Sexta-feira, Março 16, 2012

Clássica de Santarém: a crónica

Já se esperava. E confirmou-se! Todos os indicadores deste início de temporada deixavam antever grande participação e elevado nível na primeira Clássica do ano, Santarém, mas a presença de mais 100 ciclistas à partida de Loures e a média final de 37,5 km/h, a demonstrar o gabarito de uma elite entre a maioria em muito boa forma, superam todas as expectativas.

Após esta auspiciosa «reentré» e com a rainha das Clássicas, Évora, a pouco mais de uma semana, a fórmula deste tipo de eventos de ciclismo puramente amador, prova aberta e com andamento livre, atingiu patamar evolutivo máximo nos atuais moldes (sem estrutura organizativa), ou melhor, o ponto de não retorno... Um pelotão de mais de uma centena, durante 150 km em ritmo de competição, a ocupar a faixa de rodagem,  cruzando localidades e rotundas a alta velocidade, não será esticar demasiado os limites da segurança, da legalidade? Tudo correu bem, muitíssimo bem, a repetir, muitas vezes, mas até quando? Até este ponto poderá chegar a organização da carolice, da camaradagem, do «passa a palavra», do blog... Mas daqui para frente, a manter-se ou reforçar-se esta adesão, só resta entrar na «norma», legalizar-nos. Para o bem de todos. Mas à custa de quantos sacrifícios, de que disponibilidade e voluntarismo? E de quem? 
Sobre esse pertinente assunto debateremos em futura ocasião. Passemos à ação!

A média horária fala por si. Mas, desde já, o seu a seu dono. Ou o facto de ser indispensável esclarecer sobre a existência de responsáveis desta proeza, pois contam-se pelos dedos de uma mão. E não precisam de ser todos! Quem é dos poucos, que participam habitualmente nas nossas andanças domingueiras, capaz de puxar, de início a fim (ou quase), um pelotão a uma velocidade de cruzeiro elevadíssima, a roçar os 40 km/h? O Renato Hernandez, está claro! O trem do Infantado voltou a exibir-se ao seu estilo, mas desta vez contou com a parceria do Rui Torpes e durante largos períodos, principalmente na primeira metade do percurso, da assídua colaboração do Ricardo Gonçalves. Eu próprio (e apenas nesta fase do trajeto) dei uma ajudinha – até um raio me trair... As cores do Pina Bike a reluzirem, portanto!

As incidências da «ida» resumem-se em poucas palavras: até Vialonga, o pelotão aqueceu moderadamente (aplaude-se!), mas quando aquele trio decidiu render-me à cabeça, a velocidade fixou-se muito perto dos 40 km/h e assim se manteve, sem especiais sobressaltos, até ao início da subida para Santarém (Portas do Sol). Média 37,2 km/h.

A exceção foi a reta do Cabo... Não sei se há solidários com a minha angústia, mas, para mim, foi (é quase sempre que lá passamos) a parte mais difícil desta Clássica. O vento lateral, o andamento forte e inconstante, a estreia faixa bem asfaltada, o trânsito rasante, a reta interminável, um suplício. Felizmente a ponte de Vila Franca não foi «atacada», nem houve esticões! Após isto, rolou-se com tranquilidade. Com um extenso pelotão a não desarmar. Afinal, o terreno era favorável. Até que chegou Almeirim (Tapada) e a subida, o primeiro ponto seletivo da jornada!

Previsível seria que a toada de grande nível não esmorecesse com a inclinação. E confirmou-se. Só que os protagonistas mudaram. O Freitas assomou-se à dianteira e meteu um passo rijo (mais de 30 km/h) nas primeiras centenas de metros, deixando o grupo estirado antes de deixar a frente exposta ao ataque dos jovens (dos putos, literalmente!). André, Tiago (Cartaxo) e outro elemento, do GES BES (que já tinha participado e dado cartas na Clássica Pina Bike, em 2011), destacaram-se alguns metros, após uma mudança brusca de ritmo, mas não foram mais longe do que isso, com o Hernandez a controlar as distâncias à frente de um grupo. O pelotão, sem surpresas, fragmentou-se, mas quando seria de esperar que ficasse irremediavelmente reduzido à sua parte mais «forte», voltou rapidamente a reagrupar-se e em número muito superior ao que seria expectável – ainda com mais de metade dos seus elementos.

