! Extensível ao Salvador e ao João, que por motivos de horário não aparecem na reportagem.
quinta-feira, setembro 14, 2006
Etapa da Serra em imagens -4
Grande subida do Guedes, parceiro inseparável até Piornos. Pelo meu sofrimento deu para perceber o dele, que desde a saída de Manteigas se vinha a queixar com fome... e que tinha de voltar para casa... ATRÁS DA SERRA DA GARDUNHA! Certamente quando nos encontrou por acaso, não estava à espera de um tratamento destes... Felizmente, tudo se resolveu com uma boleia muito «camarada» do Miguel. Em Piornos juntou-se ao Freitas e chegaram à Torre... inteiros. Aí está um elemento válido para o Pina Bike, exemplo para muita gente, pela coragem e fibra. Um forte abraço!
Aquele bidão amarelo diz «Etape du Tour 2006» e foi obrigatório dignificá-lo!
Mas foi difícil. Não sofri tanto no Alpe d'Huez, com 180 km nas pernas, 35 graus de temperatura e um pé a rebentar de dor...
Que saudades dos pelotões franceses!

O alto está mesmo aliiiiiii, e nunca mais chega...
Nunca subir a Estrela foi tão duro.
Ai a média de 30 km/h e tal e tal...
Pois é, como diz o outro, não há milagres!

Enfim, a Torre! Depois de 5h15m de uma fantástica jornada velocipédica, no rescaldo de uma inesperadamente penosa subida final, chegar finalmente à famosa «rotunda do alívio», a 1993 metros de altitude, foi um momento muito saboroso...
Esta já cá está! Durinha, durinha...

Eis o Durão totalmente «amolecido», na companhia do valente Guedes à chegada ao ponto mais alto de Portugal Continental.
A sensação de dever cumprido compensa todos os sacrifícios. E foram muitos! Para o ano, podes meter o comboio à média de 30 km/h que eu fico num grupetto. Ai fico, fico!
E que melhor prémio que a nossa família à espera para nos acolher?
segunda-feira, setembro 11, 2006
Serra da Estrela, a acentuada tortura
A Etapa da Serra da Estrela, de 2006, foi uma jornada épica que superou todas as expectativas sobre as elevadíssimas dificuldades que enfrentariam os «aventureiros» que aceitaram o desafio de cumprir o percurso principal, de 124 km e 2600 metros de desnível acumulado. Todavia, a jornada ficou aquém da mobilização que se pretendia como iniciativa pioneira e aliciante, não apenas em número de participantes, como em coordenação, assistindo-se a uma divisão voluntária do elenco por motivos que não se percebem.
A tirada, já se sabia, seria muito mais exigente que as condições do próprio traçado montanhoso e da sua longa distância, porque a estas havia que contabilizar o factor-competitividade, indissociável a todos grupos de praticantes de ciclismo de bom nível. Mas esta perspectiva foi excedida largamente, impondo à etapa o grau de dificuldade correspondente, que, indiscutivelmente, prejudicou o seu normal desenrolar e provocou desgaste acentuadíssimo a todos – friso: a todos! – os participantes do percurso maior (A). A razão foi a abordagem, muito controversa, à «prova», quiçá subestimando as dificuldades inalienáveis, distância e relevo, juntando-lhe uma inquestionável sobrevalorização (mesmo que inconsciente) das capacidades atléticas individuais (e do grupo, por consequência) em prol de um objectivo legítimo: o espírito competitivo. Ou seja, cometeu-se um erro de gestão de esforço que acabou por sair muito caro quando a Serra da Estrela, no final, impôs a sua factura. E que gorda factura!
