quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Crónica de Sto. Estevão

Santo Estevão marcou ponto de viragem na temporada 2011: concluiu o primeiro ciclo (de dois) da pré-época, com a duração de cinco semanas (desde o início do ano) e abre nova fase, praticamente com a mesma longevidade, que culminará na abertura das Clássicas, Santarém (6 de Março). A partir desta viragem de página, a tipologia das voltas altera-se, embora gradualmente, da planície para relevos mais acidentados, com o surgimento das primeiras subidas dignas desse nome. De qualquer modo, a transição afigura-se moderada, como prova o percurso do próximo domingo, para Ericeira e Terrugem.
No final das longas maratonas «rolantes», repetiu-se o figurino das anteriores: grande e musculado pelotão, resulta em elevadas velocidades de cruzeiro. Os mais poderosos, no seu terreno predilecto, passaram mais tempo na liderança das operações; e a maioria dos demais satisfeitos por se manter em tão veloz carruagem.
No meu caso particular, como «dizia o outro», a volta teve duas partes distintas: a primeira e a segunda. A primeira, sofrida, vergado a sensações de desconforto péssimo logo que a velocidade aumentou, remetendo-me à cauda do grupo, sem de lá conseguir sair. Foi, assim, principalmente depois de Vila Franca, até depois de Samora Correia, com a recta do Cabo, para Porto Alto, a parecer longa, interminável... Motivo: fadiga muscular, em fim de ciclo de trabalho.
De qualquer modo, a meio caminho de Samora a Benavente, uma paragem forçada deu-me renovado alento: furo do Jony (que estoiro!, parecia o rodado de um camião, que ninguém pode dizer não ter ouvido...). Após o reatamento, cerca de meia dúzia a tentar recuperar para o pelotão. Boa pedalada, melhor ritmo, coordenado revezamento. Velocímetro nos 40 km/h até à junção... já bem depois de Benavente, em plena ligação a Sto. Estevão. Ao que pareceu, às tantas houve quem tivesse dado pela nossa falta. E para evitar mais delongas, fez-se, inclusive, inversão de marcha pouco antes de nós chegarmos. Para os que recuperavam (em que me incluia) serviu para limpar o carburador. Deu-me jeito...
O pelotão reagrupou-se e meteu-se a locomotiva em cruzeiro (35-40 km/h) a caminho de Sto. Estevão, cujos topos foram transpostos com a tranquilidade possível, tornando-se evidente que havia alguns ímpetos espartilhados, a querer aumentar a pressão. De qualquer modo, neste tipo de terreno, e frente a tão forte pelotão, as iniciativas individuais ou a procura de andamentos de ruptura são desnecessários. Mais: são inconsequentes, mesmo para os que se apresentam mais poderosos.
A diferença de atitudes e pontos de vista sobre determinado momento, à saída de Sto. Estevão para a estrada nacional, provocou ligeiro desaguisado. E a melhor maneira de os terminar, invariavelmente, é tirar o fôlego à discussão. Foi o que fiz, nos «carolos» para a rotunda do Infantado, com a ajuda do Ricky (BH) após a viragem à direita em direcção (de regresso) ao Porto Alto. A passagem nos topo terá sido boa, pois chegámos a abrir algumas dezenas de metros, obrigando os «principais» do pelotão a fechar (rapidamente) o espaço. Desde aí, não mais se abrandou, e desde o cruzamento de Sto. Estevão (com a nacional) até ao Porto Alto, a média foi de 41 km/h, com o contributo de... muita gente – o que é sempre salutar.
Depois do Porto Alto, as fasquia baixou para 35 km/h, com igual mérito pois agora o avanço fazia-se sob exposição ao vento e com contributo de menos elementos. Já havia cansaço, compreensível, entre a elite que mais trabalhara nos intensos 20 quilómetros anteriores.
De tal modo, que o «ataque» à ponte de Vila Franca não fez jorrar testosterona. O Gonçalo estava com ideias e colocou-as em prática. Saiu com «ganas» e passou à frente no topo, ligeiramente destacado de um pequeno grupo. Os restantes reentraram, aos poucos, no empedrado de Vila Franca – que interrompeu, e bem, a longa duração de ritmos cardíacos médio-altos.
Mais mudanças de velocidade só na irresistível subida da Sagres, dividindo o pelotão (já encurtado com deserções em Alverca) em pequenos grupo, que se lançaram, em perseguição, a grande velocidade na variante de Vialonga. Mas alguns incidentes sucederam-se: primeiro, um furo no primeiro grupo, a deixar pelo caminho uns tantos em auxílio; segundo, logo a seguir, com o Paulo Pais, em resultado do rebentamento (literal) de um pneu novo da Vredestein que quase o atirava ao chão. Àquela velocidade, as consequências não seriam ligeiras.