 Bom, para mim, ao chegar na roda do Renato, nos calcanhares do trio da frente, poderá dizer-se que a subida até correu bem. Isto, considerando que se pode ir bem durante 3m30s (1,8 km, a 6%) a 176 pulsações - 30 km/h de média! O pior foi ter saído... meio torcido. Talvez por quebra de glicemia (pouco provável, pois tomei um gel algum tempo antes) ou outra razão qualquer, a verdade é que nos quilómetros que se seguiram as sensações não foram nada positivas – uma espécie de entorpecimento, de mal-estar... que felizmente não teve maiores consequências por ausência de mudanças bruscas de ritmo em todo o trajeto de regresso, mesmo com o Vale de Santarém bem «lançado», mas já sem o frenesim das Portas do Sol, sob o comando, incontestado, da dupla Hernandez/Torpes. Esta liderou a seu bel prazer o percurso de «vinda», cumprindo uma média de 40 km/h «redondos» até Loures.

Todavia, seria pedir demais que a referida dupla – sem dúvida, dos principais protagonistas desta Clássica – não se mantivesse incólume nos quilómetros finais, a partir de Alverca, os últimos 15, onde a sua liderança foi fortemente colocada à prova, e até quebrada, no caso do Renato. Naturalmente, por força da fadiga...

 A contestação começou na subida da Sagres (Vialonga), ainda com a referida dupla, imperturbável, a impor o andamento perante o posicionamento das «trutas» entre os lugares cimeiros. Começaram-se a marcar rodas. Como nada se passou até ao topo, a descida em falso plano descendente da Variante foi invulgarmente tranquila (sem hostilidades, entenda-se). O meu coração chegou a bater a 120 por minuto a... 50 km/h. Acalmia de pouca dura – chegava à rampa do Tojal, habitualmente ponto de decisão ou, no mínimo, de separação definitiva das águas. E foi mais esticada que nunca! Desde a base, um grupo ainda com umas 20 unidades lançou-se, como gato a bofe, pela curta mas acentuada pendente. Só por instantes se baixou dos 30 e tal à hora. Um ataque mais forte do Hugo Feijão (Negrais) estilhaçou tudo... Eu, mal posicionado, pensei que chegara ao fim a minha permanência entre os primeiros, mas mantendo a cadência acabei por beneficiar da quebra dos demais para reentrar no grupo perseguidor ao fugaz fugitivo (agora não mais de 10 elementos) na roda do Filipe Arraiolos (momento de boa forma comprovada). Anulada a fuga, «picou-se» então a toda a velocidade para a segunda rotunda do Tojal, com o Freitas a tentar surpreender, antecipando a subida final, de São Roque. O grupo estirou-se, não lhe permitindo liberdade.

Então, deparava-se a rampa final. E um ataque muito forte do Jony parecia ser «matador», à semelhança do que sucedera o ano passado quando um ciclista do Cartaxo jogou a cartada irresistível naquele mesmo local, e da mesma forma. Mas depois da descida, a escassos 200 metros do final, o mecânico estranhamente aliviou! Só o esgotamento justificaria tão abrupta quebra. O momento em que alcançado por um grupo muito restrito coincidiu com o arranque final, em sprint, do André para o topo do Infantado (rotunda), a que apenas o Rui Torpes (que pilhas!) e o Capela conseguiram responder, sem, no entanto, «fecharem» o espaço de alguns metros. Além destes três, e de mim próprio, após São Roque mantinham-se à frente (passe eventuais lapsos incapacidade no reconhecimento), o Cunha, o António (Rodinhas), o Dario, o Chico Aniceto, Vítor Mata a Velha, o Feijão, o Filipe Arraiolos, o Jorge, estes a chegarem de trás.

No final de 152 km em 4h04m, com o coração ainda a 1000 por hora e a adrenalina nos píncaros, uma única palavra encontrei para classificar o empenho de todos os que, mais depressa ou mais devagar, concluíram esta primeira Clássica de 2012: Insuperável! 

Segunda-feira, Março 05, 2012

Domingo: Clássica de Santarém

ATENÇÃO: MUITO IMPORTANTE!!!

Em virtude da realização, no próximo domingo de manhã, da Corrida das Lezírias, em Vila Franca de Xira, a circulação naquela cidade vai estar altamente condicionada, inclusive com corte de faixas de rodagem e as autoridades a terem de redirecionarem o trânsito por vias alternativas.  
Por esse motivo, e ainda não se sabendo, à nossa primeira passagem, se os cortes e desvios já estarão instalados (fala-se que só acontecerão a partir des 9h00), fica desde já estipulado que, quaisquer que aqueles sejam e por onde nos dirigirem, todos os participantes da nossa Clássica de Santarém deverão, naturalmente, respeitar a sinalização e moderar significativamente o andamento enquanto não se retomar o percurso original - se dirige à ponte Marechal Carnoma, em direção à Reta do Cabo para o Porto Alto.
De resto, o mesmo deverá suceder no regresso, com a recomendável moderação do andamento e o escrupuloso respeitos das indicações das autoridades de trânsito.
Pede-se, por isso, a máxima compreensão e consciência destes condicionalismos à Clássica, para que prejudiquem o menos possível o seu normal desenrolar. Tenho a plena convição de que, com a adesão de todos a estas indicações, aqueles não constituirão problemas de maior!
Boa sorte para a grande romaria santarena!    

