segunda-feira, março 27, 2006

Um furo e dois heróis

Uma fuga e um furo, pouco antes de Castanheira do Ribatejo, marcaram definitivamente o cariz da Clássica do Reguengo, no último domingo. O percurso era longo (120 km) mas, já se sabia, totalmente plano, à medida de roladores e encorajador de iniciativas como a que sucedeu à passagem pelo paralelo de Vila Franca, onde o Fantasma e o Salvador se distanciaram rapidamente de um pelotão numeroso, com algumas ausências importantes (casos do Miguel, L-Glutamina, Daniel, Vidigueira, entre outros, provavelmente vítimas da mudança de hora?!) mas repleto de caras novas. Entre estas, Paulo Matias, que fez uma aparição fugaz na recente Clássica de Évora, e que, desta vez, teve a particularidade de alterar o figurino da tirada – involuntariamente, diga-se.
Quando a fuga do dia durava há apenas dois quilómetros, cerca de Castanheira, e com o pelotão, numa primeira fase, a organizar-se para controlá-la, eis que Paulo Matias fura, forçando a uma paragem colectiva que, no mínimo, demorou 10 minutos. Foi esta a vantagem com que os dois fugitivos ficaram a aproximadamente 90 km do final. Recuperável para um pelotão forte e bem organizado? Talvez, mas difícil, mesmo tratando-se de uma dupla apenas. De resto, reforcei essa ideia pelo facto de o relevo não impor grandes dificuldades.
Uma vez retomada a marcha, sabia-se que iniciava uma caçada duradoura, que só terminaria quando concretizada (ou não!). O pelotão tentou desde logo organizar-se na perseguição, o que foi conseguido apesar de a coordenação ter estado longe de ser perfeita. Além disso, havia que contar com a menor capacidade de alguns elementos, principalmente quando o cansaço começasse a pesar nas pernas. Por exemplo, nos topos à saída de Azambuja houve necessidade de interromper o ritmo para «resgatar» o Abel.
De qualquer modo, rolou-se depressa atrás das duas figuras da jornada, primeiro a favor do vento até ao cruzamento de Cruz do Campo, e depois, contra o vento, com mais moderação, na estrada de lezíria que liga Valada a Azambuja.
Nesta altura, começou a duvidar-se sobre a presença dos fugitivos no mesmo percurso do pelotão. Que injustiça! Mas foi por mera falta de noção do tempo e da distância. A vrdade é que se andava muitíssimo bem lá na frente. De tal maneira, que, finalmente, só pouco antes de Vila Franca é que se avistaram – e a junção feita apenas no Sobralinho, após cerca de 90 km de escapada. Feitas as contas por alto, os dois protagonistas perderam, em média, cerca de 6,5 segundos por quilómetro, para um pelotão – sublinho –, numeroso e bem organizado. Não é bom, é muito bom, mesmo considerando a planura do percurso e as interrupções (duas ou três) no ritmo da perseguição – factores que terão, sem dúvida, contribuído para aumentar (mas não muito) aquele tempo. E se atentarmos à média realizada (à passagem por Alverca: 32 km/h), ainda com melhor noção ficamos do mérito da dupla de heróis. Mais: aquando da chegada, de rompante, do grosso da coluna, a dupla, embora naturalmente com bastante fatiga, estava longe de se arrastar – e o Fantasma ainda deu um ar da sua graça quando o comboio ia lançado antes de Alverca. Haverá dúvidas que o segredo da sua fantástica subida de forma é a aplicação na preparação semanal (descanso incluído) e a assiduidade à terapia dominical?

Notas de observador

1- Para a semana começam as Clássicas de Primavera, com a de Sintra 2, uma reedição da que foi disputada no final do ano passado e que tantas marcas deixou em alguns elementos do pelotão, nomeadamente em «duros» como o Hélder. As dificuldades vão aumentar e também a necessidade de moderar o andamento pelo menos nas fases intermédias, entre as subidas. Porque vão haver muitas. E também um final muito acidentado, entre Algueirão e Loures. Nesta altura, a capacidade de resistência a esforços intensos prolongados vai fazer a diferença. Vejo muita gente em crescendo de forma e interessada em lutar pelo «pódio», como disse o Z. A selectividade do terreno começará a impor-se à distância e os roladores darão lugar os todo-o-terreno, e estes terão de se haver com os trepadores nos momentos «altos». Será também boa ocasião para aferir as evoluções de forma de alguns elementos, e até dos que têm objectivos definidos na temporada. Além disso, chegou-me aos ouvidos que há algumas «contas a ajustar». Pela minha parte, deverei experimentar as pernas. A ver vamos.

2- Não dá para ignorar este episódio verdadeiramente rocambolesco, que nada tem a ver com ciclismo, mas com outra modalidade por mim muito apreciada: o atletismo – ou o que poderia ser uma tentativa de organizar uma competição do género. À passagem pela estrada de lezíria, entre Reguengo e Azambuja, marcações de distâncias na berma e diversos agentes de autoridade estrategicamente colocados em cruzamentos não deixavam dúvidas que ali se disputava – ou iria disputar – uma prova de atletismo de fundo. A confirmação veio pouco depois, quando avistámos os batedores, que abriam caminho ao líder destacado da prova – que logo se percebeu ir muitíssimo destacado. Mas muitíssimo mesmo. Provavelmente até demais. Tanto, que ponderámos que seria mesmo o único participante. Aliás, nos 7 km seguintes, até Azambuja, não cruzámos com mais algum, apesar de, entretanto, num posto de abastecimento, um membro da organização continuar à espera de fornecer aos restantes alguns líquidos. Arrisco dizer que em vão. Ou seja, o atleta, que até ia numa boa passada, era vencedor… à partida. Todavia, há uma explicação minimamente plausível: na mesma altura, cerca de 35 mil potenciais adversários atravessavam a Ponte 25 de Abril. Assim, as probabilidades de vitória do solitário desportista aumentaram exponencialmente. Há dias de sorte…

domingo, março 19, 2006

Um domingo... diferente!

Estava longe de prever terminar a semana em Montejunto. Mas são assim as partidas do tempo e do nosso amigo Freitas. Os últimos dias foram de impiedosa intempérie e estava convicto que hoje só um verdadeiro milagre demoveria S. Pedro de prolongar a sua ira. Apesar de o dia ter nascido enganosamente ensolarado, por precaução reservei um bolso para o impermeável. E fiz bem, porque mal pus o pé fora de casa o céu cobriu-se de nuvens negras e em Vialonga já chovia torrencialmente. Antes de me cobrir de plástico já estava conformado de que iria ser mais um dia de pinto. Mais: a bátega foi tal que não deu para ficar com pinga de dúvida.
Encharcado e atrasado, detive-me à entrada do Tojal perante os sinais de luzes de uma conhecida carrinha de transporte de produtos, perdão, de medicamentos urgentes. Ao volante, o Freitas. Destino: Montejunto. No início pensei que ainda estaria a sonhar, mas com a água fria que me chegava ao corpo vi logo que não. «Então e a malta? Não iamos para Runa?», perguntei. «Estão nas bombas, alguns. Mas vão em direcção ao Sobral. Para apanhar chuva, pelo menos que faça alguma coisa de jeito», respondeu com cara de enfado. Fazia sentido. Todavia, chuva, vento e dor não fazem o cocktail mais apetecível. Reconheço que tive alguma (grande) renitência em aceitar a ideia, mesmo sabendo que as oportunidades para treinar em Montejunto não são frequentes, ainda para mais (bem) acompanhado. Mas naquele estado as alternativas não eram muito melhores, e por isso lá fui sentado no banco revestido a panos de desenrasco e com a ventilação no quente. A meio caminho, a coisa esteve muito mal parada, quando começou a cair da grossa na variante de Alenquer – que nos fez recordar aquele dia terrível do acidente do Miguel. E a visão sobre a serra era aterradora. No entanto, caiu forte, mas durou pouco. E o sol, embora timidamente, pôs-se sorridente.
Próxima paragem: Abrigada. Parque de estacionamento da escola secundária, ponto de partida para a jornada que se avizinhava… dura. Direcção: Espinheira e Cercal, para atacar a montanha por Pragança – por onde gosto mais! Até lá, ficamos (ou fiquei?!) a saber que até à subida propriamente dita o trajecto não é fácil. Topos e mais topos tocados a vento, que – nessa altura ficou evidente – soprou de cara ao longo de toda a subida, tornando-a ainda mais difícil por ter inclinações muito acentuadas. Foi, por assim dizer, uma subida sofrida, por não ter tido possibilidades de «meter» rotação (quase sempre sem passar das 60 na rampa dos 15% e na parte final depois do quartel). O ideal para mim é 80-90. Mesmo assim, o «crono» final foi razoável.
Nota ainda para a boa subida realizada pelo Freitas, que preferiu ir no seu «passo» logo de entrada, mas manteve-se sempre a distância curta, chegando ao alto com menos de 1 minuto de atraso.
Meia volta ao cavalo e nova subida, agora por Vila Verde dos Francos, a única vertente a favor do vento. Agora, tal como sucedeu há algumas semanas, quando aí estive a treinar sozinho, o «elan» foi muito superior. Boas sensações para a época (ou seja, sem deslumbrarem), possibilidade de fazer alterações de ritmo e sem aquele sintoma nada animador de «quando é que é que isto acaba!».
O Freitas voltou a optar por subir no seu ritmo, mas terá pago o esforço da primeira subida (aliás, fiquei com essa ideia logo que o vi chegar após esta), e foi sempre em perda até ao alto. Assim, no final, a diferença foi bastante maior (cerca de 4 minutos).
Cumprida a pesada pena a que nos submetemos regressámos à base, voltando a enfrentar os topos e… o vento forte a partir da Espinheira. Mas pelo menos não voltou a cair pingo de chuva. 80 km às voltas por Montejunto: um domingo, de facto, diferente e inesperado!

quinta-feira, março 16, 2006

Ainda no rescaldo de Évora...

