terça-feira, novembro 30, 2010

Crónica da Volta do Arroz Doce

As iniciativas puramente amadoras sob a égide do camarada Paulo Pais revestem-se, sempre, de um cariz muito especial. Temidas em tempos idos, quando a fama devida ao ajuntamento de atletas de bom nível, gente que aplica com empenho sobre a bicicleta a sua paixão pelo ciclismo, passava a imagem, errada, de que a competitividade, ao género de corridas, superava o convívio e o companheirismo, essas voltas têm-se transformado aos poucos em encontros excepcionais, chamadas indeclináveis a cada vez mais participantes de proveniências e níveis diversos.
Desde papa-léguas, malta que compete; aos mais remediados mas destemidos domingueiros, todos os que experimentam certamente que gostam... À sua espera, no final de uma manhã com múltiplos condimentos, uma barrigada de delicioso arroz doce. Que melhor!
Ao todo, foram vinte que saíram de Caneira Velha, em ritmo tranquilo, tranquilíssimo, de recomendável aquecimento e de precaução em manhã fria e (felizmente só) piso molhado.
Em Torres, primeira paragem. Operação de charme, carregada de simpatia, em plena concentração de ciclistas para apadrinhar a inauguração de novo estabelecimento do sector, sito na avenida do grande Agostinho. Cumprido o protocolo, sem outros impasses partiu-se em direcção ao Bombarral.
No ondulado da ligação ao Ameal e Outeiro da Cabeça, o andamento animou. O André, com a ajuda inicial do anfitrião Paulo Pais, a meter passo muito certo e indicado para levar o pelotão vivo e sem estragos. Mais tarde, o Manso, reconhecido excelente rolador, possante e voluntarioso, actualmente em processo avançado de emagrecimento (radical!), rendia o PP e passava agora a ombrear com o «reguila» de Montachique, naquele dia transfigurado trabalhador.
Na aproximação ao topo do Outeiro, o André forçou e ganhou ligeiro avanço, fazendo com que a cabeça do grupo se estirasse no seu encalço. Quando foi absorvido, algumas centenas de metros adiante, aliviou e deixou a liderança degenerar em ligeira anarquia. Resultado: sucederam-se as acelerações, quase todas fugazes e, por fim, neutralizadas à passagem pelo ponto mais alto (rotunda).
Daqui, até ao Bombarral, em falso plano descendente o aumento relativo da velocidade (média de 36 km/h) não se reflectiu no ritmo cardíaco dos melhor protegidos do pelotão. Algo que não se aplicou, naturalmente, aos que passaram pela frente. Foram uns tantos, sendo que o Manso voltou a ser dos mais activos. No seu terreno de eleição mandou a seu bel-prazer. Por isso, sem surpresa, a sua média de pulsações elevada (167, segundo refere na sua excelente crónica, em ciclismo2640.blogspot.com) demonstra a diferença de esforço para os que seguiam ao abrigo do vento.
Após a paragem prevista no Bombarral, espécie de aperitivo para o repasto final, esperava-se que a intensidade aumentasse bem mais cedo do que sucedeu. Pelo contrário. Na estreita estrada em carrossel da ligação ao Vilar o andamento foi sereno, a promover amena cavaqueira, e só após a rotunda do Rodeio, se abriram as hostilidades.
O Runa acelerou e rapidamente ganhou vantagem. Mas com a mesma eficácia os mais afoitos do pelotão passaram a controlar a distância do fugitivo. Até que uma suspeita de furo do Jorge (Contador de Arcena), acabou com o figurino. O pelotão neutralizou, enquanto o fugitivo, sem conhecimento do incidente, manteve a sua marcha, só se detendo no alto do Sarge, muitos quilómetros adiante – certamente estranhando a demora dos demais.
Com a entrada na dita subida do Sarge, ascensão irregular e sempre com suave inclinação a proporcionar velocidades elevadas, surgiram as movimentações mais sérias de toda a jornada. Ataques e contra-ataques isolados sucederam-se, mas sem que alguém levasse vantagem. Apenas destaques ligeiros e breves, aglutinados pelo ímpeto dos perseguidores – e pela sua facilitada tarefa naquele tipo de terreno. A correria apenas serviu para sacudir as peças mais frágeis do grupo da frente, que chegou a Torres, após veloz descida, reduzido a meia dúzia de unidades.
Aqui, mais uma neutralização, agora algo demorada, a aguardar por retardatários causados por mais um furo. A seguir, grupo compacto e opção de passagem pelo interior de Torres, a demover prolongamento das hostilidades que os caroços da Variante habitualmente desencadeia.
A subida para Catefica também não as provocou... e só com a embalagem da descida para o Carvalhal se quebrou a harmonia. Os topos do Turcifal não trouxeram revelações – apenas incremento de força nos crenques e nova embalagem para a ligação plana à Caneira.
Na rampa final, para o Lar (Arroz) Doce Lar do Paulo Pais, o David deu, no início, o mote para atacar a subida, mas abdicou logo. Então, sentindo-me com reservas (a volta acabou por ser até um proveitoso treino, por alternar picos curtos com largos período de baixa intensidade), mantive a pressão no resto da subida, levando apenas a ele (David) e ao André na minha roda, para culminar em sprint musculado.
À espera da matilha já estava a bela guloseima!

quinta-feira, novembro 25, 2010

Volta(s) de domingo (dia 28)

No próximo domingo, a volta é da Marginal (por Alcoitão). O trajecto vai de Loures a Sacavém, por Frielas e Unhos, e percorre toda a zona ribeirinha de Lisboa, desde o Parque das Nações a Algés, seguindo pela Marginal até ao Estoril. Aqui, ruma ao interior para Alcoitão, em direcção à estrada do autódromo e rotunda de S. Pedro de Sintra, descendo para Sintra. A ligação de Sintra a Loures faz-se por Lourel, Pêro Pinheiro, Negrais e Ponte de Lousa.
No mesmo dia (8h30), o camarada Paulo Pais promove mais uma jornada «das suas», partindo da Caneira para as entranhas do Oeste. O percurso é sidejamente conhecido e foi agora baptizado de Volta do Arroz Doce – só estreantes podem não saber porquê!
O traçado inclui dupla passagem por Torres Vedras e ponto de viragem no Bombarral. A ida cumpre-se pelo eixo Ramalhal/Outeiro da Cabeça; e o regresso por Pêro Moniz, Vilar e Sarge. A distância é de aprox. 83 km