Todavia, este percalço, que ficou bem marcado no corpo, não retirou brilhantismo à Etapa: percurso lindíssimo e exigente, realizado, na sua maior parte, a uma velocidade elevadíssima. Daí a razão de todos os males. Os números confirmam: após 50 km e de dupla passagem pela Serra da Gardunha, a média horária fixava-se nos 29,5 km/h. O autor de tamanha proeza irresponsável foi um trio (Durão, Miguel e eu), a que se juntou o Armando (Guedes), cliente do Pina (Cannondale Six13) a passar férias na região, que nos encontrou por feliz casualidade após a primeira ascensão da Gardunha, prestes a dar meia-volta na rotunda de Lardosa.
À chegada a Belmonte, com 85 km percorridos, a média já tinha subido para 30 km/h e em Manteigas, antes de iniciar a subida final para a Torre (103 km e já 1400 metros de desnível acumulado), desceu apenas 0,5 km/h (para 29,5 km/h) - uma média, neste tipo de percurso, que está ao nível de uma Clássica Internacional – mas aqui com apenas quatro elementos!
Repartem-se responsabilidades por este andamento vivíssimo, quase suicida por ter sido à custa de um esforço de grande intensidade, principalmente nas subidas secundárias, onde se recomendaria maior contenção. O Durão abriu as hostilidades nas duas passagens pela Gardunha: a primeira logo a abrir a etapa (mau, mau); e a segunda, mais difícil, mas que teve como atenuante o facto de o andamento ter sido mais moderado, graças ao Miguel, que em boa hora parou para urinar. Depois, ainda e sempre o Durão a impor o ritmo na descida para o Fundão, metendo o grupo a 60 km/h nas suas costas.
Mais tarde, a seguir à Covilhã, na subida de Orjais, foi o Miguel a puxar dos galões e a fazer disparar o coração, na subida de Vale Formoso voltou a ser o Durão a endurecer o ritmo. Por fim, a partir de Valhelhas fui eu a entrar ao serviço, que se estendeu à entrada da subida final para Piornos/Torre.
Assim, dificilmente não se assistiria a uma prova por eliminação. Em Valhelhas, com 87 km, o Miguel foi a primeira vítima deste andamento de elite, perdendo irremediavelmente o contacto com o grupo (naquela altura era um quinteto, com a junção de um elemento nativo de Teixoso até Manteigas), acabando por antecipar o final da sua jornada em Piornos.
Depois, o Durão, já a contas com duas arreliadoras avarias na bicicleta (primeiro o guiador descaiu e depois partiu-se um raio no empedrado de Manteigas, pagou toda a sua audácia ao longo do percurso ficando pregado logo nas primeiras rampas duríssimas (Viveiro das Trutas) da subida final e arrastou-se até Piornos, onde encontrou o Armando, que parara para abastecer depois de ter ficado «vazio», tendo ambos cumprido a ligação à Torre juntos. E eu, abandonado à dor, desfazendo-me serra acima, com um par de paragens pelo meio para atenuar a fadiga e a vontade crescente de acabar o sofrimento mesmo ali!
No final: 5h15m de uma enormíssima aventura a repetir em formato mais «racional» e para recordar, neste caso, para não voltar a cometer os mesmos erros «estratégicos». A experiência das participações além-fronteiras deveria ter sido melhor conselheira. E ninguém está ilibado.
Quanto aos restantes companheiros neste desafio serrano, pode-se dizer que foram apenas companheiros de bastidor, pois o contacto na estrada foi incompreensivelmente fugaz ou mesmo inexistente. Resumiu-se ao encontro com o Zé-Tó e o Steven (que fizeram juntos a trajecto desde a Covilhã), pouco antes do cruzamento de Piornos, onde o primeiro parou. O Steven, que ainda me acompanhou nas primeiras centenas de metros da subida, após a Nave de Santo António, seguiu no seu andamento, chegando à Torre aparentemente em boas condições. Aqui já estavam há algum tempo o João e o Salvador, que partiram do Fundão meia-hora antes do previsto. De resto, nem estes duos se cruzaram em todo percurso. Porquê?!