Ainda sob os efeitos da bem sucedida tirada Loures-Évora, a Clássica do Reguengo, que se disputará no próximo dia 26, tem características muito parecidas e promete também agradar à maioria. É sempre ou quase sempre a rolar (bom para atenuar as diferenças), suficientemente extensa (mais ou menos 120 km pesam nas pernas) e tem um sector (intermédio) com cerca de 20 km (entre Vale da Pedra e Azambuja) numa estrada estreita, nem sempre com piso regular, em meio envolvente tipicamente campestre, ao estilo das clássicas do Norte da Europa, que aprecio bastante. Aqui, a cota varia entre o 1 m e o -1 m, e a única dificuldade é não distrair-nos com a paisagem. Os que ainda não conhecem, certamente vão gostar – isto se no dia 26 tiverem tempo de a apreciar.
Embora a ida e o regresso seja pelo mesmo caminho (até e a partir de Azambuja), o troço que referi dá a esta volta uma personalidade muito especial, em ambiente tranquilo (praticamente não há trânsito) e propício a grandes cavalgadas. Posso dizer que é o meu local de eleição para treinar em terreno plano – mas também sugiro apenas para passear.

Entretanto, este domingo é a volta de Runa, que já foi disputada no início do ano, com muita animação. Nessa altura, o Freitas já demonstrava a boa forma e o espírito de combatividade actuais, agitando as águas logo à saída da Merceana, depois de a primeira metade do percurso ter sido tranquila. Até ao cruzamento de Runa foi bastante divertido, com a perseguição, algo desgarrada, ao fugitivo, que acabou por ser alcançado na última descida (mas apenas por três elementos). Recordo-me que, depois, a «parede» junto ao campo de futebol, à saída de Runa, foi pacífica, o mesmo sucedendo em Sapataria e Montachique. Desta vez, estas duas últimas estão excluídas, entrando a não mais fácil subida para o Sobral (de Dois Portos) e depois para o Forte de Alqueidão.
No rescaldo de Évora, sugiro que alguns elementos que mostraram estar em boa forma apliquem os ensinamentos obtidos (e foram muitos!) nessa jornada alentejana e não se deixem surpreender com eventuais movimentações em locais insuspeitos. Relembrem-se, a união e a coordenação fazem a força e atenuam (ou mesmo anulam) as diferenças

segunda-feira, março 13, 2006

Clássica de Évora: agradável surpresa

No ano passado não participei na primeira edição da Clássica de Évora, mas através dos comentários ficara com a ideia que não teria grandes motivos de interesse. Admito que devido ao percurso ser praticamente plano, género que não aprecio particularmente, quando comparado, por exemplo, com o de Fátima, mesmo que efectuado pela EN1.
No dia seguinte à minha estreia, posso garantir que estava puramente enganado. Por todas as razões que justificavam o meu cepticismo. O traçado, que atravessa o baixo Ribatejo até ao alto Alentejo é, sem dúvida, para roladores, fortes, e a distância (140 km) não dá contemplações aos menos bem preparados. O perfil altimétrico é bastante curioso. Ao contrário do que se poderia supor, vai subindo gradualmente desde Vila Franca até Évora, com alguns picos mais acentuados a partir de Montemor-o-Novo, os últimos 30 km, tornando o final da tirada bastante mais selectivo. Além disso, a paisagem vai mudando à medida em que subimos – neste caso – para o Alentejo, diferindo bastante da que estamos habituados a contemplar na nossa região.
Depois, como diz a velha máxima ciclista, «as dificuldades ditam-se pelo andamento». E por isso foram acentuadas, não só pelo bom nível global do enorme pelotão que partiu de Loures, mas também porque a competitividade no seu seio está ao rubro. Assim, a crónica da etapa só poderia ser fértil de interesse.
Primeiro facto relevante a reter: o andamento sempre vivo desde a partida, esclarecedor sobre o cariz especial, e mais exigente, destas super-clássicas. Desta vez, ao contrário da maioria das voltas domingueiras, saiu-se a boa velocidade em direcção a Alverca, cumprindo-se, logo aí, uma média superior a 30 km/h. O mérito coube, em especial, a dois ou três elementos mais empenhados na frente do grupo, entre estes, o Casaínhos e o Freitas. Logo se viu que não era dia para relaxe. O único senão foi a passagem por Vila Franca, em que houve uma aceleração demasiado forte à cabeça que criou vários cortes no grupo – embora logo nas primeiras centenas de metros da recta do Cabo voltasse a reagrupar-se.
A ligação entre Porto Alto e Pegões fez-se em pelotão compacto, a uma média superior a 33 km/h, alcançada sem a necessidade de recurso à tradicional rendição ordenada na frente do pelotão, graças à disponibilidade para a exposição ao vento de um punhado de esforçados trabalhadores.
Factos a reter neste sector: a quebra de um raio de um «outsider» de ascendência africana que, pelos vistos, ninguém sabia a proveniência; e a avaria mecânica do veterano Victor, que agrava o rol dos seus habituais lamentos (brinco!)) e que acabou por impedi-lo de concluir a prova – mesmo que, às tantas, tenha tomado por empréstimo nova montada.
Uma vez chegados a Pegões, eis a primeira movimentação a sério do dia: o Freitas ataca logo após a rotunda, surpreendendo todos – ou quase, talvez menos o Miguel. Confesso que devido ao meu desconhecimento do percurso estava a aguardar por Vendas Novas para assistir às primeiras escaramuças da sua parte, aliás, como o próprio deixou bem explícito em comentário de antevisão à prova neste blog.
Mas o homem não esperou por mais tarde e arrancou com força, ganhando alguns metros (nunca foram mais de 100/150) ao pelotão, numa zona plana e totalmente exposta ao vento, o que facilitou a tarefa dos perseguidores. De resto, o entendimento no grosso da coluna foi exemplar e… surpreendentemente rápido. Por isso, a iniciativa foi condenada ao insucesso.
No entanto, 3 ou 4 km depois, é a vez do Miguel, seu gregário de luxo, também atacar, desta vez, em terreno mais propício, além de ter tido o mérito de deixar o pelotão perante a segunda necessidade de perseguir, num espaço de tempo curto – o que causou alguma retracção. Além disso, teve resposta pronta de Paulo Matias (estranhamente, porque acabara de se juntar ao grupo), criando evidente desestabilização no pelotão. Aproveitamento esse ensejo, o Freitas foi no encalço do duo, que passou rapidamente a trio. Agora a questão tornava-se mais séria – apesar de ainda faltarem muito quilómetros para a chegada –, obrigando a uma «caça» mais organizada e, sem dúvida, com muito maior intensidade que a iniciativa, a solo, do Freitas. Por isso, era fundamental manter o temível duo (o tal Matias não durou muito e deixou-se descair) a distância dita de segurança, o que não se avizinhava ser tarefa nada fácil. Principalmente quando avancei para a cabeça do pelotão para marcar o ritmo e me apercebi rapidamente que era preciso contar com alguém que me rendesse, sob pena de me causar um desgaste com consequências imprevisíveis. O Pina ainda prestou alguma ajuda, mas com a sucessão de pequenos topos e a necessidade de manter uma velocidade elevada resguardou-se numa segunda linha. Nessa altura, temi que a missão poderia complicar-se mais do que o previsto. Aliás, quando me recolhi um pouco no meio do pelotão constatei que havia alguns focos de contestação a um dos instigadores da fuga (o estranho Paulo Matias).
Felizmente, o Fantasma e o Vidigueira principalmente, e o «Mister» Benfica, a espaços, capacitaram-se que a partilha de esforços era a única forma eficaz e com menos desgaste de anular a escapada. Breves passagens pela frente, para manter a velocidade e ajudar-me a descansar do maior esforço imprimido dos topos, precipitaram o final da aventura dos dois co-equipers, poucos quilómetros depois de Vendas Novas.
Assim, voltava a estar tudo em aberto para o derradeiro e decisivo sector da prova, apenas com um grupo restrito de resistentes (bem ao estilo das clássicas dos profissionais) na dianteira. E na subida de Montemor jogou-se as maiores cartadas. No início, o Miguel assumiu o comando, tornando o ritmo mais rijo, momento propício para eu lançar o ataque que esperava ser decisivo. Fi-lo em força, porque a subida, curta, assim o exigia.
Como esperava, o Freitas foi o único a reagir – embora tivesse algumas dúvidas em relação ao Miguel. No interior da cidade, ainda em plena subida, já tínhamos uma vantagem de cerca de 100/150 metros, e à saída, quando começou a descida, a 25 km de Évora, deparava-se a dura tarefa de a consolidar.
Nos quilómetros seguintes, num terreno de falso plano ascendente, com várias rampas mais acentuadas, deu para perceber que o meu companheiro de fuga não estava em condições de colaborar afincadamente (não era bluff!), por isso, resolvi manter a intensidade, pois seria a única forma de aumentar as probabilidades de chegarmos isolados. Todavia, devido ao relevo suave e pouco selectivo, não teria grandes veleidades de me libertar da companhia que nos últimos tempos tem sido habitual – e com final invariável. Logramos mesmo aumentar consideravelmente a distância para os perseguidores até à chegada, a uma média de 33,5 km/h (média final muito apreciável de 32 km/h!), onde a vantagem para o primeiro grupo de perseguidores (salvo erro, Fantasma, Pina, Vidigueira e Casaínhos) se cifrou em 3 minutos. Os restantes elementos foram chegando a conta-gotas.

Notas de observador:

1. O Pina, o Fantasma e o Vidigueira: enormíssima prestação, a confirmar a ascensão de forma que têm registado nos últimos tempos, principalmente os dois primeiros quando o terreno é propício a roladores. Além de terem chegado no primeiro grupo de perseguidores, já antes tinham trabalhado com afinco na anulação das duas iniciais fugas do dia – principalmente o Fantasma, que, ao contrário do que é habitual em si, se resguardou durante a primeira metade da prova. Poderoso!

2. Nota muito elevada também para o Abel, que se mantinha no grupo da frente no início da subida de Montemor e chegou sem muito atraso a Évora. Além disso, foi excelente companhia durante o almoço, com muitas estórias sobre a sua riquíssima experiência no mundo do ciclismo. A sua saudável veterania é um exemplo a seguir pelos mais novos do nosso pelotão.

3. Outra demonstração de abnegação foi dada pelo Zé-Tó, que se lançou ao desafio de cumprir o percurso na íntegra após uma paragem para fins lúdicos de algumas semanas.