terça-feira, novembro 23, 2010

Crónica de Sto. Isidoro

A mudança de características do percurso da volta do último domingo, em relação aos anteriores, alterou muito pouco a maneira como aquelas têm decorrido: em regime de pré-temporada. O sobe-e-desce saloio até à Ericeira e regresso pela subida de Sto. Isidoro foi muitíssimo diferente de anos transactos em igual fase da época, em que os fortes andamentos foram, mais do que inevitáveis, previsíveis...
Desta feita, imperou a moderação, o ritmo de cruzeiro acessível que tem permitido, à maioria, gerir as limitações do ainda recente defeso. Desde Loures a Bucelas, até à Venda do Pinheiro, não se saiu do regime de endurance; e de Malveira a Mafra, mais a ligação a Ericeira, o regime foi quase o mesmo.
A subida de Sto. Isidoro foi a excepção. Aliás, porque a malta andava ávida de uma bela picardia, de um jorro de adrenalina que não existe na toada comedida que, por agora, se aconselha. A aproximação à subida, logo picante na rampa que atravessa a localidade, motivou alguns excessos de ímpeto, confirmados às primeiras inclinações da bela ascensão (4 km a 5%), criando, desde logo, a ruptura no pelotão.
O Jorge, alguns furos acima dos demais nesta altura do ano, destacou-se imediatamente e com aparente facilidade. Teve um desempenho, para já, de «outro» campeonato. Ainda houve quem o tentasse seguir, mas felizmente (para este) foi a tempo para emendar o erro.
Atrás, formou-se um trio encabeçado pelo Freitas, que incluía o Pedro Fernandes e o Salvador, este, também em momento de forma mais adiantado (e a capitalizá-lo em presença frequente nos postos cimentos do grupo...).
De resto, tal como o camarada do Carregado, que começou ali a (sua) jornada mais activa de que há (tenho) memória, igualmente reflexo de condição adiantada. Depois de um ano de adaptação (em que se desdobrou na angariação de grupettos do seu nível... quase sempre a pregar no deserto), terá (e continua) a criar bases para a desejada evolução que o seu empenho bem merece...
Ainda mais atrás, o pelotão era liderado pelo Renato (Bucelas) - que nesta manhã de ciclismo fez-se acompanhar do pai (pessoa muito simpática). Aquele pareceu reservar-se, tentando limitar ao mínimo a sobrecarga física. Partilhávamos intenções, portanto. Daí, decidi escolher a sua roda. Connosco, vários elementos do grande grupo: Pina, Alex, ZT, entre outros que fizeram uma excelente subida.
Com a aproximação ao cume, o Freitas fica sem companhia. Primeiro, o Pedro, depois o Salvador. Na peugada destes, o pelotão, cá atrás, acelerava progressivamente, sempre comandado pelo Renato. O ritmo foi aumentando até atingir, nas derradeiras centenas de metros, patamar muito elevado – ao nível dos mais altos, reconheça-se... Na fase terminal da subida (e da aceleração) só eu resistia na roda do jovem ciclista, às voltas já frenéticas com o meu prato 36. Em consequência, o Pedro e o Salvador foram ultrapassados e a vantagem do Freitas diluiu-se num ápice.
No regresso, após retemperadora neutralização na muito concorrida zona pasteleira de Mafra, ainda se cerrou os dentes à chegada à Malveira – nada demasiado castigador - e mais tarde, no topo do depósito de rações, nas imediações de Bucelas – com o Jorge a disputar um musculado sprint com o Freitas. Ah, pois! Para quem tinha dúvidas sobre o «andamento» do Contador de Alverca...

quinta-feira, novembro 18, 2010

Crónica de A-dos-Arcos

Na manhã de domingo último, quem decidiu permanecer no conforto do lençóis, enganado pela noite diluviana e as previsões meteorológicas alarmistas, perdeu mais uma jornada de bom ciclismo - afinal, sem a anunciada chuva - , numa volta que decorreu ao jeito de uma pré-temporada bem feita. Felizmente, tem sido o agradável mote das tiradas quase primaveris deste Outono, a romper com maus hábitos de anos.
Num percurso com primeira parte para rolar e uma segunda mais acidentada, raramente se pisou o limite da intensidade recomendável. Nem quando um pequeno grupo liderado pelo André se empertigou, e levou o velocímetro aos 40 km/h entre Alhandra e Vila Franca, com cerca de uma centena de metros de vantagem sobre um pelotão tranquilo mas atento.
O reagrupamento deu-se após o empedrado, à saída da cidade, e desde aí às cercanias de Azambuja o colectivo permaneceu imutável, onde foi novamente quebrado por um ligeiro avanço, também consentido e sem esticão, de outro mini-grupo. Em Azambuja, parou-se para comes e bebes, outra boa prática nesta fase do ano.
Na ligação, por sentido inverso, até ao Carregado, manteve-se a toada serena, depois quebrada com a entrada na estrada para Arruda, quando o terreno se tornou irregular. Então, pela primeira vez no dia, a intensidade passou a níveis menos aconselháveis, principalmente nos derradeiros topos, depois do Jorge e do Carlos Cunha terem imposto ritmo vivo até Cadafais. Substitui-se-lhes o André, a forçar quando a estrada ondulou e a maioria do grupo a ter de resistir na sua retaguarda.
No entanto, frise-se que o andamento não foi proibitivo, apenas exigente, com preocupação pessoal em preservar a pulsação abaixo das 165, e só o desconforto muscular, já na aproximação a Arruda, levou-me a optar por descair alguns metros, na companhia do Alex e do Cunha.
Em Arruda, aliviou-se. «Procurei» o Steven e o Gonçalo, os únicos a perder o comboio. Ficou comigo o Alex. Mas retardatários demoraram, trazendo reforços, entre os quais, dois que provavelmente que não quiseram arriscar a madrugada cinzenta: ZT e Morais. O pelotão, esse, teve pressa e fez-se ao caminho de A-dos-Arcos. Nunca mais foi avistado.
O novo sexteto continuou, sempre tranquilo, mesmo durante a subida, altura em foi interceptado pelo Freitas e o Zé Henriques, também vítimas da desconfiança do tempo nas primeiras horas. O Pina, a aguardar no final da ascensão, idem.
No final da descida do Alqueidão, em Bucelas, houve sprint lançado. O Alex «disparou» à saída da Bemposta, acelerou muito bem até... aos 60 km/h (velocidade média de 15 segundos, embalada pelo falso plano descendente – confirmado pelo Polar) e quando esgotou deixou-me a frente para os últimos 500 metros. O Freitas, apesar de algo surpreendido com a aceleração, sem concorrência fechou a contenda nos últimos 150 metros. Um «exercício» sempre interessante e proveitoso para todos os envolvidos.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Domingo: Sto. Isidoro

