O homem prometeu e cumpriu. Para compensar a falta de presença no último domingo, o L-Glutamina (o Steven) já tinha ameaçado neste blog atacar no Freixial e pôr-se em fuga com pouco mais de 10 km percorridos de uma volta de… 90 km. E para os cépticos que glosaram da sua promessa aventureira, não fez esperar a resposta. Mais: antecipou a iniciativa, acelerando o andamento ainda antes de Bucelas, sem que alguém ousasse responder. Continuariam sem acreditar que fosse para valer? E lá foi, apesar de a partir do Freixial terem ocorrido as primeiras mudanças de ritmo, com o pelotão a fraccionar-se na longa subida, mas sem êxito na sua «captura».
O primeiro fugitivo do dia chegou à Malveira com mais de 5 minutos de avanço sobre o primeiro grupo de perseguidores. Todavia, não ficou totalmente satisfeito com a prestação, reconhecendo que não cumprira, na íntegra, a promessa: «Tinha dito que a fuga era até ao final». Fica para a próxima. Isto se houver, pois em futuras iniciativas do género dificilmente voltará a contar com a parcimónia do pelotão. Adiante.
Na Malveira, quando se esperava que houvesse um compasso de espera para reagrupamento, o primeiro grupo, agora com o L-G já integrado, continuou em bom andamento. E eu, com o Pedro e o seu amigo, estive a 20 metros de também nos juntarmos, mas deixámo-nos atrasar entre o imenso trânsito no interior da vila, obrigando a que, a partir de Alcainça, o esforço na perseguição tivesse de ser bastante mais forte. Alcançámos primeiro o Nando (está para ficar!!) e depois o João e o L-G, que não tinham resistido ao andamento imposto pelo trio Freitas, Carlos e Miguel. Recolámos já na última subida para o Carapinheiro, depois da rotunda nova da AE, com o Miguel a pisar no acelerador para passar à frente no alto. Enfim o reagrupamento!
A ligação entre Mafra e a Ericeira fez-se a bom ritmo, novamente com dois grupos (e eu novamente no perseguidor), e embora com controlo da distância, só pouco antes da descida para a Ericeira se voltou a rolar em pelotão compacto.
À saída desta bela vila piscatória, apareceu o vento de cara, pronuncio que os próximos quilómetros até Terrugem haveriamos que enfrentar um adversário adicional. E a subida de Foz do Lizandro para o Pobral, a mais exigente do dia, vinha já a seguir. Bom ritmo, primeiro o Miguel à cabeça, depois o Pedro, depois eu. Nos últimos 500 metros, meti a pedaleira grande para forçar os músculos, acelerando um pouco o andamento. No alto, pouco depois do Freitas ter afirmado, entre duas tomadas de fôlego, que o grupo vinha «todo partido», olhei por cima do ombro e quem! O Glutamina – o próprio! Embora a subida não tenha sido a grande intensidade, ali estava ele a demonstrar que, depois da fuga madrugadora, era, de facto, o homem do dia.
Até à Terrugem, o ritmo abrandou muito, mas logo a seguir saltavam mais dois elementos: o Carlos e o Zé-Tó. Aceleração forte, descarada, nas barbas do pelotão, que não demorou a reagir, mas rapidamente se verificou que a tarefa exigia empenho. Na perseguição Freitas, Miguel, Pedro, o seu amigo, Ricardo, Steven (L-G) e o Pina. Definitivamente para trás, o Luís e o Samuel (em deficit de forma devido a paragem) e ainda mais para a frente, o Salvador (sempre esquivo). Na passagem pela Granja e na aproximação a Pêro Pinheiro, a perseguição estava bem lançada, testando fortemente a resistência dos dois fugitivos. No entanto, em Pêro Pinheiro decidiu-se aguardar pelos retardatários, não permitindo saber até onde iriam os fugitivos e a capacidade dos perseguidores. E a coisa estava mesmo séria. Assim, para ver de novo o Carlos e Zé-Tó só em Loures.
Assim, resolveu-se apreciar o bom cheiro do leitão de Negrais, mesmo a abrir o apetite para o almoço, e aproveitavou-se para jogar ao gato e ao rato, culminando num sprint vigoroso em Sta. Eulália – que antecedeu nova paragem. A partir daqui já se descontavam os quilómetros para Loures e pedia-se ao céu para aguentar a chuvada que ameaçava abater-se a qualquer momento. Depois de Ponte de Lousa, a subida curta para o alto de Guerreiros fez-se a esticar ligeiramente o elástico e o Freitas surpreendeu toda a gente com uma boa aceleração final (e não propriamente um sprint, o que merece registo!). Eu, por exemplo, fiquei à procura dos carretos e só recolei na descida.
Em Loures lá estavam o Zé-Tó e o Carlos (este já em sentido contrário, a provar que deixara o servicinho feito, e bem feito, porque fez o seu companheiro de fuga tirar o bilhete ainda antes de Negrais). O homem faz-se. Tal como o Zé-Tó e o Glutamina, que apesar da maior discrição na última parte da volta, não deixou de ser o homem do dia!
Para uma grande jornada de ciclismo só foi pena aquela interrupção na perseguição aos dois fugitivos. Fica para a próxima…
Notas de observador:
1. Temos-te debaixo de olho, L-Glutamina! Na ausência do Fantasma, provaste que das bocas se pode passar aos actos e cumpres o que prometes, partindo sozinho, de peito feito, sem receio do muito que ainda estava para vir. Fizeste bem em parar na Malveira, pois, de tão tresmalhado que estava o andamento lá atrás, arriscarias mesmo chegar sozinho a Loures. Definitivamente, pareces preparado para uns apertos. E então aí, a coisa pia mais fino.
2. Foi o primeiro dia da nova temporada para o Miguel, grande companheiro de andanças internacionais. Força, amigo, temos muito que pedalar até às míticas 21 curvas…
3. O Freitas parece revigorado. Confidenciou-me que foi a paragem de duas semanas que beneficiou a recuperação. A verdade é que está mais solto e ousou acelerar numa subida (embora curta) em vez de sprintar. No domingo, a confirmar-se uma volta para roladores pode ser que deixe o seu crivo.
4. O Carlos. Voltou a dar nas vistas, depois de umas semanas de maior apagamento. Queixou-se que uma ameaça de caimbra o tinha impedido de subir com os primeiros no último domingo da Merceana para o Sobral. E que a mulher lhe tinha dado com o rolo da massa por ter sabido, através deste blog, que ele quase entrara pela frente de um carro na descida do Sobral. Tranquilize-se a senhora, porque o seu marido sabe o que faz: era apenas um micro-carro, quase do tamanho de uma bicicleta. Estou a brincar! Desta vez andou sempre no grupo da cabeça, e atacou – mas foi traído. Sim, porque ninguém gosta entrar em fuga e depois os perseguidores resolverem renunciar por outros motivos que não seja por falta de forças. Desculpa lá, companheiro. Por mim, não se volta a repetir. (brinco, porque esperávamos por elementos que podiam estar em dificuldades).
5. Finalmente, o Zé-Tó. Um bis (+) em menos de uma semana. Estando tu a subir de forma, já se sabe com que contar – um homem sempre disposto a espevitar o andamento! E quando estiver «au point», do que serás capaz? Até lá, deixa a malta fazer a pré-temporada descansada, está bem?!