4. Esta poderia ser a anedota do dia. E conta-se assim. A poucos quilómetros de Évora, numa altura em que eu e o Freitas íamos em andamento vivíssimo, praticamente no «red line», eis que se ouve atrás de nós uma voz fresca e descansada, do Daniel: «É pá, vocês não esperam por ninguém» (a corrente da sua bicicleta tinha saltado no início da subida para Montemor, deixando-o fora de jogo logo na pior altura). Confesso que, num primeiro momento, fiquei surpreendido com a sua presença, pois amiúde certificava-me sobre o posicionamento dos perseguidores – e já não os avistava nas longas rectas que antecedem Évora. Mas garantidamente o Freitas ficou muito mais chocado, depois de tanto esforço ter feito – e estar a fazer (perdoem-me a imodéstia) – para se manter na minha roda. Pelo menos a atentar pela sua reacção espontânea – um incrédulo mas sonoro «f…da-se!). Como que a dizer: «como é que foi possível a este gajo ter chegado aqui!?» Daria tudo para ter visto a sua cara! E afinal, o bom do Daniel apenas tinha apanhado boleia do seu carro de apoio.

5. O Casaínhos. Presença assinalada e assinalável, pelo contributo que dão ao grupo a qualidade e experiência como ciclista, e também a sua forma de estar muito peculiar. Se novo repto não servir para convencê-lo a alinhar connosco com regularidade ao domingo, esperamos contar com ele na Clássica de Fátima, no próximo mês.

P.S. A Clássica de Runa, no próximo domingo, tem o seu percurso alterado. Assim, após Dois Portos, segue-se em frente em direcção ao Sobral (em subida), e depois para o Forte de Alqueidão (aguenta!), descendo para Bucelas e finalmente para Loures. Deste modo, evita-se o troço de estrada má da Feliteira/Sataparia. Motivo: a salvaguarda dos avultados investimentos em material que se tem feito nos últimos tempos.

segunda-feira, março 06, 2006

Carmões para todos os gostos

A Clássica de Carmões voltou a provar o mérito das tiradas com terreno-para-todos-os-gostos. Ou seja, teve um bocadinho de tudo: rolou-se calmamente, outras vezes moderadamente, e também como se não houvesse amanhã. Houve subidas, nomeadamente a do Sobral, a partir da Quinta do Paço até ao Forte de Alqueidão, e depois a de Carmões, feitas a grande intensidade, com direito a lutas férreas e ferozes perseguições. Enfim, espectáculo para todos os gostos.
As hostilidades começaram, como referi, no Sobral, a partir da Quinta do Paço, numa subida feita contra o vento, cujo andamento, até aí, foi quase sempre pautado pela dupla Freitas/Miguel. Imediatamente após o reagrupamento com o Pina, o Salvador e o Samuel (trio que partiu adiantado), o Freitas lançou o primeiro de alguns ataques. Começa a habituar-se tanto, que qualquer dia a coisa pode correr bem!! Mas teve sempre resposta eficaz da minha parte e do Carlos. O Miguel também não perdeu terreno, aproveitando as boleias para se manter à frente.
De resto, partiu dele uma ou duas acelerações fortes, na tentativa desgastar os restantes elementos, na habitual parceria estratégica com o seu chefe-de-fila. Infelizmente, devido ao acidente, ao que parece deverá continuar a ser gregário por mais tempo do que esperaria. No entanto, embora esteja a caminho da boa forma após a longa paragem e não seria, até ver, capaz de aguentar o ritmo até ao alto. De resto, quem também acabou por ceder aos constantes esticões, antes do planalto, foi o Carlos, deixando ao trio, e depois apenas a mim e ao Freitas - quando o Miguel acabou igualmente por ficar para trás nas últimas rampas - a discussão do sprint – ganho, para variar, pelo especialista.
Diga-se que os restantes elementos do grupo não chegaram muito depois, com o Vidigueira, o Daniel, o Pina e o Samuel (estes dois mais folgados) em bom plano.
Após o reagrupamento, seguiu-se em direcção ao Sobral e depois a Dois Portos, para enfrentar a dificuldade seguinte: a subida de Carmões, curta (1,7 km) mas ainda assim algo selectiva. O primeiro golpe de teatro foi o Miguel ter-se perdido depois de se adiantar na descida do Forte de Alqueidão, virando à esquerda para a Feliteira em vez de à direita para rampa que vai dar ao centro do Sobral. A notícia foi dada pelo próprio quando o pelotão estava prestes a iniciar a subida de Carmões, em perseguição a um trio – Daniel, Carlos e Pina – que entretanto se adiantara com autorização explícita do grupo – ou melhor da maioria, porque o Salvador bem «implorou» para que o ajudassem a apanhar o Daniel – sob pena de o ouvir! Todavia, com a complexa conversa telefónica com o Miguel sobre a sua localização certa, às tantas, quando se iniciou a subida já os fugitivos tinham aberto algumas centenas de metros, decisivas para terem conseguido manter ligeira vantagem no alto de Carmões - excepção feita ao Daniel que, como lamentou no final, acabou por «morrer na praia». E apesar da caçada cerrada movida por mim, com o Freitas a seguir a roda. A prova que o andamento foi vivo foi o facto de ter retirado 22 segundos (4.24 m) em relação ao tempo realizado ali, no passado dia 11 de Dezembro, então também na companhia do Miguel – o que é bom indicador de subida de forma.
Depois houve que esperar pelo desorientado Miguel. Eu e o Freitas voltámos a descer, esperámos e desesperámos, desdobramo-nos em telefonemas, alguns cruzados via central de comunicações de Camarate, para saber do paradeiro (depois do homem já se ter mandado contra um carro, não é de fiar!), até que finalmente apareceu. Não escapou a uns impropérios do seu chefe-de-fila. Bem merecidos, diga-se.
Quando voltámos a Carmões já tinham passado quase 15 minutos depois do restante grupo ter abalado, tornando desde logo impossível alcançá-lo – a não ser que decidisse parar. Mas não foi por falta de esforço da nossa parte. Finalmente com a ajuda do vento rolou-se freneticamente até… Alverca.
Para dar uma ideia aqui ficam os andamentos médios:
Carmões-Alenquer: 39 km/h
Alenquer-Carregado: 44 km/h
Carregado-Vila Franca: 42 km/h
Vila Franca-Alverca: 36 km/h
Foram 38 km fatigantes - é óbvio -, mas muito recompensadores. Para mim, representou uma espécie de desforra em relação ao vento que tanto me fustigou durante a última semana.

No próximo domingo realiza-se a Super-Clássica Loures-Évora (140 km)
Partida prevista para as 8h00 (da BP)
Mais informações aqui em breve (ou na loja do Pina)
Que o vento esteja… connosco!

sexta-feira, março 03, 2006

Abordagem à (alta) montanha

Ontem iniciei o treino específico de subida, com uma passagem pela Mata para tirar (falsas) ideias. E hoje fiz a primeira abordagem à (alta) montanha, com dupla ascensão de Montejunto: via Abrigada e Vila Verde dos Francos.
Nos dois dias, as sensações foram normais para a época, ou seja, indicam que ainda há um longo caminho a percorrer para aprimorar a forma neste tipo de esforço, fundamental para os objectivos a que me propus esta temporada – Lagos de Covadonga e principalmente a Etape do Tour.
No entanto, a subida pela Abrigada foi definitivamente para esquecer - e para traumatizar se eu não gostasse tanto de subir - devido ao forte vento contra que soprava. Para dar uma ideia, raramente passei dos 10 km/h no troço dos chamados 15% - que na realidade são 1,1 km a 11%... de média! E terrível primeira rampa - com aquela «curvinha» à direita - e melhor nem falar! Não satisfeito, resolvi salvar o dia enganando o vento, isto é, subindo por Vila Verde dos Francos. E embora já com as pernas moídas, o andamento já foi bem melhor, mais de acordo com os indicadores de forma actuais. O pior foi fazer os 45 km de regresso a casa, contra o vento e… a chuva que fez questão de aparecer mal comecei a descer para a Abrigada.
Começou a época do empeno!

quinta-feira, março 02, 2006

Desfile de Carnaval

A volta de Carnaval assinalou o regresso do Miguel, após o acidente da Ota. Logo para quase 130 km de pedal pela lezíria ribatejana (Valada) sempre em bom andamento. Agora é só recuperar o tempo perdido, que, pelos bons indicadores evidenciados, não foi demasiado relevante para a forma física.
De resto, o traçado quase sempre plano favoreceu os roladores, com destaque para o Daniel, que continua a subir de forma, não poupando esforços para mostrar a «camisola». Destaque ainda para a coesão do grupo, que rolou compacto durante (quase) todo o percurso, e demonstrou que, nas condições actuais, é muito difícil fazer vingar qualquer fuga duradoura. Aliás, é até complicado alguém adiantar-se ligeiramente sem permissão. O único que o fez foi o sempre inconformado Daniel. Desta vez não houve perseguições ferozes, nem ritmos avassaladores. Manteve-se uma velocidade de cruzeiro elevada (a média de 30 km/h prova-o) e assim não houve cortes significativos no pelotão.
Os momentos de maior «calor» foram as duas acelerações do Freitas na subida para Cruz do Campo, mas acabaram condenadas ao malogro. Ou então não quis ir mais longe, a solo, na sua iniciativa!? O certo é que o pelotão reagiu progressivamente sem ir ao choque, e fê-lo com total eficácia — tanto ali, como depois no último topo antes de Azambuja. Ao invés, o mesmo homem voltou a não deixar os créditos por mãos alheias nos sprints de Vila Franca e Alverca, já no regresso. Neste particular, deixou bem patente que actualmente muito dificilmente será batido.
No domingo, a Clássica de Carmões volta a privilegiar os homens possantes, deixando pouco espaço de manobra aos trepadores, embora as subidas do Sobral e de Carmões possam fazer algumas diferenças – e trazer animação adicional.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Sto. Estevão sob a insígnia da ventania