A volta do próximo domingo é a de St. Isidoro, lá para as bandas da Ericeira. Já é uma velha conhecida, com alguma tradição criada pela interessante subida que é o seu ex-libris: Sta. Isidoro.
O percurso é muito simples: praticamente ida e volta por sentidos inversos. A única diferença é o início, de Loures a Bucelas e Vale de S. Gião, a subir para a Venda; e o final, da Venda para Lousa, sempre a descer até Loures. Na Ericeira, ruma-se a Ribeira d'Ilhas e logo à direita para Sto. Isidoro, onde se começa a subida de 4 km a 5% de inclinação média, e que conflui na estrada Mafra-Ericeira-Mafra, na zona da Achada/Fonte Boa dos Nabos.
Nada que enganar, a não ser que nos deixemos... pelo relevo. Este não é, de modo algum, um percurso fácil, mas um verdadeiro rompe-pernas, que nesta fase do ano, ainda mais, recomenda maior contenção do que nas voltas, mais «rolantes», dos últimos fins-de-semana.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Domingo: A-dos-Arcos

A volta do próximo domingo (dia 14) é de A-dos-Arcos. Percurso misto, com cinquenta e poucos quilómetros planos seguidos de cerca de quarenta em terreno acidentado, com uma subida (A-dos-Arcos) já com alguma extensão (4 km) mas suave inclinação (3%), e a excitante descida do Alqueidão na fase final.
No total, 96 km, que devem ser «lidados» em ritmo de pré-temporada, assim se enquadrando perfeitamente nos pressupostos para o momento presente – à imagem das voltas mais recentes.

Nota de trajecto: A partir do Carregado, dirige-se para Azambuja, onde se dá a volta ao bidão (entenda-se, a 1ª rotunda, junto à estação de serviço) e regressa-se ao Carregado pelo mesmo caminho. Daqui, segue-se em frente para Arruda-Pontes de Monfalim-A-dos-Arcos-Arranhó-Bucelas e Loures.

LEMBRETE: Na próxima sexta-feira (dia 12) vai realizar-se o tradicional jantar de fim de época do Grupo Pina Bike. O local da comezaina é a Adega Baixinha, em S. Roque. Marcações na loja Pina Bike, através do nº. 219820882

segunda-feira, novembro 08, 2010

Crónica de domingo

No passado domingo cumpriu-se mais uma volta de pré-temporada, respeitando, na generalidade, os pressupostos inerentes à mencionada fase da época para a maioria do pelotão. O percurso, maioritariamente plano, não destoou, contribuindo para o nivelamento que, nesta altura, se deve promover. Quase todos os elementos que saíram de Loures, lá chegaram após uma ligação que ultrapassou ligeiramente a centena de quilómetros.
A ascensão ao Forte de Alqueidão marcou a toada tranquila da jornada: andamento baixo e grupo compacto. As pequenas diferenças que se produziram na parte final da subida provam-no. Na descida do Sobral para Aldeia Gavinha, só o piso húmido impediu que fosse pouco mais que relaxada, quase tanto como o seguimento até Alenquer, em que as actuais forças mais destacadas no pelotão não deixaram que o ritmo fosse de autêntico passeio.
De resto, a média horária que se verificava à chegada a essa localidade, a rondar os 30 km/h, reflectia a dificuldade de manter a pulsação em sempre abaixo do limiar superior do endurance – principalmente para os que agora, tal como eu, estão em fase inicial de treinos. Aliás, são as diferenças entre os condicionalismos destes e a disponibilidade dos que não perderam a embalagem do final de época (com paragens breves ou intermitência nas saídas) que se notam mais, naturalmente, quando o terreno se depara selectivo.
Assim foi, no início, no referido Alqueidão, e de forma mais acentuada no final, de Sacavém para Apelação, onde a separação das águas se verificou logo na base da subida, apesar de, como se sabe, ter suave inclinação. Nesse trecho do percurso, salienta-se o andamento nitidamente superior do André, do seu igualmente jovem amigo, do Pedro (Kuota) e do Jorge «Contador», e as esforçadas iniciativas do Pina, Salvador e Alex para se manterem naquele quarteto – de onde viriam a descair na aproximação a Apelação.
Num grupo intermédio (formado desde o início), o Carlos do Barro, eu e o Welder, ambos na roda do trepador do Barro, que impôs muito bom ritmo, vivo e constante, ao longo de quase toda a subida, levando-nos até aos calcanhares dos Pina, Salvador e Alex à chegada ao topo de Frielas.
Para mim, «limitador» às 165 bpm, mas houve momentos que, para seguir o Carlos, não foi possível respeitar essa marca.
No grupo mais recuado, o Freitas (autor de sprint, à antiga, em Vila Franca, e de condução quase íntegra do grupo entre Alverca e Sacavém) manteve-se na companhia do Nuno Garcia, do ZT e do seu pai - que fez a volta na totalidade, com elogiável abnegação.
Ora, por (tudo) isso: chapeau, Sr. Zé Correia!

sexta-feira, novembro 05, 2010

Domingo: Sobral-Alenquer-Sacavém

Eis o percurso da volta do próximo domingo (dia 7).

quinta-feira, outubro 28, 2010

Domingo e Feriado há voltas...

A volta do próximo domingo é a Mini-Volta dos Campeões. Como se percebe, trata-se de uma versão encurtada da volta dos Campeões que, na primeira edição, em finais de temporada de 2009, teve interesse extraordinário, em número de participantes e competitividade, acabando por ganhar estatuto de Clássica para o ano seguinte.
Todavia, pelos motivos que levaram a que a época de clássicas terminasse mais cedo, impõe-se não só que a volta perca esse estatuto (apenas este ano!), como o percurso seja reduzido em cerca de 15 km - passando, lá está, a ser... mini. De qualquer modo, sempre são 115 km em terreno que é acidentado nos primeiros dois terços dessa distância.
A saída das bombas da BP é às 8h30.

Nota: no dia seguinte, segunda-feira, dia 1, feriado nacional, o grupo volta a reunir-se no local habitual e à mesma hora. A volta não está definida. Ou seja, será decidida no momento!