É já no próximo domingo, dia 11, a primeira Clássica da temporada: Santarém.
Esclareça-se que o percurso regressa ao traçado original (ver gráfico), depois da «alternativa» forçada em 2011.
A partida de Loures (posto de abastecimento da BP) é às 8h00 (em ponto!). A chegada será no mesmo local.
ATENÇÃO: chegada não quer dizer o mesmo que meta! Evite-se entrar em sprint pelas bombas, como já sucedeu noutras Clássicas! Neste caso, deverá imperar a razoabilidade: um ciclista isolado ou um grupo (mesmo que apenas de dois elementos) devem considerar concluído o seu esforço após a primeira rotunda do Infantado, no final do último topo.    
Nunca é demais recordar que a filosofia das Clássica é de, início ao fim, em andamento livre e sem paragens previstas/estipuladas para neutralização de reagrupamento (como nas voltas tradicionais). De qualquer modo, isso não invalida de o pelotão, por acordo do colectivo, fazer compassos de espera e/ou paragens devido a incidente (furo, queda) ou outros motivos que os justificarem.
Reforce-se que este evento não tem fins competitivos e deve ser escrupulosamente respeitada, sem compromissos, a salvaguarda da segurança na estrada e da convivialidade, a fim de evitar múltiplos perigos. NÃO VALE A PENA ARRISCAR AVIDA E A DOS OUTROS POR UMA RODA, POR QUALQUER VANTAGEM...
A realização de eventos deste tipo (Clássicas) tem sido, desde há vários anos, um exemplo de promoção ao ciclismo puramente amador, à saudável competitividade entre grupos domingueiros e até de corredores. A preservação e o próprio incremento desta «receita» de sucesso passa, exclusivamente, pela boa consciência, civismo e a máxima responsabilidade de todos os participantes. Aqui não se ganha nada mais que a recompensa pela superação física e psicológica, a noção de pelotão e das incidências inerentes à prática do ciclismo com «empenho elevado», mas pode perde-se MUITO!!
Também, por isso, recomenda-se, vivamente, que esse respeito se estenda à presença e saída no local e hora da partida, e a saída em simultâneo com o pelotão, além de não se atalhar caminho. Aos que decidirem fazê-lo, quer na ida, quer no regresso, pede-se que se respeite os cumpridores, não interferindo no normal desenrolar do evento.                

Sábado, Março 03, 2012

Domingo: Gradil

A volta de amanhã, domingo, é a do Gradil, a última antes da Clássica de abertura: Santarém (dia 11).
O percurso é o seguinte. E os pontos de neutralização para reagrupamento:
- Sobral (rotunda da Praça de Touros)
- Turcifal (se necessário)
- Murgueira (alto do Gradil) 

Quinta-feira, Março 01, 2012

Crónica da Carvoeira (Sra. do Ó)

Antes da crónica da volta da Carvoeira (Sra. do Ó), realizada no domingo passado, eis duas notas prévias:

A primeira, uma palavra de «lamento», a título individual e tomando a liberdade de a tornar coletiva, em nome dos demais participantes na referida volta, no último domingo, ao camarada Alex, por quem não aguardámos na neutralização para reagrupamento (que foi respeitada, tal como todas as previstas) na rotunda da Abrunheira, no regresso de Mafra. Por esse motivo, e mesmo com a atenuante de ele não saber (como recomendável) o percurso, perdeu-se, seguindo em frente na Igreja Nova, em direção a Cheleiros (pelo menos teve com companhia). Nada de muito grave e que poderá suceder amiúde, mas, como se apraz, aqui ficam as (nossas) desculpas!