Foi-se a chuva ficou o vento. A Clássica de Sto. Estevão disputou-se sob a insígnia da ventania, que soprou «de cara» desde cruzamento da estrada de Coruche até Vila Franca. Mas foi uma volta com mais incidências. Por exemplo, o pelotão, que já saiu escasso de Loures, regressou reduzido à ínfima sua parte. As razões? Primeiro, creio que por estarmos em época festiva com fim-de-semana prolongado para alguns, e depois porque havia a ameaça de chuva - depois da aventura de ciclo-navegação da Ota -, sempre desencorajadora para os mais comodistas. Depois, porque o Samuel e o Sr. Zé não resistiram ao andamento (moderado) logo nos primeiros quilómetros - talvez por não terem planeado fazer o mesmo percurso. E finalmente, quando o Fantasma, o L-Glutamina e o Vidigueira decidiram atalhar caminho em Benavente (penso que já tinham referido que o fariam na BP), deixando um quarteto de estóicos resistentes entregue às agruras da distância e do… vento. Os seus nomes merecem por isso referência: Daniel, Freitas, Hélder e Ricardo (eu).
Desde Samora Correia que a tirada ia animada com a inesperada boleia de um comboio de jovens da equipa de Matocheirinhos. A partir de Benavente, já sem este e quase sem «quorum» no pelotão, os que restaram fizeram-se à estrada de Sto. Estevão – rectas de perder de vista, asfalto magnífico e vento a favor para uma média superior a 36 km/h, sem forçar!
Duas ou três acelerações, as primeiras do Daniel, a querer mostrar os efeitos positivos do treino a meio da semana, e uma do Freitas, no topo que antecede a passagem pela localidade, forte, a exigir resposta esforçada. Entretanto, o Hélder, igual a si próprio, mordia-se para conter os seus ímpetos. Embora tenham sido alguns os amassos sofridos nos últimos tempos, mas agora com montada de estrada está mortinho por fazer mossa. Ainda não foi desta, apesar da sua abnegação e combatividade durante toda a volta.
Uma vez chegados à tormenta – entenda-se ventania -, não restou outra alternativa do que resistir às forças contrárias, partilhando o esforço na condução do quarteto. Mas vencer o adversário invisível tornou-se rapidamente um interminável suplício para as pernas, apesar da boa média (28 km/h) registada neste troço até Vila Franca.
À chegada à ponte, aprontaram-se as armas. O Freitas geriu convenientemente o revezamento, deixando a outro (no caso a mim) a despesa de entrar à frente na subida, mas foi o Hélder que abriu as hostilidades – no entanto, sem conseguir manter o aumento de andamento. Assim, o homem forte do momento lançou quando quis o seu sprint, ao qual procurei responder o mais rapidamente possível, fechando a distância logo o topo da ponte, e tomando logo a dianteira para não deixar o trabalho a meio. O Hélder ficara irremediavelmente para trás. E o Daniel idem. O sprint final à chegada a Vila Franca ficou sem (capacidade de) resposta da minha parte. Depois rolou-se moderadamente, finalmente a favor do vento, até Alverca. Durante este percurso, a contas com a minha fadiga, tive oportunidade de apurar que estava com mais 20 km que os demais. Mas também fui descansar mais cedo.

Notas de observador:

1- Elogio ao desempenho do Daniel – um grande rolador que demonstrou capacidade de luta e espírito de sacrifício, não apenas por ter aceite o repto de completar a volta (115 km), mas por ter resistido muito bem ao andamento quase sempre forte e a uma companhia de respeito, não se coibindo, amiúde, de acelerar (na estrada de Sto. Estevão quando o vento soprava de feição), e de dar o peito na interajuda durante o trajecto mais complicado.

2- O Hélder regressou quase ao seu melhor nível, num traçado plano que não é, de todo, o seu «habitat» natural. Sempre «agressivo» – muito à imagem do Freitas –, deixa-se quase sempre levar pelo seu ímpeto, que até o próprio Freitas teve, por vezes, de refrear, sob pena de causar danos colaterais, principalmente na segunda metade do percurso. O tempo não estava para excessos mesmo quando a força supostamente abunda, pois com tanta ventania, o tiro poderia sair (mais uma vez) pela culatra. Aliás, a falta de capacidade de resposta na ponte de Vila Franca foi sintomática.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Ota: a Clássica da chuva

As voltas da Ota estão definitivamente votadas à intempérie. Mês e meio após a manhã de domingo de chuva copiosa em que o Miguel sofreu o acidente, ontem uma borrasca inclemente voltou a abater-se, encharcando até ao osso os corajosos cavaleiros do asfalto que ousaram fazer-se à estrada para a Clássica das Clássicas planas num dia que nasceu incerto. A água aguentou-se pouco tempo no céu, começando a cair ainda o pelotão aquecia em Vialonga, obrigando, desde logo, os que saíram de casa mais precavidos a vestirem os impermeáveis. Os incautos desprotegidos não tinham outra alternativa que torcer para que as tímidas abertas entre nuvens negras perdurassem.
Talvez para tentar, em vão, fugir à ameaça do tempo, o pelotão aumentou o passo à saída de Alverca, com o Freitas à cabeça, causando imediatamente os primeiros cortes no grupo: o Samuel e o Sr. Zé, acompanhados pelo ZT, sempre solidário no apoio ao seu progenitor. Depois de Vila Franca impunha-se aguardar pelos retardatários, que acabaram por reentrar só à entrada do Carregado. Todavia, o processo correu bastante bem, com destaque para a atitude de contenção do pelotão e, acima de tudo, para o esforço dos perseguidores.
Mas S. Pedro não estava em dia de tréguas e carregou impiedosamente com um fortíssimo temporal – não tenho memória de algo assim. Ainda antes de Alenquer, o céu enegreceu, largou sobre nós uma tromba de água puxada a vento. Todos de pantanas, com dificuldade em controlar as montadas na autêntica enxurrada que invadiu a estrada fizemos a subida ao topo da variante nova num banho forçado entre os safanões do vento.
Apesar de tudo, imprimiu-se um ritmo forte, com o Fantasma a dar os primeiros sinais da fase de vitalidade que atravessa. O Abel, ao invés, mostrou que estava em dia de maior debilidade. O Samuel e o Sr. Zé, ainda justos de forma, optaram por dar meia volta.
Alguns quilómetros à frente, a passagem pela estação de serviço da base aérea da Ota avivou a memória do acidente do Miguel a todos os que o presenciaram nesse malfadado dia. A mim, em particular, pensei na diferença abissal de velocidade – muitíssimo inferior agora.
Felizmente, na Ota a chuva parou e permitiu que o troço «da verdade» continuasse a sê-lo. O Fantasma entrou adiantado e antecipou as escaramuças. O Daniel deu o mote na perseguição, a solo, com o Pina a controlar a distância. Chegara a altura de corrigir o posicionamento, com o Freitas sempre atento, e os restantes bem concentrados. Um ou dois quilómetros adiante, o Fantasma foi absorvido e o jogo ficava ainda mais aberto. Previsivelmente, o Freitas apareceu para nos apalpar o pulso - como disse mais tarde o Fantasma - mas também como deixara explícito nos seus comentários da semana. Uma aceleração, depois outra, mas sempre com resposta à altura de quase todo o pelotão, por isso seguia-se sempre um «alívio» e o reunir das tropas. Assim, já em plena subida (2 km a 3%), depois de vários elementos terem tentado a sua sorte, acelerei (também previsivelmente) a cerca de 300 metros, mas sem grandes esperanças de distanciar o Freitas, que, nos últimos instantes, se adiantou facilmente. Destaque para as excelentes prestações do Steven e do Luís (da BTT), mas também do Fantasma.
Daqui até Aveiras e depois rumo a Azambuja rolou-se bem, sem sobressaltos, mas com forte vento frontal, havendo necessidade de um maior revezamento na dianteira, que durou quase até ao Carregado, após o que o pelotão se foi desagregando devido a algumas paragens mais demoradas.
No entanto, ainda foi produtiva a perseguição movida por mim e pelo Freitas ao Steven e ao Fantasma, e os sprints da praxe em Vila Franca e Alverca. No final de 115 km, a lamentar só o temporal. Mas também este parece já ser da praxe nesta Clássica. Felizmente desta vez sem acidentes!

Notas de observador:
1- No dia do acidente do Miguel, o Freitas atacou logo a seguir ao topo de Alenquer e obrigou o grupo a perseguir a alta velocidade (precisamente quando se deu o acidente). Desta vez, o homem deixou explícito nos comentários da semana que iria voltar a tentar fazer «estragos». Ontem, porém, fê-lo mais tarde, já depois da Ota, em plena estrada florestal que conduz ao topo do Vale do Brejo – onde tradicionalmente se medem as forças. Duas acelerações fortes, mas curtas, sem grande convicção de serem suficientes para se distanciar. Tanto mais, que os principais elementos do grupo já tinham mostrado não estarem dispostos a facilitar. Aliás, as iniciativas pareceram mais provações do que outra coisa qualquer. No topo do Vale do Brejo a sua superioridade no sprint é sempre uma mais-valia, por isso não seria coerente desperdiçar energia inutilmente antes. Tudo bem, que na última vez, acabou por ser surpreendido naquele local por mim, mas agora bastava-lhe estar mais atento – tanto mais que eu era ontem o único rival com que se deveria preocupar. Por isso, fez o que bem sabe: entrou na subida na minha roda, esperou pela minha aceleração, respondeu a preceito e depois lançou o seu sprint irresistível – ao qual nem sequer consegui ripostar.

2- Há alguns meses «rivais» na estrada e em comentários viperinos neste blog, o Fantasma e o L-Glutamina demonstram agora partilhar de grande forma. Os seus companheiros de equipa na altura (o Pina e o ZT, respectivamente) têm neles duas boas referências. O Fantasma é um rolador de excepção, um «castigador» nato, que não se cansa de meter ferro sempre à procura de causar desgastes; e o L-Glutamina é um caso de sucesso como resultado da frequência e do método de treino, sendo capaz de estar uns furos acima do seu «concorrente» quando o terreno empina. Provou-o na semana passada, em Vila Franca do Rosário e ontem no Vale do Brejo. Curiosamente, ontem, entre o Carregado e Vila Franca acabaram por juntar esforços numa fuga que me obrigou e ao Freitas a aplicada perseguição.