terça-feira, outubro 26, 2010

Crónica do Livramento-Óbidos

À partida, era justificado e honesto o receio de que os poucos mais de 100 km de ida e volta, do Livramento a Óbidos, fossem demais para as minhas capacidades, no rescaldo de cerca de um mês sem bicicleta. Nada fazia querer que, no momento mais intenso da jornada ciclista que o camarada Paulo Pais organiza anualmente, acabasse por apanhar o TGV, como alcunhou uma das principais locomotivas da restrita composição de sete carruagens que cumpriu a ligação final, desde o Bombarral, a uma média superior a 37 km/h. Por ter feito parte desse grupo, em total contraponto com o meu actual estado de forma, (re)afirmo o meu enormíssimo espanto.
De qualquer modo, a minha presença nessa elite revestiu-se de casualidade, de oportunismo. Estava no sítio certo, no momento certo para apanhar a extraordinária boleia – ainda que sujeito a grande esforço e pesada dose de sofrimento. Além disso, viajei sempre na qualidade de passageiro, com título de transporte limitado à zona, deitado borda fora, à saída de Torres Vedras, quando às dificuldades do andamento profissional se juntou o relevo mais acidentado.
Daí, até final, à minha conta e risco, acumulei cerca de 4 minutos para o grupo principal, segundo contas dos seus elementos. E muito longe de ter relaxado...
Tudo isto se passou, como referi, no regresso, após o Bombarral, onde diz a tradição, as hostilidades deste evento se abrem e raramente voltam a encerrar. Na primeira parte, para Óbidos, o ritmo do pelotão foi moderado, a rondar a média de 30 km/h, com o trio Freitas, Zé Henrique e Jonas isolado desde muito cedo, ainda antes de Torres, a manter-se assim até ao derradeiro quilómetro antes de Óbidos. E a junção só se deu porque os três, que até ai andaram muito bem, levantaram totalmente o pé.
Às primeiras pedaladas de regresso notou-se a avidez (de alguns) em carregar nos pedais – de fazer a coisa andar. Não imaginava que tanto! Aguardou-se pela saída do Bombarral, e logo que o asfalto melhorou passou-se de nível... Os dois elementos da Carb Boom, Marco Silva e Paulo Lopes, impuseram andamento elevado e o pelotão não demorou a seleccionar-se.
Com o acumular da ascensão para Outeiro da Cabeça sobrava cada vez menos nata. Ao contrário do que se disse, as mudanças de ritmo não foram bruscas, mas sim progressivas, passando do muito alto ao... demasiado alto – e insuportável para grande parte do pelotão. Afinal, a ruptura definitiva estava eminente e poderia prever-se onde ocorreria. Certamente, atrás dos seguintes: os dois Carb Boom, o André e os seus dois vizinhos (com idades bem distintas, do tipo pai e filho) e o Dario. Para precaver a separação dos grupos havia que estar logo atrás destes, muito perto, e aguentar o «tranco».
Assim, quando a coisa apertou, o Freitas saiu para o lado, o Paulo Pais deu passagem, o Runa começou a debater-se com dificuldade e o Jonas quebrou no último momento, na hora H, no derradeiro golpe de pedal, mesmo ao meu lado. Quando chegou a minha vez, mordi-me para agarrar a roda do Dario, porque atrás não restava ninguém...
Bom, a partir daí, foi a correria a alta velocidade, o tal TGV que o Dario baptizou. Restava-me guardar a melhor roda, evitar passar pela frente (que não consegui evitar apenas por uma ocasião, felizmente breve), resistir a eventuais mudanças de ritmo (não sucederam) e aguentar até ao mais perto possível da chegada. Como disse, estava ali deslocado e certamente a prazo.
O último topo da variante de Torres ditou-me a sentença. Nada mais havia a fazer que meter o meu passo e... chegar ao fim. Lá, à frente, continuou-se a andar fortíssimo, mesmo em subidas. Como se a época estivesse ao rubro. Fora de tempo, claro está!
Para a maioria, deu-me a parecer que o aconselhável defeso está às portas. Outros, provavelmente, nem querem ouvir falar disso. Eu, depois da paragem antecipada, enfrento a pré-temporada mais cedo que o habitual. Pois, com muita tranquilidade. O «engano» da cavalgada de domingo foi apenas isso...

quinta-feira, outubro 21, 2010

Volta(s) do próximo domingo

No próximo domingo, a volta é a de Alenquer (Alto de Perrotes). Partida de Loures (BP) às 8h30. Eis o percurso.
No mesmo dia e à mesma hora, o camarada Paulo Pais reúne as tropas no Livramento, para a anual romaria a Óbidos, com regresso ao local de partida. A distância é de 103 km. O arranque está previsto para as 9h00.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Domingo: Carvalhal

Desde o final da Clássica da Serra da Estrela, no meu caso com a paragem subsequente, que o rescaldo das voltas dos últimas fins-de-semana se assemelha ao efeito de pisar uma ferida: quanto mais tempo passa sem sarar, mais a dor e o desconforto se prolongam.
Para mim e outros, a temporada anual dedicada ao ciclismo já vai longa. Iniciei-a, como habitualmente, em meados de Novembro do ano passado, ou seja, há quase 11 meses que ando sempre a bombar, principalmente aos domingos. Esses domingos, que são tão difíceis de prescindir mesmo em prol de um programa de preparação adequado e porventura bem mais eficaz! E quem resiste à atracção pelas sensações do ciclismo em grupo? Rolar, subir, descer, velocidade, esforço, adrenalina, estratégia, sofrimento, mais sofrimento – e a compensadora satisfação!
Só que este ano, a «coisa» ficou mais curta que o habitual. Não está e não vai durar tanto como em outros, pelo menos ao nível de exigência actuais (e de sempre) das voltas domingueiras. É tempo de aliviar (principalmente aos domingos) e deixar de gastar e gastar... o pouco que resta. Começar a recarregar baterias para entrar na próxima época com frescura física e, acima de tudo, com motivação – vontade de andar de bicicleta e desfrutá-la, o que actualmente já rareia.
A volta do passado domingo foi exemplo de enorme exigência. Não exagero ao dizer que esta fase, precisamente o último mês, se tem revelado a um dos níveis mais elevados do presente ano, e que, faltamente, agrava a acumulação de saturação e fadiga em final de longa e competitiva temporada.
As últimas voltas tiveram exigência acrescida por um factor «único»: o «factor Renato Hernandez». Não há pingo de exagero! A sua disponibilidade e capacidade físicas que se lhe reconhecem impõem-se, marcando o «compasso» das tiradas, estabelendo o andamento durante praticamente a totalidade do percurso e... durando até final, até nas fases mais árduas. Foi assim, a passada semana, em S. Romão, após quase 90 km em que colocou todo o grupo ao abrigo da sua roda. Tornando desnecessário e até suicidário (tentar) fazer igual!
Durante essa volta, constatei que, tal como eu, houve cansaço e saturação estampados no rosto de alguns elementos, dos quais destaco o Jorge, Contador de Alverca, que «pagou» na subida final uma factura pouco vista este ano, em que tem sido, sem dúvida, um dos elementos mais regulares e duradouros do grupo. Esperemos que não tenha sido o efeito de alguma carne contaminada... (ehe)
Por isso, no final da tirada, quando regressavamos a casa, eramos unânimes a clamar pela chegada defeso, pela hora de descontrair, de poupar o físico tão massacrado nos finais de (quase) todos os domingos, em que adrenalina, a competitividade e o prazer pela prática do ciclismo tolhem a razão, impondo a emoção e levando ao empenho total. Por vezes, a cabeça quer e o corpo não! Agora, a primeira rendeu-se.
De qualquer modo, os domingos existem, continuam, estarão sempre previstos para que todos beneficiem de andar de bicicleta em grupo.

