sábado, junho 30, 2007

Montejunto x 4


Magnífica manhã de sol na Varanda da Estremadura, excepto o vento forte.
Excelente treino de montanha na companhia do Jony.
Objectivo: «afinar a máquina» para Etapa do Tour.
Montejunto, por Vila Verde dos Francos: 4 subidas.
104 km, quase 4h30 e 2575 metros de ascendente acumulado.
Percurso: Olhalvo-Vila Verde-Montejunto-Pragança-Vilar-Vila Verde-Montejunto-Vila Verde-Montejunto-Avenal-Vilar-Vila Verde-Montejunto-Olhalvo.
Obs: desci uma vez pela vertente do Avenal. Para ver... Conclusão: garanto que nunca me irão ver em sentido inverso!

quarta-feira, junho 27, 2007

Trepadores no domingo

No próximo domingo há volta «grande». O mesmo será dizer... a subir bastante. Trata-se da famigerada Clássica dos Trepadores, que inclui algumas das subidas mais prestigiadas da nossa região – pelo menos, na zona mais «batida» durante a temporada.
Sobral, Mata, Ribas e Montemuro no cardápio, por esta ordem, que, por si só, revela bem das dificuldades do percurso, embora sem exceder 85 km. O final, por paragens pouco habituais, como Sto. Estevão das Galés e Sta-Eulália, não será mais acessível.
Recomenda-se, portanto, moderação e abordagem criteriosa, da parte de todos, à tirada, tanto mais que, nesta altura, os que visam a participação na Etapa do Tour encontram-se em fase terminal da preparação e, consequentemente, muito perto no pico da forma. Logo, é natural que a disponibilidade física seja maior, tal como a motivação, ora experimentando as forças, ora aproveitando o acidentado do traçado para limar as últimas arestas para a prova francesa, o que poderá o andamento tornar mais selectivo. Neste caso, aconselha-se aos demais que prescindam de embarcar nessas eventuais «aventuras», procurando fazer a sua própria gestão do esforço, com o objectivo de cumprir, da melhor maneira, uma etapa que, sem dúvida, é muitíssimo estimulante para todos os que gostam de praticar ciclismo.
Para mim, vai ser a estreia nesta Clássica muito apetecível, depois não ter podido participar na animada edição de 2006, onde os trepadores, pelo que soube, estiveram como peixe na água. Entre eles, o saudoso Pintainho.
A propósito, ninguém imagina como as vertentes de Ribas estavam povoadas neste final de tarde! Quanto ciclista por metro quadrado!

segunda-feira, junho 25, 2007

Apenas percalços, quero crer

A recta final da preparação para a Etapa do Tour não está a ser favorável. Muito pelo contrário. A cerca de três semanas do grande dia, a situação está longe de estar... «controlada». Os contratempos não têm parado.
Após o interregno de quatro dias nos treinos, para gozo de férias, ainda no decurso destas, o regresso à estrada trouxe uma dor aguda na região lombar, agravada com o esforço em subida. Logo em subida, o que vinha mesmo a calhar!
Foi assim, com queixas, que passei toda a última semana, embora sem desviar-me do esquema de preparação delineado, e mesmo correndo o risco de agravar uma eventual lesão muscular (distensão, rotura, etc) e com limitações nas subidas (e houve tantas para explorar na magnífica serra algarvia de Monchique).
Até pode ser que tenha sido melhor assim! A dor tem vindo a diminuir mas ainda incomoda, e nem quero pensar que não recupero totalmente até dia 16.

Mas não parou por aqui. Na manhã de domingo, após o regresso de férias na véspera, voltei a pesar-me. Choque! Mais 4,5 kg que há uma semana! Na balança: 78,5 kg! Perguntei-me como terá sido possível ganhar tanto peso em tão pouco tempo? Principalmente, sem comer doces ou fritos, apenas alguns excessos (em quantidade) às refeições. Para mais, em plena actividade. Os únicos indicadores do aumento da massa corporal foram os elogios para minha mulher na praia. Sempre pensei que fosse do bronzeado e do... calor das férias!
Sinceramente, jamais pensei que estivesse a ganhar tanto peso. Curioso é o facto de a massa gorda ter inclusive diminuído, para muito bons 5% - o que deveria pressupor o peso de forma ou muito próximo deste – que apontei para 73 kg, contra 72 kg dos últimos anos, uma vez esta época ganhei massa muscular nas pernas, compensando com acréscimo de força esse ligeiro aumento de peso.
Aliás, tudo estava a correr dentro do estipulado – até há última semana, quando restava perder apenas 1 kg! Assim, agora estou a mais de 5 kg desse objectivo. Pouca coisa!
Resta-me, portanto, procurar «queimar» o mais possível no pouco tempo que resta, correndo o risco de perder também o que não devo. Todavia, perder o quê? Que gordura, se não a tenho! Por isso, ainda estou intrigado com este súbito aumento de peso...

Para terminar em beleza a semana, no domingo, de regresso às voltas com o grupo, caí algures entre a Feliteira e Dois Portos, quando a rosca da biela cedeu soltando o pedal. Felizmente, ia devagar, a não mais de 25 km/h, instantes depois de ter descido a mais de 60 km/h. Resultado: além do treino interrompido, a avaria na bicicleta sem reparação previsível (ainda que o insuperável Pina já me tenha desenrascado) e alguns arranhões nos «cromados». Apenas percalços, quero crer!

Mas nem tudo vai menos bem, felizmente. Referência muito positiva para a participação do Miguel Marcelino e do Nuno Garcia em mais uma edição da Quebrantahuesos. Mais uma vez em posições meritórias. Além da fantástica experiência, terá sido, acima de tudo, óptimo teste para a Etapa do Tour.

quinta-feira, junho 07, 2007

Feriado, trabalho forçado!

Feriado nacional. Treino com o grupo do Paulo Pais, sinónimo de trabalhos forçados! Mais uma vez, o ritmo foi para homens de barba rija. Percurso entre Caneira Nova, Torres Vedras, Vilar, Cadaval, Bombarral, Torres e regresso ao local de partida. Ondulado suave, a favorecer ciclistas com músculos fortes e pedalada vigorosa. Verdadeiramente selectivo, só o andamento...
Ponto prévio para lançar a empolgante tirada: o campeonato nacional de Master's (veteranos) foi há menos de uma semana e entre os seis participantes (exceptuando eu e o Jony) quatro estiveram nessa competição. A saber: Paulo Pais, Luís Runa, João Aldeano e Mário. Escusado dizer que todos no «pico» de forma. Mas, de outra maneira, não seria tão espectacular como foi...
Nos quilómetros iniciais, em direcção a Torres, ritmo moderado imposto por mim e pelo Jony.
Mas logo chegaram as primeiras hostilidades. Na subida de Catefica, o Runa salta. O Paulo alertou para «deixar ir», que «era muito cedo». Porém, o Aldeano não esteve pelos ajustes e rapidamente recuperou e agarrou a roda. Cedo ficava demonstrado que estava em «jogo» algo mais... Estavam duas equipas representadas: Paulo Pais e Runa (Amiciclo/Grândola); Aldeano e Mário (Viveiros S. Lourenço). Perdão, três: Ricardo e Jony (Pina Bike), Assim, sim!
Ou seja, a marcação era impiedosa e estava visto que os topos mais picantes serviriam de «pontos quentes». O próximo, logo à saída de Torres: Sarge. Aqui, deu para perceber que o próprio Paulo Pais não estaria com a mesma contenção de Catefica e deu «ordem» para os restantes estarem atento às movimentações de Aldeano e Mário (por sinal, seu cunhado). Entra-se na subida e o ritmo aumenta progressivamente, estabilizando nos 30 km/h. O meu coração, upa, upa! O Aldeano comanda, secundado pelo seu companheiro de equipa. Passo certo na fase mais dura, ninguém se mexe. Pudera! Após ligeiro descanso, ataca-se a ultima parte da subida, e eis que o Jony surpreende (pela direita), saindo muito bem e despoletando a primeira resposta desenfreada. No entanto, logo às primeiras pedaladas mais pesadas, parte-se a corrente da bicicleta do Mário, forçando a uma neutralização para reparar a avaria.

Retomada a marcha sem perder demasiado tempo (milagrosas ferramentas e pessoal precavido: são muitos anos!), desceu-se para Ermegeira e em seguida o falso plano ascendente do Maxial para a rotunda do Rodeio. Oito quilómetros, novamente em ritmo progressivo, com dois patamares: o primeiro (4 km) entre os 32 e 34 km/h e os últimos sempre acima dos 35 km/h! Nesta altura, o principal obreiro foi o Aldeano. Muito forte! Alguma colaboração do Paulo Pais e do Mário, mas pouca... Aliás, foi o Jony, à chegada à rotunda do Vilar, que acabou por «mexer» o andamento. Tomou a liderança e «picou» para a descida a 60 km/h. Lá atrás, o meu 50x12 começava a ficar curto. Felizmente, a estrada endireitou.
Mas para logo empinar, em Martim Joanes. Um topo a sério. E de novo, o suspeito do costume: Aldeano. Agora, não forte, fortíssimo! 30 à hora por ali acima. Não havia lugar a distracções ou momentos de fraqueza. Eis o primeiro grande teste à minha condição física. Veredicto: pernas boas, mas coração... nos 186! Fiquei preocupado com as consequências, contudo até ao alto não havia lugar a cedências. E todos passaram! Não sei se bem, ou como eu?
Após o cruzamento para o Cadaval relaxou-se um pouco. Finalmente. Mas logo aos primeiros declives, voltou o ritmo de cruzeiro acima dos 30 km/h, e um encadeamento de dois topos voltou a promover a picardia. Desta vez – ou mais uma vez! – o Jony. Picou os poderosos e eles saíram endiabrados. O Aldeano sempre a dominar, dando mostras de muito boa forma.
Desceu-se rapidamente para Cadaval e depois para o Bombarral, em tréguas. E parou-se para um cafezinho retemperador. Mais de metade do percurso já estava feito. A 34 km/h de média! Mas não havia perspectivas que o restante fosse mais fácil.