A tirada, já se sabia, seria muito mais exigente que as condições do próprio traçado montanhoso e da sua longa distância, porque a estas havia que contabilizar o factor-competitividade, indissociável a todos grupos de praticantes de ciclismo de bom nível. Mas esta perspectiva foi excedida largamente, impondo à etapa o grau de dificuldade correspondente, que, indiscutivelmente, prejudicou o seu normal desenrolar e provocou desgaste acentuadíssimo a todos – friso: a todos! – os participantes do percurso maior (A). A razão foi a abordagem, muito controversa, à «prova», quiçá subestimando as dificuldades inalienáveis, distância e relevo, juntando-lhe uma inquestionável sobrevalorização (mesmo que inconsciente) das capacidades atléticas individuais (e do grupo, por consequência) em prol de um objectivo legítimo: o espírito competitivo. Ou seja, cometeu-se um erro de gestão de esforço que acabou por sair muito caro quando a Serra da Estrela, no final, impôs a sua factura. E que gorda factura!
Todavia, este percalço, que ficou bem marcado no corpo, não retirou brilhantismo à Etapa: percurso lindíssimo e exigente, realizado, na sua maior parte, a uma velocidade elevadíssima. Daí a razão de todos os males. Os números confirmam: após 50 km e de dupla passagem pela Serra da Gardunha, a média horária fixava-se nos 29,5 km/h. O autor de tamanha proeza irresponsável foi um trio (Durão, Miguel e eu), a que se juntou o Armando (Guedes), cliente do Pina (Cannondale Six13) a passar férias na região, que nos encontrou por feliz casualidade após a primeira ascensão da Gardunha, prestes a dar meia-volta na rotunda de Lardosa.
À chegada a Belmonte, com 85 km percorridos, a média já tinha subido para 30 km/h e em Manteigas, antes de iniciar a subida final para a Torre (103 km e já 1400 metros de desnível acumulado), desceu apenas 0,5 km/h (para 29,5 km/h) - uma média, neste tipo de percurso, que está ao nível de uma Clássica Internacional – mas aqui com apenas quatro elementos!
Repartem-se responsabilidades por este andamento vivíssimo, quase suicida por ter sido à custa de um esforço de grande intensidade, principalmente nas subidas secundárias, onde se recomendaria maior contenção. O Durão abriu as hostilidades nas duas passagens pela Gardunha: a primeira logo a abrir a etapa (mau, mau); e a segunda, mais difícil, mas que teve como atenuante o facto de o andamento ter sido mais moderado, graças ao Miguel, que em boa hora parou para urinar. Depois, ainda e sempre o Durão a impor o ritmo na descida para o Fundão, metendo o grupo a 60 km/h nas suas costas.
Mais tarde, a seguir à Covilhã, na subida de Orjais, foi o Miguel a puxar dos galões e a fazer disparar o coração, na subida de Vale Formoso voltou a ser o Durão a endurecer o ritmo. Por fim, a partir de Valhelhas fui eu a entrar ao serviço, que se estendeu à entrada da subida final para Piornos/Torre.
Assim, dificilmente não se assistiria a uma prova por eliminação. Em Valhelhas, com 87 km, o Miguel foi a primeira vítima deste andamento de elite, perdendo irremediavelmente o contacto com o grupo (naquela altura era um quinteto, com a junção de um elemento nativo de Teixoso até Manteigas), acabando por antecipar o final da sua jornada em Piornos.
Depois, o Durão, já a contas com duas arreliadoras avarias na bicicleta (primeiro o guiador descaiu e depois partiu-se um raio no empedrado de Manteigas, pagou toda a sua audácia ao longo do percurso ficando pregado logo nas primeiras rampas duríssimas (Viveiro das Trutas) da subida final e arrastou-se até Piornos, onde encontrou o Armando, que parara para abastecer depois de ter ficado «vazio», tendo ambos cumprido a ligação à Torre juntos. E eu, abandonado à dor, desfazendo-me serra acima, com um par de paragens pelo meio para atenuar a fadiga e a vontade crescente de acabar o sofrimento mesmo ali!