Este domingo, a volta é a do Carvalhal


quinta-feira, setembro 23, 2010

Domingo: Enxara do Bispo... e S. Romão

No próximo domingo, dia 26, a volta é daquelas que parecem carrosséis, em sobe e desce constante. Pode chamar-se Enxara do Bispo, porque passa por esta localidade numa fase intermédia do percurso, mas deve compor-se com S. Romão, nome da subida que termina junto a este santuário, em Trancoso, na fase nuclear do traçado, já perto do seu final.
Por ser um dos trajectos que se iniciam por Pinheiro de Loures, a caminho de Guerreiros, Lousa e Venda do Pinheiro, sobe praticamente desde o arranque. Após, isso, a montanha russa não pára mais.
Em minha opinião, é uma volta estimulante, no seguimento das últimas, de A-dos-Loucos e Montejunto, por Pragança, que, por juntar desnível acumulado significativo (cerca de 1600 metros, semelhante ao de Montejunto, da semana passada!) e 100 km de distância, adquire grau de exigência elevado. Arrisco dizer que não fica atrás da dificuldade das duas referidas voltas, talvez até mais se se considerar a ascensão final para S. Romão, a culminar uma ligação complicada e extensa, em subida, desde Arruda dos Vinhos.Até lá, para trás terão ficado pontos quentes como Guerreiros, Venda do Pinheiro (Freixeira), Enxara dos Cavaleiros, Sapataria, Tesoureira e o Forte de Alqueidão (desde a Quinta do Paço). Não são subidas muito selectivas para trepadores natos, mas para quem tiver pernas fortes e, na ocasião... boas. E há longas descidas, como a de Vila Franca do Rosário, Sobral para Arruda e de Lameiro da Anta para Bucelas (Santiago dos Velhos). Para respirar, quem sabe?

terça-feira, setembro 21, 2010

Crónica de Montejunto

Montejunto é sempre assim: ansiedade no início, sofrimento durante e êxtase no final. Foi certamente assim que se sentiram os que, no domingo, atingiram o cume da serra de 660 metros, a Varanda do Oeste. A ascensão por Pragança, a vertente mais curta, mas a mais constante e, por isso, a que tem a inclinação média mais elevada: 7,5% (exceptuando a do terrível Avenal) faz-se após aproximação em falso plano ascendente, a preparar o choque que é entrada naquela localidade, o duro início da subida, que lança os 5,5 km seguintes em que são escassos os momentos de descanso.
Este foi o ponto mais alto (literalmente!) da volta deste fim-de-semana, que teve noutros de inegável relevância também a contribuição para uma enorme jornada de ciclismo. Desde logo, o numeroso pelotão, nivelado por cima e pejado de figuras. A prova dessa elevada bitola foi a subida para o Forte de Alqueidão, com andamento de excepção desde a Bemposta para tempo abaixo dos 23 minutos: o meu «personal best». Corrijo, o melhor em que estive presente, pois a minha participação foi... nula! A proeza tem autor: o Renato Hernandez, que, embora a espaços coadjuvado, pautou sempre o andamento. E todos sabem como é difícil – até na roda – fazer os mais de 11 km sempre no prego. O Rui Torpes, que foi um dos poucos que se assomou à ilharga do Renato, reconheceu que a diferença de estar à frente e no conforto do pelotão era de 20 pulsações. Bom, por isso é que, apesar do ritmo elevado, passei mais ou menos incólume, com a pulsação abaixo do limiar anaeróbio (média de 162). Grande diferença em relação à semana transacta (eis os benefícios de se fazer qualquer coisa durante a semana). Além disso, a demonstrar o nível médio elevado do grupo, o facto de este se apresentar compacto à chegada ao Alqueidão.
Tempo no alto: 22m53s, menos 33 segundos que o anterior melhor e nova marca a bater.
A descida do Sobral para a Merceana foi tranquila, apenas polvilhada de algumas acelerações do Jony, que, quando lhe apetecia, destacava-se perante estranha permissividade do grande grupo. Ou seja, depois do Alqueidão, quem se daria ao trabalho de substituir o Hernandez nessa tarefa? Como ele não reagiu, relaxou até, todos aceitaram a sua atitude, como se de um «chefe» se tratasse.
Todavia, do Jony, naquela altura, eram apenas ameaças. Porque depois de se acumular mais desgastes no Freixial do Meio e na Atalaia, na descida de Vila Verde dos Francos para o Vilar, aproveitou um adiantamento do Freitas para atacar, agora... a sério. No pelotão, no mesmo tipo de terreno, a mesma estranha parcimónia. E provavelmente o mesmo pensamento anterior: «se o Renato não se mexe...». O grupo ainda avistou a junção do duo à passagem pelo Vilar, mas num ápice esfumou-se.
Até à subida de Martim Joanes foi em ritmo de passeio, interrompido, aí, por surpreendente iniciativa do Carlos Cunha, que levou o grupo a alcançar «um» duo, mas não o original: o Xico Aniceto substituía o Jony, que partira em solitário.
No momento da junção, outro imprevisto: o pelotão «encostou» e manteve-se na roda do duo. Estranho! Estaria a confundir o Xico com o Jony? Improvável! Ninguém queria assumir a perseguição, com Montejunto ali tão perto. E foi no ritmo calmo, pausado, que estes levavam que se cumpriu a ligação a Pragança, desde logo com a convicção que alcançar o fugitivo seria missão mais que improvável.
Entrada em Pragança e a estrada apontada ao céu. O Freitas movimentou-se mas logo abdicou. Passou a localidade e o ligeiro descanso, para logo voltar a empinar. O grupo da frente continha-se, e a primeira aceleração veio do... improvável Pedro. As respostas de alguns, embora progressivas, quebraram a unidade, destacando um quarteto: Pedro, Luís (TNT), Torpes e André. Vinte metros atrás: eu, Renato e Carlos Cunha. Mais atrás, o Carlos Gomes e o Mário.
Abordagem à famosa rampa dos 15% e mais uma surpresa! O Jony logo ali à frente, em ritmo de... paragem. E parou mesmo. Entretanto, na frente o Luís e o Pedro descaiam e eram absorvidos por nós. O nosso grupo, agora quinteto, o Renato passa mal nos metros finais do primeiro segmento da rampa, antes do pequeno descanso, para o segundo, mais curto. E tal como o Pedro e definitivamente o Luís, perdem alguns metros para mim e para o Cunha – e juntos enfrentamos a ligação ao quartel e à fase final da subida. Nesta, o Cunha ganha alento e eu, para não perder a sua roda, «passei ao lado» do recomendável descanso. Quando o terreno se elevou novamente (estávamos aos mesmos 20 metros do Torpes e do André) senti as pernas a vacilarem, a hipotecar o resto da subida. Esvaziava-se o gás para uma eventual aceleração final, restava-me ligar o «cruise control».
Em consequência, tive de largar o Cunha e fui engodo aos perseguidores. Traiçoeiro, no caso do Pedro, que se esforçou demasiado para chegar à minha roda e cedeu abruptamente. Mas encorajador para o Renato, que vinha em crescendo. Tinha-o já na minha roda à entrada dos 300 metros finais, enquanto alcançava o Cunha (agora em nítida perda) e não demorou muito a retemperar forças – também porque se fazia tarde. Ultrapassou-me, levando-me a procurar a sua roda, que segurei apenas por instantes. Nos derradeiros 100 metros, limitei-me a não perder muito e aproveitar o estímulo que foi mais uma das suas demonstrações de força.
O meu tempo foi de 21m48s (médias de 15,5 km/h e 182 de pulso). Já fiz mais depressa (menos 42 s) na mesma volta em Agosto de 2008, numa subida em que persegui, à morte, o indomável Hélder Calado até ao quartel. Foram 4 km que não se esquecem! Quando o alcancei, olhou-me e disse: «não fazia sentido ires aí atrás a sofrer...». Nesse momento, a montanha fez-se azul, de muito sofrimento e, vá lá, um niquinho de... RAIVA! Até ao alto, só se não pudesse. E não pude... Logo nessa altura tinha o mundo de mostrar como é ingrato!!
Resta dizer que, na frente, o duo Torpes/André (pareceu) que não se desfez, apesar de várias tentativas do primeiro. E que quase todos os participantes alcançaram, triunfalmente, o cume da serra.No longo regresso a Loures, os protagonistas mudaram: ainda que o Jony continuasse a mostrar serviço no seu terreno predilecto, surgiram o Carlos Gomes, o Alexandre e outros a encabeçar o pelotão a grande velocidade, culminando no tradicional sprint de Vila Franca, disputado metro a metro pelo Cunha e o Jony. Finalmente, na subida da cervejeira, juntei-me ao Torpes e isolámo-nos até Vialonga, após o camarada Alex me ter levado em bandeja de ouro.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Domingo «gordo»: Montejunto (por Pragança)