3- Definitivamente, para mim, o volume e a carga de treino semanais já tem repercussões ao domingo. À longa distância dos treinos têm-se-lhes juntado muito trabalho de endurance médio/alto, com picos de grande intensidade – como foi o da última sexta-feira, na companhia do Freitas, num sobe-e-desde de apreciável dureza e com muito vento à mistura. E os domingos nunca são para descansar. A prová-lo está a pulsação média igual à do referido treino: 142 bpm. Estamos a três meses dos Lagos de Covadonga e aproxima-se um novo ciclo de treino – um pouco mais específico.

sábado, fevereiro 18, 2006

Instantâneos de S. Pedro da Cadeira


O Fantasma (à direita) parece querer surpreender o grupo com um dos seus ataques na difícil subida da Encarnação

Publicidade gratuita a quê? A uma conhecida marca de bicicletas, de cera de depilação ou à milagrosa L-Glutamina?


Pelotão alongado na subida de Guerreiros, sinal de andamento elevado. À cabeça, a «locomotiva» de sempre...


A primeira imagem de família do Grupo Pina Bike de 2006. Apesar de várias ausências a assinalar. Da esquerda para a direita: Steven (L-Glutamina), Nuno Garcia, Daniel, Zé-Tó (ZT), Sr. Zé, Vidigueira, Ricardo, Farinha (Fantasma), Freitas (Jackie Durão) e Luís

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Ota: a rainha das clássicas planas

Um mês e uma semana depois do chuvoso domingo em que o Miguel sofreu o seu aparatoso acidente, reedita-se a volta da Ota. Uma Clássica que antes de ser... já o era. Rainha das etapas planas é terreno de eleição para roladores e tem, invariavelmente, sido palco de algumas das mais encarniçadas epopeias ciclistas do nosso grupo.
Fica para a história a desenfreada correria pelo pinhal, liderada pelo Nuno Garcia, algures em Junho do ano passado. O pinhal da Ota é, sem dúvida, o sector nevrálgico desta clássica de 113,6 km, culminando na curta subida de 2 km do Vale do Brejo, o seu ex-libris e única dificuldade do relevo (3% de inclinação média), onde os mais fortes habitualmente jogam os seus trunfos ao mais alto nível. Chegar com (ou muito próximo) dos primeiros é sintoma de se estar muito bem fisicamente.
Mas os pontos de interesse não acabam aqui. O percurso de regresso, onde a escassez de forças pode começar a fazer diferenças se o ritmo for elevado, também custuma provocar alguma agitação. Igualmente na memória ficou, numa volta realizada no início de Novembro, uma fuga muito bem concretizada, após a Azambuja, de um grupo de poderosos «nacionais», que obrigou alguns «notáveis» a terem de se empenhar a fundo durante muitos quilómetros - até à Castanheira - numa perseguição a altíssima velocidade. E que foi uma lição muito bem dada!Também nesse dia, inauguraram-se os chamados ataques... ao homem que urina.
Entretanto, mais recentemente, no tal dia de má recordação (15 de Janeiro), a Clássica voltava a prometer muito... Num terreno que é dele, o Freitas tinha lançado o seu ataque muito cedo, logo após alto de Alenquer, obrigando o pequeno pelotão que se aventurara naquela manhã invernosa, a mover uma forte perseguição que acabou por ser interrompida tristemente por uma condutora desatenta.
Para já, esperemos que não chova no domingo, pois com a boa forma evidenciada ultimamente por alguns poderosos roladores, a «coisa» promete fazer correr o tal... fiozinho!

domingo, fevereiro 12, 2006

Clássica de S. Pedro da Cadeira: a crónica

Primeiro destaque à partida: a presença do Miguel, que fez saber que a sua recuperação da fractura da clavícula sofrida há precisamente um mês está a evoluir positivamente e que mais cedo do que se previa voltará à «competição».
Segundo destaque também à partida: a primeira foto de família do grupo Pina Bike de 2006. O L-Glutamina trouxe a digital e a «matilha» posou, de peito inchado, para o boneco que em breve ilustrará a página principal deste blog.
Outros instantâneos ainda foram recolhidos ao longo da volta, o que obrigou a um esforço adicional do «bate-chapas» de serviço. Por esse motivo, para ele quaisquer atrasos nos pontos-chave da etapa, em condições normais improváveis, estão perfeitamente justificados.
A propósito, também devido e esse facto saímos de Loures com alguma demora, mas sem pressas durante os primeiros quilómetros. O percurso assim o aconselhava. Uma semana depois das loucas correrias nas lezírias, o pelotão surgiu mais sereno e organizado, enfrentando a longa subida até à Venda do Pinheiro com tranquilidade. De resto, só a maior inclinação dos últimos 1,3 km fraccionaram o grupo – e não tanto como habitualmente.
Daí a Mafra, a toada morna manteve-se, agitada apenas pela «intromissão» — foi mais intercepção — de um numeroso pelotão à passagem por Alcainça. A inesperada companhia desconcentrou-nos apenas, porque à saída de Mafra já o «comboio» Pina Bike se impunha à cabeça. Após a convivência breve, os intrusos tomaram a direcção Ericeira e nós seguimos o sobe-e-desde rumo à Murgueira (alto do Gradil).
O primeiro achaque foi dado pelo Freitas no topo da Barreiralva, a que respondeu com prontidão o Carlos. Mas não foram longe. O primeiro, apesar da sua boa forma, já se sabe que não é muito dado a trabalho intensivo com carácter de exclusividade e à falta de colaboração a tentativa de fuga não passou disso mesmo.
Depois da longa descida da Picanceira, quando o grupo se reuniu no sopé da Encarnação pairava alguma desconfiança para a subida. Fogo de palha, pois o ritmo foi sempre muito controlado e mais uma vez, como sucedera na Venda, só a maior inclinação do último km e o endurecimento do passo, pelo Freitas, fez os roladores cederem algum terreno. Ficou mais uma vez bem evidente que a moderação iria prevalecer o mais tempo possível.
O troço de ligação entre S.P. Cadeira e a EN8, de 11 km, com dois topos «aguçados», manteve a harmonia, e depois da entrada na estrada principal continuou-se a deslizar a regimes de endurance.
O pacto de não agressão durou até ao Vale da Guarda, já em plena subida de Vila Franca do Rosário. Chegara a hora de desbaratar energia, de baixar abruptamente o nível dos depósitos de glicogénio. Primeiro, acelerei progressivamente no falso plano e depois «explodi» na última rampa antes da rotunda da A8/Malveira. Fui ao limite das minhas forças mas faltou-me… 30 metros, onde o Freitas sacou os seus galões. Os restantes bravos chegaram a conta-gotas mas sem perderem muito tempo.

Notas de observador:

1- A Clássica de S. Pedro da Cadeira, classificada no Circuito como de Dificuldade Elevada, demonstrou mais uma vez que, com moderação no andamento, é possível manter o grupo coeso e assim tornar a prova mais interessante para todos. Para mim, inclusive, pareceu-me que a abordagem foi, a grandes espaços, até excessivamente cautelosa, não fosse o diabo tecê-las. Houve alguns (talvez demasiados) momentos «mortos», em que apenas se rolou com o peso dos sapatos, mas outros, como a aceleração do Freitas em Barreiralva com pronta resposta do Carlos, e depois do pelotão, são exemplo de que se pode fazer ciclismo entre nós sem causar «estragos irreparáveis».

2- Definitivamente, os roladores não estavam em terreno de eleição. Todavia, o ritmo quase sempre moderado ajudou-os a atenuar as dificuldades. Por exemplo, o Fantasma, ainda a rentabilizar a excelente prestação na Valada, e em clara subida de forma, conseguiu sempre gerir o «handicap» quando o terreno empinou e sempre que este suavizava, lá voltava a ameaçar com mais assombrações. Mas sempre contidas, é verdade. Para a semana, na Ota, voltará a estar como peixe na água. Aliás, tal como o Daniel.

3- Ao invés, os trepadores, mesmo sem «alta montanha», puderam dar um ar da sua graça. Foi o caso do Carlos, que esteve sempre activo – pareceu-me que estava em dia que querer fazer alguma coisa… séria – e realizou uma boa subida de Vila Franca do Rosário. Todavia, deixou bem claro que não estava para prestar grande auxílio ao Freitas naquela tentativa de fuga em Barreiralva. Estará escaldado?

4- Por falar no homem, notou-se que o Freitas teve de refrear amiúde o ímpeto forte que tem revelado nos últimos tempos, mas não faltaram provas da sua excelente forma. Na subida de Vila Franca do Rosário foi claro na sua aposta: ir na minha roda até ao sprint final. E ganhou-a! Todavia, foi como nos velhos tempos, mesmo que agora os tempos sejam outros. Não é verdade, meu caro?!

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Clássica da Valada: correria danada!