Saída do Bombarral a caminho de Torres. Até Outeiro da Cabeça, sempre em falso plano ascendente, vento contra, a média ressentiu-se: 28/30 km/h. Então era o Mário que «metia passo», lado a lado com Aldeano. Viveiros a controlar as operações, está claro! Recuperou-se o andamento na descida a seguir. A preparar mais escaramuças. E logo no primeiro topo. O Amiciclo/Grândola aparecia, com o Paulo Pais a quebrar a ordem. Mas resposta pronta dos dois Viveiros, que, voltaram a destacar-se. No grupo, acusava-se o «toque». O Jony e o Runa demoraram a reentrar, principalmente o segundo. O Aldeano voltava a demonstrar... poder de fogo!
E não havia muito tempo para recuperar. Após nova descida, a passagem, em subida, no Ramalhal/Ameal. O Mário, a forçar, parecia querer lançar o Aldeano, e o grupo estirou-se nas rodas até ao ataque previsível e a resposta. Desta vez, o grupo partiu mesmo! Após o alto, fico eu e o Aldeano, reentrando depois o Mário, que passou imediatamente ao comando. Antes do cruzamento de Torres, estava feito o corte, mas Aldeano apercebeu-se da distância e sugeriu ao companheiro que abrandasse. Em Torres estávamos todos juntos novamente.
A passagem pelo interior da cidade foi atribulada. Um casamento e uma procissão dividiu o grupo. Eu e o Runa escolhemos o percurso mais directo e ganhámos imenso avanço, que deu para gerir até ao alto da entrada da auto-estrada A8 (Catefica). O Runa deu a entender que estava muito curto e deixou-me ir.
Parecendo que não, o desencontro do grupo trocou-me as voltas. A volta aproxima-se do final e já muitos «cartuchos» tinham sido gastos pelos homens-fortes. E eu passara mais ou menos incólume. Chegava, pois, a vez de mostrar algum serviço, pois até aí limitara-me a passar o melhor possível os «pontos quentes».
Como vinha com ideias feitas para a subida de Catefica, restava-me o encadeamento de dois topos Turcifal-Freiria. No Carvalhal, passou para a frente o Aldeano, mas logo a seguir do cruzamento da Serra da Vila acelerei - da frente do grupo, o que não foi bom., embora, sinceramente, não tenha pensado em surpreender, pois quase todos os «picanços» anteriores tinham sido muito leais, iniciados, digamos, à descarada de todos. Por isso, abordei o topo para fazer desgaste e não para causar cortes decisivos. Tanto mais, que não acreditei que fosse capaz de o fazer naquele local. A verdade é que as forças de alguns já vinham justas e fez-se selecção. O Aldeano e o Paulo seguiam na minha roda e, logo que abrando, saltam em sprint até ao alto, ganham pouco avanço.
Os restantes reentram na curta descida e, nessa altura, fico na roda do Aldeano e sinto o Jony ao meu lado, do lado da berma, muito atento (já estaria à espera de alguma coisa!!!). Voltou a atacar, e agora até ao fim. Detrás do Aldeano. Passo o topo e na descida reparo imediatamente que o Paulo tinha passado, e havia outro! Quem? O mais provável, o Aldeano! Não, o Jony! Os Viveiros tinham ficado! Dou imediatamente a dianteira ao Paulo, mas sinto rapidamente que o vigor não era muito. Peço ao Jony, que me diz que... «não dá». Quase que o obrigo a meter-se à frente. Tenho de voltar a puxar.
Na passagem por Freixofeira, olho para trás e avisto os dois Viveiros no nosso encalço. Restava menos de um quilómetro, mas forças começavam a escassear. Rodávamos a mais de 40 km/h, quando, na penúltima recta, os dois perseguidores, com o Aldeano na liderança, passaram directo. SIM, DIRECTO! A 45-50 à hora! Ainda gritei para o Jony agarrar a roda, mas também ele não resistiu. Os Viveiros voltaram para esmagar! Mas que pena a volta ter terminado! Agora é que estava toda a gente sensível... ao mínimo toque.

Antes de concluir, devo render homenagem ao João Aldeano, ex-campeão nacional de Veteranos A, pelo seu excelente desempenho neste treino altamente competitivo. Numa volta de 92 km, a mais de 33 km/h de média, foi um incansável trabalhador, dominou todos os «pontos quentes» e rematou com uma impressionante demonstração de força. Bravo! Os Viveiros levaram a melhor... mas para a próxima há mais. Atenção aos Pina Bike! Ehe!
Venham mais manhãs como esta!

segunda-feira, maio 28, 2007

As revelações não páram!

Não me canso de elogiar a dedicação e o empenho de outros na prática do ciclismo. Assim, também encontro justificação para a minha «doença». No grupo em que me insiro os exemplos são muitos. Não somos profissionais, nem sequer «semi», mas quando a paixão arrebata e a disponibilidade de tempo permite traçar objectivos (uns mais, outros menos ambiciosos), é possível atingir-se níveis de aptidão física que possibilitem retirar o melhor partido da bicicleta – de estrada, entenda-se, pois o conceito que está por trás da concepção deste tipo de bicicletas é, indiscutivelmente, a performance.
Como dizia, no nosso pelotão restrito, há elementos que têm esse privilégio – o de conseguir conciliar os compromissos profissionais e pessoais (tantas vezes, à custa de sabemos bem o quê!) com os seus objectivos desportivos. Outros não, e outros mais ou menos. Por isso, existem diferenças de rendimento indisfarçáveis.
Tudo isto, para dizer que destaco, sempre com muito agrado, as boas prestações dos meus companheiros, reflectindo, lá está, a aplicação semanal nos treinos. Indiscriminadamente, se são velhos conhecidos ou se estão a dar os primeiros passos no seio do grupo.
Entre estes, o melhor exemplo é, claramente, o Jony, cujo percurso ascensional dispensa grandes explicações. Recorde-se que se «estreou» já no final da última temporada, integrando-se sem dificuldade pelas suas excelentes características inatas para a prática do ciclismo e obviamente pelo elevado espírito de camaradagem. Como traçou, de imediato, os tais «objectivos ambiciosos» para este ano, disparou rapidamente para patamares de rendimento ao nível dos melhores do grupo. Além disso, ninguém vai discordar que é o mais rápido do grupo e também o que (na minha opinião pessoal), em condições de «andamento livre», tem as melhores características de classicómano.
Mas há mais a merecer os mesmos elogios. Quem não se lembra do Salvador em Fátima-2005, de vê-lo fazer os últimos agarrado ao carro? E quem o vê actualmente, trabalhador incansável, voluntarioso, só pela fome de protagonismo, de testar os seus limites – isso é ciclismo. E continua a evoluir, a refinar a forma como anda de bicicleta, e os resultados vão aparecendo... E outros, como o Zé ou o Pedro, que entretanto decidiu fazer uma retirada para aprimorar a forma, mas cujo regresso não duvido. Bons atletas e camaradas.
Todavia, actualmente há novo «poderoso» na calha: o Polícia. Resultado comprovado de tudo o que já disse sobre empenho e disponibilidade! O homem faz-se! Chegou, viu e.... já pode «zangar-se» de vez em quando...
Ontem, ainda bem que não se «zangou»... comigo. Felizmente, pelo contrário, o seu contributo foi de enorme utilidade para que eu não tivesse acumulado ainda mais atraso aos meus compromissos familiares.

Foram estes compromissos que alteraram, a partir do Livramento, os meus planos e o cariz da volta domingueira, cujo percurso original, além de exigente, aprecio bastante. Nessa altura, apercebendo-me de que estava amplamente fora do tempo, e sem sinal do grupo que ficara a aguardar por retardatários, decidiu fazer-me à estrada a partir do «muro» de Freiria, para não mais parar.
Os meus parceiros de então, o Polícia, o Fantasma e o Salvador, não se rogaram ao repto e cerraram fileiras para me acompanhar. Vencido aquele topo, seguiram-se a subida da Encarnação, o empolgante carrossel de S. Domingos, Quintas e a dura subida final para Valongo. Se bem que, dando eu o mote para o ritmo não abrandar, principalmente o Salvador e o Polícia ajudaram a mantê-lo vivo.
À passagem por Ribeira d’Ilhas, o Fantasma começou a ceder ligeiramente à rudeza do relevo. O Salvador, pelo contrário, dava cartas, mas, na Ericeira, perante o meu anúncio de que ia cortar para Mafra, optou então por aguardar pelo grupo restante, talvez na ânsia dos 21% de Montelavar. O Fantasma parecia na dúvida e o Polícia seguiu a minha roda na subida para a rotunda nova.
Felizmente, o vento estava a favor, mas a hora que restava para entrar dentro do horário a casa era uma miragem. Tanto mais que as pernas já começam (tão cedo!) a mostrar alguma fraqueza. Até quase ao Sobreiro continuei à frente, só depois fui rendido. E em boa altura, não só para mim, como para o Fantasma. Porquê? Pois só assim me apercebi que vinha no nosso encalço, lutando desde Pinhal dos Frades para fechar os intermináveis 200 metros perdidos na subida da Ericeira. Esperámos para que reentrasse e ele agradeceu vivamente alguém ter, por fim, olhado para trás. Pudera!
Porém, como ele bem diz, já vinha «apalpado», e à saída de Mafra, antes da subida da Abrunheira, deu-nos liberdade para não esperar, afirmando o seu empenho nas descidas para tentar recolar. Não foi preciso esforçar-se muito. Os escassos metros perdidos na rotunda, recuperou-os com os seus dotes de «falcão» (antes o Polícia, vinha alcunhando o Salvador de Salvodelli, mas aplica-se bem melhor ao Fantasma).
A chegar a Alcainça, o Polícia começou a dar largas à sua frescura. Num ou outro esticão, meteu-me logo a patinar e o Fantasma a esticar na ponta do elástico, até rebentar na subida para a Malveira. Todavia, à chegada à Venda lá estava outra vez, agora sem descidas.
Aí, separamo-nos. O Salvodelli, perdão, o Fantasma, que está em excelente forma, como prova a sua classificação na Maratona de BTT de Mafra, seguiu para Loures e eu e o Polícia para Bucelas. Agradeço-lhe pela companhia, pois foi óptima ajuda, embora, no Cabeço da Rosa, tivesse mais uma vez de refrear o ímpeto para não me deixar... pendurado. Esta expressão pode parecer exagerada, mas, acredite-se, reflecte, acima de tudo, a sua excelente forma. Quanto a mim, só posso desculpar-me da semana aziaga, dos 45 km que já tinha contabilizado à partida de Loures, blá, blá, blá... A verdade é que faltaram pernas! Mas foi um treino muito bom.

«Pior» foi o que ouvi ao chegar a casa, por 18 minutos de atraso. Foi difícil fazer a «dona da pensão» compreender que, apesar do erro de cálculo, tinha dado o litro para atenuar os «prejuízos», como provam os 30 km/h de média entre Livramento e Alverca. Desde a Ericeira, foi um autêntico contra-relógio de 1h15m. Poderia ter sido melhor, é verdade, logo as pernas tivessem... boas!