O próximo domingo é domingo... gordo. Assim é quando o colosso de Montejunto faz parte do programa. Seja por que vertente for, é sempre motivo de festa.... rija. Desta vez, por Pragança, a subida mais curta mas a mais «montanheira», com os seus 6 km à respeitosa inclinação média de 7,5%, incluindo a não menos famosa «rampa de 15%» - que faz parte de um terrível km a 11,5%.
De resto, o trajecto até ao início da subida não é fácil. Pelo contrário. O Sobral via Alquidão, Merceana pelo Freixial do Meio e de Atalaia para Vila Verde são locais bem conhecidos, mas a ligação Vilar, Martim Joanes e Rocha Forte (em torno da vertente norte da serra) não é muito menos acessível. O regresso é por Abrigada, Ota, Alenquer, Vila Franca, Alverca, Vialonga e Tojal. Mais suave... portanto. Para «limpar». Tá-se mesmo a ver!
A partida de Loures é às 8h30.

quarta-feira, setembro 15, 2010

A-dos-Loucos: a crónica

Quero a Serra! Antes a Serra, que esta tortura da volta de A-dos-Loucos, vergado a uma horda de verdugos impiedosos que não se pouparam a esforços para me sovar no final de uma semana inteira de descanso... passivo. O regresso menos recomendado de sete dias de inactividade, após a Clássica da Serra da Estrela.
No entanto, os primeiros maus tratos, eu próprio me infligi, devido a uma saída tardia de casa que me forçou a aquecimento em contra-relógio, massacrando os músculos presos, adormecidos pelo longo ócio.
À chegada à rotunda do Infantado fico surpreendido com a coluna numerosa que se aproxima, quando àquela hora grande parte dos elementos mais fiéis do grupo estariam a caminho de Reguengos, estes, sim, em legítimo contra-relógio. Mais impressionado fiquei ao reparar que à cabeça do pelotão sobressaiam o Samuel e o Polícia em amena cavaqueira. E o Carlos do Barro logo atrás. Dou meia-volta e integro-me, encontrando-me lado-a-lado com o Steven, que não demora a fazer luz sobre as minha dúvidas: «Os teus ainda ficaram nas bombas! A malta vai para Sto. Estêvão». Agora, sim, tudo mais... habitual. A única imprecisão foi o facto de também os «meus» já ali estarem. Nem sabia quais e quantos, mas quando os caminhos dos dois grupos separaram, no Tojal, apercebi-me que não eram muitos mais que os dedos de uma mão.
Até Bucelas, o ritmo foi moderado, a cargo do Renato Hernandez, permitiu colocar a conversa em dia, ainda sobre as incidências da Clássica da Serra, com o Carlos Gomes, Jorge e o Pedro como intervenientes. Entretanto, o Mário também se mostrou, e então comecei a fazer contas de cabeça. Que rica companhia! Se estes bons companheiros estivessem «virados», seria o cabo dos trabalhos. Não demorei muito a ter essa confirmação.
A partir do Freixial, o Renato apertou e logo, muito! Começámos a andar como loucos, na rampa da Chamboeira acima dos 30 km/h. Tudo agarrado à sua roda. A locomotiva está de regresso! Num ligeiro «descanso» da subida relaxei, deixando abrir um ou dois metros, e para o Forno do Coelho fiquei a vê-los. Passaram todos os que já sabia estarem ali, e olhei para trás para descobrir alguém com que partilhar o resto da subida. Em vão. Não havia mais ninguém!
Às tantas, o Jorge e o Pedro, em extraordinária forma (ai os erros da Serra!), meteram uma abaixo e ninguém os seguiu, incluindo o Hernandez. O Mário optou por descair para me rebocar. Uma mota! Na Venda estávamos todos reunidos.
Na ligação ao Milharado manteve-se a intensidade, com o Hernandez sempre a imprimir o andamento e grupo a esforçar-se por manter a unidade. Após a Póvoa da Galega, pouco antes de reentrar no percurso em sentido inverso, o próprio lançou a seguinte laracha: «viemos dar esta voltinha para aquecer, hem». Pois...
Nesta toada, num ápice chegámos a Bucelas e preparámo-nos para enfrentar o Cabeço da Rosa, pela Romeira. Ritmo crescente, a terminar no limite. O Hernandez a dominar. Agora parecia ser o Mário em dificuldades. Retribui-lhe a ajuda da Chamboeira, mas disse para não me apoquentar, que só precisava de... «embalar». Talvez a subida fosse demasiado curta para o ritmo demasiado alto. Na sua terra, o Jorge «ordena» uma paragem por... necessidade. E no reatamento, em voz baixa reconhece a «disponibilidade» do Renato, para ele, desconhecida. Até agora.
Enfim, A-dos-Loucos. Primeiro ponto a favor da minha causa própria contra o empeno: a maioria parecia desconhecer a subida. Aos primeiros metros, o Renato exteriorizou a surpresa: «Onde é que estava escondida esta beldade?».
Numa atitude que o Carlos Gomes define como «até queimar o sangue», passei a imprimir o ritmo do grupo na fase inicial, a mais dura da ascensão. Fi-lo como pude, sempre em crenques, porque as pernas não suportavam que pedalasse sentado. Conduzi até a pendente aliviar e até à primeira mudança de velocidade. Esta veio do Contador de Alverca e foi esmagadora. Ninguém a suportou, até final. Os restantes subiram com ligeiras distâncias, e uma enorme surpresa: o Pedro entre as feras! Na cauda, eu e o Gomes, a tentar minimizar os prejuízos. Ainda assim, no alto a nossa desvantagem não era... demasiada.
Ah, com isto esqueci-me (por simpatia) de mencionar que, entre Alverca e Alhandra, se juntou a nós o Pedro Fernandes. Os cumprimentos foram breves, tal como o convívio, e só no final da subida se deu pela sua falta. Afinal, não demorou muito.
De A-dos-Loucos saltou-se para Mata, colocada especialmente neste final de percurso só para... estragar. Para meter nojo. E se a subida dos Loucos foi às apalpadelas, esta, por ser bem conhecida, foi atacada quase desde o início. Ainda assim, o grupo manteve-se compacto até ao primeiro descanso, altura em que o Gomes denuncia intenções: «Já estou despachadinho». E abre. Eu não demorei muito mais a seguir-lhe o exemplo, durei apenas até à curva cotovelo, quando o Hernandez esticou.
No entanto, este acabou por ser vítima da sua afoiteza. Em resposta, o Mário arranca imparável e tanto o Jorge como o Pedro (mais uma vez excelente!) seguem-no. Entre todos, distâncias de cerca 15 a 20 metros – mas lá na frente alguma coisa estava para acontecer. O Jorge passa à contra-ofensiva e dobra o Mário. E o Pedro mantém-se em progressão. Para trás fica definitivamente o Hernandez, depois estou eu e a seguir o Gomes, que encontrou o seu ritmo. Finalmente, o Pedro Fernandes.
O pequeno Contador de Alverca ainda explodiu para os metros finais, num registo de subida que rondou os 11m30s – ou seja, a «top». Está rijo, o homem!
E este domingo há Montejunto, por Pragança, com a sua famosa rampa dos 15%. Até lá conto estar melhor. Pelo menos, que a lástima deste final de semana.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Domingo: A-dos-Loucos