A Clássica da Valada, a primeira do Circuito Pina Bike 2006, foi uma correria danada para mim! Por diversos motivos, alguns que considero algo controversos. Mesmo considerando que a tirada era extensa, com quase 130 km, já se previa que a planura do terreno propiciava a velocidades elevadas e a maior disponibilidade individual para a exposição ao desgaste.
Desassombradamente vou aqui expor o meu ponto de vista pessoal sobre o que passou de «menos bom» no último domingo, sem que isso reflicta menor convicção sobre os pressupostos que prevaleceram à criação do Circuito, de que me orgulho ser um dos principais mentores.
Por questões que considero – garantidamente! - nada terem a ver com pequenas «corridas» personalizadas, decorrentes de excesso de competitividade menos recomendável na perspectiva do grupo, incorreu-se na velha falha de «para a frente é que é e quem vem atrás que se cuide», que leva à falta de discernimento sobre as incidências da própria tirada e à consequente incúria sobre o que destas pode resultar.
Penso que nada de interessante e motivador pode advir de uma situação em que existe um grupo bem constituído à frente e um ou mais elementos, reunidos ou não, a perseguirem indefinidamente… Quando logo à saída de Alverca a velocidade aumentou à cabeça, fraccionando o pelotão de 14 unidades que partida de Loures, repetiu-se uma situação há muito vista. Os primeiros, mais atentos em empenhados, organizaram-se, e os outros, alguns ainda em amena cavaqueira ou por passividade, perderam duas ou três centenas de metros. Às tantas, constatou-se que a corrida estava lançada, e a perseguição iniciou-se. Assumi as «responsabilidades» e liderei-a, levando atrás um grupo composto por: Daniel, Abel, Zé-Tó e o seu pai, João, Steven e o Carlos. À frente: Nuno Garcia, Hélder, Freitas, Vidigueira, Farinha e o Pina. Às primeiras pedaladas mais vigorosas, conclui que na dianteira rolava-se depressa (35 km/h) e por isso restava estabilizar a diferença, assim preservando-me e os outros do meu grupo a desgastes acentuados desaconselháveis quando ainda faltavam percorrer mais de 100 km – e esperando que no habitual próximo «hot spot» - Vila Franca - houvesse uma acalmia à frente para facilitar o reagrupamento.
Puro engano. O empedrado, tradicionalmente local de descansado martírio, não o foi. E à chegada a ponte, acabaram-se as dúvidas que os da frente não faziam a mínima intenção de refrear o ímpeto. Resultado: as primeiras «vítimas». Depois da ponte, só restávamos eu, o Daniel, Abel; e o Steven e o Zé-Tó, que devem ter tardado a aperceberem-se da (dura) realidade.
A perseguição durou até ao Porto Alto já com a ajuda do Freitas que entretanto parou para urinar, e deveu-se não à benevolência dos líderes, mas ao empenho dos perseguidores – embora se tenha procurado limitar ao máximo os desgastes.
Mesmo assim, entre o início do empedrado de Vila Franca e o Porto Alto: 32 km/h e 161 bpm.
Daqui até cerca de 1 km de Benavente rolou-se em pelotão compacto (já sem o Pina, que deu meia volta em Samora Correia). E o «pior» estava para vir. Com a bexiga a rebentar tentava encontrar a melhor altura (será que há!?) para a aliviar e decidi-me quando o Hélder também o fez, pensando que a perseguição inevitável seria assim mais fácil. Novo engano. Tive mais de 2 minutos a urinar – tal era o aperto – e quando voltámos à estrada, ele verbalizou o que eu já concluíra. «Vamos ver-nos loucos para os apanhar». Pus-me à frente, a cerca de 35 km/h, mas à saída de Benavente, na longa recta depois do viaduto, percebi que era preciso dar mais, muito mais: PORQUE LÁ À FRENTE ROLAVA-SE À MESMA VELOCIDADE! Pergunto: qual é o interesse de deixar seja quem for para atrás (para mais devido a uma paragem forçada), insistindo em mantê-lo nessa situação durante quilómetros a fio… Bastava meter o comboio a 30/32 km/h, velocidade bem razoável mesmo em plano (para mais com vento de cara), para que dois elementos fortes conseguissem recolar mais km menos km, sem terem de ir a «tope» e de ficarem irremediavelmente condicionados pelo esforço a que se submeteram.
Para agravar a situação, à primeira vez que «ofereci» a despesa ao Hélder reparei que ele ia muito «curto» e não haveria a colaboração que precisávamos.
Em Salvaterra, nova surpresa. O Carlos, o Steven e o Abel tinham deslocado do primeiro grupo. Não soube bem porquê! O quinteto pouco durou, e no falso plano ascendente antes de Marinhais também o duo original se desfez, ficando eu a «solo». A perseguição terminou finalmente já entre Marinhais e Muge, de 15 km à média de 35 km/ e 174 bpm. Sempre com a cara ao vento! Quando cheguei ao grupo, havia uma animada discussão sobre a melhor forma de se organizarem… a passar pela frente!
Mais tarde, novo golpe de teatro, do qual eu também sou responsável por estar incluído. Depois de uma fase de descompressão entre Muge e Ponte do Reguengo, quando foram avistados os quatro retardatários, a não mais de 200 metros, – numa altura em que o Freitas parara para recuperar o bidão –, às tantas, a coisa voltou a animar, sai um, responde outro, e pronto… mais uma vez não se esperou por quem vinha a recuperar tão estoicamente. E a situação repetiu-se nos topos antes da Azambuja. Desta vez, sem remédio, porque até ao Carregado fez-se uma média superior a 37 km/h.
Por favor, caros membros deste painel, exponham as suas opiniões como forma de contribuir para «limar» estas arestas que, a não serem desbastadas, podem ferir a harmonia do nosso imbatível grupo. E pensem que para a semana há mais uma batalha! E é bem dura, aviso-vos já!

P.S. No meio de tanta correria sobressaiu a enorme prestação do Fantasma. O próprio. Num traçado que lhe é de feição esteve verdadeiramente assombroso. Andou sempre na frente, liderou o pelotão, não se coibiu de acelerar amiúde, de se aventurar em solitário e de sprintar. O próprio afirmou: «Há dias assim, mas também ajudou não haver subidas». Um espírito… aberto.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Clássica da Valada: a descrição

A primeira Clássica do Circuito Pina Bike, no próximo domingo, é a medida do que se pretende para esta altura do ano: extensa e plana. A tirada não é inédita, embora tenha sido disputada uma ou duas vezes apenas, sendo provável que nem toda a gente conheça o seu traçado na íntegra – por exemplo, só recentemente o fiz e, em resumo, posso afirmar que o principal obstáculo será mesmo a distância, pois o percurso é muito rápido. Saindo e chegando a Alverca, o ascendente é de apenas 330 metros, o que diz bem da planura.
Penso que o trajecto entre Loures e Benavente (pelo Porto Alto) não tem segredos para ninguém: plano, plano… E a partir daí, até ao fim do primeiro sector, em Muge, a topografia do terreno não se altera muito, com predominância para falsos planos, ora ascendentes, ora descendentes.
Para dar uma ideia da inexistência de verdadeiras dificuldades «naturais», os 2 km que antecedem Marinhais, o maior ascendente deste sector, tem o mesmo desnível que a ponte de Vila Franca… em apenas 1 km.
À entrada de Muge, vira-se à esquerda em direcção a Valada (Porto de Muge). Depois de descer até à cota zero, deparamo-nos com a ponte de ferro sobre o Rio Tejo, que obriga a fazer uma travessia muito «sui generis» por um corredor estreito, em fila indiana. Além disso, o piso não é asfaltado, rolando-se sobre uma grelha metálica. A sensação causa alguma estranheza.
Saindo da ponte, seguem-se 3,5 km até à discreta aldeia de Valada (afinal de contas, é a que dá o nome a esta Clássica!), prostrada (é bem esse o termo) em plena lezíria ribatejana. Aí, vira-se à direita antes de abordar a longa recta (também de 3,5 km) que vai dar a Ponte do Reguengo. Primeiro a ponte antiga e depois, mais empinada, a nova, iniciando-se depois a subida até ao cruzamento de Cruz do Campo (Estrada Nacional 3). Bem, subida é de facto, mas coisa para 3 km a 1%.
Uma vez na estrada nacional (esq.), até a Azambuja há dois topos inclinados, com menos de 1 km, o primeiro pouco depois do cruzamento de onde viemos (Pontével/Cartaxo), e o segundo, a seguir ao cruzamento de Aveiras – este bem conhecido da volta da Ota. Após a Azambuja, o percurso é sabido… e já foi palco de grandes cavalgadas!

Eventuais dúvidas, basta colocá-las!

terça-feira, janeiro 31, 2006

Fevereiro - mês importante!

Como é? Ninguém vai dizer se houve volta no domingo? Se alguém se estreou… na neve?
Eu por cá, conclui os primeiros dois meses de preparação para a nova temporada com quase uma semana de total inactividade – mais ou menos voluntária, mais ou menos forçada. Amanhã, regresso (finalmente) à estrada para iniciar o primeiro treino de um novo ciclo, em que aumentarei substancialmente o volume e alguma coisa a intensidade – em particular, o trabalho específico de força.
O balanço da pré-temporada é bastante positivo. A antecipação do início da preparação para a última semana de Novembro – em vez de Janeiro como nos anos anteriores –, permitiu-me atingir nesta fase um endurance já muito satisfatório e construir uma base muito mais sólida que noutras épocas por esta altura, e sobre a qual, partir de agora, começarei a trabalhar mais especificamente.
Fevereiro vai ser último mês de prevalência do endurance baixo, fazendo a transição para um novo ciclo, a partir de Março, em que as sessões terão períodos de maior intensidade e mais extensos, e também as primeiras abordagens à montanha.

Enquanto isso, recordem-se que no próximo domingo arranca o 1º Circuito Pina Bike, com a Clássica da Valada. Todas informações ao dispor na loja do Pina e nos próximos dias também aqui neste blog. Ate lá, bons treinos!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A Oeste do Paraíso

Antes de mais, gostaria de fazer uma menção especial ao principal ausente, entre outros igualmente notados, na volta de domingo. Por razões conhecidas de todos, o Miguel, a convalescer do estúpido acidente que o vai deixar «inoperacional» durante algum tempo. Continuação de rápidas melhoras.