P.S. Já soube que, no restante grupo, que fez o percurso completo, também houve muita animação. Na Foz do Lizandro e no famigerado muro de Montelavar. A semana promete agitação!

terça-feira, maio 22, 2007

Montejunto: contra ventos e tempestades

(clicar 2x no gráfico para abrir)

Excelente exibição do pelotão Pina Bike em Montejunto! Contra ventos e tempestades (literalmente!), enfrentou-se a dureza da vertente de Vila Verde dos Francos com apreciável empenho e uma dose de competitividade salutar. Lá em cima, um grupo previsível discutiu arduamente pelo «gostinho» de chegar à frente ao alto, após uma tirada muito bem disputada, principalmente a partir do Sobral. Num duelo que acabou por se prefigurar, entre trepadores e roladores, os primeiros, de certo modo, acabaram por levar a melhor, comigo a superiorizar-me por alguns segundos, ao duo Freitas e Jony, com o Carlos do Barro a fechar o quarteto, depois de uma exibição que honrou a «classe» dos trepadores. Mas não sem que os roladores tenham recorrido, durante a etapa, a diversas formas de tentar inverter a sua pretensa inferioridade na subida final, o que serviu para abrilhantar a jornada.
No entanto, antes de fazer a habitual resenha da jornada, reitero, uma vez mais, a prestação global do grupo, que cumpriu o objectivo de subir à cota dos 650 metros, com mais adversários que a próprio desnível do terreno: chuva, vento, frio (fazia 10ºC no alto de Montejunto, que, com a chuva, tornou a descida penosa) e nevoeiro. Clima invernoso, totalmente imprevisto nesta altura do ano, e após alguns dias de intenso Verão. Foram estes, os bravos do pelotão: Abel (respeite-se a hierarquia), João, Salvador, Evaristo, Zé, Polícia, o amigo do Abel e ainda o Zé-Tó – este apesar de não ter concluído, empenhou-se verdadeiramente ao longo do percurso, numa aventura em solitário, contribuindo para o interesse da tirada (ver destaque no final desta crónica).
Quanto aos restantes – refiro-me ao quarteto de que se aguardava maior competitividade –, não foi mais importante a sua participação: eu, o Carlos do Barro, o Freitas e o Jony.
Surpresa do dia (ou talvez não!): havia estratégia montada entre os roladores, Freitas e Jony, para desgastar os que habitualmente estão mais à-vontade na montanha: eu e o Carlos. Primeiro sinal da parceria logo após Bucelas, quando o Freitas forçou o andamento o suficiente para se isolar rapidamente do grupo, que iniciava a subida para o Forte de Alqueidão com cautelas redobradas devido ao vento, e já depois de ter sido alvo de uma chuvada de granizo.
Perante a inércia do pelotão (das principais figuras, principalmente), e apesar de se saber que todo o esforço até ao Sobral é relativo e não directamente rentabilizado devido à habitual (e necessária) neutralização para reagrupamento, considerei que deveria, no mínimo, corresponder à iniciativa do Freitas para não haver desequilíbrios e também contribuir para avivar, desde cedo, a «chama». Neste particular, lamenta-se a falta de correspondência ao repto do Jony e do Carlos, cuja adesão também se impunha, uma vez que eram protagonistas assumidos - e tanto mais que o andamento nunca foi fracturante. A única atenuante para os 7 minutos (!!!) que tivemos de esperar pelo grupo no Alqueidão só (!?) poderá ser o Polícia ter furado.
Quem não esperou foi o ZT, isolado desde o primeiro quilómetro, e de após ter sido alcançado, ainda antes de Arranhó, se ter agarrado à nossa roda, só largando perto do alto, onde seguiu directo e muito bem!
Feito o reparo, a segunda metade do percurso até Montejunto valeu por tudo, até pela intempérie! Mais uma vez fruto da táctica dos roladores (com estes dois tipos juntos, não será fácil resistir-lhes noutro tipo de terreno!), o Jony atacou logo à saída do Sobral, de forma a não permitir qualquer possibilidade de resposta ao pelotão. Fortíssimo e abrindo rapidamente um fosso importante, ainda antes de eu encontrar o melhor ritmo para a iniciar a perseguição. Viu-se logo que o homem ia com ideias preconcebidas, já que o Freitas rapidamente se escondeu no abrigo das rodas.
Nessa altura, o Carlos assumiu os seus objectivos e passou a participar no esforço de perseguição, restringido apenas a nós os dois. Os restantes sabiam que aquela não era a sua «guerra» e agiram correctamente, protegendo-se.
Então, antes do cruzamento para Ribafria, houve outra movimentação: após um topo, o Freitas ataca na cabeça do pelotão com o intuito de se juntar ao «seu» companheiro. Desta vez, soava o alarme: não poderia ter êxito, sob pena de (eu) ver as coisas verdadeiramente complicadas. A resposta foi imediata, de todos os elementos do grupo, com o Salvador em destaque. A ideia era boa, mas naquela situação seria necessário um ataque implacável, com uma eficácia que só muito boas pernas permitem. Não foi o caso, também por «culpa» do pelotão, e assim a iniciativa acabou por ter efeito contrário às pretensões do duo, fazendo com se encurtasse a distância para o fugitivo.
A partir da Merceana, chegava a altura de controlar a fuga, aproveitando o terreno mais acidentado do Freixial do Meio e de Atalaia. Forcei o ritmo (com pedaleira pequena, adaptando-me desde logo ao esforço de subida) e sacrifiquei o pelotão, contando, a partir de Atalaia, com nova ajuda preciosa do Carlos. Aliás, foi tão efectiva, que aproveitei para tentar sair da posição de «castigado» que vinha mantendo, deixando abrir alguns metros para o Carlos, mas que o Freitas fechou rapidamente, como era «obrigatório».
No final do topo da Atalaia, o Jony começou a gerir as forças e a vantagem. Cá atrás, o Carlos continuava a trabalhar, mas era notório que a proximidade de Montejunto (invisível num espesso manto de nevoeiro) já recomendava cautela. Tanto mais, que o fugitivo estava (finalmente) controlado, a não mais de 150 metros. No entanto, quando já se perspectivava que o deixássemos entrar à frente na subida, foi com surpresa (e até contra as minhas intenções) que o Evaristo (resistindo muito bem entre a dita elite) passa pela frente, fechando, num ápice, a distância. Fim de fuga! Desde o Sobral até à base de Montejunto a média foi superior a 32 km/h, o que diz bem do excelente desempenho do fugitivo.
Finalmente, a subida: tomei a iniciativa desde as primeiras rampas e fez-se a selecção dos quatro que se previam. Mas eis novo imponderável: pouco antes, da primeira descida, os meus óculos caiem do bolso. Meia volta. Os restantes aguardam, com enorme «fair-play», fazendo-me lembrar (perdoem-me a imodéstia e a comparação impossível) o Armstrong, em Luz Ardiden, depois de ter caído devido a um espectador. A diferença foi que ele chegou ao grupo, que também o aguardava, e passou imediatamente ao ataque. Eu nem por isso...
À entrada do sector das árvores, o Carlos passou para a frente, numa manobra que diz tudo sobre a sua actual capacidade em montanha, ao nível dos melhores do grupo. Naquele terreno e àquela intensidade, poucos ou nenhuns Pina Bike’s (internacionais e neo-internacionais incluídos) têm condições para impor o andamento.
E quando refiro andamento, não é passar uns instantes pela frente ou esboçar mudanças de ritmo: digo, assumir o desgaste, mantendo o ritmo. O Carlos conseguiu-o, e só poderá ser elogiado por isso. Mesmo que, após o quartel tenha cedido. Grande etapa! Além disso, esclareça-se que, ao contrário do que sucedeu nesta mesma volta, em 2006, não existia qualquer parceria tácita entre nós.
Desta vez, foram as incidências da tirada que levaram a que colaborássemos, em prol de objectivos comuns: ambos queríamos chegar à frente ao alto. E tal como todos no grupo, rapidamente verificou que estava formada uma equipa – e muito poderosa! – que se impunha «combater».
Como referi, a parte final da subida, depois do quartel, acabou por fazer a selecção. Depois do Carlos, o Jony cedeu ao desgaste a que submeteu ao longo da tirada, em prol de um objectivo, de que o Freitas seria claramente beneficiário. Mas este não correspondeu, vacilando à entrada dos 500 metros finais. Não foi por falta de empenho, mas há dias assim...
A minha chegada ao alto, porém, não passou sem um verdadeiro susto, digno de uma manhã de nevoeiro. A cerca de 300 metros do final, depois de me certificar que ninguém me seguia (pelo menos, num raio de 20 metros, que era a visibilidade máxima no local), eis que, olhando por debaixo do braço, avisto um vulto vermelho aproximar-se a toda a velocidade. A toda a velocidade, sim! Em sprint, a mais de 10% de inclinação! Nem sequer pensei quem era, mas, se por acaso, tivesse tido mais algumas forças para ter chegado à minha roda e me ultrapassado, mesmo que ligeiramente, admito que teria deitado a toalha ao chão! O alucinado era o Jony, renascido das cinzas, para um raide desmesurado, para logo morrer... Deve ter sido tal o «baque», que acabou ainda por ser ultrapassado pelo Freitas, que vinha em perda nítida.
Quem acabou ao sprint foi o Evaristo, queixando-se que não conhecia a subida (anda muito bem, sem dúvida) e reservou forças, logo seguido pelo João (muito bem) e o Salvador (igualmente).
Quando eu já descia para o quartel, o grande Abel aprestava-se para concluir mais uma exibição exemplar. Como sempre!
O «outsider»

Depois de tanto se falar a semana passada, o «outsider» da tirada foi, surpreendentemente, o Zé-Tó, que se isolou logo ao primeiro quilómetro e, não exagerando, deve ter cumprido cerca de 90% do percurso até Montejunto... isolado. Uma atitude corajosa – a roçar o «suicídio» – que poderá ter tido muito a ver com a semana de acesa de comentários neste blog, em que foi um dos principais visados.
Na subida do Sobral, quando foi alcançado por mim e pelo Freitas antes de Arranho, não se fez rogado em seguir-nos até onde considerou, digamos, justificável, provando uma vez mais a sua boa leitura de «corrida» e criteriosa gestão do esforço, e que apenas a falta de treino coloca entrave a prestações de nível superior.
O facto de ter seguido directo no Forte de Alqueidão é plausível e aceitável – já que seria deitar por terra o proveito do desgaste a que se submetera até essa altura. Cenário distinto para mim e para o Freitas, em que impunha claramente aguardar pelos retardatários.
Assim, à saída do Alqueidão, a vantagem do fugitivo ultrapassava os 6 minutos, acabando por ser eliminada entre Atalaia e Vila Verde dos Francos, devido ao andamento forte a partir do ataque do Jony.
Todavia, acabou por lhe faltar a força (e a mesma coragem que tinha revelado até aí), para subir ao alto de Montejunto. Independentemente do tempo que demorasse, deveria tê-lo feito. Aí sim, daria a melhor resposta aos «ataques» (competitivos) que foi alvo na última semana – mesmo que não tenha sido esse o seu objectivo.
Já agora, tomo a liberdade de expressar a minha opinião sobre o assunto, dirigida principalmente ao próprio: camarada, se tens a pretensão e a disponibilidade para atingires patamares de forma que consideras condizentes com a tua capacidade atlética, pois bem, aguarda serenamente por esses dias. Serenamente é, entenda-se, sem querer que a falta de quilómetros sirva de incentivo. Pelo contrário, são precisamente os quilómetros que devem dar esse estímulo.

terça-feira, maio 15, 2007

Oeste sem calmaria...