Amanhã, o percurso e informações sobre a volta do próximo domingo (Ericeira-Terrugem)

5 comentários:

Pedro Fernandes disse...

Apresentação de Escola de Ciclismo Alexandre Ruas

No Domingo lá aconteceu a apresentação do Grupo Desportivo Marmeleirense em que a principal actividade é as duas Rodas: cicloturismo, BTT e agora os Escolinhas.

A apresentação foi digna de um registo PROTour, muito esforço dos dirigentes e pais em que fizeram algo digno de registo e mérito acompanhado por um lanche a todos os presentes.

As crianças/atletas foram apresentadas uma a uma, pousaram todas para a respectiva fotografia da praxe ladeadas por bikes estáticas e manequins devidamente equipados – bonito.

Os patrocínios estiveram presentes assim como todos os VIP´s convidados.

Pois é meuos amigos isto dá muito trabalho mas depois de realizado todos tiveram a referida compensação dos diversos elogios por parte dos convidados, população e pais.

Muito bonito.

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A nossa volta:

Foi fantástica com um grupo cada vez mais numeroso, bem… um espectáculo, espero todos os que ficaram para trás(eu) se apresentem e não desistem desta moldura digna de registo ao nível regional.

Até domingo (se não chover, ehhh).

Pedro Fernandes (Carregado)

Gonçalo disse...

boas a todos
a volta ia sendo perfeita não fosse o furo do joão (mas ele também já não passa sem furos infelismente)e a discussao desnecessaria em santo estevão mas acontece ...e o ponto alto para mim foi quando o fumador arrancou e rapazes novos que nem fumam nem nada ficaram so a ver heeheheheh
Abraço
ps domingo é a subir é so ataques pa tras

Anónimo disse...

belo resumo Ricardo.
Apenos tenho a acrescentar o que, o João, quando alguém fura, é dos primeiros a parar para ajudar. Termino também com ....


Ass: Carlos

Unknown disse...

Excelente volta esta de domingo. Pelotão digno, em número e qualidade, deu para realizar sessão de treino diversificado (séries, endurance, sprint's), sempre com o regresso ao conforto da "roda" de algum colega. Dos inúmeros "profissionais do treino" que se envolvem nestes eventos da pinabikes, devo destacar, que as catecolaminas do nosso sistema nervoso simpático,estão sempre no top, há que aproveitar para sonhar nos Pro Tour. Nem sempre os ritmos impostos, são ao gosto da maioria, mas há que fechar espaços e aguentar...no final o prémio é igual para todos eh eh eh um belo banho e a fadiga subsequente. Devo salientar a boa disposição do Ricardo, Jony, Duarte, mesmo em ritmos elevados, mantêm-se serenos e capazes de conversar...sinal de boa condição aeróbica, ao que alguns vão atirando palavras para quem as quiser apanhar. Para a ponte de vfx, é transversal a todos os grupos de domingo, a necessidade de arranques para aquele topo do carrosel...ao jeito de uma contagem de pontos, na montanha já não é assim. Obrigado pelo treino que me proporcionaram. Um abraço e até a um destes domingos.
Miguel Barroso (vfx)

Anónimo disse...

Meus caros amigos
Cada um anda como quer e quando quer.
Mas temos que ter um bocado de calma quando acontece um furo uma avaria etc.
Porque por enquanto ainda não estamos a ganhar nada com as voltas ao domingo.
E andamos aproveitar o grande nível dos outros amigos para fazer grandes voltas.
E esquecemos que é com eles que temos feitos bons treinos.
Andar na roda não custa, custa é andar a puxar a frente.
Pensem nisto.
Alex silva.