No rescaldo da Clássica da Serra da Estrela (crónica dos hérois em www.classicaserradaestrela.blogspot.com), retoma-se o calendário de voltas, com a realização este domingo, de A-dos-Loucos. Na ausência de parte do grupo e provavelmente de outros elementos no contra-relógio Alverca-Reguengos, no cardápio dos restantes estarão duas subidas «míticas» da nossa região: A-dos-Loucos (de Alhandra) e Mata (de Arruda). Mas o traçado tem mais dificuldades. De qualquer modo, uma mera rotina para quem esteve no exame da Serra.


segunda-feira, agosto 30, 2010

Crónica da Abrigada

A volta da Abrigada cumpriu os objectivos que se poderia propor a último teste antes da Clássica da Serra da Estrela, no próximo sábado. Para muitos que tiveram nela a avaliação ao estado de forma ou o derradeiro apuro antes da jornada serrana, parece ter servido perfeitamente. Houve momentos de intensidade que permitiram aferir as respostas do físico às solicitações que, com certeza, serão muitas e bastante exigentes na alta montanha.
A primeira metade do percurso decorreu a ritmo vivo, ainda que moderado e sem grandes oscilações. Devemo-lo, principalmente, à acção do Freitas, cuja presença foi assídua na dianteira do pelotão. Em longa fase plana, rolou-se quase sempre em redor dos 35 km/h, não permitindo, assim, distância suficiente a que a dupla Capitão e João do Brinco, em fuga desde muito cedo (a seguir ao Tojal), pudesse durar. Pouco depois da Castanheira do Ribatejo seria anulada.
Agora, em pelotão compacto, fez-se a ligação a Alenquer, onde o topo da variante serviu, como é habitual, para ter acelerar o pulso. Entrava-se num sector em que a planície dava lugar a terreno mais acidentado, uma espécie de parte-pernas.
A partir da Ota passei para a frente do pelotão, em parceria com o Bruno (Carb Boom), partilhando a condução do grande grupo até à Labrugueira, a bom ritmo (32 km/h de média neste sector). Esta exposição ao desgaste permitiu-me aferir atéque ponto estaria recuperado da virose que me adoentou no início da semana. O veredicto foi dúbio: recuperado, sim, mas ainda debilitado.
Por isso, quando se deu a renovação à frente do pelotão, com a entrada ao serviço do Jorge e do Carlos Cunha na aproximação à subida da Atalaia, senti-me com os depósitos meio vazios. A prova foi que, logo à saída da Aldeia Galega, no início da longa ascensão para o Sobral, as movimentações entre os mais fortes (e até aí resguardados...) deixaram a descoberto a minha incapacidade para os seguir. Pois, a perda de alguns metros numa aceleração inicial revelou-se irrecuperável.
Foi o Jorge que deu o mote (o Contador de Alverca está em forma e «apontada» à serra!), mas o Bruno deu-lhe seguimento, fraccionando totalmente o pelotão que se transformou rapidamente em pequenos grupos com andamentos descompassados.
Na frente ficaram cerca de 6/7 elementos depois de se terem «perdido» alguns, vergados ao ritmo de respeito. Na perseguição, reuniu-se um trio em que me incluía, com o Renato Hernandez (saudado regresso!) e o Alex, e que cedo percebeu que a recolagem ao grupo da dianteira seria tarefa homérica, apesar do enorme esforço partilhado – que valeu bem a pena! Impressionou-me o Hernandez, que a cumprir uma fase de regresso às lides, ainda longe da capacidade que lhe reconhecemos, mostrou que a força e a fibra são-lhe inatas. Merece elogio também o Alex, pelo esforço que fez, sem desistir nunca, para se manter no duo, numa prova que é dos tais com espírito de sacrifício.
Depois do reagrupamento no Sobral, a subida para o Alqueidão teve os mesmos protagonistas e voltou a demonstrar a lei dos mais fortes. Entre estes, desta vez, houve diferenças. O Contador de Alverca deu novamente largas ao invejável momento de forma que atravessa e na fase final da subida meteu um passo sério que apenas o (nosso!) conterrâneo Carlos Cunha conseguiu acompanhar.
Por fim, a descida para Bucelas, como sempre convidativa a cavalgadas. Desta vez, começou a meio gás, mas acabou em grande estilo com sprint lançado para mano-a-mano entre o Freitas e o... surpreendente Cunha. Não se fez a média louca de há uma semana (50 km/h), mas não faltou velocidade e adrenalina. Sempre nos limites da segurança e do desportivismo.