No final: 5h15m de uma enormíssima aventura a repetir em formato mais «racional» e para recordar, neste caso, para não voltar a cometer os mesmos erros «estratégicos». A experiência das participações além-fronteiras deveria ter sido melhor conselheira. E ninguém está ilibado.
Quanto aos restantes companheiros neste desafio serrano, pode-se dizer que foram apenas companheiros de bastidor, pois o contacto na estrada foi incompreensivelmente fugaz ou mesmo inexistente. Resumiu-se ao encontro com o Zé-Tó e o Steven (que fizeram juntos a trajecto desde a Covilhã), pouco antes do cruzamento de Piornos, onde o primeiro parou. O Steven, que ainda me acompanhou nas primeiras centenas de metros da subida, após a Nave de Santo António, seguiu no seu andamento, chegando à Torre aparentemente em boas condições. Aqui já estavam há algum tempo o João e o Salvador, que partiram do Fundão meia-hora antes do previsto. De resto, nem estes duos se cruzaram em todo percurso. Porquê?!
domingo, setembro 03, 2006
Rolar ou rolar bem?
Há os que rolam e os que rolam bem. Ponto! Entre uns e outros, as diferenças são significativas e distinguem até quem exibe estados de forma muito aproximados. Quando o relevo não oferece dificuldade apreciável e o peso ou a menor aptidão para exercício de subida não têm especial influência nas performances, sobressaem os ciclistas fortes e possantes que conseguem desenvolver desmultiplicações grandes e consequentemente velocidades de cruzeiro elevadas.
Mesmo contra o vento e muitas vezes sem se aperceberem das dificuldades em que colocam os demais - as que sentem quando enfrentam os trepadores no seu (destes) «habitat»: a montanha. Aliás, no próximo domingo, na Serra da Estrela, haverá oportunidade de constatá-lo. Ou não!
Isto é o que consegue fazer, quase na perfeição, o nosso camarada Durão – classicómano de excepção, mas acima de tudo rolador e sprinter de qualidade indiscutível. Hoje, na lezíria ribatejana, rubricou alguns momentos que comprovam plenamente o estatuto que está na origem do cognome que escolheu para se identificar neste blog.
O primeiro, conduzindo o grupo, numa secção entre Vila Franca e o Porto Alto, sem baixar dos 40 km/h - que meteu muito boa gente (incluindo eu) no «vermelho». Mais tarde, à saída Benavente quando se lançou na peugada do Fantasma (que bem que ia na protecção de um autocarro!) neutralizando rapidamente a sua fuga. Por último, na estrada de Sto. Estevão, quando rolou durante vários km em fuga, sempre a roçar os 40 km/h. E se nas duas primeiras situações, o pelotão enfileirou, como pôde, atrás da locomotiva, já na terceira obrigou a uma perseguição férrea do grupo, que só o bom entendimento entre os seus elementos permitiu que fosse coroada de êxito. Renovo os parabéns ao desempenho individual e colectivo!
Estes foram, de resto, os momentos mais destacados de uma volta (reedição da Clássica de Sto. Estevão) realizada a uma média excepcional de quase 32 km/h (e houve algumas quebras e paragens. Por exemplo, não me sai da memória a visão do Fantasma a tentar equilibrar a delicadíssima Six13 no espesso areal da largada de touros em Sto. Estevão), e onde o comportamento e empenho do grupo merece, sem contemplações, rasgados elogios, demonstrando que as baterias estão quase no ponto para a Serra da Estrela, que é já no próximo domingo.
Mais: através das boas indicações deixadas, percebe-se que há um punhado de unidades em estado de forma muito aproximado, deixando em aberto algumas interrogações sobre o desempenho final na etapa serrana. Refiro-me ao trio João, Salvador e ZT, cuja presença à partida do Fundão está confirmada, e que, à parte da certeza de que reúnem todas as condições para realizar muito bem a etapa, haverá, da minha parte, uma certa curiosidade em saber como se irão sair, tendo em conta a elevadíssima selectividade da tirada.