Ao terceiro fim-de-semana, não houve Veteranos, mas nem por isso se fez calmaria. Aliás, essa toada não entra no léxico dos Pina Bike. No domingo, até existiam algumas «limitações» entre os habituais instigadores de cavalgadas: eu acordei com más sensações – provavelmente devido a mau descanso, no sábado, do treino forte de sexta-feira, em Montejunto, que o vento inclemente só piorou. Enquanto o Freitas e o Jony ressacavam de uma maratona de 200 km realizada na véspera, na lezíria ribatejana.
Assim, quem assumiu o protagonismo foi o Carlos, capitalizando a ascensão de forma, que já demonstrara em Fátima. No primeiro momento de intensidade, a subida para a Venda, meteu andamento de respeito sem pedir licença e foi até ao fim...
E não se ficou por aí: mais tarde entrou destacado na subida de Catefica (saindo, como quis, do grupo que se tinha adiantado desde Vila Franca do Rosário) e só à custa de enorme esforço foi possível alcançá-lo – ainda assim, já mesmo no alto. Foi um dispêndio de forças desaconselhável para quem não estava com os músculos viçosos.
Mas o Carlos fez mais: voltou a tomar o comando em S. Pedro da Cadeira (depois de o Jony ter «metido» bom andamento desde Torres), passou firme na subida da Encarnação, impondo um ritmo que fez selecção muito restritiva no pelotão, e só cedeu nas primeiras rampas da Picanceira.
Então, o Freitas rendeu-o na liderança e parecia, na parte mais dura (inicial) da Picanceira, querer repetir a superior exibição de Março, naquele mesmo local. Todavia, as pernas não eram as «mesmas». Arrisco dizer que não só devido ao cansaço dos 200 km da véspera, mas também pelo desgaste acumulado em Catefica e entre S. Pedro da Cadeira e Encarnação. Porque também o senti no corpinho...
Assim, acabou por sucumbir à minha alteração de ritmo (que nem foi forte) ainda naquela parte da subida, o mesmo sucedendo ao Carlos. Ainda mais estranho foi o facto de a quebra ter sido, naquele momento, bastante acentuada.
Quem resistiu em pleno foi o Jony, a demonstrar maior capacidade de recuperação do esforço da longa tirada da véspera. De resto, não se satisfez em ir na minha roda, e muito bem o fez, expondo-se a igual desgaste. Mas ele não quis que o ritmo continuasse alto e convenceu-me... facilmente. Lá atrás, o Freitas trabalhava arduamente para recuperar, conseguindo-o mesmo antes do topo da Barreiralva, trazendo o Carlos na roda. Quando «entrou», passou imediatamente para a frente (nova manobra estranha nele, mas elogiável). Porém, naquele topo, ambos acusaram o esforço da recolagem e não conseguiram responder à aceleração do Jony, fundamental para provocar nova separação.
Depois disso, parou e eu passei imediatamente para a frente, ganhando ligeira vantagem – com a sua total permissão. Foi necessária a voz de comando do Freitas para que ele não enjeitasse a possibilidade de seguirmos e de, assim, cavarmos mais o fosso. (Mesmo contra si, o Freitas fez o que lhe pareceu certo, e que, mais uma vez, foi de enorme desportivismo) As suas palavras foram bem audíveis: «Vai à roda, vai à roda, já passou o pior, agora não largas mais!». Foi mesmo e ganhou importante estímulo à auto-confiança.
Juntou-se a mim e acabámos por nos revezar na frente para não sermos alcançados até à Murgueira – não sem que os perseguidores tivessem batalhado bastante (pelo vistos, quase exclusivamente o Freitas) para que tal não acontecesse...
De resto, o mérito do Jony não se resumiu à Picanceira. Teve-o, bastante, como referi, na condução do pelotão, contra o vento e a bom ritmo, entre Torres e Ponte do Rol.

Quanto ao Carlos, apenas um aviso à navegação: cuidado com ele, no próximo domingo, em Montejunto!
À saída da Murgueira, o Fantasma foi porta-voz da vontade do grupo e pediu tréguas até casa... e respeitou-se.

Os restantes provaram também muito boa condição física: o Fantasma tem tudo para fazer uma óptima prestação na Maratona de Mafra; tal como o Steven, que continua no bom caminho. O Polícia, o João, o Salvador e o Zé-Tó (que chegou no terceiro grupo à Murgueira, com o Fantasma e o Steven) idem.

Igual a si próprio: o grande Abel, obviamente! Aliás, ontem voltou a ser exemplo citado: desta vez, para justificar porque é que o Zé e o Carlos não tiveram motivos plausíveis para, na passada semana, terem encurtado caminho depois de Carmões, com receio da «companhia». O Abel esteve sempre presente! Renunciar é palavra que não conhece!
P.S: No gráfico (clicar em cima duas vezes para aumentar), o último «pico» é o Cabeço da Rosa (pela Quinta da Romeira), e não o regresso a Loures.

sábado, maio 12, 2007

«Bico de obra» chamado Etapa do Tour 2007



Cá está, o perfil da Etapa do Tour 2007, no próximo dia 16 de Julho. Eis o que nos aguarda, no coração dos Pirenéus, são quase 200 km e 5 contagens de montanha:

Km 27 - Col de Port: 11,4 km à 5,3% (2º categoria)
Km 98 - Col de Portet d’Aspet: 5,7 km à 6,9% (2ª categoria)
Km 114 - Col de Menté: 7 km à 8,1% (1ª categoria)
Km 159 - Port de Balès: 19,2 km à 6,2% (categoria especial)
Km 184 - Col de Peyresourde: 9,7 km à 7,8% (1ª categoria)

Só estas cinco subidas contabilizam 4000 metros de ascendente acumulado; fora o resto da etapa.

O maior «bico de obra» é, sem dúvida, o inédito Port de Balés, que além de 19 km de subida a 6%, inclui respeitáveis 10 km a 8,5%. Em traços gerais, será fazer 10 km como os últimos 1,5 km de Montejunto, entre o quartel e o alto... já com 140 km nas pernas. Mas não é tudo: para terminar, restam 10 km a 7,8%. Perdão, antes de terminar, porque passando este verdadeiro tormento, é tudo a descer até à chegada. Simpático, não!

Quem tem dúvidas de que será a mais dura «Etapa do Tour» de sempre?! E ainda tenho memória de 1998, da minha epopeia de 200 km e 11 horas, nos Alpes, entre o Croix de Fer, Telegraphe, Galibier e Les Deux Alpes.

Por tudo isso, quer desde já saudar os companheiros que, tal como eu, participarão nesta aventura: «batidos» nestas andanças, o Miguel Marcelino e Nuno Garcia; além dos estreantes Freitas e Jony, cuja aplicação ao longo deste ano na preparação deste objectivo, tenho testemunhado com bastante apreço. Acreditem que a sensação de cruzar a meta recompensa o esforço e o sacrifício.

A propósito, recordo as palavras de um antigo camarada destas lides internacionais, Joaquim Afoito, de Alcanede, que, na Etapa do Tour de 2001, em plena descida do Tourmalet, onde a temperatura era negativa - o que dá para avaliar a sensação térmica de descer o Col a 60 km/h - acabou por não resistir à dor e pôs o pé no chão decidido a desistir. Naquela altura, faltavam cerca de 20 km para o final, dos quais 16 da famosa subida de Luz Ardiden. Então, num assomo de coragem, que já não acreditava ter, pensou: «oh Afoito, depois de não sei quantos mil km e mais de 300 horas de treino, agora que te falta uma mísera horinha para concretizares o teu sonho de ciclista e vais desistir?(sic)» Voltou a montar a bicicleta, enfrentou o frio gelado e passou mal na última subida (onde curiosamente a temperatura era amena, porque a alta montanha é imprevisível!) para, no final, receber o prémio mais saboroso: o abraço orgulhoso da família!

quinta-feira, maio 10, 2007

Roteiro dos Muros (perdão, do Inferno!)



Na passada sexta-feira, fiz finalmente um dos percursos a que me propus há algum tempo, e que tinha apelidado, na altura, de Roteiro dos Muros. Lembras-te Pintainho!? Consiste numa tirada que inclui a passagem pela maioria das mais curtas e duras subidas das nossas proximidades, espécie de Liége-Bastogne-Liége destas bandas. No final, fiquei com a ideia que o nome deveria ser alterado para mais apropriado Roteiro do Inferno, não somente pela dificuldade da distância e do relevo, como, acima de tudo, pelo desafio anímico de realizar a «aventura» sozinho... e conclui-la!
14 Muros

Ao todo, são 14 «muros», que se vão descontando à medida que vão sendo ultrapassados, como os sectores de pavé do Paris-Roubaix. Esta é uma forma de colocar à prova a resistência psicológica face ao acumular da fadiga e às dificuldades que ainda restam.
A tirada iniciou-se em Alverca, em direcção ao Tojal e Bucelas (para aquecer bem!), tomando a subida para o Forte de Alqueidão. Chegado ao cruzamento da Tesoureira, começa o tormento: sai-se da estrada à direita, para a Serra da Alrota. As primeiras rampas são dantescas. No total, 1,1 km a 9,4%. Logo a abrir, é necessário evitar cometer excessos para não hipotecar as chances de terminar a volta, controlando muito bem o ímpeto. Este foi outro dos desafios da tirada: a ideia sempre presente que, num eventual momento de fraqueza, não deveria dar a volta ao cavalo e abdicar.
A descida tem piso muito irregular, mas chega-se rapidamente a Bucelas, onde está a segunda dificuldade: a subida às antenas. Mais suave que a primeira, servindo de bálsamo ao desconforto provocado pela percentagens elevadas daquela. Depois de chegar ao alto, porém, há pouco tempo de descanso. Aliás, continua a subir-se, antes de descer realmente antes de atacar a terceira «dose»: S. Tiago dos Velhos. Muito semelhante à anterior.