Entrámos na semana final da contagem decrescente para a Clássica da Serra da Estrela, a realizar no próximo sábado, na Covilhã (8h00). Está tudo a postos e a máquina está em marcha... imparável.
À atenção de todos os que preparam a sua participação, resta privilegiar a recuperação através de um equilíbrio entre actividade e descanso, e que cada um se consciencialize do desafio enorme e engrandecedor que tem pela frente, e principalmente do seu elevado nível de exigência. Que ninguém duvide: esta primeira Clássica da Serra tem um traçado de eleição – que pouco ou nada fica a dever às grandes «marchas internacionais». Vamos, acima de tudo, desfrutar!
Todos os pormenores sobre o evento em: www.classicaserradaestrela.blogspot.com

quinta-feira, agosto 26, 2010

Domingo: Abrigada

No próximo domingo, a volta é a da Abrigada, por troca com a Clássica do Bombarral, em virtude da proximidade da Clássica da Serra da Estrela, que já é no fim-de-semana seguinte (sábado, dia 4 de Setembro). O Bombarral «transita», assim, para dia 17 de Outubro.
O percurso da Abrigada (104 km) não apresenta grandes dificuldades, apenas um «parte-pernas» a partir desta localidade, pouco antes de metade do percurso (46 km) e após a primeira fase quase totalmente plana, por Alverca, Vila Franca e Alenquer. O sector mais exigente vem a seguir, com a suave mas longa subida da Merceana para o Sobral, e a continuação para o Forte de Alqueidão, num traçado semelhante ao final da volta da Serra de S. Julião, no passado domingo.

ATENÇÃO: Novas informações sobre a Clássica da Serra da Estrela: instruções sobre procedimento no decurso do evento (www.classicaserradaestrela.blogspot.com)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Crónica de S. Julião

A subida à Serra de S. Julião, no passado domingo, foi o momento alto de uma volta que teve outras fases interessantes, com o contributo do percurso ser desnivelado. No meu caso pessoal, agravou os sintomas de gripe (ou virose de outra estirpe) que sentia de véspera e que me fez cair «de baixa» nos dias seguintes.
A saída de Loures foi mais intensa que o recomendável para este tipo de voltas... normais. Principalmente, a partir do momento em que o André decidiu apertar o passo e o pelotão sair em sua perseguição. O Salvador ainda o acompanhou algum tempo, mas apercebeu-se que o «puto» tinha intenções de não aliviar e, previdente, deixou-se descair para o grupo, que procurava não perder o fugitivo de mira.
Até Bucelas, se o ritmo foi «um pouco acima» quando se iniciou a subida, no Freixial tornou «muito acima». Pelo menos, para metade do pelotão que imediatamente se dividiu. À frente, um grupo (Mário, Torpes, Jorge, Pedro e um conterrâneo de Alverca «Palmeira-Tavira» que, com outro companheiro, já confirmaram a presença na Clássica da Serra da Estrela) tentou reduzir a distância para o André, mas a maioria viria a abdicar antes do Forno do Coelho, deixando apenas o Mário e o Rui Torpes na perseguição. No segundo grupo, encarreguei-me de gerir o andamento de forma a que todos (Alex, Gonçalo, Salvador, Evaristo, Capitão...) seguissem e sem perder muito tempo para a dianteira. Creio que foi conseguido.
Após a rotunda de Vale de S. Gião, juntámo-nos aos restantes que perseguiam o André, que se mantinha isolado. E continuei à frente, em ritmo moderado, revezando-me com o Alex. Na subida do Milharado, eis o André... em sentido contrário. Abdicara da sua iniciativa de «não parar mais» e adiante... abdicou mesmo de continuar a volta, rumando a outras paragens, provavelmente para cumprir mais a preceito o treino previsto.
No alto da Sapataria, o pelotão estava praticamente compacto e assim rolou a caminho de Dois Portos, Runa, Carvoeira e Curvel, onde iniciou a dura subida para o Parque Eólico. Na aproximação, o falso plano fez uma primeira selecção, que as pendentes iniciais da subida acentuaram. Na frente: Jorge, Torpes, «Palmeiras», Mário e eu – que, à entrada da segunda rampa, cedi à fraqueza muscular. O Mário também descaiu alguns metros em relação ao trio, que se manteve quase compacto até final. Entre os três, segundo me apercebi, as diferenças foram mínimas (ou nenhumas) e, por engano, não foram até ao final (ventoinhas), cortando à esquerda na placa... Serra S. Julião.
Mais relevante foi o facto de os restantes que subiram (Pedro, Capitão, Evaristo, Salvador, Filipe) terem tido uma prestação esplêndida, de muito bom nível.
No regresso, a partir da Merceana o grupo voltou a partir-se. Os mais fortes «foram-se», formando-se, atrás, um quinteto em que me integrei, sempre na roda, a tentar atenuar a debilidade física. Ficaram, então, além de mim, Salvador, Evaristo, Alex e Filipe.
E foi uma subida, como diz o outro, entretida! Primeiro, alguns (que me abstenho de identificar...ehe!) definiram como prioridade não deixar o Capitão reentrar, ele que metera um passo de gestão desde o início, libertando os demais. Ou seja, deveria ser quem menos se importava...
Segundo, depois de constatar que o Capitão era carta fora do baralho, o grupo não demorou a atiçar-se, embora o Alex e o Evaristo fossem os mais despreocupados, colaborando no andamento. Apesar de algumas maldades, o quinteto manteve-se compacto até ao Sobral e assim atacou a subida para o Alqueidão, onde, na parte final, o Salvador acelerou definitivamente, levando apenas o Alex na roda. Os restantes ficaram, com o Filipe a acusar o esforço.
Mas foram poucos os metros que se perdeu (perdemos) e quando nos juntámos a todo o pelotão (que aguardava no alto) passámos... directos! Aproveitando o vento favorável, meti o comboio, do Alqueidão a Bucelas, à média de 50 km/h! Foi divertido, como é sempre descer ali, a alta velocidade e com muito pedal, mas não foi, para mim, certamente, boa ideia. A partir dali, kaput!
A caminho do Tojal, o inesgotável Mário definiu, por defeito, o meu estado: «Também estás num dia mau?» Pior que isso, meu caro, muito pior!

Notas importantes:

A hora de partida da Clássica da Serra da Estrela (www.classicaserradaestrela.blogspot.com) foi antecipada
para as 8h00, no mesmo local da Covilhã (parque estacionamento
do McDonalds)

A volta da próxima semana será a da Abrigada. Mais informações em breve.