Na perspectiva de observador atento, creio que haverá factores, digamos, indirectos, como a gestão do esforço e a própria leitura das incidências, que poderão ajudar a definir as diferenças finais, podendo diluir condicionantes quase sempre determinantes como os km acumulados durante o ano e o nível de treino. Na minha opinião, até ver este será o núcleo duro dos participantes no percurso B, que terão tudo a ganhar se unirem esforços, pois o maior desafio de todos é chegar à Torre.
Quanto ao percurso A, existe apenas a certeza antecipada de que não será fácil a ninguém. Logo que o tempo ajude, há tudo para ser uma memorável jornada de ciclismo!
Mesmo contra o vento e muitas vezes sem se aperceberem das dificuldades em que colocam os demais - as que sentem quando enfrentam os trepadores no seu (destes) «habitat»: a montanha. Aliás, no próximo domingo, na Serra da Estrela, haverá oportunidade de constatá-lo. Ou não!
Isto é o que consegue fazer, quase na perfeição, o nosso camarada Durão – classicómano de excepção, mas acima de tudo rolador e sprinter de qualidade indiscutível. Hoje, na lezíria ribatejana, rubricou alguns momentos que comprovam plenamente o estatuto que está na origem do cognome que escolheu para se identificar neste blog.
O primeiro, conduzindo o grupo, numa secção entre Vila Franca e o Porto Alto, sem baixar dos 40 km/h - que meteu muito boa gente (incluindo eu) no «vermelho». Mais tarde, à saída Benavente quando se lançou na peugada do Fantasma (que bem que ia na protecção de um autocarro!) neutralizando rapidamente a sua fuga. Por último, na estrada de Sto. Estevão, quando rolou durante vários km em fuga, sempre a roçar os 40 km/h. E se nas duas primeiras situações, o pelotão enfileirou, como pôde, atrás da locomotiva, já na terceira obrigou a uma perseguição férrea do grupo, que só o bom entendimento entre os seus elementos permitiu que fosse coroada de êxito. Renovo os parabéns ao desempenho individual e colectivo!
Estes foram, de resto, os momentos mais destacados de uma volta (reedição da Clássica de Sto. Estevão) realizada a uma média excepcional de quase 32 km/h (e houve algumas quebras e paragens. Por exemplo, não me sai da memória a visão do Fantasma a tentar equilibrar a delicadíssima Six13 no espesso areal da largada de touros em Sto. Estevão), e onde o comportamento e empenho do grupo merece, sem contemplações, rasgados elogios, demonstrando que as baterias estão quase no ponto para a Serra da Estrela, que é já no próximo domingo.
Mais: através das boas indicações deixadas, percebe-se que há um punhado de unidades em estado de forma muito aproximado, deixando em aberto algumas interrogações sobre o desempenho final na etapa serrana. Refiro-me ao trio João, Salvador e ZT, cuja presença à partida do Fundão está confirmada, e que, à parte da certeza de que reúnem todas as condições para realizar muito bem a etapa, haverá, da minha parte, uma certa curiosidade em saber como se irão sair, tendo em conta a elevadíssima selectividade da tirada.
Na perspectiva de observador atento, creio que haverá factores, digamos, indirectos, como a gestão do esforço e a própria leitura das incidências, que poderão ajudar a definir as diferenças finais, podendo diluir condicionantes quase sempre determinantes como os km acumulados durante o ano e o nível de treino. Na minha opinião, até ver este será o núcleo duro dos participantes no percurso B, que terão tudo a ganhar se unirem esforços, pois o maior desafio de todos é chegar à Torre.
Quanto ao percurso A, existe apenas a certeza antecipada de que não será fácil a ninguém. Logo que o tempo ajude, há tudo para ser uma memorável jornada de ciclismo!
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