Arrasador
Depois, à esquerda para Contradinha, ligação veloz por aquela impressionante depressão da estrada com carrossel a 11%, e logo as primeiras rampas da N. Sra. Da Ajuda, que culminam em duríssimas passagens acima dos 12% e expostas ao vento. Arrasadoras!
Logo a seguir, quase sem descanso, volta-se a subir para a Louriceira de Cima (cruzamento), agora muito mais docemente.
À esquerda para a longa descida até Monfalim e novamente à esquerda para A-dos-Arcos. Segue-se um falso plano ascendente, cerca de 1 km, até ao cruzamento à direita para Santo Quintino e... que visão aterradora, aquelas rampas! Duríssimas. Sem dúvida, um dos muros mais difíceis, o sexto. 1,4 km acima dos 9% obrigam a gastar aí muitas energias, sensivelmente a meio do percurso mas e ainda nem sequer com metade das dificuldades superadas.
E a seguinte não se faz esperar, basta atravessar a estrada nacional em direcção a Casais de Santo Quintino e depara-se a terrível rampa do circuito de motocrosse.
A oitava é descoberta minha, há algum tempo: Galegos. Ao passar por Sapataria, volta-se à esquerda para o interior da localidade e rapidamente a estrada começa a empinar. Curta mas picante, levando-nos ao alto do Milharado, onde se desce para Póvoa da Galega e para a próxima barreira.
Na verdade é dois-em-uma, a subida da Charneca, com início escaldante, planalto para refrescar e final abrasador.
Inferno da Choutaria

Depois deste, nove muros contabilizados e quase 70 km nas pernas, mas com a perfeita consciência que o pior estava para vir. Descida longa da Venda do Pinheiro para Ponte de Lousa, direita e eis a entrada no «Inferno» da Choutaria (que nome tão apropriado!). Já conhecia o gosto da suas rampas, nomeadamente a inenarrável passagem a – ajuda-me Pintainho! - mais de 20%, mas desta vez soube-me muitíssimo mais a fel. Foram metros de grande sofrimento... E depois de superados não há muito tempo para respirar, uma vez que mal termina a subida, tudo o resta é um pequeno cabeço, antes de se entrar imediatamente na ascensão seguinte, para Montemuro. Felizmente, branda.
Nesta altura não há como disfarçar o desgaste muscular após a Choutaria, e já se entra em nova dificuldade. Bem dura, por sinal. Subida lindíssima para o Alto da Urzeira (Asseiceira Pequena), onde apenas o asfalto rugoso e os quase 7% de inclinação média destoam do esplendor da paisagem. Nesta altura, com apenas três muros para galgar, é preciso reservar forças.
«Le grand finale»
Desce-se, depois, em muito mau piso, para a Venda do Pinheiro e de novo a caminho de Lousa, para o pré-final: Salemas. Outra famosa pelas suas rampas, incluindo 1,4 km a 8,5%. Entrei de sendeiro, mas com o término quase à vista saí de... leão. Resultado: tirei alguns segundos ao meu melhor tempo na subida, o que foi bom indicador depois de mais de 90 km e 13 muros! Pior já foi a ligação ao Alto do Andrade – mas nunca é boa, seja das Salemas ou de Malha Pão. Venha o Diabo e escolha!
Descida por Montachique e eis «le grand finale»: Ribas, pelo Centro Hípico. Poderia tê-la atacado em força, mas preferi a apoteose para não acabar entrevado sobre o guiador depois do circuito de manutenção. Assim, acabei com um sorriso nos lábios e não com a língua nos raios! Creio que o mereci!
Tal como era escusado ter de regressar a casa de bicicleta... e pela Quinta Romeira.
Roteiros dos Muros (perdão... do Inferno!)
À atenção de trepadores inveterados e, principalmente, do Pintainho. Vale a pena!
25,7 km – Serra da Alrota (1,1 km a 9,4%)
30,7 km – Alto de Bucelas (1 km a 6,2%)
34,5 km – S. Tiago dos Velhos (1 km a 6,4%)
38,5 km – N. Sra. Ajuda (0,9 km a 9%)
40,2 km – Louriceira de Cima (1,2 km a 3,6 km)
49,1 km – Santo Quintino (1,4 km a 9,2 km)
54,4, km – Casais de S. Quintino (1 km a 7,8%)
59,9 km – Galegos (0,8 km a 7,7%)
67,3 km – Charneca (0,6 km a 7,5% e 0,4 km a 8,7%)
77,7 km – Choutaria (1,5 km a 8,5%)
79,2 km – Montemuro (1,5 km a 2,8%)
82,7 km – Alto da Urzeira (1,4 km a 6,7%)
91,3 km – Salemas (1,4 km a 8,5%)99,3 km – Ribas (do Picadeiro) (2,5 km a 4,3%)

segunda-feira, maio 07, 2007

Alta intensidade - a repetir!

Quem diria que apenas uma semana depois de Fátima, de regresso às voltas domingueiras, num percurso pouco selectivo, se repetiriam as altas intensidades dos últimos quilómetros da muitíssimo bem disputada Super-Clássica do último fim-de-semana?! Contra todas as expectativas (pelo menos as minhas, que, pela madrugada, cumpri o aquecimento habitual, desta vez ligeiramente mais intenso para acumular o maior número de quilómetros possível: 30 km antes do arranque oficial, para um total de 145 km), a tirada, que tinha na subida para o Forte de Alqueidão e S. Domingos de Carmões os únicos «pontos quentes», ainda antes de arrancar já tinha cariz especial. À saída de Loures, a expressão do Freitas, que já sabia da participação de três reconhecidos Veteranos – Paulo Pais, Luís Runa e Rui Rodrigues – dava o mote: «Isto hoje vai ser um bocadinho... complicado!» E foi... Mas também foi bastante divertido e permitiu nova oportunidade, sempre enriquecedora, dos nossos se «misturarem» com o pessoal forte da competição, muito mais rodado. O resultado, creio, superou as perspectivas mais optimistas. Para todos!

Os momentos altos

A subida para o Sobral, tal como em dia normal, não poderia passar sem escaramuça. O Runa espicaçou uma e outra vez a toada moderada com que se pedalava à passagem por Arranho, levando o Rui Rodrigues a tomar definitivamente as rédeas do pelotão, imprimindo um andamento rijo que obrigou o pelotão (ou o que dele restava...) a cerrar fileiras na sua roda. Grande trabalho, contra o vento!
Assim durou até ao ligeiro «descanso» do cruzamento de A-dos-Arcos, mas chegara a hora de tomar o pulso ao grupo restrito (Rui, Paulo, Runa, Freitas, Jony e ainda o «nosso» Carlos). Saí de trás, em força, e no final da subida só o Freitas e o Jony não se deixaram surpreender. Todavia, creio que lhes faltou dar continuidade... até às casas. Talvez seja a força do hábito!
Reunido o grupo, no Sobral, descemos rapidamente para Dois Portos, e à entrada da estrada da Boligueira o Freitas, ligeiramente adiantado, tenta surpreender, mas o Rui Rodrigues tinha outras ideias e não lhe permitiu grande liberdade. Ideias bem claras, por sinal. Desde logo, imprimiu um ritmo altíssimo, a roçar os 40 km/h, obrigando mais uma vez o pelotão a esticar-se. Até ao início da subida de Carmões (1,7 km a 4,6% de inclinação média) não largou o comando, esclarecendo, logo aí, sobre o seu enorme potencial. O possante ciclista do Viveiros de S. Lourenço ainda fez os primeiros metros da subida, mas o seu fantástico trabalho terminou aí, tendo sido rendido pelo Paulo Pais, em grande estilo, a meter-me imediatamente no «red line». Mas por desconhecimento da subida (conforme afirmou no final), cometeu um erro de cálculo, transcendeu os limites e pagou a factura.
Nessa altura, o Freitas tomou a iniciativa e parecia não querer deixar cair o andamento. Porém, àquela velocidade a tarefa não era fácil e também ele perdeu chama. Olhei de relance para o Polar, que marcava 180. Com as pernas boas, ainda tinha uma reserva entre 8 a 10 pulsações a explorar, que, claro está, em esforço continuado, não poderá exceder 20-30 segundos, mas embora parecendo curta e pouco significativa pode fazer toda a diferença. Restava-me, então, aproveitar a embalagem, e numa aceleração muito semelhante à do Forte do Alqueidão, saí vigorosamente para os últimos 300/400 metros. Desta vez, a reacção dos outros foi mais tardia e só através do Luís Runa, que acabou por fechar o espaço. Para aquele momento de ciclismo, uma só palavra: extraordinário!
Daí para frente o terreno tornou-se muito menos acidentado e não se perspectivava que o ritmo abrandasse. De Merceana a Alenquer raramente se baixou os 40 km/h e na ligação Carregado-Vila Franca apenas uma diferença: acabou em sprint fortíssimo, em que o Jony, superiormente lançado pelo Freitas, demonstrou que as suas capacidades de velocista vão muito além do âmbito do grupo Pina Bike. Porém, não sem que eu – pouco dado a estes finais abrasadores – a partir de Castanheira tenha tentado rentabilizar ao máximo o meu modesto 50x12, ensaiando um par de acelerações à frente do pelotão, sem êxito. De resto, quanto ao sprint, deu apenas para constatar, à distância, que no limiar dos 60 km/h não há bonés que resistam na cabeça! Neste caso, na do Rui Rodrigues.

Classe!

Já agora, aproveito para fazer o reconhecimento cabal, à dimensão de humilde ciclómano, do desempenho do Rui Rodrigues, que, demonstrou – como se disso necessitasse! – o seu enorme potencial, que lhe permitiu consagrar-se a nível europeu. Todos os nossos três convivas deixaram bem vincadas que são atletas muito bem treinados (o Paulinho sabe como causar desgastes e é um camaradão; e o Runa é osso duro de roer), mas permitam-me destacar a exibição do Rui, a transbordar de classe. Impressionante a força como conduziu o pelotão para o Alqueidão e, acima de tudo, na ligação de Dois Portos à subida de Carmões. Poderoso, duradouro e 100% disponível: daquele tipo que eu mais aprecio! Uma referência para quem quer progredir.

Os nossos, em grande!

Mas os elogios são extensíveis e com inteira justiça, à prestação dos elementos do nosso grupo, nomeadamente os que tiveram (porque não coragem!) de cumprir o percurso na íntegra. Foram eles, o Fantasma (companheiro, talvez um dia quando perderes a aversão a tudo o que é mais inclinado que um topo inofensivo possas descobrir novos horizontes. Apreciável a tua fibra e espírito de combatividade. Pode parecer simples, mas ficou-me retina o despeito pelo sofrimento que se anunciava, quando te juntaste, sem hesitar, ao nosso grupo, que passava directo em Arranhó); o Polícia (a subir paulatinamente, poderá, em breve, vir a tornar-se caso sério) e o João (curto ou não de treino, a verdade é que foi até dar... e eu bem vi que foi muito!).
Além destes, o Steven, que deu mostras de subida de forma – e no dia seguinte a um treino de 120 km. Tive oportunidade de o felicitar pelo desempenho à frente do pelotão entre o Carregado e Vila Franca. Nem todos se podem dar a esse manifesto!
Aliás, o grupo restrito que se formou, à frente, à saída de Vila Franca e durou até Loures (Fantasma, João, Steven, Polícia, eu; e partir de Alverca também o Carlos e o Zé), no qual eu fui contribuinte praticamente passivo, teve um desempenho de grande nível.