A volta deste domingo foi, sem dúvida, a mais difícil dos últimos meses – se exceptuarmos a de Sintra, em Dezembro – pois é sabido que os traçados que percorrem a região Oeste são exigentes e invariavelmente causam grande «mossa» ao pelotão. Aquela que será a nova Clássica do Oeste não foi excepção, justificando plenamente o índice de dificuldade «Muito Elevada» com que estará classificada no Circuito.
De qualquer maneira, o grupo que saiu de Loures parecia suficientemente homogéneo para se colocar a salvo de diferenças acentuadas nos primeiros dois terços da etapa. No entanto, tal não veio a acontecer, mas não por uma razão que nada teve a ver com questões físicas: uma irreparável avaria na bicicleta do ZT.
Parece que os problemas mecânicos na sua novíssima montada começaram logo na subida para a Venda do Pinheiro. A forte percentage fez o grupo desagregar-se, como seria de esperar, mas alguns insuspeitos retardatários (entre eles o ZT, o Nando e o João) estranhamente demoraram demasiado a recuperar. A razão soube-se mais tarde, via telefone, já o grupo da frente tinha descido Vila Franca do Rosário. Foi a primeira de várias esperas, que acabaram por resultar na divisão definitiva do pelotão já depois de Ponte do Rol, a caminho de S. Pedro da Cadeira. Perdendo-se aí muito «sumo» da volta.
Tanto assim foi, que entre Torres e… a avaria final, o grupo rolou compacto (coisa rara!) a muito boa velocidade, com diversas acelerações, prenúncio de uma interessante segunda metade de tirada. Puro engano.
Após a última «paragem», antes de S. Pedro da Cadeira, o grupo separou-se em definitivo, e a partir daí, foi na frente que a história se desenrolou. Ficou um grupo de sete elementos: Nuno Garcia, Freitas, Luís (que habitualmente tem BTT, mas que ontem fez a estreia com uma «rodas finas»), Vidigueira, Daniel, Carlos e o «Benfica». Eu vinha em recuperação depois de um «pit stop» para necessidades fisiológicas e de ficado a «mastigado» um pouco aguardando por alguns elementos que (pensava eu) se aproximavam no grupo atrasado à saída de Coutada. O Nando ainda chegou à minha roda, mas quando acelerei, não sei bem por que razão deixou-se ficar, e foi quase a «tope» que subi para a Encarnação, juntando-me ao grupo da frente no início da subida para a Picanceira – a principal dificuldade do dia.
Quando os alcancei, passei directo! Tinha chegado o momento, pela primeira vez esta época, de sentir as primeiras… sensações numa subida mais a sério. Por isso, fui a fundo desde as primeiras rampas. Mas já estava à espera de resposta imediata e ela surgiu, de quem eu previa. Após as primeiras centenas de metros, senti alguém na minha roda – e um espelho num cruzamento ajudou-me a confirmar quem se travava: o Freitas, obviamente! Estive sempre ao máximo (para esta altura) e o registo da telemetria revela-o: 3,5 km a 4,1%, à média de 22,7 km/h e 182 bpm. O Freitas esteve muito bem, seguindo na roda.
A seguir, mais 4,8 km em falso plano ascendente (1%), até à Murgueira: 29,1 km/h, a 169 bpm, com direito a sprint final, perdido mas renhido! Os perseguidores chegaram 2 minutos depois, com o Luís à cabeça (mais tarde disse-me que estivera muito perto de nós, mas abdicara ao não conseguir fechar a distância), o Nuno, o Carlos e o Vidigueira. O Daniel, melhor rolador que trepador, cedeu naturalmente.
O quarteto passou sem parar rumo a Mafra, e eu decidiu segui-los (começava a estar em cima da hora), mas o Freitas não se apercebeu e… ficou. Pensei eu que definitivamente, pois quando estávamos a subir para Paz, não o vislumbrei ao longo de toda a descida da Murgueira – um atraso, no mínimo, de 3 minutos.
A rampa da via rápida à saída de Mafra fez, como é habitual, a diferença, numa altura em que os quilómetros já pesam. Na frente, eu, o Luís e o Carlos, mas na subida para a Malveira só restava eu e o Luís.
Mas a surpresa estava reservada para o final: entre a Malveira e a Venda, já em descompressão, eis que surge esbaforido… Quem, quem? O valente Freitas! Tinha recuperado desde a Murgueira. E nós não vínhamos devagar… Por isso, rendo-lhe homenagem: é o homem do momento!

Notas de observador:

1. Como pensava, o traçado selectivo desta volta tornará certamente a próxima Clássica do Oeste muitíssimo interessante, logo não se repitam avarias ou ocorram outros incidentes. Naturalmente, será muito difícil o pelotão chegar à Malveira… Sempre são 100 km e 4 contagens de montanha!

2. Como seria de esperar, o Nuno Garcia começa a recuperar o tempo perdido nas Arábias, com vista ao cumprimento dos seus objectivos na temporada. Embora com a preparação atrasada em relação aos restantes «internacionais», excluindo agora o Miguel, que está no «estaleiro», não demorará muito a chegar a um bom nível. Mas só mais tarde no ano se saberá que consequências terá o facto de ter iniciado a pré-época mais tarde… que os outros. E para estes, as de terem começado mais cedo…

3. Mas há quem esteja a treinar a fundo nesta altura da temporada. Por exemplo, o Nando, que no sábado tinha feito uma incursão higiénica a Montejunto! Na volta esteve quase sempre discreto, talvez um pouco «queimado» do esforço da véspera. Depois de Torres, ainda chegou a meter o passo do pelotão, mas ficou sempre para trás nas avarias do ZT. Estou ansioso para vê-lo em acção!
4.O desafortunado ZT que tem andado arredado das lides. Desta vez, foram problemas mecânicos. Mas certamente irá surgir em pleno em Fevereiro, nas rápidas Clássicas de Inverno.

5. Outros que estiveram em muito bom plano: o Carlos, o Vidigueira e o Luís (ex-BTT). São elementos destes que ajudam a formar o núcleo duro de um grupo de grande nível. A sua abnegação é um exemplo para os demais.

6. Finalmente, por falar-se em abnegação, não poderia faltar o Freitas. Muito se tem dito sobre a sua subida de forma nos últimos meses e as provas disso sucedem-se. O que começa agora a colocar-se é saber até onde vai os seus limites… ou os limites a que «poderá» ou a sua disponibilidade o «deixará» chegar. Porque força de vontade, o homem tem para dar e vender. Neste momento, é o meu barómetro. E em Março logo se vê…

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Clássica do Oeste em antecipação

A volta do próximo domingo será realizada sobre o percurso da futura Clássica do Oeste (96,4 km), que fará parte do 1º Circuito Ciclodesportivo Pina Bike.

Percurso:
0 km - Loures
6,2 km - Alto de Guerreiros (4,2 km a 2,7%)
10 km – Lousa
13,7 km – Venda do Pinheiro (1,2 km a 7%)
17 km – Malveira (p/ Torres Vedras)
22,5 km – Vila Franca do Rosário
32,8 km – Turcifal
35,6 km - Nó da A8 (2,8 km a 3,3%)
37,6 km - Torres Vedras
44 km - Ponte do Rol
49 km – Coutada (em frente para S. P. da Cadeira)
51,3 km – S. Pedro da Cadeira
54,8 km – Encarnação
62 km – Piçandeira (3,7 a 4,1%)
66,6 km – Murgueira
70,7 km – Mafra
72,7 km – Carapinheira (rotunda)
76,1 km – Alcainça
79,1 km – Malveira
82,7 km – Venda
86,5 km – Lousa
90,2 km – Guerreiros
96,4 km – Loures

Concentração: 8h30 (Bombas da BP em Loures)
Partida: 8h45
Tempo previsto: (aprox. 3h40 à média de 27 km/h)

Principais dificuldades:
6,2 km - Alto de Guerreiros (4,2 km a 2,7%)
13,7 km – Venda do Pinheiro (1,2 km a 7%)
62 km – Piçandeira (3,7 a 4,1%)

domingo, janeiro 15, 2006

Miguel, venha a bela baixa!

Diz-se que as quedas e os acidentes acontecem, que fazem parte dos «ossos do ofício» de um ciclista, mas é sempre motivo de consternação e de forte abalo anímico quando vitimam um companheiro nosso. Durante a volta domingueira de hoje de manhã, disputada debaixo de condições climatéricas péssimas, o Miguel sofreu um acidente com um automóvel que lhe causou a fractura da clavícula direita. Apesar da violência do embate, este poderia ter tido consequências bem mais graves.
Tudo ocorreu junto ao posto de abastecimento, logo a seguir ao cruzamento para a base aérea da Ota, quando um veículo, que saia desse local, se atravessou na via à nossa passagem. Eu e o Steven conseguimos evitar a colisão, contornando o carro pela frente, mas o Miguel não teve a mesma sorte, com o piso encharcado e à velocidade que seguíamos, chocou violentamente com a lateral do carro, atrás da porta do condutor, felizmente numa zona mais deformável e no vidro, que estilhaçou. O embate foi tal, que o veículo, um furgão ligeiro, ficou bastante amolgado.
O Freitas, que se adiantara, e o Abel e o Capitão, que seguiam mais atrás puderam escapar ao sucedido. Ao assistir ao acidente, receei por pior, mas o nosso amigo esteve sempre consciente (preocupado apenas com o estado da bicicleta e com o… Quebraossos), tendo sido transportado rapidamente ao Hospital de Vila Franca, de onde saiu ao início da tarde. De braço ao peito, mas bem disposto. Venha a bela baixa!
Para ti, louco imprevisível, o desejo de rápida recuperação, pois 2006 ainda terá muito para conquistares.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Runa a abrir o ano...

Nota introdutória: Homenageio desde já todo o painel habitual e demais visitantes deste blog pela afluência verdadeiramente extraordinária durante o dia de segunda-feira, decerto, com o objectivo de encontrar o habitual comentário sobre a volta domingueira. Este forte interesse sobre as incidências destas cavalgadas no asfalto, narradas na primeira pessoa, revela acima de tudo, o forte entusiasmo que o «nosso» ciclismo está a suscitar entre os elementos do grupo Pina Bike, e que será extensível a outros que têm contribuído para fazer crescer a popularidade deste «sítio». Assim, pelo atraso pouco habitual, justificado por compromissos profissionais, pedimos a compreensão do dedicado painel. Agora, adiante... para Runa!