A segunda, tem a ver com mais uma visita do Fábio Silvestre, e que considero dizer «muita coisa» sobre o nosso grupo, cuja «filosofia», invariavelmente, é motivo de controvérsia, ora agradando a uns, ora desagradando a outros. Em princípio, como referi, a presença do jovem campeão nacional de sub-23 e elemento da equipa de promoção da consagrada (e Pro Tour) Leonard-Trek, não teve nada de especial – começa a ser habitual. Só que, pela primeira vez, ele apareceu sem a companhia habitual do André, parceiro de treino e até que agora vinha sendo uma espécie de seu cicerone. Ou seja, retornou ao nosso convívio por iniciativa própria, e daí se poderá retirar ilações mais ou menos óbvias: porque foi bem recebido nas anteriores, porque se sentiu bem, porque foi sempre bem recebido. E bem recebido também inclui o nível do grupo, sabendo-se (se não, calcula-se) que podem não ser consensuais as primeiras impressões entre um grupo «instalado» e quem chega com o rótulo de «competidor», mais ainda, no caso do Fábio, sendo ele um corredor de créditos firmados com a projeção que o jovem (que se revela muitíssimo simpático e humilde) jovem já adquiriu. Por isso, a presença do Fábio deverá (continuar a) ser interpretada como uma honra para o nosso grupo e não deve ser depreciada (ou até mesmo desperdiçada), porque, pelos vistos, ele próprio já se sente em casa, certamente também honrado pela nossa hospitalidade e, porque não, pela «qualidade» de treino que lhe proporcionamos. E isso não é para todos os grupos!

Depois disto, o comentário sobre a volta tem forçosamente de ser pequeno, embora muito «suminho» dela tenha vertido. Ficam apenas as principais considerações sobre os pontos «quentes» da jornada.

Desde logo, a já esmiuçada presença do Fábio Silvestre foi catalisadora. Expliquemos: funcionou, nesta volta, mais do que em qualquer outra em que ele esteve, como barómetro do andamento nos momentos de maior intensidade. A exceção foi a longa ascensão do Tojal/Bucelas/Venda do Pinheiro, em que dividi as despesas com o Jorge, a ritmo moderado e poucas vezes acima disso.

Compareceu um lote de «trutas» de gabarito: além do Fábio, o Hugo Ferro, o Capela, o novel Master Cunha, o Jony, e mais um jovem corredor do Cartaxo. Entre os mais habitués: eu, Jorge, Capitão, Bruno Felizardo, Alex, Pedro Fernandes, Gonçalo.

A questão do barómetro ficou bem explícita na subida principal do dia, Sra. do Ó, quando o Fábio meteu um andamento rijo mas não seletivo para os mais fortes e que todos pareciam respeitar (numa espécie de reserva implícita), até mesmo os que estão em muito boa forma e que estariam nitidamente com «ganas» de se experimentar...

Após o início da subida, a sua fase mais íngreme, permaneciam na roda do Silvestre: Hugo Ferro (um dos que me mais pareceu respeitador...), Capela, Cunha, eu, Jorge e o jovem do Cartaxo. E teve de ser este, provavelmente com maior «confiança» com o Fábio, a perder-lhe o respeito e a atacar, despoletando as hostilidades. No primeiro golpe (violento!), todos responderam, apenas eu e o Jorge ressentimo-nos, perdendo alguns metros. Ele recuperou melhor e deu-me preciosa roda. Tinhamo-los à vista... se eles desacelerassem! Mas não pareciam: os contra-ataques sucediam-se e então cederam os Masters do Pina Bike (Capela e Cunha). Finalmente (e felizmente), o trio da dianteira aliviou quando a inclinação do terreno também, proporcionando num primeiro momento a reentrada daquele duo e, pouco depois, do nosso. Onde eu tinha recuperado a bolha e ainda encabecei o septeto à chegada a Mafra, após mais um ataque a sério do «Cartaxo» já na fase final quase plana e, por isso, sem possibilidades de êxito.
Fica o meu registo na subida a comprovar que não foi «pera doce»: 6,3 km a 3,3%, em 14m21s (26,3 km/h de média e 170 de pulsação).  

E fica-se por aqui... porque já vamos longos. Resta apenas ressalvar mais alguns pormenores no regresso: os 34 km/h de média da Abrunheira à Venda do Pinheiro; e os 44 km/h (!!!) entre a Venda do Pinheiro e Loures, com descida da Freixeira a 75 km/h na roda do Jony. Alucinante!

P.S. Ficou-me na retina a única situação talvez em que o Fábio se «mostrou»: na descida da Foz do Lisandro, trajetórias corretas, simples... Num instante estava ao meu lado, noutro estava fora do alcance. E logo a seguir, não perdendo a embalagem, quando entrou a subida (depois da ponte) apanhou meio fundo de um carro a 30 e tal à hora e... - adeus a todos!                            
                  

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012

Domingo: Carvoeira (Sra. do Ó)

A volta do próximo domingo é a da Carvoeira (Sra. do Ó), com «epicentro» na interessante subida desde a Carvoeira até Mafra (centro). O percurso, de cerca de 95 km, como qualquer traçado na zona oeste, é desnivelado. Grau de dificuldade... longe de ser baixo!