Treino em Montejunto na sexta-feira

Para a semana há mais! Não sem antes uma dura (que se espera proveitosa) sexta-feira a deslizar pelas encostas de Montejunto, na companhia do Jony sprintoso. Já agora, registei o que ele disse logo após a subida de Carmões. Disse que tinha ficado com a sensação que não tinha dado tudo. Ora bem, caro amigo, isso, vindo de ti, não se diz, evita-se! Abração e vem com a força toda.

sexta-feira, maio 04, 2007

Perfil da Clássica de Fátima



Eis o perfil do percurso da Super-Clássica de Fátima (para ampliar clicar sobre o gráfico)

53, km: topo da Espinheira

78 km: Alto da Serra

115 km: Batalha

118 km: final 1º subida

123 km: final 2º subida

As barras horizontais coloridas não têm a ver com a altitude, mas sim com os meus patamares cardíacos. O respectiva gráfico não está incluido, por motivos óbvios ;)

quarta-feira, maio 02, 2007

Fátima: êxito total!

A edição de 2007 da Super-Clássica de Fátima foi um enormíssimo êxito! O reconhecimento dos 17 ciclistas que cumpriram os 130 km de Loures à cidade «Santa» de Portugal revelou-se unânime: provavelmente a melhor de todos os tempos e sem dúvida a mais animada e bem disputada de sempre!
Entusiasmo e empenho são os classificativos que melhor definem o ambiente e a atitude do pelotão durante a tirada, nem por um único momento beliscados pela atmosfera de competitividade sem precedentes. Pelo contrário, terá sido importante factor de estímulo e garantidamente de responsabilidade adicional. Em suma: desempenho sem mácula, com contributo de todos em prol do colectivo, livre de restrições ou subterfúgios, e com entrega dedicada ao esforço que exige o ciclismo praticado por aficionados. Quando é assim, melhor é impossível...

A história

Após vinte e poucos quilómetros sem história, a primeira nota relevante foi a chegada a Vila Franca. O pelotão rolava compacto e com ritmo moderado, ligeiramente acima dos 30 km/h, quando é abalroado por um grupo estranho ao serviço, que participava no Lisboa-Alcanena (prova por equipas que se disputou também no domingo). Episódios destes, claro, trazem sempre desestabilização. Para mais, quando o Salvador, ao seu estilo, não se fez rogado a meter-se entre seara alheia. Os restantes ainda vacilaram com a ousadia, mas (felizmente) não perderam a compostura. Assim, o nosso homem seguiu à boleia e ganhou significativo avanço – que durou até ao Carregado, onde os trajectos (para Fátima e Alcanena) se separavam. A sua vantagem nunca foi significativa e uma vez sozinho optou (e bem) por abdicar, sendo reabsorvido no topo da variante de Alenquer.
A partir daí, entrou-se na longa fase de sobe e desde entre a Ota e o Alto da Serra, já depois de Rio Maior. Na passagem pelos topos da Espinheira, o Paulo Pais fez a sua primeira aparição à frente do pelotão e, tanto aí, endurecendo o ritmo, como na ligação à rotunda de Alcoentre, onde meteu o comboio a 50 km/h durante quase 1 km, aconteceram os primeiros momentos de maior intensidade do dia. O grupo agarrou-se sem vacilar e progrediu compacto até à subida do Alto da Serra (2 km), a próxima dificuldade.

A fuga

Tal como em 2006, impus o meu andamento desde a base da subida e ganhei facilmente vantagem sobre o pelotão (que aparentemente consentiu-a). Durante algum tempo tive a companhia do Henrique (poderoso rolador do Bicigal Team, que se fez representar por três elementos, entre eles o infalível Abel, que tinha a espinhosa missão de ajudar o patrão que, para mais, se apresentou sem treinar!), mas antes do final da subida já era o Salvador o único que me acompanhava.
Uma vez na frente, ligeiramente destacados do pelotão, impunha-se decidirmos rapidamente o que fazer: insistir na fuga e tentar ampliá-la, ou renunciar. Quando a decisão se inclinava mais para a renúncia, eis que, a nós, se junta o Fantasma, baralhando as contas. Formado o trio, tratei de me inteirar, repetidas vezes, do posicionamento e intenções do pelotão – que parecia estar na surpreendente disposição de «me» permitir (alguma) liberdade. Estranhei a passividade, à luz do conhecimento dos hábitos do grupo, e pressupus que seria a liderança mais experiente do Paulo Pais a refrear os ímpetos, controlando-nos à distância. Ainda assim, nunca fiz grande fé na fuga, pelo que os meus companheiros não me devem penalizar mas agradecer, apesar do Fantasma (mais que o Salvador) ter dado a entender que estaria disposto a levá-la por diante.
Porém, o pelotão ajudou a resolver o impasse, anulando a fuga pouco depois, através de uma reacção a choque, que, inclusive, provocou alguma convulsão interna. Digo que o pelotão foi «amigo», porque reconheçamos que, a mantermo-nos em fuga, mesmo sem a consolidar e muito menos chegar a ter condições para vingar, forçaria a um esforço adicional da nossa parte, que certamente se pagaria mais tarde. Neste caso, os decisores no pelotão terão pecado por menor clarividência.
Assim, desfeita a breve separação, o longo planalto da Estrada Nacional 1 até cerca de 5 km da Batalha não deu em nada – a não ser um furo do Fantasma, que forçou a refrear o andamento durante alguns quilómetros.

O inesperado

Chegava, então, a hora da verdade. A história começa com uma situação inesperada: quando o pelotão se deixava rolar para a Batalha, o Salvador acelerou ligeiramente, ganhando rapidamente vantagem perante total permissividade – aliás, pareceu encorajado pelo Freitas, o que, por instantes, fez-me desconfiar. O Henrique foi o único a manifestar incredibilidade, questionando o próprio Freitas sobre a situação, mas este mostrou-lhe rapidamente o... caminho.
Todavia, quem se pôs nele (ao caminho, entenda-se) foi o Fantasma, cuja «concorrência» estava a ganhar vantagem e urgia impedi-la de entrar à sua frente na subida final. A protecção da carrinha de apoio da Bicigal ajudou aos seus intentos e a formar novo duo na frente.
A reacção do Fantasma suscitou outra com a igual pretensão (agora, de não o deixar fugir), mas muito menos previsível: a do Carlos do Barro. Primeiro, ensaiando manobra clara que demover o pelotão da letargia, mas, face ao insucesso, lançando-se na peugada do duo que (sabe-se lá porquê?) considerou fazer perigar as suas aspirações.
Mas nem assim o pelotão se mexeu e, deste modo, permitiu a um dos melhores trepadores do grupo ganhar vantagem importante, de forma casual, e com consequências mal calculadas. Os galos, já com a cabeça na briga da subida, nem sequer se aperceberam do risco que terão corrido – como mais tarde se confirmou.

A subida

Finalmente, a subida. Salvador e Fantasma abordam-na com 150/200 metros de vantagem sobre o Carlos, e este com a mesma distância para o pelotão, que rapidamente passou a grupo restrito na abordagem das primeiras rampas.
Para mim, a mesma receita do ano anterior: atacar desde o início. A primeira parte da subida para fazer a selecção e a segunda para lançar a cartada final. A selecção fez-se, sem surpresas, com Freitas, Paulo Pais, Jony e o Rui Scott a integrarem o lote.
Sempre com os fugitivos à vista, não tardámos a observar que o Carlos passava, directo, pelo duo Salvador/Fantasma, e que este, também pouco demorou a ser ultrapassado pelo grupo principal. Até ao final da primeira subida (2,5 km a 4,5%), mantive-me à frente e no ritmo escolhido, «picando» para a curta descida já a afiar o gume para a parte mais difícil da ascensão (2,3 km, a 6,5 km).
Na abordagem, o Paulo toma a iniciativa, dando mostras de querer impor (e de se expor a) forte desgaste. Com isso, em apenas 200 metros fechou-se os 50 de avanço do Carlos no início desta derradeira subida. No entanto, o Paulo começou a «mastigar» e desde logo deixou de ser ritmo que me interessava, rendo-o imediatamente no comando, agora ainda mais em força e sem baixar até ao topo.
Todavia, a média de 20 km/h durante 2,3 km a 6,5% de inclinação não chegou para me livrar da concorrência – excepção ao Jony, que cedeu pouco depois do início do meu segundo turno. O Carlos também cedeu alguns metros, mas veio a recuperar muito bem após a subida, reintegrando-se no quarteto, que assim passou a quinteto. E mais tarde, com novo fôlego, não se coibiu de tentar surpreender, obrigando a reacção do grupo.

Os «ses»

Abre-se assim ponto de discussão: que teria acontecido se tivesse acreditado mais na sua inesperada vantagem?! Será que conseguiria passar a subida ainda à frente? E se assim fosse, aguentaria a liderança até final? Não seria fácil, mas longe de ser impossível. Não passam de «ses». E o mais importante foi ter-se revelado finalmente (!!!) entre as «trutas», cotando-se, por isso, como um dos principais heróis do dia.
Para o pelotão ficam dissipadas as dúvidas: não pode repetir a oferta. Quanto ao próprio, não pode deixar de confirmar o estatuto adquirido (ou então para que servirá tanto suor derramado no asfalto durante a semana?) e dar continuidade a mais esta bela exibição, a fazer recordar a façanha de Montejunto (2006) e a esquecer definitivamente o fracasso de Évora (2007)

O final

Voltando à história da tirada, uma vez ultrapassado o terreno mais selectivo sem fazer a diferença, esfumavam-se praticamente as minhas ambições. De qualquer modo, enquanto restassem forças havia que não desistir. Oportunidades muito poucas, e ainda restaram menos quando no único falso plano ascendente que poderia servir aos meus intentos, o Paulo meteu um passo que não me permitiu mudar de velocidade. Tentei uma última vez, já sobre o viaduto da auto-estrada (a menos de 500 metros do final), numa manobra que acabou por definir o ordenamento final.
O Rui, muito oportuno e calculista, aproveitou a minha aceleração e saltou para a frente, levando na sua roda o Freitas, também não menos calculista desde a Batalha. Ambos abriram ligeira vantagem (30 metros) que mantiveram até ao final. Entre eles, porém, foi empate técnico!
O Freitas confirmou ser «outro» ciclista em 2007. No ano passado ficou quase no início da segunda subida (praticamente onde agora o Jony ficou), mas apesar dos enormíssimos progressos, em resultado de uma preparação conduzida para objectivos tão ambiciosos como a Etapa do Tour, ainda lhe falta «um bocadinho assim» para ter capacidade de ser ele a impor a pressão em terreno selectivo – aliás, que nem sequer era o caso deste final para Fátima, adequando-se muito mais a ciclistas fortes e explosivos.
Como sabe disso, a sua ambição é proporcional à subida de forma, sendo peremptório ao admitir que não ficará satisfeito enquanto não atingir patamares superiores. Diga-se que é uma pretensão inteiramente legítima, já que tem todas as condições físicas e anímicas para alcançá-la.
Por seu turno, o Rui Scott confirmou os seus créditos de «outsider», protegendo-se na subida e terminando com estocada na hora certa. Curiosamente, ele e o Freitas foram os únicos do quinteto principal que não passaram pela frente desde a Batalha, confirmando que o ciclismo é um desporto... completo!