A primeira volta oficial de 2006 iniciou-se sob uma espessa neblina e baixíssima temperatura matinais, que arrefeceu os ímpetos do numeroso pelotão (14 elementos na reentré é obra!), durante os primeiros quilómetros. Mas não só. Também terá sido o espectro do novo ano desportivo, que se antevê mais preenchido e motivador mas, por isso, também mais exigente e competitivo, que contribuiu para a contenção de esforços nas pedaladas iniciais. E mais: o que se falou durante a semana sobre a alegada dificuldade (que não se confirmou!) do percurso desta volta (que será semelhante ao da Clássica de Runa, uma das provas do 1º Circuito Pina Bike, aprazada para meados de Março), também poderá ter ajudado ao comedimento do pelotão.
Tanto assim foi, que, entre Loures e já depois de Alverca, fez-se uma média muito baixa, tendo eu decidido tomar a iniciativa de acelerar o pelotão, de resto, rapidamente correspondida pelo Daniel e o ciclista da Look preta (não é o Freitas!), que levaram o grupo, a bom ritmo, até Vila Franca, onde o Abel «furou», forçando a uma paragem de alguns minutos.
Retomada a marcha, caiu-se na mesma madorna, obrigando a medidas semelhantes às anteriores. A velocidade aumentou e já perto do Carregado o regressado Nuno Garcia adiantou-se ligeiramente, ajudando a espicaçar o grupo. Começava a animação.
Depois de Alenquer, acabava o terreno totalmente plano e começava o segundo capítulo da volta. Agora sim, a «corrida» ficou definitivamente lançada, com o grupo empenhado em não deixar cair o ritmo, para o qual contribui, durante vários quilómetros, o Nando, confirmando o seu crescendo de forma.
Chegados à Merceana, eis o terceiro capítulo. O sobe-e-desce que se seguia antevia as primeiras movimentações a sério. E confirmaram-se. O primeiro a tomar a iniciativa foi o Freitas, que acelerou logo à saída da Merceana, ganhando algumas centenas de metros, ao que responderam, à vez, o Pina, o Vidigueira, o João e o Capitão, entre outros. Nesta altura, desvendaram-se imediatamente as insuficiências do Abel, do Daniel e mais surpreendentemente, do Zé-Tó.
Atrás a resposta fazia-se essencialmente através de controlo à distância, mercê do bom trabalho do Nando, que, no topo da Carvoeira lançou a perseguição definitiva que levou um grupo muito restrito (Nando, Ricardo e Miguel) a anular a fuga do Freitas. Foi este quarteto que chegou isolado ao cruzamento de Runa, embora não se esperasse muito pelos restantes.
Com o grupo de novo compacto, «atacou-se» umas das maiores dificuldades do dia: a subida (1 km a 9%) à saída de Runa. O ritmo, porém, foi bastante baixo, passando-se pela dura rampa sem grande desgaste, com o combativo Freitas a romper mais uma vez a calmaria já muito perto do alto, levando consigo o Vidigueira e o Nando. A perseguição do pelotão a este trio de respeito não foi muito decidida, embora sem grandes sobressaltos, e antes da Feliteira já estava feita a junção. Definitivamente para trás ficaram o Abel, o Daniel e o Zé-Tó.
A partir daqui, sob piso bastante degradado (que certamente levará à alteração do traçado da Clássica), o grupo rolou mais descansadamente, subindo a Sapataria sem que se verificassem quaisquer movimentações. Já depois de eu ter acelerado à cabeça após a Póvoa da Galega, preparando a subida final, para o Alto de Montachique, houve nova «paragem», deixando evidente a falta de «interesse colectivo» que os últimos 2 km fossem para «estragar». Fez-se então a subida a ritmo muito baixo e terminou-se em sprint vigoroso nos últimos 200 metros, a 8% de inclinação. A passividade era tanta que tive tempo de experimentar aguentar o 52, mas fui demasiado optimista, pois a 100 metros do alto acabou-se a energia para o movimentar. Então o Freitas e o Miguel aproveitaram a minha quebra para se adiantarem alguns metros, acabando por medir forças lado-a-lado, como é apanágio de dois «co-equipiers», que viram o seu trabalho conjunto durante toda a volta coroado de êxito.

Notas de observador:

1- A reentré demonstrou que, ao nível em que o grupo está, não se pode facilitar nos treinos semanais, e que, em especial, o interregno da quadra natalícia deixou marcas bem profundas, por exemplo, no Zé-Tó e no Daniel, que tão bem tinham terminado o ano. O Daniel, sempre voluntarioso, ainda passou pela frente em terreno plano, mas o Zé-Tó esteve sempre retraído e acabou por não aguentar o ritmo (terá sido isso!?) do pelotão depois de Runa.

2- Ao invés, o empenho e a assiduidade estão a resultar em pleno, contribuindo para a subida de forma de outros, entre eles, o Nando, o João, o Capitão e mesmo o Pina. O Nando há muito que não se mostrava tanto, principalmente no trabalho de perseguição, deixando no ar a ideia que, em breve, será capaz de aumentar a intensidade das suas iniciativas. O João esteve sempre na «corrida», gerindo muito bem (até melhor que o habitual) o desgaste, chegando ao final em bom plano, a prometer bastante... Destaque também para o Capitão «Fantasma», que parece estar muito «fino», atenuando melhor as tradicionais limitações em terreno empinado, tal como o Pina, também muito activo, embora tivesse pecado por não subir para Montachique – recordo que nestes momentos em que o corpo e a razão desencorajam a continuar, é a coragem e a determinação que nos fazem evoluir. Outra agradável surpresa foi a prestação do Vidigueira – irrequieto durante quase toda a volta e... o quarto a chegar ao Alto de Montachique. Muito bem!

3- Finalmente, a menção honrosa para o Freitas, no início do seu longo e difícil caminho que o levará até aos Lagos de Covadonga. No final de uma semana em que acumulou centenas de quilómetros, demonstrou, em terreno selectivo (quando começou o parte-pernas que se seguiu à Merceana), que estava determinado a fazer diferenças, contando sempre com a excelente colaboração do Miguel (que nunca perseguiu quando o seu «companheiro» estava em fuga). O nosso candidato a «internacional» poderá ter beneficiado da parcimónia geral na subida da Sapataria e de Montachique, mas deu sempre mostras de grande combatividade e que estaria preparado para responder a qualquer ataque. E no final sacou dos seus galões, mesmo numa inclinação acentuada, para terminar na companhia do seu fiel «co-equipier». Confirma-se que este tipo de voltas, que será o grosso do Circuito de Clássica, é ao jeito das suas características. Em plena forma, o nosso amigo Freitas dificilmente será batido, mas, volto a frisar, haverá alturas, a partir de Março, em que terá de estar ao seu mais alto nível.

4- Ah! E a volta acabou por não ser o tal bicho papão que se falava. Como eu esperava, revelou-se de dificuldade média, equilibrada e selectiva, como devem ser todas... ou quase todas as Clássicas que se disputarão a partir de Fevereiro. Alguém discorda?

segunda-feira, janeiro 02, 2006

I Circuito Pina Pike: apresentação

O Ano Novo será de vida nova para o grupo Pina Bike. Ou pelo menos, vida diferente. Para melhor, espera-se. Mais exigente, mas também mais entusiasmante e motivadora será certamente.
O ano de 2006 será o primeiro do Circuito Ciclista Pina Bike, constituído por um calendário de Clássicas a realizar, a partir do início de Fevereiro até ao final de Outubro, nos mesmos moldes das habituais voltas domingueiras, mas devidamente inscritas no tempo, com percurso detalhado e anunciado com alguma antecedência, algo semelhante (mas com muito mais antecedência e rigor) ao que já vem acontecendo nas últimas semanas.
Com isto pretende-se dar um carácter mais «profissional» às nossas saídas de grupo, embora a sua filosofia não sofra quaisquer alterações, em salvaguarda do espírito de camaradagem e sã convivência. Privilegia-se a coesão e o andamento em pelotão compacto, sem, obviamente, afectar a vertente desportiva-competitiva, que tão bem tem evoluído nos últimos tempos.
De resto, o Circuito deverá trazer ainda mais «ciclismo» às voltas domingueiras, não apenas no sentido colectivo, fomentando a competitividade que já existe – que é exemplar e deve ser preservada –, mas também no âmbito individual, contribuindo para que cada participante se empenhe cada vez mais no planeamento do seu treino para atingir um nível físico capaz de corresponder às novas exigências, que serão mais elevadas – embora não demasiado.
O cariz das Clássicas não difere significativamente do das tradicionais voltas domingueiras, tanto em distância como em ascendente, embora haja uma distinção clara do que são Clássicas planas, intermédias e de montanha, de acordo com o relevo. As primeiras serão disputadas nas lezírias ribatejanas, por locais já bem conhecidos, e por serem teoricamente mais suaves, serão também mais longas. Por isso, surgirão mais cedo no calendário, ao género das Clássicas da Taça do Mundo, como a Milão-San Remo, Liége-Bastogne-Liége ou Tour de Flandres, disputadas no Inverno e no início da Primavera. Aqui, os roladores ditarão as suas regras.
O grosso do calendário será preenchido por Clássicas de dificuldade média ou média-alta, que cobrirão as estradas de toda a nossa região, da Ericeira a Torres, de Alenquer ao Sobral. Estas são caracterizadas por relevo do tipo «parte-pernas», sem evitar as subidas, o que lhes dará forçosamente um carácter de apreciável exigência. Todavia, não serão muito diferentes da maioria das que já se disputam, ou mais precisamente das que têm sido realizadas ultimamente, como Ericeira, Carmões ou a Carnota. Privilegiam-se os percursos ondulados, para onde certamente estarão reservados grandes momentos de ciclismo e os homens fortes todo-o-terreno comandarão as operações.
As Clássicas de Montanha chegarão mais tarde no ano, lá para o miolo, altura em que pernas já terão muitos quilómetros e a intensidade está no auge. Estas incluirão no seu percurso algumas das principais subidas da nossa região, como a Mata, Ribas, Fanhões (Casaínhos), Sintra, Montejunto, etc., e serão, naturalmente, bastante mais selectivas, exigindo aos participantes um nível de preparação mais apurado e uma atitude mais consciente e responsável.
Para aguçar o apetite, pode dizer-se que a Clássica dos Trepadores incluirá Sobral, Mata, Ribas e Montemuro. Haverá também uma reedição do «muro» da Nossa Senhora da Ajuda, com passagem por À-do-Barriga, Mata, Tesoureira e Ribas, e um autêntico carrossel até Igreja Nova com final apoteótico na subida de Fanhões/Casaínhos e no terrível Monte Esperança. Já para não falar em duas chegadas ao alto de Montejunto, por Pragança e Abrigada. Aqui sobressairão os que estiverem melhor preparados e os «trepadores» por excelência.
Finalmente, também haverá Clássicas de longa distância, as já tradicionais tiradas a Fátima e a Évora ou a estreante e muito comentada dupla jornada Loures-Serra da Estrela. Escusado é dizer que, também nestas, o nível de exigência será bastante elevado, pelo que não seja, devido à sua grande extensão.
O calendário provisório do I Circuito Pina Bike, bem como a descrição da maioria das Clássicas, estarão disponíveis, em breve, na loja Pina Bike, em Loures.