Êxito colectivo

O Carlos e o Paulo Pais chegaram poucos de segundos depois mim, mas pelo Jony esperou-se alguns minutos. Seguiu-se o Polícia, rubricando também excelente subida após ultrapassar o duo Salvador/Fantasma, que não se desfez até final beneficiando de preciosa ajuda do Zé «Roubaix», outro autor de prestação muito elogiada. Os demais concluíram a tirada com enorme galhardia. A saber: João, o trio Bicigal (Abel, Henrique e respectivo Patrão), Steven, Carlos da Piedade e o Evaristo.

Fátima 2007 deixa saudades!

sexta-feira, abril 27, 2007

Tudo a postos para clássica-rainha: Fátima

A Super-Clássica de Fátima, no próximo domingo, já fervilha. Se as condições climatéricas ajudarem estarão reunidas todas as condições para ser mais uma jornada de ciclismo memorável, à semelhança dos últimos anos, justificando a fama de «clássica-rainha» da temporada.Primeiro: o percurso, à medida dos roladores mais fortes, com um ponto de selectividade instalado estrategicamente nos últimos 15 quilómetros, após 120 km de pedalada. Aí, a seguir à Batalha, jogar-se-ão todos os trunfos, mas só alguns chegarão com forças suficientes para tentar fazer a diferença.
A subida para Fátima não é fácil, mas também não tem dureza extrema. No fundo, são duas subidas… numa só: a primeira com 2,4 km e inclinação média de 5% - ou seja, suave, mas capaz de deixar «pendurados» os mais fatigados. Depois desta, há uma descida curta mas acentuada que antecede a ascensão mais complicada, com 2,3 km a mais de 6,5%, ou seja, praticamente a mesma distância, mas com inclinação bem mais acentuada, incluindo cerca de 1 km acima dos 7%. Aqui sim, em caso de luta acesa, poderão haver diferenças entre os mais fortes. De resto, após a subida principal (nos 3,5 km seguintes) surgem topos exigentes, antes de um falso plano descendente nos derradeiros 4 km, até à rotunda dos Pastorinhos, à chegada a Fátima.Segundo: prevê-se que o pelotão esteja ainda mais forte este ano e há mais gente com pretensões. Pelo menos, com pretensões mais justificadas que em anos anteriores. É o que deixa antever as indicações dos últimos tempos.
Em Évora, o Jony chegou, viu e (con)venceu, impondo-se no sprint final ao duo constituído por mim e pelo Freitas. Nessa tirada, esteve como peixe na água. Passou pelos raros obstáculos do terreno com aparente facilidade, sem se desgastar, e no final mostrou que é o homem mais rápido do nosso pelotão. Em Fátima, o terreno continua a ser-lhe de feição, mas terá de resistir (disso não haverá a mínima dúvida) à subida final.
O Freitas saiu defraudado de Évora, batido na sua especialidade: sprint. Era então o mais forte e o percurso sorria-lhe. Por isso chegou a perspectivar, quiçá, uma demonstração de superioridade que não veio a acontecer. Ele próprio reconheceu que o desempenho pessoal ficara abaixo das suas expectativas e Fátima chega-lhe como segunda oportunidade, acima de tudo para aferir a evidente evolução em subida. Se chegar ao final à frente, poderá impor a sua velocidade terminal, mas terá de livrar-se da concorrência, principalmente do Jony. Para isso, terá de trabalhar muito e bem!
Por seu turno, o Fantasma esteve a um passo de concretizar um objectivo que coroava a sua inegável evolução. Terá também uma segunda oportunidade, mas desta vez numa segunda linha de candidatos.
Finalmente o Carlos, que esteve irreconhecível em Évora e preparou-se afincadamente desde então. Se for astuto terá muito a ganhar com a luta de galos, mas para tal terá de perder definitivamente os complexos. Acredita que, com grande coragem e espírito de sacrifício, chegar com os primeiros não é missão impossível!
Além destes, está confirmada a presença de perigosos «outsiders», como o Paulo Pais e o Rui Scott, que terão participação activa na contenda. Fala-se que o Nuno Garcia não estará presente. Se sim, há que contar com ele, naturalmente!
Desde esse domingo ensolarado de início de Março, para Évora, acumularam-se muitos quilómetros e trilharam-se caminhos tortuosos com o objectivo para afinar a forma. Porém, importa aguardar pelos resultados dessa aplicação, sendo certo que apenas um grupo muito restrito resistirá à subida final de Fátima. Quanto a isso, certamente não irá haver surpresas.

P.S. Estavam a pensar que cometia a desonestidade moral de não falar de mim? Pois bem, o meu objectivo é repetir a prestação dos dois últimos anos: chegar à frente. Mas tenho a certeza que será muitíssimo mais difícil.

Dia: próximo domingo, dia 29
Local: bombas da BP, em Loures
Hora: 8h00 (saída)

terça-feira, abril 24, 2007

Ensaio para Fátima

Fantástico percurso, à volta da Serra de Montejunto, serviu para os derradeiros ajustes antes da Super-Clássica de Fátima, no próximo domingo (partida de Loures às 8h00). Na semana anterior, à saída foi o senhor Zé que deu o mote, anunciando uma cavalgada... que afinal não se confirmou. Desta vez, coube ao Fantasma semelhante prenúncio, apercebendo-se que estava em companhia muito restrita. «É só maus! Onde estão os da minha divisão?». Porém, não há assombro que chegue para um verdadeiro... fantasma. E ficou bem explícito, ao longo da tirada, que só os maiores exorcismos o fazem ceder!
Após ligação rolante, cumprida a ritmo moderado, entre Loures e Alenquer, iniciou-se o longo carrossel da segunda metade do circuito, trazendo, a partir da Ota, novo figurino, logo que o Rui (Scott) impôs andamento mais «sério». Foi a única vez que o fez, embora tenha demonstrado, com muito bom desempenho na parte final, estar em excelente forma. A confirmar-se a sua presença em Fátima, será, certamente, mais valia em prol do colectivo.
Breves mas muito divertidos, foram os «arrepios» entre Rocha Forte e a aproximação a Vilar, num falso plano descendente que, a favor do vento, se dá a altas velocidades. Houve contracção muscular... da forte! Sucederam-se ataques e contra-ataques, sem objectivos claros, que serviram para limpar os carburadores. O mesmo não poderá dizer quem, naquela altura, já fazia contas de cabeça às forças que restavam.
Assim, a partir do cruzamento do Rodeio para a subida de Vila Verde dos Francos, o grupo dividiu-se definitivamente. Seguiram os que, como eu, estavam limitados pelo horário (a tirada, de 125 km, à excelente média de 31 km/h, bateu as quatro horas de duração) e os que quiseram... A saber: Ricardo, Freitas, Fantasma, Polícia, Rui e João.
As restantes dificuldades e o andamento forte acabaram por fazer a selecção final - muito exigentes a chegada ao Sobral e a subida do Forte de Alqueidão, com animação e pulsações, upa, upa!
No Alqueidão, o Rui, mais «fresco», superou o Freitas na aceleração final, em que também fiquei «pendurado» após muito bom trabalhinho e algumas indicações úteis para o próximo fim-de-semana.
Mesmo sem resistirem aos momentos de mais «calor», o Fantasma, João e o «Polícia» demonstraram boa forma. Fátima espera-vos!

Episódio para recordar

Ao regressar, sozinho, a Alverca, antes de fazer-me ao Cabeço da Rosa eis que o telefone toca... Mão ao bolso, onde estava, por casualidade, o cartão multibanco, que servira para pagar o isotónico antes da partida de Loures, deu mau resultado. Já em casa, apercebo-me da perda do cartão e logo me veio à memória a situação anterior. Pensei: se caiu do bolso na altura em que tirei o telemóvel, caiu no meio da estrada, e há muitas probabilidades de lá continuar – a ser que passem por lá a pé ou ciclistas a muito baixa velocidade, como eu à beira do empeno. Assim, ainda deu para tomar a sagrada banhoca e até almoçar. Depois, regressei (de carro) ao local do crime e mal coloquei o pé no chão, sem surpresa lá estava o dito, no meio da estrada. Muita sorte ou controlo total da situação? No próximo domingo, ambos serão fundamentais!

sexta-feira, abril 20, 2007

À volta da Serra

A volta do próximo domingo chama-se... À Volta da Serra, e será andar literalmente à volta da Serra de Montejunto, mas sem nunca tocá-la. Lá chegará o tempo!
O percurso é o seguinte: Loures-Alverca-Vila Franca-Alenquer-Ota-Abrigada-Espinheira-Cercal-Rocha Forte-Charco-Boiça-Chão do Sapo-Martim Joanes-Vilar-Vila Verde dos Francos-Atalaia-Merceana-Aldeia Galega-Carmões-Freiria-Sobral-Seramena-Forte de Alqueidão-Bucelas-Loures
Distância: aprox. 123 km
O trajecto é muito interessante mas - atenção! - está longe de ser fácil. Além da distância meter respeito, há muito sobe e desce, com bastante «sobe» que irá provocar certamente algumas moléstias. Entre as passagens mais duras, conta-se o carrossel da Abrigada-Espinheira, a ligação ao Cercal e logo a seguir para Rocha Forte; mais tarde, entre Rodeio e Vila Verde dos Francos; a aproximação à Merceana e a longa subida para o Sobral; para terminar com não menos doce ascensão ao Forte de Alqueidão.
Haverá melhor ensaio geral para Fátima!? Pois, quem mostrar fragilidades, não estará, concerteza, em bons lençóis no próximo fim-de-semana.

segunda-feira, abril 16, 2007

Moderado... mas não para sempre!


Em Loures, à partida para a última volta domingueira, o sr. Zé (pai do ZT) despediu-se do pequeno mas bem composto grupo de ciclistas que se fazia à estrada com um arrepiado: «Hoje vai ser batido o recorde da média!». Entre habitués, algumas baixas de vulto, considerando que o percurso era quase integralmente plano, o minipelotão estava bem recheado e fazia sentido aquela previsão.
Todavia, não se confirmou! O andamento foi quase sempre moderado e não teve houve grandes oscilações. Mas não se pense que a média não foi respeitável, acabando acima dos 31 km/h. Nada mau, mas, ainda assim, aquém dos augúrios do sr. Zé.
O grupo foi quase sempre conduzido «à parelha», em regime de endurance médio, a espaços médio-alto, e só se andou bastante depressa quando o grupo de triatletas (que começa a ser companhia frequente nas voltas ribatejanas) nos interceptou já no regresso (iam em sentido contrário, na zona de Vila Nova da Rainha, e rapidamente fizeram inversão de marcha, juntando-se a nós).
A partir daqui, o figurino da tirada alterou-se. Os novos inquilinos não se fizeram rogados a tomar o comando das operações, sempre sob nossa vigilância apertada. Com a aproximação ao Carregado, a tensão aumentou a olhos vistos e uma passagem musculada (a única do dia, para mim) sobre o viaduto do Campera acicatou ainda mais os ânimos. As cautelas no cruzamento do Carregado foram apenas um ligeiro hiato na correria, pois, imediatamente a seguir regressaram as hostilidades, desta vez fomentadas por um dos nossos: a mais recente «contratação», o possante amigo do Abel. Teve o mérito de surpreender o pelotão e logrou adiantar-se algumas dezenas de metros, mas teve companhia. O grupo perseguidor, sempre sem perder unidades, fez um compasso de espera, mas logo se lançou no encalço dos fugitivos, que foram absorvidos rapidamente. A partir daqui, sentiu-se que não havia mais permissão a aventureiros. Na condução do grupo, um jovem Esperança da equipa Fonotel, revezando-se com o mais espevitado dos triatletas, mas sempre com o Freitas e o Jony em apertada marcação.
Assim, galgaram-se quilómetros e chegava a hora de medir forças no tradicional sprint de Vila Franca. Os dois Liberty (equipamento comum ao Freitas e ao Jony) tomaram conta da ocorrência e dominaram a concorrência a seu bel-prazer, com o Freitas a lançar e o Jony a culminar, com esmagadora superioridade, um trabalho de equipa (a dois) muito eficaz. Os restantes limitaram-se a esboçar a reacção. Aquela capacidade de explosão, para mais, beneficiando de tão bom lançamento, garantidamente só está ao alcance de «sprintosos» de altas andanças.
Aliás, com esta demonstração de força, e com o Fonotel a dar a volta ao cavalo à saída da cidade, não restaram condições para mais desafios. E assim rolou-se até Alverca e depois, a três, para Sacavém e regresso. Na minha contabilidade pessoal: 165 km.
P.S. No regresso de Sacavém para Alverca, na companhia do Jony, somos surpreendidos ao avistar o Salvador, em sentido contrário, a fazer-se ao topo da fábrica da Robiallac. Ele que não alinhara à partida e cujos motivos da ausência foram então questionados. Ali estava ele, sem capacete, rosto marcado pelo esforço, à procura de uma réstia de forças para continuar. Uma visão dantesca, de um empeno monumental. O que se terá passado? Por onde terá andado? Ainda não se conhecem respostas...

quinta-feira, abril 12, 2007

Domingo para roladores

A volta do próximo domingo, para Reguengo, constitui interregno nos percursos acidentados, num regresso à planura da lezíria ribatejana. Em dia de Paris-Roubaix, para ver na TV, também o traçado desta clássica, de mais de 120 km, faz lembrar a do Inferno do Norte, exceptuando, obviamente, os sectores em pavé. Refiro-me ao troço campestre entre Cruz do Campo e Azambuja.
Será também dia de roladores. Creio que não haverá como enjeitar esta oportunidade de mostrar serviço em terreno de eleição. Além disso, a duas semanas da Super-Clássica de Fátima, restarão poucas oportunidades «competitivas» para afinar baterias.
A propósito, há dias, dizia-me um dos nossos camaradas, que neste tipo de terreno (pouco irregular) é praticamente impossível alguém (ou a um pequeno grupo) conseguir manter uma fuga duradoura (quiçá, conseguir mesmo destacar-se) sem o consentimento do pelotão. E que assim nem sequer valeria a pena tentar... Quem discorda!?
A finalizar, realço a elevada intensidade de alguns momentos da volta do passado domingo, que teve passagem inédita pela subida da Lagoa (bonita, mas sem grandes atractivos). O calor começou a aumentar logo na subida de Bucelas para a Venda (eu até estava a tentar levar o comboio a médio vapor desde Loures), onde o pelotão foi sujeito a desgaste prematuro. Mas houve outras alturas de frisson ainda mais acentuado, nomeadamente na Lagoa e no seguimento para a subida de Sto. Isidoro para Achada, onde o andamento vivo fez a selecção final. Muito rija, também, a chegada à Malveira.
Amanhã (sexta-feira) será dia de repetir a «tripla» da semana transacta, em Montejunto, desta vez «a solo». Tempo, agora, para fazer uma abordagem mais acutilante às subidas e comparar tanto as sensações como os «cronos». E aproveitar que, no domingo, para mim será mais higiénico...

quarta-feira, abril 04, 2007

Tudo a postos pr'a Montejunto!

Tudo a postos para o ataque a Montejunto na próxima sexta-feira! Informa-se mais uma vez sobre o local e hora de partida (Alenquer, às 8h30 em ponto!). O percurso é em direcção a Vila Verde dos Francos, por Olhalvo e Atalaia. Depois, é livre!
Muito importante: volta a frisar-se que a tirada deve ser encarada como treino, para retirar o máximo partido e desfrutar em grupo ou individualmente. Por isso, a sugestão da escolha livre das vertentes e número de ascensões.
Creio que, numa abordagem cautelosa, duas subidas está perfeitamente ao alcance da maioria dos elementos do grupo, reservando-se uma terceira para os que se sentirem em melhores condições, ou que tenham estabelecido esse objectivo e tempo para o concretizar. Para quem vai apenas para uma subida, naturalmente não se justificam restrições. Aos restantes que querem experimentar outras sensações, cabe saber gerir criteriosamente o esforço. Diga-se que subir três vezes Montejunto, por quaisquer das suas vertentes, não é tarefa para todos, exigindo não só boa forma como, acima de tudo, grande dose de persistência e tenacidade. Mas é garantido que os proveitos de uma jornada desta natureza, «desde que bem conseguida», serão compensadores, tanto do ponto de vista físico, como psicológico.

Por falar em tempo: esperemos que este ajude, principalmente que o vento não sopre muito forte. De qualquer maneira, haverá sempre uma vertente favorável... Mas que, para mim não será, de maneira alguma, a do Avenal. Nem que o camarada Pintainho peça muito!
Muito boa a crónica da sua mega-cruzada por Montejunto e bastante úteis as altimetrias. Disponíveis em www.opintainho.blogspot.com.
A tua presença, na sexta-feira, é naturalmente obrigatória!

Um abraço

segunda-feira, abril 02, 2007

Sexta-feira Santa pr'a Montejunto!

Malta, toca a recuperar as perninhas da exigente clássica domingueira pelas belas mas castigadoras paisagens da marginal e da serra de Sintra, pois, na próxima sexta-feira Santa, estão todos convocados para uma jornada de montanha, em Montejunto.
Está prevista a saída de Alenquer (8h30, em local onde possamos estacionar os carros), a que se seguem cerca de 45 minutos de aquecimento progressivo até Vila Verde dos Francos e, uma vez aí, a liberdade total à selvajaria para derreter as encostas da Varanda da Estremadura, inclusive escolhendo quantas e quais (aceitam-se candidatos ao Avenal!).
A sugestão é fazer cerca de 2 horas de montanha, o equivalente a 3 subidas e respectivas descidas, após o que se regressará em ritmo de relaxe (+45 minutos) ao ponto de partida (Alenquer). No total, não se pretende que o treino exceda as 3h30. Todavia, cada um define o traçado, tempo e ritmo ao seu gosto, objectivos e capacidades. Sendo que o objectivo principal é desfrutar do treino.

Mais pormenores dos próximos dias

quarta-feira, março 28, 2007

O «grande» Abel!


O Abel não pára de surpreender. A coragem e insuperável espírito de sacrifício com que arrebata os seus companheiros, todos os domingos – e são quase todos os que grupo se reúne durante o ano -, exemplar boa disposição e camaradagem, além de «banhos» de conhecimento e experiência de velho lobo do asfalto. Para todos nós, que queremos evoluir aprendendo mais sobre a arte de bem pedalar, é referência indispensável, todos os fins-de-semana, ali, à mão de semear.
O que passou não fugiu à regra. Num percurso duro, típico da região Oeste, surpreendeu pela inteligência com que lidou com as dificuldades, as limitações físicas próprias da idade e dos milhares de quilómetros que tem a menos (nos últimos anos, que fique bem claro!) que a maioria. E sem esperar tréguas dos «rodados»! Ele sabe disso, é prior nesta paróquia e nunca vai ao engano. Por isso, diverte-se a fazer ciclismo. Quantas vezes sofrendo como ninguém sem exteriorizar sequer uma queixa ou crítica – e não há quem tenha mais legitimidade para o fazer! E chega ao final de cada tirada, cansado, pudera, mas inabalável compostura e galhardia.
Quem o viu, ainda bem cedo, nos topos de Sto. Isidoro a vacilar perante o maior vigor da juventude e o acidentado do terreno poderia ter temido pela sua integridade física com tanto e tão duro que havia por percorrer. Puro engano. Assumo. Estamos face a um resistente. Pois, quem o voltou a ver, muitos quilómetros depois, a chegar no seu passo certinho à Murgueira, depois das exigências da Encarnação e da Picanceira, mudou certamente de opinião. Assumo, mais uma vez! O ciclista, a bicicleta e os factores em perfeita harmonia. Assim se superam as adversidades. E assim, por mais fortes que sejam, não chegam para parar «o» atleta. O caminho de regresso a Lousa foi (para ele) como se não existisse (sabe-se lá à custa de que esforço!...). Despediu-se como sempre. Sem deixar uma palavra por dizer. Com «aquele» sorriso nos lábios! Até para a semana, «grande» Abel!

P.S. Além disto, não posso deixar de referir a excelente forma do camarada Freitas, poderoso na Picanceira, a exigir o máximo das minhas capacidades para chegar na sua companhia à Murgueira. Grande performance, sem dúvida!
A prova (como se faltasse) da sua boa condição atlética actual foi o facto de só ele ter conseguido seguir o Paulo Pais (bem haja, companheiro!) no Gradil. Depois de inverter comigo o protagonismo nas subidas (para já, nas mais curtas e que exigem mais força), o homem está
«a um bocadinho assim» de fazer uma diferença... real! Os outros (eu principalmente) que se façam...